Todos os artigos de Luis de Figueiredo

EGRÉGORA OU ALMA COLETIVA

Quem és tu?
Eu sou Osíris, a Inteligência suprema, que tudo posso desvendar.
Que desejas?
Descobrir a origem dos seres, ó divino Osíris, e conhecer Deus.
Será satisfeito.

A Visão de Hermes.

Para o famoso cientista da psicanálise Carl Jung, podemos ter percepções intuitivas por meio da exploração do inconsciente coletivo. Para o célebre psicanalista o inconsciente pessoal descansa sobre um outro mais profundo extrato, que não se origina nem da experiência, nem de uma aquisição pessoal, mas é inato no ser humano: o chamado consciente coletivo. A expressão coletivo designa uma natureza universal e, em contraste com a psique individual, tem conteúdo e modos que são os mesmos em todos os indivíduos. Esta existência psíquica coletiva somente pode ser reconhecida quando seu conteúdo se torna consciente.

Isso significa dizer que qualquer aglomerado humano, seja um pequeno grupo de pessoas, uma cidade ou mesmo um país tem sua egrégora, sua sua alma coletiva, como preferimos denominar. É neste exato momento que nos vem à mente o ensinamento do Salmo 133:

Vede: como é bom, como é agradável
Habitar todos juntos, como irmãos.

A Egrégora pode ser definida como uma energia resultante da união ou da soma de várias energias individuais. Ela é formada pelo afluxo dos desejos e aspirações individuais dos membros daquele grupo. Um exemplo é o amor familiar que gera um fenômeno espiritual que mantém a união da família, cria a empatia entre essas pessoas, o telessomatismo etc.

Caso essa egrégora fosse dissipada, a família se dissiparia, pois não haveria identificação entre seus membros. Não haveria, assim, vínculo entre eles. A mesma unção ocorre com um agrupamento filosófico. Cada agrupamento – templo, Loja, corpo – tem a sua egrégora que nada mais é que sua alma coletiva, resultante do somatório das energias anímicas de cada um dos membros que se põem em harmonia no êxtase do amor fraterno: “porque aí manda Iahweh a benção, e a vida para sempre”. Esse somatório anímico é uma poderosa central de energia magnética capaz de interferir e gerar uma série de fenômenos.

Na egrégora os símbolos têm conteúdos transpessoais, isto é, seus significados são comum à toda a humanidade. Estes símbolos são idênticos a si mesmo em todo ser humano, são os chamados arquétipos.

Quando o homem reconhece honestamente que há problemas que não pode resolver com os próprios recursos – como o desamparo e sua fragilidade – cria condições de reação da egrégora e faz despertar e surgir forças profundas da natureza humana. Para este sentimento surge também uma necessária resposta eterna.

Toda vivenciação transpessoal provinda da egrégora é perturbadora, pois solta em nós uma voz muito mais poderosa que a nossa. Ela fala por meio de símbolos primordiais como se tivesse mil vozes; comove, subjuga elevando o sentimento de fraqueza humana à esfera do contínuo devir, eleva o destino pessoal ao destino da humanidade, e com isso solta em nós todas aquelas forças benéficas de desde sempre possibilitaram à humanidade salvar-se de todos os perigos e também sobreviver à mais longa noite.

Estes símbolos comuns à todo homem nunca pôde ser plenamente elucidado, nele há sempre um excedente de significação primitiva e de vida, possibilitando novos impulsos de criatividade. O sonho, a meditação, a intuição em última análise destes símbolos arquétipicos, nos proporciona vivenciá-los, perceber as emoções ligadas a eles e liberta-los passo a passo em nossa existência.

Por esta razão é muito importante – bom e suave – que os iniciados vivam em união e concórdia – em irmandade – pois a convivência fraternal gera e mantém a egrégora forte e saudável, capaz de rejeitar energias negativas e gerar um inefável saber. No caso de influências de energias negativas por disputas egoístas, por interesses próprios, pela discórdia e outros males, frutos da ignorância humana, a alma coletiva poderia adoecer e vir a se extinguir, o que poderia levar uma comunidade se extinguir. Muitos de nós pode pressentir a “aura coletiva” como uma energia armazenada que paira sobre os Irmãos reunidos em uma Loja. É como uma onda que flutua no ar e sentir sua intensidade e sua harmonia é muito simples. Quando visitamos outra Loja, não é difícil para muitos Mestres descrever com boa precisão como é o trabalho daquela determinada comunidade, como é o relacionamento entre aqueles Irmãos, ou se alguma coisa negativa está interferindo naquela Fraternidade, simplesmente através da percepção da egrégora.

Por exemplo, por melhor que seja o conteúdo de um trabalho apresentado para estudo, quando a alma de uma comunidade fraterna está em desarmonia e enfraquecida, a exposição se torna fria e superficial e os ouvintes, quase sem atenção, pouco ou nada fruem do seu significado.É o que ele chama de “ambiente frio”.

Mas quando está presente a egrégora fortalecida e em plena luz, nota-se um ambiente de harmonia, de carinho e franca amizade. Então, se um trabalho é apresentado, todos vão além no entendimento que ali foi exposto: Sentimos que quando o ambiente está em equilíbrio, ou o que significa dizer, que a egrégora está forte e pura, surgem como que canais de entendimentos superiores que se ligam às nossas mentes e nos inspiram sorver maravilhosos conhecimentos de uma fonte incomensurável de sabedoria. É como se as antenas de nossas mentes sintonizassem as ondas de uma nova estação de rádio cósmica. Algo maravilhoso se faz naquele momento e como que nos enchemos de um novo saber somente apreendidos sob estas condições.

