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ORIGENS RELIGIOSAS E CORPORATIVAS DA MAÇONARIA

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A pesquisa das origens da maçonaria leva à busca das características das instituições primitivas. De modo resumido, estes traços são os seguintes:

■ Em primeiro lugar, trata-se de uma organização de trabalho, a da construção, onde o trabalho não era especializado como atualmente, mas implicava num vasto conhecimento da Arquitetura .

■ Esta organização ia além do caráter estritamente profissional. Os seus membros deviam se considerar irmãos e se assistir mutuamente.

■ Esta associação, operativa e de assistência mútua, possuía ritos tradicionais. A admissão era feita através de iniciação e as suas reuniões continham práticas ritualísticas.

■ A partir do século XVII a associação passou a aceitar membros estranhos à sua atividade profissional e, finalmente, assume acentuado caráter universal.

A partir destas características, dois métodos se oferecem ao estudo histórico da instituição maçônica:

■ O primeiro método limita-se à pesquisa das origens da maçonaria moderna . As fontes estão principalmente na Inglaterra e nos remetem às Guildas dos séculos XIII e XIV.

No entanto, este método não explica a universalidade da Instituição e a existência, na mesma época, de associações idênticas no continente europeu, onde os seus ritos pareciam nascidos de uma fonte comum, existente em épocas mais recuadas.

■ O segundo método leva-nos à pesquisa de grupos ou associações da Antiguidade e da Alta Idade Média cujas características se aproximem daquelas que levaram ao desenvolvimento da Maçonaria Operativa.

Um fato, porém não deve ser posto em dúvida: a Maçonaria atual nasceu da Maçonaria Operativa e, portanto devemos estudá-la . Outro fato igualmente certo é que a Maçonaria incorporou influências diversas em seus ritos, influências estas que também devem ser estudadas.

Para ser completa, uma pesquisa histórica precisará considerar o contexto social, político, econômico, jurídico, religioso e filosófico que condicionou a ocorrência destes eventos. Do ponto de vista cronológico, estes eventos são os seguintes:

■ Os Colégios Romanos, seus derivados Galo-Romanos, Italianos e Bizantinos, e seus descendentes da Idade Média.

■ As Associações Monásticas dos Construtores, constituídas pelos Beneditinos, Cistercienses e Templários.

■ Sob a égide destas associações e sob a forma de confrarias laicas ou de Guildas, ocorre o nascimento e a formação da Maçonaria Operativa.

AS ANTIGAS CORPORAÇÕES

OS COLÉGIOS DE CONSTRUTORES DE ROMA
Em razão do caráter sempre sagrado do trabalho e da ciência, as associações profissionais foram sempre sacerdotais entre os povos da antiguidade. No Egipto, os sacerdotes formavam classes separadas e consagravam-se ao ensino de algum ramo especial do conhecimento humano . Em todos os casos, os alunos passavam por um noviciado e por provas de iniciação para se assegurar de sua vocação .

Como as demais ciências, a Arquitetura também era ensinada em sigilo . A função sagrada de arquiteto construtor era exercida pelos sacerdotes, como por exemplo Imhotep, sacerdote do Deus Amon, que era conselheiro do faraó Sozer (3.800 AC) e que construiu a primeira pirâmide em Sakkarah. Sennemout, arquiteto da rainha Hatsepout, era o controlador dos domínios de Amon e chefe dos sacerdotes de Monthou, na cidade de Armant.

O caráter sacerdotal e místico das associações de construtores é encontrado entre os persas, os caldeus, os sírios e os gregos. A religião também era o fundamento dos Colégios Romanos e de nossas antigas confrarias. Em Reis V, 13 e seguintes e em VII, versículos 13 e 14, vê-se que Salomão teve, sob a direção de Hiram, milhares de obreiros envolvidos na construção do Templo de Jerusalém. Na Grécia, as associações profissionais eram conhecidas por Hetarias. Uma lei de Sólon de 593 AC e cujo texto consta da obra de Gaius (sobre os Colégios e as Corporações) permite às Hetarias, ou Colégios, ter seus próprios regulamentos, desde que não fossem contrários às leis do Estado .

