Para que o Portal possa funcionar corretamente, instalamos pontualmente no seu computador ou dispositivo móvel pequenos ficheiros denominados cookies ou testemunhos de conexão.

A INCLUSÃO MAÇÔNICA NO MUNDO

Votos de utilizador:  / 7
FracoBom 
AddThis Social Bookmark Button


Em diversas jurisdições maçônicas ao redor do mundo, a lista de 25 Landmarks de Albert G. Mackey é respeitada como algo intocável, afinal, sua vigésima quinta regra assim determina, que os outros 24 Landmarks são imutáveis. O décimo oitavo traz em sua redação o impedimento de mulheres, escravos e aleijados serem iniciados, o que já rendeu rios de tinta sobre o tema. Quanto à iniciação de mulheres, não é o objetivo deste estudo, mas pode-se afirmar que não é dependente desse Landmark a sua não aceitação.

A iniciação feminina é proibida na maçonaria regular pelos Oito Pontos de Regularidade da Grande Loja Unida da Inglaterra, que exige a entrada somente de homens, de maior idade e reputação ilibada. Em relação aos escravos, a regra já não tem cabimento no mundo moderno, se é que já teve algum fundamento, conhecendo-se a história das Lojas Prince Hall, dos Estados Unidos da América (que paradoxalmente, adotam ainda os 25 Landmarks). Mackey era contra a iniciação de deficientes físicos, adotando a Doutrina do Homem Perfeito, pois apenas um homem com perfeita compleição física podia se apresentar para a construção do tempo maçônico. Um aleijado, em suas palavras, não podia ser feito maçom.

As listas de Landmarks são muito variadas, cada Grande Loja ou Oriente adotando as que acha mais interessantes para sua realidade. A Grande Loja Unida da Inglaterra, de onde surgiram as primeiras leis e jurisprudências maçônicas diz, no seu Livro das Constituições que os Landmarks são imutáveis, mas, observe-se, nunca definiu quais eram. Na maioria das listas de Landmarks encontramos somente a prescrição de que o iniciado seja homem, de idade madura e boa reputação.

Neste estudo tenta-se demonstrar que, dentro da Maçonaria regular, felizmente, a regra de exclusão de deficientes físicos, atualmente em voga na América Latina e outras jurisdições, não é nem de longe universal: a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja do Maine e a Grande Loja Regular da Bélgica, para citar apenas três, não apresentam restrições à Iniciação de profanos com deficiências físicas. Observe-se o que traz a página da internet da Grande Loja Regular da Bélgica:

Pessoas com deficiências podem tornar-se maçons?
Sim, podem, desde que sua deficiência não os previna de participar das reuniões, pois de outro modo a maçonaria não seria, de forma alguma, de valia para elas.
Se alguém se torna deficiente após adquirir a qualidade de maçom, mantem-se maçom e os irmãos encontram um meio de manter o relacionamento.

Ainda a página da Grande Loja do Maine, nos Estados Unidos da América informa em seção de perguntas mais frequentes:

Como um homem se torna um maçom?
Eu tenho uma deficiência física. Posso ser um maçom?
A resposta é quase que certamente sim, desde que você possa participar da Loja e preencha os outros critérios na questão (1) desta seção (ser homem, pelo menos 18 anos de idade, ter uma crença em Deus e ser de bom caráter). Paraplégicos têm-se tornado maçons, assim como cegos, surdos e outros com várias deficiências. Pequenas modificações devem ser feiras nos rituais (por exemplo: empregar linguagem de sinais, modificando pontos em que o candidato fica em pé se é usuário de cadeira de rodas), mas a maioria das lojas têm condições de acomodar os candidatos. Nos tempos medievais, o requerimento de possuir um corpo fisicamente perfeito era sério, uma vez que o trabalho de pedreiro era fisicamente difícil. Algumas Grandes Lojas trouxeram tal requerimento à maçonaria simbólica (isto é, não-operativa). Contudo, em tempos mais modernos isso tem sido eliminado.

P. Roberts, assessor de Relações Internacionais da Grande Loja Unida da Inglaterra esclarece em correspondência destinada a esclarecer sobre as práticas britânicas:

Confirmo que não temos restrições a (iniciar) candidatos cegos ou restritos a cadeiras de rodas. Em minha própria Loja tínhamos um irmão cego e atualmente temos um surdo.