Muitos Maçons se utilizam deste conhecimento em sua vida profana e quando entram em uma reunião, num instante procedem à leitura daquela egrégora específica, e ás vezes podem pressentir, muito antes de terminar uma reunião, qual vai ser o resultado. Outras vezes, põem perceber uma energia carregada de negatividade e já prevêem um resultado negativo. Aplicando esta poderosa ferramenta, muitos iniciados procuram ficar um pouco em silêncio no início de uma reuniâo, concentrar-se e fazer a leitura daquela energia flutuante e depois agir guiado pela intuição.

Assim, a egrégora é a alma coletiva evocando um poder invisível, porém eficaz e plenamente sentido pelos integrantes de um corpo de estudo. É um princípio de vida e um misterioso centro energético que se manifesta através da intuição e está à disposição dos verdadeiros iniciado. Captar a egrégora é captar o verdadeiro poder da fraternidade humana e por isso o desejo das sublimes instituições ecléticas e universalistas em ver todos os homens vivendo como irmãos confluenciando para uma só e divina egrégora terrena.

Se analisarmos sob vários aspectos, veremos que uma corporação iniciática – uma Loja, por exemplo – é uma das congregações humanas mais bem preparadas para atingir a geração da egrégora, na busca incessante da sabedoria. Do mesmo modo que a alma individual se exprime através de nossa intuição, a alma coletiva – ou egrégora – também se revela a cada membro capacitado. Há, portanto, a intuição como a comunicação da alma coletiva com o indivíduo que participa daquela comunidade, ou seja, um canal de iluminação, um lumem infusium de comunicação de sabedoria, cuja fonte é a egrégora e o receptáculo o homem, o eterno aprendiz.

Significa dizer que certas verdades ou certos mistérios somente poderão ser revelados tendo como condição necessária a existência de uma união harmônica dos membros de um corpo iniciático. Aqui, intuição e amor fraterno são condições sine qual non para ser desvelados profundos mistérios. Em outras palavras, determinadas verdades somente estarão acessíveis aos iniciados que participarem harmonicamente de sua Ordem, sendo um benfazejo contribuinte da alma coletiva gerada pela união com seus Irmãos.

Platão, há mais de 2.400 anos, já tinha se referido a este fenômeno-capacidade. Muitas e maravilhosas coisas foram escritas pelo venerável filósofo que muitos dizem ter sido um iniciado nos mistérios egípcios. Mas talvez poucos saibam que Platão ministrou cursos intitulados Sobre o Bem, os quais recusou-se terminantemente a escrever, mantendo-os em segredos.

E negou-se a escrever porque – como já frisamos – as palavras não se prestam inteiramente a transmitir as verdades captadas pela intuição, pois além de insuficientes os vocábulos poderiam deturpar nocivamente uma verdade. Nesses cursos o mestre da metafísica discorria sobre realidades últimas e supremas e sobre os primeiros princípios, adestrando seus discípulos para a compreensão desses segredos através de métodos rigorosos. Platão estava convencido de que essas realidades últimas e supremas não podiam ser transmitidas senão através da adequada preparação interna.

E ainda, vejamos que coisa maravilhosa! Em sua Carta VII, Platão escreveu que:

“o conhecimento dessas coisas não é de forma alguma transmissível como os outros conhecimentos, mas apenas após muitas discussões sobre tais coisas e após um período de vida em comum, quando, de modo imprevisto, como luz que ascende de uma simples fagulha, esse conhecimento nasce na alma e de si mesmo se alimenta. Essas coisas são apreendidas necessariamente em conjunto, como é em conjunto que apreendemos o verdadeiro e o falso relativo à realidade no seu todo.”

E finalmente completou:

Sobre essas coisas
não há nenhum escrito meu
e nunca haverá.

Que obra extremamente fecunda e magnífica. Platão nos deixou além do próprio conteúdo, um ritual, um método para atingirmos a consciência coletiva de uma verdade axiomática, inicialmente buscada, debatida e posteriormente intuída “como luz que acende de uma simples fagulha”. Este o caminho platônico para se atingir as realidades últimas e supremas cantadas pela voz universal!

Se tais verdades captadas pela intuição são verdades intransmissíveis por meio das palavras – inefáveis – e, portanto, inúteis de serem simplesmente sistematizadas por quem as detém, devemos então reproduzir as condições propícias de união fraterna, onde a alma coletiva se comunicará pelos canais intuitivos sua infinita sabedoria aos iniciados.

Platão já conhecia o processo do saber intuitivo humano e propôs um método de utilização conjunta de nossas aptidões para atingir o conhecimento. O mestre já conhecia isso, não é um segredo. Não perceber isto é estar distante da verdadeira Iniciação.

FERNANDO CÉSAR GREGÓRIO
M.’.M.’., Loja Honra, Amor e Caridade – Bariri/SP, Brasil


CONSAGRAÇÃO DO TEMPLO

Dentro do círculo infinito da divina presença, que nos envolve inteiramente, afirmamos:

Há só uma presença aqui – é a da HARMONIA, que faz vibrar todos os corações de felicidade e de alegria.

Há só uma presença aqui – é a do AMOR. Deus é a fonte do Amor que envolve todos os Irmãos num só sentimento de unidade. Este Templo está cheio da presença do Amor.

Há uma só presença aqui – é a da VERDADE. Tudo o que aqui existe, tudo que aqui se falar, tudo o que aqui se pensar, é a expressão da Verdade.

Há uma só presença aqui – é a da JUSTIÇA. A Justiça reina neste Templo. Todos os atos aqui praticados serão regidos e inspirados pela Justiça.

Há uma só presença aqui – é a do Grande Arquiteto do Universo – o BEM SUPREMO. Nenhum mal poderá entrar em nosso Templo. Deus, o Bem Supremo, reside aqui.

Há uma só presença aqui – é a do Grande Arquiteto do Universo – a VIDA. Deus é a Vida essencial a todos os seres, é a saúde do corpo, da mente e do espírito.