O caráter sagrado dos construtores sobrevive nas lendas dos reis arquitetos como Dédalo, Trophonius e Agamedes. Um exemplo típico é o dos sacerdotes de Dionísios ou Iachus, o Sol. Estes sacerdotes foram os primeiros a construir estradas e estádios para os jogos de provas físicas e de ginástica. Em suas cerimônias secretas, os dionisíacos usavam simbolicamente os seus utensílios de trabalho .

Estrabão, em sua obra Theos, afirma que os reis de Pérgamo (300 AC) tinham uma iniciação particular que incluía palavras e sinais de reconhecimento. O mais antigo código chegado até nós, o código babilônico de Hamurabi, (2.000 AC) descoberto em Susa, já menciona as associações dos carpinteiros e dos talhadores da pedra .

OS COLÉGIOS ROMANOS
Segundo Plutarco, os Colégios de Artesãos foram fundados em Roma pelo rei Numa Pompílio, no ano 715 AC. A influência dos Colégios Romanos foi fundamental nas confrarias de construtores da Idade Média. Sob Sérvio Túlio (578-534 AC) os Colégios Romanos aparecem com o caráter definitivo de corporação. Cícero na sua obra De Oficies (sobre as profissões) coloca os integrantes dos Colégios entre os cidadãos de primeira classe do Império Romano .

No reinado de Alexandre Severo, apesar de reprimidos pela Lei Iulia, existiam já trinta e dois Colégios em atividade no Império . Como em todos os povos da antiguidade, o Direito e as Instituições Romanas tinham base essencialmente religiosa. O caráter sagrado do trabalho tinha por objetivo a divinização do Homem. Para os membros dos Colégios de Construtores o mundo era um imenso canteiro de obras. O uso de sinais de reconhecimento garantia e protegia os segredos de sua profissão, herdados dos egípcios, dos gregos, dos judeus, dos persas e dos sírios.

Os artesãos dos Colégios eram os construtores dos Palácios e das famosas Vilas dos Senadores e nobres romanos, além dos monumentos nas cidades próximas a Roma, como Pompéia e Herculanum, e na cidade de Roma – O Coliseu, o Circo Máximo, as Termas de Caracala, os edifícios do Fórum Romano, os Templos dos Deuses, as muralhas para a defesa da cidade, como as dos Capitólio, etc. Em Bolonha, capital da Reggio Emilia, ainda se pode apreciar a arte construtiva dos artesãos dos Colégios Romanos, nos subterrâneos do Metro da cidade, a via Iulia, que levava de Roma a Milano.

Estes artesãos seguiam com as legiões romanas, com a finalidade de construir estradas, pontes, templos, termas e palácios nas regiões conquistadas pelo Império. Ainda hoje estas construções podem ser vistas em toda a Europa. Muitas delas, principalmente as pontes, estão ainda em uso. Em Portugal, eles construíram, entre outras coisas, a cidade Conimbriga, próxima de Coimbra e o Templo dedicado a Diana, na cidade Évora.

O COLÉGIOS ROMANOS NA GÁLIA CENTRAL ( FRANÇA )
Estes Colégios foram facilmente implantados na Gália, após a sua conquista por Caio Júlio César. No século IV DC eles já existiam em Marselha, Valência, Nimes, Aix-la-Chapelle, Leão, Narbona e Lutécia (Paris), onde assumiram grande prestígio com a construção de importantes edifícios. Escavações realizadas em 1715 no subterrâneo da Catedral de Notre Dame de Paris encontraram uma lápide escrita em Latim, cuja inscrição era um cântico de louvor, dedicado a Júpiter pelos habitantes de Paris. Os Colégios também floresceram em Trèves, a rica capital dos Gauleses, e na Renânia onde existem numerosos vestígios romanos.