R.L.D. Cooper, curador da Grande Loja da Escócia responde através de correspondência eletrônica:

Sim, nós temos os três Rituais em Braille. As únicas pessoas que não podem se tornar maçons são surdo-mudos - que não podem ouvir e falar e assim não entenderiam o ritual. Nós temos uma Loja que é destinada principalmente para pessoas em cadeira de rodas. Outras pessoas com deficiências são tratada caso a caso.

Pesquisando sobre casos atuais, encontram-se os seguintes relatos no “Masonic Forum of Light”, em tópico inquirindo sobre a existência de maçons cegos:

Postagem original: Existem maçons cegos?
Temple, Birmingham
É claro que existem maçons cegos como você já ouviu falar. Há maçons com todo o tipo de deficiências que você possa imaginar. O ritual é adaptado a eles quando há necessidade. Eu estava presente, como convidado, quando uma pessoa cega foi iniciada em Loja. Ele foi vendado, não para preveni-lo de enxergar, mas como parte do ritual... Foi-lhes dada a luz espiritual ou a luz do conhecimento. A Luz Maçônica. A venda enfatizou isso a ele.
George, Haslingfield, Nr Cambridge, Inglaterra

Nós tivemos um homem cego iniciado, elevado e exaltado em meu Distrito Maçônico em um loja vizinha. Acompanhava-o seu cão guia. Quando ele se ajoelhou no altar para seu juramento seu cão deitou ao seu lado. Quando foi conduzido pela loja, seu cão o acompanhou. Foi exaltado e seu cão estava a seu lado e na conclusão do mestrado a Loja apresentou ao cão um avental de mestre maçom que ele usava orgulhosamente. Ver um mestre maçom recém exaltado e seu cão, ambos adornados com aventais Maçônicos provocou lágrimas de emoção.
Bentley, 2005

Mackey foi superado há muitos e muitos anos na maioria das Grandes Lojas, a sua Doutrina do "Homem Perfeito" é muito rara hoje nos Estados Unidos. Em minha própria loja (Indiana), nós temos uma Loja Especial de Mestres Instalados que foi treinada para prestar assistência aos deficientes durante os Rituais. Como nós somos ensinados que são as Qualidades Internas, e não as Externas, que tornam um homem elegível a ser maçom, há poucas deficiências físicas que não podem ser superadas.
Indiana, 25 de dezembro de 2012

Temos em seguida no mesmo tópico o relato do irmão Peter L., Secretário da Loja Tower of Lebanon, 169, Belfast, Grande Loja da Irlanda:

Atualmente sou registrado como cego tendo sido assim desde o nascimento. Recentemente minha visão deteriorou tremendamente, mas isso não me impede de ser o Secretário da Loja. Atualmente sou “Excelent King” no Arco Real. A loja/capítulo fez pequenos ajustes para mim, mas nós revolucionamos as Atas... Eu faço a Ata no computador, copio e distribuo com as circulares e na Loja ocorre assim:
VM: Irmão Secretário, a ata, por favor.
EU: o rascunho da ata foi enviado com a circular e não houve emendas desde então.
VM: Está aprovada a ata.

John Hamill, descreve na revista Freemasonry Today, que traduzimos:

Uma das reuniões mais memoráveis que participei foi um Terceiro Grau (exaltação), o candidato estava em uma cadeira de rodas. Podia-se sentir a atmosfera de boa vontade na loja com os oficiais concentrando-se no conforto do candidato e os integrantes das fileiras laterais desejando em silêncio que os oficiais fizessem um bom trabalho para o candidato. Era a maçonaria no seu melhor.

Exemplos vários de casos reais de maçons iniciados em diversos locais do mundo, na maçonaria regular, pelos critérios da Grande Loja Unida da Inglaterra e do Grande Oriente do Brasil. A falta de informação talvez seja um dos maiores entraves nessa questão. Deve-se ter bases para a solução do problema, as premissas, que devem ser reais e não fantasiosas, e uma das principais premissas que devem nortear esse assunto é de que a maçonaria regular mundial permite a iniciação de pessoas com deficiências.

Além disso, a iniciação de pessoas com deficiências não torna uma potência irregular. Somente através da pesquisa, estudo e conhecimento, chegaremos por fim ao resultado final que certamente será o fim do preconceito e a permissão às lojas de poderem elas próprias decidirem quem é elegível à iniciação na maçonaria. Aliás, acreditamos que isso já seja possível, legalmente, no Grande Oriente do Brasil, de acordo com sua constituição e regulamento, mas este é assunto para um futuro artigo.
.


Diego Denardi
M.'. M.'. - Or.'. de Santiago (Brasil)