Há uma só presença aqui – é a do Grande Arquiteto do Universo – a PROSPERIDADE. Deus tudo faz crescer e prosperar. Ele se expressa na Prosperidade de tudo o que aqui é empreendido em Seu nome.

Pelo Símbolo Esotérico do Delta Sagrado, estamos em vibração harmônica com as correntes universais da Sabedoria, da Força e da Beleza. A presença da divina Sabedoria em nosso Templo será profundamente sentida pelos Irmãos aqui reunidos.

Na união e na mais perfeita comunhão entre o nosso eu inferior e o nosso Eu Superior, que é Deus em nós, consagramos este Templo à perfeita expressão de todas as qualidades divinas que existem em todos os Irmãos espalhados pelo orbe terrestre.

As vibrações de nosso PENSAMENTO são as forças do Grande Arquiteto do Universo em nós, que ficam armazenadas neste Templo, e daqui se irradiam para todos os seres, tornando nosso Templo um centro de emissão e de recepção de tudo quanto é bom, alegre e próspero.

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.’.I.’., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil


COLUNA DA HARMONIA

Esta é a única Coluna de uma Loja Maçônica constituída por um só Irmão, o Mestre de Harmonia. No passado, a Coluna da Harmonia era composta pelo conjunto dos Irmãos músicos que contribuíam para o brilhantismo dos rituais e dos festejos maçônicos. Com o avanço tecnológico, os músicos foram substituídos pelos aparelhos eletrônicos, operados pelo Mestre de Harmonia.

Em seu sentido mais amplo, a Harmonia é a ciência da combinação dos sons, formando os acordes musicais. A palavra grega MOUSIKE significa não apenas música, mas também todas as formas de expressão que tenham por finalidade a criação da Beleza.

Pitágoras usava a música para fortalecer a união entre os seus discípulos, por entender que a música instruía e purificava a sua mente. Em sua Escola, a música era entendida como disciplina moral por atuar como freio aos ímpetos agressivos dos ser humanos.

O aprendizado empírico, revelado através dos sentidos, pode ser conseguido não só pela contemplação das belas formas e da beleza das figuras que nos rodeiam, mas também pela audição de ritmos e de melodias que acalmam os ímpetos e as paixões. Deste modo, angústia, anseios frustrados, agressões verbais, stress mental, podem ser eliminados pela audição de músicas suaves e agradáveis.

Em uma reunião maçônica deve-se tocar a música que melhor traduza os sentimentos dos Irmãos em cada momento do ritual.

Muitos compositores, nossos Irmãos, produziram belas músicas que merecem – e devem – ser ouvidas em nossos Templos. Entre essa plêiade, podemos citar: Mozart, Beethoven, Haendel, Sibelius, Franz Lizt, John Philipp Souza (de ascendência portuguesa), Luigi Cherubini, Antonio Salieri, Carlos Gomes (brasileiro), etc.

As primeiras composições maçônicas datam de 1723 e foram publicadas junto com a primeira Constituição de Grande Loja de Londres; São elas:

A Canção dos Aprendizes – Matthew Birkhead

A Canção dos Companheiros – Charles Delafaye

A Canção do Vigilante
– James Anderson

A Canção do Mestre
– James Anderson

Esta última, publicada em 1738 juntamente com a segunda edição das Constituições de Anderson.

No Brasil, foram compostas as seguintes obras:

Hymno do REAA – M.A . Silveira Neto e Jeronimo Pires Missel

Hino Maçons Avante – Jorge Buarque Lira e Mário Vicente Lima

Hino Maçônico
– D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal)

Canto Ritualístico Maçônico
– Francisco Sabetta e José Bento Abatayguara

Hino Maçonico para Abertura e Fechamento dos Trabalhos
– Otaviano Bastos

A Acácia Amarela
– Luiz Gonzaga (o rei do baião)

Além destas, existem também composições maçônicas para os Rituais de Iniciação, de Elevação e de Exaltação, de Reconhecimento Conjugal e de Pompas Fúnebres.

Tendo em vista o caráter universalista da nossa Ordem, o Mestre de Harmonia não deve programar a execução de música religiosa de nenhum tipo. Deste modo será evitado o constrangimento que um Irmão não católico poderá sentir ao ouvir, por exemplo, a Avé Maria de Gounod. Solos de música cantada também devem ser evitados. A música coral, como por exemplo o Hino Maçônico de D. Pedro I ou a Ode à Alegria, de Beethoven, poderá ser programada sem problemas, mas, na maioria das vezes, a música mais indicada é sempre a instrumental.

O Mestre de Harmonia previamente preparará o programa a ser executado, de acordo com o tipo de reunião e de acordo com o Ritual. Em uma Iniciação, no Rito Escocês Antigo e Aceito, podem ser destacados os seguintes momentos especiais, para os quais será programada uma música específica, que listamos a título de exemplo:

Entrada dos Candidatos – “A Criação” de Haydn – trechos que descrevem a passagem do Mundo do Caos para a Ordem e das Trevas para a Luz (Ordo ab Chao)

Oração ao GADU – “Cravo Bem Temperado” – Bach – Melodia que convida à concentração e à meditação

Taça Sagrada – “A Criação” – Trechos da abertura do Oratório que simbolizam a purificação e a ilusão profana

A Primeira Viagem – “Tempestade e Chuva” – Efeitos sonoros com ruídos de chuva, ventania e trovões. Coleção Action! Câmera! Music! Gravação do Reader’s Digest – Distribuição da Borges & Damasceno

A Segunda Viagem – “A Vitória de Wellington” – Beethoven – Adequada para acompanhar o toque “descompassado das espadas”.

Purificação Pela Água – “Música Aquática” – Haendel – música cujos efeitos sonoros acentuam o significado do evento

Terceira Viagem
– “Romance Para Violino nº 2” – Beethoven – Melodia que transmite a suavidade emocional do evento.