OS COLÉGIOS ROMANOS NA INGLATERRA
Uma vez que a Maçonaria moderna teve sua origem na Inglaterra, devemos conhecer em maior profundidade a história dos seus Colégios de Construtores. No ano 43 DC o imperador Cláudio enviou à ilha algumas brigadas dos Colégios de Construtores então estacionadas com as legiões romanas ao longo do rio Reno, na Gália . O seu objetivo foi construir as defesas romanas dos ataques do celtas do norte (os escoceses).

Na época ainda não existiam cidades nem castelos na Grã-Bretanha . Os Colégios foram encarregados de construir campos fortificados para as legiões. Em pouco tempo estes campos se transformaram em cidades dotadas de termas, templos e palácios.Uma destas cidades foi York, então chamada de Eboracum, célebre na história da Maçonaria . Os Colégios de Construtores edificaram também três grandes muralhas no norte do país, na intenção de conter os ataques dos celtas.

Em 287 DC, Carausius, comandante da frota romana na Gália Superior (Bélgica), declara-se imperador da Inglaterra e confirma todos os antigos privilégios dos Colégios de Construtores que foram estabelecidos ao tempo de Numa Pompílio e de Sérvio Túlio. Em 306 DC Constantino assume o poder em Roma e proclama o cristianismo a religião oficial do Império . Durante um século a nova religião se expande na Inglaterra, onde os celtas finalmente conseguiram expulsar os romanos, no início do séc. V DC. Na mesma época toda a Europa caía no domínio dos chamados bárbaros, os Godos, Visigodos e Ostrogodos.

OS COLÉGIOS ROMANOS E AS INVASÕES BÁRBARAS – GODOS E VISIGODOS
Na Gália, as leis romanas subsistiram nos reinos dos Visigodos e dos Burgúndios, através da Lex Romana Visigothorum ou Breviário de Alarico . Este código de leis, que também vigorava na Aquitânia, no Languedoc e em Narbona, protegia os Colégios dos Construtores. Com a sobrevivência destas instituições também no Loire, nos vales do Reno e do Saône, várias construções de grande porte foram realizadas, como por exemplo a catedral de Clermont (450-460 DC) cujos muros tinham gravados os utensílios usados na sua construção.

Entre 475 e 550 DC os Construtores edificaram muitos palácios e monumentos, como por exemplo as Colunas de Auvergne, a Catedral dos Santos Apóstolos em Rouen e a magnífica igreja de São Vicente em Paris, no bairro de Saint-Germain-de-Pres. Ao final do século VII e início do século VIII os Anglo-Saxões recrutaram mestres construtores de Roma e da Gália, herdeiros dos Colégios Romanos e organizados em forma de associações.

Na época, as basílicas da Gália já mostravam estilo diferente das romanas, devido às influências orientais introduzidas pelos Godos e pelos Visigodos, trazidas do Egito, da Palestina, da Síria e da Pérsia sassânida. Em 568 DC os Visigodos Lombardos invadiram a Itália e fundaram um reino que só seria vencido por Carlos Magno em 774 DC. Nesta época, somente Roma, Ravena e Veneza permaneceram livres e ligadas ao Império Romano do Oriente, em Bizâncio (Constantinopla/Istambul). É no reino Lombardo que surgem os Mestres Comacinos, da região de Côme, reconhecidos como excelentes artesãos da arte de construir. Estes Mestres Comacinos herdaram o conhecimento dos artesãos dos Colégios Romanos e tornaram-se os seus sucessores. A sua ação influenciou o desenvolvimento da Arquitetura no norte da Itália entre os séculos VII e XII. A sua organização era semelhante à dos Colégios do Império Romano do Oriente.

