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PLANEJAMENTO FAMILIAR

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É difícil chegar-se a um consenso quando a questão é demografia. Mas ninguém é tão ingênuo para não perceber que estamos diante de uma questão muito complexa. Afinal, tanto o problema demográfico como o ecológico não são meramente setoriais. É um problema global da humanização dos seres humanos e de todo o universo.

A ética, sozinha, não conseguirá viabilizar um equacionamento adequado, mas sem a ética não iremos muito longe. Pelo contrário, estaríamos trilhando o caminho de uma ainda maior desumanização. Alguns pressupostos éticos básicos, assumidos por todos, independentemente de crenças religiosas, são o único ponto de partida que nos acena para um futuro melhor para todos. A explosão demográfica no mundo, embora esteja em regressão nos países mais desenvolvidos, está em ampla progressão em outras áreas do mundo, onde impera a desinformação e a ignorância.

Segundo o Dr. Paul Erlich, um grande estudioso das variáveis demográficas, a cada 27 anos o nº de habitantes do nosso planeta dobra. Em 50 anos a produção agrícola cresceu 40%, mas mesmo assim estima-se que 300 milhões de pessoas morreram de fome nos últimos 30 anos. A população ideal da Terra seria 2 bilhões, ou seja, 30% dos habitantes de hoje. No final do século XXI estima-se que terá 8,5 bilhões. Nos Estados Unidos têm 300 milhões de pessoas queimando combustível e estima-se que, no ano de 2050, a China e a Índia estarão próximas do padrão de consumo americano. Daí é possível deduzir o efeito que isso causará sobre o nosso planeta, pelo fato desses dois países representarem quase a metade da população mundial.

O processo de mudanças por que passou e vem passando a população brasileira é irreversível. As conseqüências mais imediatas, deste processo, estão na redução da taxa de crescimento da população, com a redução dos nascimentos. Mas, infelizmente, essa redução não acontece nas camadas mais pobres, que continuam crescendo e aumentando a pobreza, sem um plano para o controle da natalidade. Malthus, esse visionário, quando alertou sobre a superpopulação, errou em números, mas acertou na idéia central ao dizer que “aglomerados de gente tendem a concentrar pobreza, fome e doenças”.

Antes de gerar um filho, o casal deveria pensar se ele poderá dar condições sociais dignas a ele. É preciso prepará-lo para que possa enfrentar as dificuldades naturais do dia a dia. É preciso acompanhá-lo em todas as etapas da vida, ensinando-lhe os valores básicos, para que se torne uma pessoa de bom caráter, responsável e honesta. É preciso dar-lhe uma alimentação adequada, uma boa educação escolar e, principalmente, uma boa educação familiar. Tudo isso se resume no dito popular que “é preciso ter berço”.

Há vários países que adotaram um sistema de controle da natalidade, como ponto de partida, para resolver as diferenças sociais e, como exemplo mais recente de sucesso, basta apontar a Coréia do Sul, onde a educação e a saúde são serviços gratuitos, prestados pelo governo, aos dois primeiros filhos do casal. Enquanto imperar a desinformação e a ignorância em nosso país, irão continuar proliferando igrejas vendendo, aos fiéis, “cadeiras no céu” em troca do dízimo; irão continuar existindo políticos corruptos, surrupiando o dinheiro dos contribuintes; irá continuar a se espalhar o ódio, a violência e, consequentemente, a falta de segurança, tudo em função de estarmos inseridos numa sociedade de desiguais, onde convivem, lado a lado, bilionários e miseráveis.

Antes de dizer, que para endireitar o nosso país é só zerando tudo e começando tudo de novo, eu quero acreditar no planejamento familiar, como sendo a saída mais rápida para esses problemas, rumo a uma maior igualdade social, humanizando o nosso convívio novamente para uma sociedade mais justa. Não tenho dúvida que, somente uma população, bem educada e bem informada, terá forças para cobrar do governo as mudanças necessárias.

As disputas profissionais por um bom emprego serão cada vez maiores e não basta o ensino fundamental. Num futuro muito próximo, inúmeros trabalhadores menos qualificados estarão concentrados no setor de prestação de serviços, cumprindo funções que exigem uma habilidade especial. Esses indivíduos deverão ser reeducados para perceber que o mundo, dos trabalhadores independentes, exige aptidões bem diferentes das exigidas na sociedade de empregos do passado. E como isso será possível nas condições atuais de um mercado de trabalho tão disputado? Como é que os pais de uma família numerosa poderão dar as condições financeiras básicas para que os filhos possam obter a educação, no mínimo, de 2º grau e com alguma especialização extra para poderem ter um trabalho digno?

O crescente acesso a informação, proporcionado pela tecnologia, irá contribuir para o agravamento da situação, uma vez que as pessoas com acesso a informação terão melhores oportunidades, agravando as diferenças sociais. A exigência da qualificação profissional será cada vez maior, a identificação de talentos será cada vez mais necessária. E não há dúvida que isso não tem volta. É preciso que o candidato se especialize em alguma coisa para obter um emprego digno. É preciso que se amplie sempre mais as oportunidades de cursos profissionalizantes, devendo haver ainda um esforço extra, através do auto-desenvolvimento dos candidatos ao mercado de trabalho.

Não poderia haver mais dúvida com relação a isso, que é preciso remodelar a nossa sociedade. É preciso parar de somente reclamar de que as coisas não andam bem. Não podemos ficar eternamente ouvindo reclamações, esperando condições milagrosas do governo e soluções emergenciais das organizações não governamentais. Não resolve dar o peixe, mas o anzol para pescar.

Temos que ter coragem para enfrentar este problema, nós todos. Somente onde houver coragem, poderá haver esperança. Entre tantos problemas sociais, a meu ver, o planejamento familiar é a melhor alternativa, como ponto de partida, para uma verdadeira mudança de atitudes, na esperança de obtermos uma sociedade mais justa.


PEDRO JUCHEM
M.'.M.'., Loja Venâncio Aires II, nº 2369 – G.'.O.'.B.'. / RS, Brasil