Purificação pelo Fogo
– “As Walquírias – Wagner – Cena do Fogo Mágico que reforça o sentido dramático do ritual.

Tronco de Beneficência
– “Pannis Angelicus” – Cesar Frank – marca o profundo significado da solidariedade.

Juramento
– “Prelúdio nº 1 em dó maior do Cravo Bem Temperado” – Bach – adequada para a meditação e que marca a solenidade do momento ritual.

LUZ
– “Assim Falou Zaratustra” – Strauss – Parte inicial do poema sinfônico que descreve o nascer do sol e o sentimento do poder de Deus sobre o homem. Aumenta o deslumbramento do momento culminante da Iniciação

Abraço do Venerável
– “Marcha Festiva” – Grieg – ( Suite Sigurd Jorsalfar – Opus 56 ).

Entrada dos Neófitos
– “Glória aos Iniciados” (Coro final da Ópera a Flauta Mágica, de Mozart) – Coro de Graças a Ísis e Osíris, e de congratulações aos Iniciados, que pela sua coragem conquistaram o direito à Beleza e à Sabedoria

Proclamações
– “Ode à Alegria” – Beethoven – Excerto Orquestral da Nona Sinfonia – deve ser tocada após cada uma das Proclamações. É um hino que traduz a alegria dos Irmãos ao receber os recém Iniciados.

Uma Sessão Econômica, por exemplo, não pode prescindir de dois ou três bons programas para a Harmonia, previamente programados. Isto permitirá variar as músicas executadas, evitando a monotonia da repetição.

A escolha de uma música para uma reunião maçônica exige do Mestre de Harmonia um mínimo de cultura musical, além da necessária sensibilidade para interpretar o significado de cada passagem do Ritual. Repetimos, a música deve estar em perfeita sintonia com cada momento da ritualística, induzindo nos Irmãos presentes a purificação de suas mentes, deixando-os tranqüilos e predispostos à emissão de sentimentos de amor e de fraternidade.

A música promove a exaltação das faculdades intelectuais e espirituais do ser humano. Ela atinge e aperfeiçoa a sensibilidade dos Irmãos, permitindo que eles vibrem em sintonia com os acordes da Harmonia Universal cujas leis tudo governam, e pelas quais a Maçonaria busca o aprimoramento moral e espiritual da Humanidade.

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.’.I.’., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil


CÁTAROS – AURORA DA MAÇONARIA?

INTRODUÇÃO
Na Idade das Trevas , quando o espírito repressor de quem detinha o poder podia atingir limites inimagináveis, uma terrível Cruzada irrompeu no sul da Europa. As vítimas foram membros de um pequeno grupo religioso, conhecido posteriormente como “Catarismo”. Tal movimento, cuja origem e evolução ainda não foram satisfatoriamente explicadas, deixou como legado um grande exemplo de luta e coragem, raramente visto em outros momentos.

Vamos realizar, ao longo deste trabalho, uma breve viagem no tempo. Voltaremos até o final do século XI e início do XII, em uma área situada ao sul da atual França. Esta região, de grande beleza natural, era povoada por uma comunidade feliz, tranqüila e extremamente avançada para a época, em termos de bem estar e harmonia social. Havia riqueza abundante e fartura material, raras na Europa medieval. Em termos políticos era um oásis de liberdade, pois se tratava de um território praticamente independente de qualquer poder central. Alguns autores acreditam que ali os Templários iriam fundar seu Estado, se não tivessem sofrido os reveses do início do século XIV.

Tudo caminhava em paz, até que a extrema arrogância de poucos acabaram com este paraíso na Terra. Disfarçados de defensores de Deus, os algozes na verdade queriam a incorporação política da região ao reino da França. Ao lançarmos luzes sobre os meandros que envolveram este triste capítulo, uma certeza inquestionável nos é apresentada: os fundamentos doutrinários de nossa Ordem foram fortemente influenciados por toda esta complexa situação e posteriores desdobramentos advindos desta experiência histórica. Portanto, ao estudarmos este assunto, estaremos entendendo um pouco mais o próprio fenômeno maçônico.

ANTECEDENTES HISTÓRICOS
A Igreja de São Pedro surgiu por volta do século I na região da Palestina, como uma derivação do Judaísmo. Rapidamente se espalhou por todo Oriente Médio e demais áreas do Império Romano, como Ásia e norte da África. Em cada região a mensagem de Jesus era ligeiramente adaptada às crenças e tradições locais.

Nas diversas comunidades em que a nova religião começava a aflorar, a hierarquia e administração eram relativamente independentes umas das outras, mas sempre era possível observar a influência de Roma sobre todas. Após a legalização do Cristianismo realizada por Flavius Marcellus Constantino I, por volta do ano 320 d.C., a pressão sobre os grupos chamados não-cristãos passou a ser exercida de forma severa, com perseguições, destruição de sítios sagrados e demolição moral dos símbolos das seitas concorrentes.

No início, a doutrina cristã era parte fundamental da luta das minorias contra o poder estabelecido, almejando a quebra do “status quo”. Este perfil se alterou em um período relativamente breve de tempo. De seita proscrita, com grande sucesso entre as classes populares – pois defendia a igualdade de todos perante Deus, incluindo mulheres e escravos – passou a englobar as castas mais nobres. O grande incentivo seria a asseguração da salvação eterna através da simples declaração de aceitação dos dogmas apregoados. Com a entrada das elites na nova ordem, e com o enriquecimento da cúpula, o movimento se transformou: de instrumento de combate à hegemonia dos mais fortes, tornou-se ele próprio um agente de dominação. Esta guinada na forma de atuar criava o ambiente ideal para que descontentamentos surgissem em certas comunidades mais esclarecidas. A semente da inquietação já estaria em franca germinação.