AS ASSOCIAÇÕES MONÁSTICAS
Ao final do Império Romano, com o aparecimento dos pequenos Estados suseranos, as antigas instituições foram gradualmente desaparecendo, substituídas pelas classes dos homens livres, dos aldeãos e dos servos. Para garantir a sua sobrevivência, os Mestres Construtores se refugiaram nas igrejas, nos mosteiros e nos conventos que haviam construído na alta Idade Média. A história das Associações Monásticas está ligada à das Ordens Religiosas, em particular à Ordem dos Beneditinos e à Ordem do Templo. O papel dos Templários está intimamente ligado ao surgimento da Maçonaria Moderna. Para conhecer a extensão da influência dos Templários, seria necessário analisar a formação das Associações Monásticas nas regiões góticas, assim como a sua atuação na transição da arte romana para a arte gótica .

Na Inglaterra, as confrarias monásticas se desenvolveram sob a proteção dos Beneditinos de Santo André. Entre os anos de 856 e 1307 DC diversas igrejas e catedrais foram construídas na Inglaterra pelas associações monásticas de construtores, comandadas por mestres notáveis como Santo Augustin, São Dunstan, arcebispo de Canterbury, Gauthier Gifford, arcebispo de York e Gauthier Stapleton, bispo de Exeter.

Uma destas associações monásticas, a dos Colideus, relacionou-se com o rei Athelstan, que iria ter papel decisivo na história da Maçonaria . Em sua origem, os Colideus eram um pequeno grupo de cristãos. Foram os primeiros a introduzir o cristianismo na Inglaterra e em sua organização adotaram os princípios dos Colégios Romanos, existentes na Inglaterra até à saída dos romanos da ilha britânica .

A LENDA DE YORK
Esta Lenda é contada no Poema Regius ou Manuscrito de Halliwel, datado do final do século XIV e descoberto em 1838 no Museu Britânico por James Halliwel. Athelstan governou a Inglaterra de 924 a 940 DC. Ele completou a conquista dos pequenos reinos iniciada por seu avô, Alfredo o Grande, e tornou-se o primeiro rei de toda a Inglaterra .

Athelstan utilizou os serviços dos Colideus na construção de vários castelos, abadias e mosteiros. Em 926 DC, em sua passagem por York ( a Eboracum dos romanos) após vitoriosa campanha militar contra os escoceses, o rei se reúne com os Colideus na catedral de São Pedro. Para manter a ordem nos trabalhos construtivos e para punir os transgressores da lei, o rei proclamou um édito dirigido a todos os maçons, determinando que todos os Colideus deveriam reunir-se anualmente em York, para tratar dos assuntos de interesse da associação.

A Lenda conta que na mesma ocasião - 926 DC - o filho adotivo de Athelstan, o príncipe Edwin, concedeu Carta Constitutiva à Loja de York e tornou-se o seu primeiro Venerável Mestre. Esta Loja teria permanecido ativa até 1172 DC, quando teria sido fechada pelo rei Henrique II. O artigo Arte Céltica inserto no Dicionário de Arqueologia Cristã, de Dom Cabral, fornece a lista dos edifícios, monastérios e igrejas construídos pelos membros da Loja de York. Eles foram os introdutores do estilo gótico ou ogival. Um dos principais exemplos deste estilo na Inglaterra é a Abadia de Westminster, em Londres.

AS GUILDAS
As Guildas tiveram sua origem nos Colégios Romanos e receberam em sua formação a influência das idéias cristãs de fraternidade. Dividiam-se em Guildas Religiosas ou Sociais, Guildas de Mercadores e Guildas de Artesãos.

Elas já são mencionadas nas Iudicia Civitatis Londoniae redigidas no reinado do rei Athelstan. As Guildas de Artesãos são já influentes na Inglaterra no reinado de Henrique I (1100-1133), descendentes que eram de uma confraria de construtores que os Templários trouxeram da Terra Santa para construir a sua Igreja de Fleet Street em Londres (Saint Paul).

