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Alguém já disse que, em qualquer bloco de pedra ou tronco de
madeira, esconde-se uma bela escultura, quem quiser vê-la deverá remover os
excessos, as partes que a escondem.
No mês passado tivemos, aqui na loja, a apresentação de um belíssimo trabalho
feito pelo irmão Carlos Alberto sobre a pedra bruta. No trabalho ele falou sobre
o simbolismo da pedra bruta e encerrou comentando sobre a relação da pedra bruta
com o homem.
A pedra bruta é ó bloco a que me referi acima. É uma massa disforme, compacta,
dura que no seu interior esconde uma escultura maravilhosa, mas para isso
precisa ser desbastada.
No tema que me foi dado deverei falar, o desbaste da pedra bruta. Confesso que,
quando li o título, fiquei preocupado. Preocupado pela importância que dou ao
simbolismo, que é a base filosófica de nossa instituição. Preocupado por ter que
transmitir em um trabalho de instrução algo que considero da mais alta
importância para nós maçons, o desbastar da pedra bruta é simplesmente a razão,
o motivo da nossa iniciação, é o conhecimento adquirido quando, em nossa
iniciação, a partir do momento em fazemos nosso juramento e, que batemos por
três vezes com o maço e cinzel sobre a pedra bruta, temos a obrigação de
transformar a pedra bruta em pedra polida. A compreensão, o entender consciente
do significado daquele simbolismo é o que vai determinar no iniciando o estar
maçom ou o ser maçom.
Quando um artista se propõe a fazer uma obra de arte ele parte de uma inspiração
que o motiva a execução da obra. Este in site que o leva a idéia da obra pode
ser o mais variado, desde a escuta de uma peça musical, a leitura de poema ou
até mesmo um sonho. Criada a idéia o artista parte em busca do material no qual
irá executar a obra. A escolha do bloco de pedra para fazer a escultura irá
facilitar ou dificultar seu trabalho. Se o bloco de pedra bruta tiver semelhas
com sua idéia será mais fácil, exigira menor desbaste para chegar a forma final,
mas seu ponto de partida será sempre a pedra bruta e o a idéia.
Podemos comparar a escolha da pedra, para a escultura, com o trabalho do MM:. ao
indicar um profano para ser iniciado. Assim como o artista procura uma pedra que
esteja, na sua rusticidade, o mais próximo de sua idéia, o MM:. irá indicar para
ser iniciado alguém que já tenha as condições mínimas para ser um maçon. Após a
iniciação o aprendiz passará a ser o artesão que iniciará sua auto-escultura,
irá desbastar a si próprio. Trabalho esse que será realizado com o maço, o
cinzel e a régua de 24 polegadas e, como artesãos exigentes, todos nós iniciamos
um trabalho mas nunca damos por concluído. Estamos constantemente descobrindo
pequenas arestas que nos levam a novos desbastes. Quanto mais exigente for o
artesão melhor ficará a escultura.
Os instrumentos recebidos pelo aprendiz maçon, o maço, o cinzel e a régua de 24
polegadas, tem um grande significado simbólico e é com eles que o aprendiz irá
fazer o seu trabalho de desbaste da pedra bruta.
O maço representa a força necessária para executar qualquer trabalho, força é
energia, sem energia o mundo não existiria. Sem energia nada existe. A teoria
mais aceita da origem do universo, o big-bang, teria sido uma enorme explosão
energética. Para vivermos nosso corpo necessita também de energia que adquirimos
pela oxidação em nossas células. Mas a força que precisamos para nossa
auto-escultura é a força de vontade, é a coragem para admitir que existem coisas
em nós que precisam ser mudadas. Ver defeito nos outros é fácil, mas admiti-los
em nós é bem mais difícil.
O cinzel é o instrumento de corte usado para remover, com o auxilio, do maço as
lascas de pedra. O trabalho do cinzel depende da força, nele aplicada, pelo
maço. O cinzel deve ser para nós a capacidade de enxergar aquilo que precisamos
mudar, deve ser a nossa autocrítica que apoiada pela força de vontade que fará
com que consigamos o desbaste necessário de nossa PB.
A régua de 24 polegadas, poderemos usá-la como um instrumento de comparação, já
que é um instrumento de medida, servirá para comparar e aferir os desgastes
necessários, evitando que os desbastes sejam exagerados ou muito limitados. Será
nossa consciência aliada a um bom senso nos guiando na realização do trabalho.
Este trabalho deverá ser consciente e racional, a emoção é importante para dar
ao homem sensibilidade necessária para admirar o belo mas a razão deve frear
suas impetuosidades e dominar as explosões emocionais.
Para complementar e auxiliar em nosso trabalho devemos também usar de alguns
recursos que estão a nossa disposição e, são da maior importância. O principal
deles é o cultivo da fraternidade, base fundamental de nossa instituição. Não
esquecer de ter sempre em mente que a tolerância e a ética são indispensáveis
para o convívio em grupo. Tudo isso associado a leitura de bons livros e nos
fará crescer intelectualmente, dominar nossas paixões e fazer progresso na
maçonaria.
Jorge Otavio Daniel,
M.'.M.'. - Loja Simbólica Dez de Junho - G.O.P, Foz do Iguaçu - Paraná - Brasil
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