OS CÁTAROS
Em meados do século XI, ao sul da atual França, na região antigamente conhecida como “Ocitânia” e que hoje é denominada “Languedoc” – ambos os termos significando “terra da língua do sim” – surgiu um movimento fundamentalista cristão, pacífico, que via no exemplo de vida de Jesus, simples e sem luxo algum, a base de sua doutrina. Acima de tudo, a palavra de ordem era humildade – desprezando a soberba, a arrogância e os valores mundanos.

Os integrantes deste movimento foram chamados, pelos historiadores eclesiásticos, de “Cátaros” – derivação de “katharoi”, puro em grego. Considerado uma heresia pela cúria romana, tal movimento agregava integrantes de todas as classes sociais, sem distinção entre os sexos. Uma vez que o termo “heresia” deriva do latim “haerenses”, que por sua vez veio do grego “hayreses”, que significa “capacidade de escolher”. “Herege” tornou-se sinônimo de Cátaro.

Pregando o retorno ao Cristianismo primitivo, desprezavam a intermediação de qualquer instituição terrena nas questões de fé, defendendo a ligação direta dos servos com o Divino. Argumentavam que não se apregoa, em nenhum momento nos evangelhos, a existência da Igreja ou de qualquer autoridade regulatória da espiritualidade das pessoas. A salvação viria em seguir o exemplo de Jesus, com uma vida serena, livre de qualquer vaidade relativa ao mundo material. De nada adiantaria a existência de uma igreja como forma de canalização da vontade de Deus em relação às questões seculares – esta talvez fosse a maior das heresias: afirmar que não haveria justificativa para a existência da estrutura eclesiástica. A busca do divino através de experiências místicas diretas era uma das suas principais características. Desejavam uma comunhão direta com o Criador, transcendendo o campo pessoal. Para isso teriam que atingir a sabedoria superior – a chamada “Gnose”.

Como principal texto doutrinário utilizavam o Evangelho de São João e o chamado “Evangelho do Amor”, texto não reconhecido pela Igreja. Realizavam obras sociais concretas, ajudando os necessitados de diversas maneiras, pois acreditavam que a fé só seria uma experiência válida se exercida na prática. Investiam, por exemplo, em campanhas de promoção à saúde e educação, sempre gratuitas. Neste ponto percebemos que a preocupação com a filantropia, tão em voga atualmente, já existia nesta época. Seria uma forma de busca da perfeição com ser humano, ou de aproximação com o divino.

Por não exercerem nenhuma forma de hierarquia, respeitando os credos diversos e pela união sincera entre todos, podemos afirmar que exerciam fielmente os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. Em relação à Arquitetura, deixaram um grande legado. Construíram castelos maravilhosos e abadias grandiosas em regiões de difícil acesso, nos cumes de montanha e perto de precipícios. Além de proteger contra ataques, possibilitava aos fiéis observarem vistas maravilhosas das paisagens, a partir de suas sacadas. Hoje, tais obras são famosos pontos de turismo e visitação.

Revestido pelo caráter humanístico, aceitando todos indistintamente e pelo exercício pleno da filantropia, tal movimento crescia vertiginosamente e começava a incomodar as autoridades eclesiásticas.

A CRUZADA ALBIGENSE
Pelo conjunto de idéias em franca disseminação e pelas ações junto às comunidades, os chamados heréticos se tornaram alvo da atenção do Papado e da coroa da França. Em 1.165 houve a primeira condenação formal, realizada na cidade de Albi, localizada no Languedoc. Deste fato deriva o termo “Albigense”, utilizado para denominar a Cruzada e também o próprio movimento.

O Papa Inocêncio III convocou os fiéis para uma ação religioso-militar, conhecida como Cruzada Albigense. Sob a liderança de Simon de Montfort, no período de 1.209 a 1.224, e depois comandada pelo rei Luis VIII, de 1.226 a 1.229, foi a primeira a combater apenas no continente europeu. Outra particularidade era que o alvo se constituía não por mouros invasores da Terra Santa, mas por uma pacífica comunidade cristã. O absurdo da situação espelhava o caos que imperava nas colunas paulinas, e o total desprezo à dignidade humana.

No primeiro ano, um contingente de trinta mil cruzados se lançou rumo ao Languedoc, não apenas combatendo os Cátaros, mas todos aqueles que se encontravam pela região. Quem surgisse pela frente, sofreria as ações violentas mesmo sendo católico fiel. Os “cavaleiros” foram alistados dentre os piores tipos disponíveis, como condenados, desordeiros e mercenários. A violência contra a população foi extremamente severa e os registros da época nos mostram um horror e uma carnificina sem igual na História Ocidental. A turba feroz e enlouquecida, fortemente armada, arrasava tudo que se mexesse perante os sabres. A Ordem do Dia era ataque primeiro, e pergunte – ou ore – depois.

Apenas na cidade de Bèziers, em 1.209, mais de sessenta mil sucumbiram queimados ou esquartejados. Existe a lenda de que, às portas da cidade, os cruzados relutaram por um momento antes do confronto, ao perceberem que haviam muitos católicos e pessoas comuns pela cidade . Mas foram incentivados ao massacre pelo prelado do Vaticano, ali presente, o arcebispo de Narbonne. Arnaud Amaury tranqüilizou os atacantes afirmando que matassem todos, “pois Deus iria cuidar dos seus, posteriormente”.

Arrasada a cidade de Bèziers, os cruzados marcharam triunfalmente para Carcassone, onde Simon de Montfort se apossou dos condados de Trencavel, Alzonne, Franjeaux, Castres, Mirepox, Pamiera e Albi. Em todos a matança foi massiva e cruel. A área ao redor das cidades de Carcassone e Toulouse foram completamente arrasadas. Muitos eram queimados vivos, em fogueiras coletivas com até quinhentos indivíduos. Mulheres, idosos, crianças e deficientes não eram poupados. O ânimo dos guerreiros era estrondoso, pois sabiam que se combatessem fervorosamente por quarenta dias teriam seus pecados perdoados e direitos legítimos às riquezas originados dos saques.