OS TEMPLÁRIOS
A Ordem dos Templários, cujo nome correto é Milícia do Templo, foi criada em Jerusalém em 1118, tendo como seu primeiro Grão-Mestre Hugues des Pains, sob a proteção de Theocletes, 67º sucessor do apóstolo São João. Seus membros pronunciavam três votos: Obediência, Pobreza e Castidade e tinha por objetivo defender o Santo Sepulcro e os peregrinos da Terra Santa.  Através de suas numerosas e poderosas Comanderias espalhadas pela Europa, a Ordem do Templo exerceu forte influência sobre as Associações Monásticas de Construtores e sobre as Guildas, constituindo confrarias religiosas comparáveis às dos Beneditinos e Cistercienses.

OS TEMPLÁRIOS E A MAÇONARIA
Quando os Templários, ajudados pelos cristãos, disseminaram as suas comandarias pela Europa, dividiram com eles os segredos dos ritos tradicionais dos Colégios Bizantinos - os Colégios Romanos do Oriente - e dos Tarouq Muçulmanos, fundamentados no sincretismo hermético. Em todas as suas possessões os Templários tinham pedreiros livres a seu serviço, dirigidos por um oficial do Templo . Na Inglaterra, ao início do séc. XIII já era grande a influência da Ordem do Templo que se beneficiava dos grandes donativos feitos pelo rei Henrique I. O seu prestígio foi ainda maior no reinado de Ricardo Coração de Leão.

Em sua Cruzada, juntamente com Felipe Augusto, rei de França, ele conquistou Chipre e entregou a ilha à guarda dos Templários, dos quais se tornou grande aliado e amigo . O poder e a riqueza da Ordem do Templo eram tais no início do século XIV que os Templários eram temidos e invejados tanto pela Igreja quanto pelo rei de França, Felipe V, o que acabou provocando a sua extinção .

Com efeito, uma bula do Papa Clemente V, de 2/5/1312, decretou a sua extinção, passando todos os seus bens para a Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, depois Ordem dos Cavaleiros de Malta. Esta Ordem manteve a proteção aos Mestres Maçons, representada em iconografia do final do séc. XV, que mostra o Grão-Mestre da Ordem recebendo um Mestre Maçom, seguido de seus Companheiros portando os seus utensílios de trabalho: o Esquadro, o Compasso, o Malhei e o Cinzel.

Após a dissolução da Ordem, os Templários se introduziram nas corporações dos construtores para se proteger das perseguições, adotando seus sinais e palavras, e continuando assim a exercer sua influência na formação da Maçonaria Moderna. Foi particularmente na Escócia que se refugiaram os Templários ingleses, onde receberam a proteção do rei Robert Bruce, que tinha parentes Templários. Em 1314 este rei fundou, em favor dos Maçons, a Ordem de Heredom de Kilwining, concedendo ao mesmo tempo o título de Grande Loja Real de Heredom de Kilwining à Loja fundada em 1150.

Podemos resumir assim a influência dos Templários na formação da Maçonaria Moderna:

■ Os Templários constituíram associações monásticas de construtores, segundo as tradições greco-romanas, transmitidas pelos Beneditinos e pelos Cistercienses. Ele tiveram ligações estreitas com as associações arquitetônicas cristãs e muçulmanas do Oriente, das quais receberam influências operativa e iniciatica .

■ Os Templários foram, na Europa, a origem da criação e do desenvolvimento das comunidades de construtores que deram origem à Maçonaria Moderna .

■ Após a dissolução da Ordem do Templo, um grande número de Templários se incorporou aos mestrados dos construtores.

A MAÇONARIA CORPORATIVA NA INGLATERRA
Com a Maçonaria Anglo-Saxonica nasceu a Maçonaria Especulativa Moderna. Assim, em sua formação a Maçonaria Operativa recebeu as seguintes influências:

Os Colégios Romanos, em certa medida os Colideus, as Corporações de Ofício italianas (dos Mestres Comacinos e dos Mestres da Comuna de Bolonha), os monges Beneditinos e Cistercienses e as Confrarias da Normandia e das Ilhas Britânicas. A instituição das Guildas oferece um caráter jurídico às Confrarias.