Há de se registrar a postura solene e tranqüila da maioria das vítimas ao se encaminharem para o sacrifício , sem lamúrias nem choros, com sua fé inabalável servindo como sustentáculo espiritual neste momento de horror. Mesmo quando a única certeza era de queimar lentamente em uma fogueira humana.

Por volta de 1.224 o rei Luis VIII, liderando os barões do norte, empreendeu uma nova cruzada, após a morte de Montfort em 1.218. Esta empreita durou cerca de três anos e chegou até Avignon, onde terminou o cerco aos hereges. Em 1.229 foi realizado um acordo, conhecido como tratado de Meaux, entre o rei da França e os senhores feudais das áreas conquistadas, passando o domínio completo para a coroa. Terminava oficialmente a guerra. A anexação plena da região havia sido obtida.

No curto espaço de tempo que durou o massacre, centenas de milhares tombaram. Os números são variados, e não muito confiáveis, pois a única fonte de registro oficial pertence aos arquivos dos vencedores. Alguns autores mencionam quase um milhão de vítimas, trucidados diretamente em combate, ou nas fogueiras acesas após as conquistas das cidades. Os poucos aprisionados terminavam agonizando em masmorras subterrâneas, caquéticos pela fome ou consumidos por doenças. A morte, nestes casos, era lenta e terrivelmente cruel.

O LEGADO HISTÓRICO
Após arrefecer a fúria cruzada, os sobreviventes passaram a pregar como faziam os primeiros cristãos: em catacumbas, cavernas e nas florestas. Isto porque a cruzada albigense, apesar de sua brutalidade atroz, não fôra suficiente para exterminar todos os indivíduos nem tampouco os seus ideais.

O fortalecimento da Igreja e sua hegemonia como “representante único de Deus na Terra”, estavam garantidos, mas ainda haviam reminiscências que deveriam ser resolvidas. A perseguição deveria persistir, mas de forma pontual e constante. Alguns hereges haviam escapado, e juntamente com outros que maquinavam contra a Fé Sagrada necessitavam ser “corrigidos”. Não mais seria possível nem interessante empreitar uma nova cruzada. Estava indicado o uso de métodos mais “inteligentes” , sem grande estardalhaço, mas com a mesma crueldade dos anteriores, marcando com sangue a vontade soberana do poder.

Em 1.231, já refletindo este novo modus operandi, o Papa Gregório IX lança a bula “Excomunicamus”. Tal documento estabelecia a nova forma de ação, buscando as confissões dos hereges em julgamentos eclesiásticos. Encarregados de tais missões, surgiam as “cortes” chamadas genericamente de Tribunal do Santo Ofício. Os que pensavam de forma contrária ao “bom senso” reinante, estariam sujeitos à perda de propriedades, da liberdade e da própria vida – sua e daqueles que os protegessem. A nova diretriz aproveitava para proibir a manutenção de bíblias nas casas de pessoas comuns.

Em 20 de abril de 1.233, o mesmo Gregório IX lançou duas bulas que efetivaram as ações do Tribunal do Santo Ofício. Destaca-se a bula “Licet et Capiendos”, dirigida aos Dominicanos. Determinava que estes seriam os responsáveis pelas ações contra os suspeitos. Ordenava que não poupassem métodos para obter as confissões. Exigia apoio do poder secular, privando os pecadores dos benefícios espirituais com severas censuras eclesiásticas.

No ano de 1.252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento “Ad Extirpanda”, autorizando o uso de tortura física para se obter as confissões. Além de trazer uma série de orientações aos inquisidores, continha uma frase que resumia bem os ânimos da época: “os hereges devem ser esmagados como serpentes venenosas”. O conjunto de ações direcionadas a inquirir, ou questionar o comportamento dos desgarrados, ficou conhecido como “Santa Inquisição”, nome que se tornou sinônimo de tortura, horror e irracionalidade.

O mundo ocidental atravessava uma fase de trevas. Para nós, em pleno século XXI, é quase impossível imaginar o grau de terror a que a população em geral estava sujeita. Qualquer denúncia podia gerar os mais dilacerantes sofrimentos. Milhares foram torturados. A criatividade humana projetava os mais engenhosos instrumentos, construídos exclusivamente para causar dor. A confissão era essencial para que os bens do infiel escoassem diretamente para os cofres do Clero. O medo se espalhava nas pequenas comunidades. À chegada das comitivas da Inquisição, seguiam-se as cenas de brutalidade, que culminavam com fogueiras humanas em locais públicos. Os “julgamentos” eram aberrações jurídicas. Enquadrado por heresia, bruxaria, ou qualquer outro comportamento não muito cristão, o infeliz não tinha qualquer chance de escapar.

Estas manifestações tenebrosas de autoritarismo teriam efeitos nas almas daqueles que não aceitavam este desrespeito fragrante aos direitos humanos. Do campo teórico, estes bravos partiram para a prática. Reunidos em associações secretas, começavam o trabalho de resgate dos mais nobres valores, como integridade física, liberdade e igualdade. Nestas entidades seria essencial a escolha criteriosa dos membros, para evitar que maus elementos ou espiões se infiltrassem. Os segredos que porventura existissem, deveriam ser garantidos mediante juramentos severos. A fraternidade tinha que ser perfeita entre todos, como se fossem irmãos de sangue. O objetivo, inicialmente, seria proteger os perseguidos pelos tiranos. Passada a fase de mais sangrenta, as metas seriam ampliadas. A busca pela evolução geral da Humanidade , até mesmo para evitar que catástrofes como estas se repitam, passaria a ser a razão de existir destas sociedades esotéricas, cercadas de símbolos e mistérios iniciáticos.