As Guildas inglesas apresentavam um caráter profissional e religioso . Não só as Guildas não sofreram restrições na Idade Média, como foram influenciadas pelos Hermetistas, Pitagóricos, Neo-Platônicos e Rosa-Cruzes, a partir do momento em que a Maçonaria deixou de ser operativa e passou a admitir grande número de membros especulativos.

Os documentos mais antigos da Maçonaria Inglesa datam do início do séc. XIII, como por exemplo o de 1212, escrito em Latim, com o título “Sculptores Lapidum Liberorum” ( Pedreiros Livres ). Também existem documentos em Francês, de 1292 e 1350. Neste último apareceu pela primeira vez a expressão “Franco-Maçom ou Pedreiro-Livre”. Outros documentos sobre a Instituição também foram escritos em 1376, 1377, 1381, e 1396, este último escrito pelo arcebispo de Canterbury, o patriarca da Igreja Inglesa .

Data de 1409 outro documento, relativo à construção da Catedral de São Paulo em Londres. Estes documentos tratam da organização, das normas de trabalho e do ritual maçônico. Deve-se mencionar que no fim do séc. XVII a maçonaria inglesa era já especulativa e admitia mulheres na instituição, conforme menciona o Estatuto da Loja de York de 1693, que diz que “aquele ou aquela que se tornasse maçom deveria fazer seus juramentos colocando a mão sobre a Bíblia .

Em 1472 e em 1481 apareceram documentos sobre a Antiga e Fraterna Ordem dos Maçons e sobre a Fraternidade dos Franco-Maçons da cidade de Londres. Os dois mais importantes documentos antigos sobre a Maçonaria são o Manuscrito Cooke e o já referido Poema Regius, que é composto de 794 versos e que prova que os mistérios da Fraternidade já eram praticados na Inglaterra, no século XIV.

O Poema Regius afirma o caráter religioso e moral da Ordem, a eleição anual de sua administração em assembléia, menciona a lenda dos Quatro Santos Coroados protetores da Ordem, narra a história da construção da Torre de Babel, menciona as sete artes liberais, faz recomendações religiosas e contém um código social.

O Manuscrito Cooke data de 1430 mas é a compilação de documentos do início do século XIII. Divide-se em duas partes. Na primeira, conta a história da Geometria e da Arquitetura; na segunda, contém um Livro dos Deveres, que compreende a organização do trabalho em nove artigos, promulgados pelo rei Athelstan em 926 DC na cidade de York. Também contém artigos de ordem moral, religiosa e social.

A palava “Especulativo” aparece pela primeira vez, na frase “o filho do rei Athelstan- Edwin - era um verdadeiro Mestre Especulativo”.

O Manuscrito de Cooke serviu de base a George Paine, segundo Grão-Mestre da Grande Loja de Londres, para escrever os seus primeiros regulamentos, adotados no dia de São João ( 21/06/1721 ). Foi também a principal fonte na qual James Anderson se baseou para redigir a Constituição editada em 1723. Importantes são também as Old Charges - os Antigos Deveres - do século XV e relativos à Maçonaria Operativa ou Corporativa de Ofício (Guildas de Ofício). Outros documentos maçônicos antigos e importantes foram destruídos num auto de fé por Desaguilliers, Grão-Mestre da Grande Loja de Londres, em 21 de junho de 1719 (há quem afirme que o autor da barbárie foi George Paine).

As Old Charges são iniciadas com a invocação à Trindade Cristã, e seu conteúdo é mais ou menos o seguinte: “Caros Irmãos, nossa intenção é vos fazer conhecer como começou nossa Venerável Ordem Maçônica”. Segue-se uma descrição das sete ciências, ressaltando a Geometria como a maior delas. O último capítulo conta uma lenda, que é a seguinte:

Após o dilúvio, Hermes Trimegisto encontrou uma das duas colunas nas quais estavam os documentos que continham toda a ciência; ele assimilou tudo o que encontrou e o ensinou à humanidade, tornando-se o pai de todos os sábios. A segunda coluna foi encontrada, segundo o Manuscrito de Cooke, por Pitágoras. Em seguida, é mencionada a história de Nemrod, rei da Babibonia, que deu uma régua a seus maçons. Eles deviam ser fiéis e se amar uns aos outros.

O personagem seguinte é Abraão. Ele emigrou do Eufrates para o Egito, onde ensinou as sete ciências. Euclides foi aluno de Abraão. Com a permissão real, Euclides ensinou a Geometria aos príncipes, filhos do faraó. Em seguida vem a história de Davi, que protegeu os maçons. Seu filho, Salomáo, termina a construção do Templo, reunindo na obra 24.000 maçons, entre os quais havia 3.000 mestres. Hiram, rei de Tiro, tinha um filho chamado Aymon que era o maior dos Mestres.

A lenda pula vários séculos, e conta em seguida que a Maçonaria foi introduzida na Gália por Namus Groecus, que tinha participado da construção do Templo de Salomão . Ele ensinou a Maçonaria a Carlos Martel, que por sua vez a ensinou aos seus súditos. A lenda chega a Santo Alban, patrono dos Maçons, e ao rei Athelstan cujo filho, Edwin, era Maçom. A interrupção da lenda neste ponto sugere que tenha sido escrita nesta época . A verdade é que na Inglaterra e na Escócia a Maçonaria se fortificou com o apoio do poder real e dos bispos e arcebispos da Igreja. Assim é que, em 1495 o rei Henrique VII defende o uso dos sinais de reconhecimento empregados pelos maçons e, em 24/06/1502, ele preside a reunião da Sociedade dos Maçons de Londres, na ocasião da colocação da pedra fundamental da reforma da Abadia de Westminster.

É somente após a Reforma religiosa de Lutero e com as mudanças na dinastia inglesa, que os maçons ingleses e escoceses, até então fieis à Igreja Católica, ofereceram apoio ao rei Henrique VIII e ao Clero Anglicano . Isto viria a contribuir para a criação da Grande Loja de Londres em 1717.

A UNIÃO MAÇÔNICA
O tipo de trabalho realizado pelos maçons tornava-os itinerantes. Devido a isso, era constante a intercomunicação entre as Lojas, e todo o Maçom tinha o direito de ser recebido na Loja da cidade em que estivesse. Assim, havia necessidade de possuírem sinais de reconhecimento e técnicas e práticas comuns. No interesse da Ordem, convinha conservar em segredo estes sinais e práticas. Deste modo, foi instituída uma organização que se manifestava da seguinte maneira:

■ Pela realização de sessões periódicas para tratar dos interesses da Ordem

■ Pelo reconhecimento de Lojas Regulares, pelas Lojas mais antigas ou Lojas-Mãe

■ Pela instituição de um protetor comum, denominado Grão-Mestre

Apesar disto, não havia ainda uma organização legislativa e administrativa permanente, nem uma pré-figuração das Obediências, que só deviam se materializar em 1717, com a fundação da Grande Loja de Londres. Na época as Lojas eram livres, não subordinadas a uma Loja-Mãe, como nas Grandes Lojas e Grandes Orientes Modernos. Na Inglaterra o papel de Loja-Mãe foi por muito tempo realizado pela Antiga Loja de York, que podia provar ser muito mais antiga que todas as outras. Na Escócia, as Lojas de Kilwining e de Edimburg possuíam o privilégio de outorgar Cartas Constitutivas a outras Lojas. Este estado de coisas viria desembocar na fundação da Grande Loja de Londres, a 24.06.1717, quando se juntaram as Lojas The Goose and Gridiron, The Crown, The Apple Tree, The Rummor and Grapes, sendo George Paine eleito Grão-Mestre.


ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.'.I.'., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB - Brasil