CONCLUSÃO
Para a maioria dos estudiosos, as origens da Maçonaria se dispersam nos registros formais da historiografia. Não temos uma única e definitiva versão deste processo. Os dados oficiais, em grande parte, se perderam ao longo do tempo. Devido à perseguição visceral, os antigos Irmãos se viam obrigados a, massiva e eficientemente, destruírem atas, livros e todos os documentos que seriam tão valiosas aos estudiosos contemporâneos.

O que existe de real e inconteste é que no início éramos uma sociedade que visava proteger homens perseguidos por qualquer forma de tirania. Os riscos a que todos estavam sujeitos eram tão terríveis que juramentos e códigos severos de conduta se tornavam essenciais.

Certamente, a aproximação entre os Cátaros e nossa Sublime Ordem se estabelece de forma direta, em uma relação simples de causa e efeito. Sem a existência de todos os eventos aqui estudados, talvez faltasse motivação para que os Irmãos do passado se dedicassem tanto à criação e fortalecimento das Colunas seminais da Loja. Os germes das escolas iniciáticas, formadas por homens livres que necessitavam de proteção mútua, se lançavam ao custo de muito trabalho, sangue e dedicação, neste alvorecer da Humanidade.

Podemos afirmar que, se o Catarismo não tivesse ocorrido – assim como sua aniquilação sangrenta posterior – talvez a mais perfeita das associações humanas nunca tivesse existido. Foi esta tese, perturbadora e fascinante , que nos levou a pesquisar sobre o assunto.

Bibliografia:
Dicionário Maçônico“ – Camino R., Madras Editora, São Paulo , 2006
O Santo Graal e a Linhagem Sagrada” – Baigent , M ; Leigh R ; Lincoln H, Nova Fronteira , 1997.
Os Cátaros e a Heresia Cátara” – Miranda H C , Editora Lachâtre , 2002.
A Evolução das Civilizações” – Quigley C , Editora Fundo de Cultura, Rio de Janeiro , 1961
Os Segredos Perdidos da Maçonaria” – Robinson JJ , Editora Madras, São Paulo , 2005 ;
Maçonaria: uma Jornada por Meio do Ritual e Simbolismo” – MacNulty W K , Editora Madras , São Paulo , 2006 ;
Maçonaria – Escola de Mistérios” – Veneziani Costa, Wagner, Editora Madras, São Paulo , 2006
O Templo e a Loja” – Baigent, M ; Leigh, R, Editora Madras, São Paulo, 2005.

CARLOS ALBERTO CARVALHO PIRES
M.’.M.’., A:.R:.L:.S:. Acácia de Jaú 308, Jaú/SP, Brasil


BENFEITORES DA HUMANIDADE – OS MESTRES COMACINOS E A GEOMETRIA SAGRADA

Quando o Império Romano Ocidental sucumbiu aos violentos ataques das sucessivas ondas de bárbaros migrantes (os godos, os visigodos e os ostrogodos) a construção de obras de arquitetura foi quase totalmente interrompida. Não havia mais nenhuma estrutura político-econômica em condições de financiar as grandes obras cívicas ou eclesiásticas e, como conseqüência, as habilidades bastante desenvolvidas que antes existiam se foram reduzindo gradualmente. Embora o conhecimento vitruviano sobrevivesse intacto nos reinos de Constantinopla, ele foi totalmente extirpado do Ocidente.

Com a influência bárbara, as formas clássicas puras de Roma transformaram-se gradualmente numa arquitetura radicalmente diferente – a medieval. O Colégio de Arquitetos de Roma, cuidadosamente controlado, fora dispersado e idéias e influências individuais foram assimiladas. Com a perda de uma autoridade central, grupos autônomos de homens com conhecimento da arte de construir se reuniram numa espécie de federação de mestres pedreiros – os antecessores dos maçons medievais, que tiveram controle exclusivo sobre a construção das catedrais posteriores.

De acordo com a antiga tradição maçônica, membros refugiados do disperso Colégio Romano de Arquitetos fugiram para Comacina, uma ilha fortificada do lago de Como, na Itália, onde resistiram durante vinte anos às incursões dos lombardos que estavam invadindo o país.

Quando finalmente foram subjugados, os reis lombardos tomaram os mestres construtores a seu serviço para os assessorarem nos trabalhos de reconstrução. A partir desse centro, os maçons, chamados comacinos por causa do seu refúgio fortificado, espalharam-se por toda a Europa ocidental e setentrional, construindo igrejas, castelos e obras cívicas para os governantes dos estados nascentes, que se seguiram ao Império Romano.

Os comacinos estavam a serviço de Rotharis, um rei lombardo, que a 22 de novembro de 643 d.C. fez publicar um édito que, entre outras coisas, também se referia aos comacinos. O título do Artigo 143 desse édito era Dos Mestres Comacinos e seus Colégios. O Artigo 144 dispunha: “Se uma pessoa qualquer empregar ou contratar um ou mais mestres comacinos para projetarem uma obra (…….) e acontecer de um comacino ser morto, o proprietário da obra não será considerado culpado.” Pode-se inferir daí que os comacinos constituíam um poderoso corpo contra o qual o rei achava que seus súditos deveriam ser protegidos. Joseph Fort Newton, em seu livro maçônico The Máster Builders, fala de uma pedra gravada no ano 712 que mostrava que a guilda dos comacinos estava organizada em três classes: discipuli et masgistri ( aprendizes e mestres – como do Estatuto de Bolonha, de 1248) sob as ordens de um gastaldo, um Grão-Mestre.

Como qualquer outro grupo de técnicos dotados de habilidades apreendidas, os comacinos ocupavam uma posição de poder e de influência. Na Europa Setentrional, onde estavam estampados todos os sinais da prática arquitetônica romana, era solicitada a prática comacina. Como os magos, os adivinhos, os astrólogos e o geomantes que cercavam a corte, nenhum rei respeitado da Idade das Trevas podia ficar sem o seu séqüito de comacinos. Durante seu reinado, eles construíam seus palácios, suas capelas e suas igrejas; por ocasião de sua morte, impressionantes mausoléus, como o de Teodorico em Ravena, na Itália, ou de Estevaldo em Repton, na Inglaterra. Essas igrejas e esses mausoléus eram o repositório do conhecimento dos comacinos sobre a geometria sagrada e a arte de construir.

O venerável Bede, em suas Lives of the Abbots, conta-nos que, no ano de 674, o rei Ecgfrith da Northúmbria decidiu construir um mosteiro para Benedito, o homem santo local. Para tanto, doou 8.400 acres do seu próprio estado, em Wearmouth. “Após não mais de um ano da fundação do mosteiro, Benedito cruzou o mar e veio a Gaul e procurou, encontrou e levou de volta com ele os maçons que deveriam erigir para ele uma igreja no estilo romano, de ele sempre gostara”.

As igrejas de pedra da Northúmbria e as obras-primas erigidas após a renascença, instigadas pelo imperador Carlos Magno, apresentam um desenvolvimento gradual em complexidade e sofisticação. Um ponto de referência capital neste processo é a Capela Palatina de Aachen (Aix-la-Chapele). Uma igreja redonda, baseada no octograma, a capela apresenta um retorno de influências do Império Oriental, que naquela época ainda florescia ao redor de Constantinopla. Todavia, igrejas contemporâneas na Inglaterra apresentam um base geométrica mais simples. A análise de muitas igrejas saxônicas de Essex demostrou que retângulos de raiz 3, 4, 5, 6 e mesmo 7 eram gerados para as plantas baixas por meio de um método simples de construção. As igrejas de Inworth, Streethall, Checkney, Hadstock, Little Bardfield, Fobbing, Corringham e White Roding possuem razões comprimento/largura que se aproximam da raiz 3. A proporção geométrica, incomum em tempos posteriores, era o resultado do esboço dos fossos da fundação por meio de uma corda, justamente como a prática egípcia antiga.

A orientação da lenha do centro era determinada pela observação direta do nascer do sol, no dia do padroeiro. O mestre maçom demarcava a largura pré-estabelecida da igreja ao sul da linha do centro. Um assistente caminhava então para a extremidade norte da mesma linha, arreando a corda. Depois, traçava-se um quadrado e, do quadrado, fazendo-se um retângulo de raiz 2. A diagonal desse retângulo era então tomada com a corda e dessa maneira se obtinha um retângulo de raiz 3. O retângulo da planta baixa da nave podia então ser completado, usando-se a corda para medir a igualdade das diagonais.

Esse método parece particularmente saxão, pois a igrejas normandas posteriores da área foram construídas geralmente com base no quadrado duplo, o ad quatratum. Os maçons de Carlos Magno utilizaram os métodos adotados posteriormente pelos normandos, e esses métodos “bárbaros” foram relegados à arena da arquitetura secular. A arquitetura de Carlos Magno e as suas imitações foram revitalização consciente da corrente principal dos métodos romanos, utilizados na famosa igreja redonda de San Vitale em Ravena, na Itália. Essa estrutura microcósmica, cujo objetivo foi demonstrado aos cognoscenti por um ladrilho feito na forma de um labirinto, foi construída no século VI por maçons de Constantinopla que haviam absorvido a geometria asiática e alguns dos seus métodos de construção. Todavia, foi só muitos séculos mais tarde que um influxo de idéias árabes foi combinado com uma consciência romana desenvolvida para criar as grandes catedrais do período gótico. A infusão de idéias emprestadas do mundo islâmico marcou um desenvolvimento importante na história da arquitetura sagrada ocidental. As idéias e as práticas geométricas do mundo clássico tardio foram aprendidas pelos árabes quando eles conquistaram cidades universitárias de importância vital, como Alexandria, muitos séculos antes. Textos como os Elementos de Geometria de Euclides foram traduzidos para o árabe e aplicados à nova arquitetura sagrada exigida pela nascente fé do Islã. Grandes progressos em astronomia, arquitetura e alquimia foram conseguidos pelos árabes, que antes estavam muitos séculos atrás de suas contrapartes européias.

Por volta do século XI, todavia, com a emergência de estados nacionais relativamente estáveis, as técnicas de construção na Europa chegaram a um alto ponto de perfeição no estilo românico, sobrepujando até mesmo as melhores obras apresentadas pelo velho Império Romano.
A construção com largos arcos fora dominada e os construtores haviam aperfeiçoado tanto as junções de argamassa, que um cronista do século XII comentou que as pedras da catedral de Old Sarum, iniciada em 1102, estavam tão bem colocadas, que se poderia pensar que toda a obra feita era feita de uma única rocha.

A esse elevado nível de perfeição somou-se um novo elemento – o arco pontiagudo, uma revolução geométrica originária da arquitetura islâmica. Afirma-se que o arco pontiagudo teve origem na Europa, no Mosteiro beneditino italiano de Monte Cassino, construído entre 1066 e 1071. Alguns, se não todos eles, dentre os maçons que trabalharam nesse projeto, eram cidadãos de Amalfi, uma república comercial italiana que possuía postos comercias em lugares tão distantes quanto Bagdad. Com esse intercâmbio, foi só uma questão de tempo para que os segredos da geometria dos maçons árabes fossem incorporados à arquitetura sagrada ocidental, para formarem um novo estilo transcendente – agora conhecido universalmente por estilo gótico, nome pejorativo que lhe foi dado no século XVIII.

O arco pontiagudo que introduziu essa revolução é produzido pela interseção de dois arcos. Em sua forma perfeita, esse arco é a metade posterior do vesica piscis. É estranha a coincidência de que o patrono de Amalfi seja Santo André. Aquilo que é tido como suas relíquias ainda repousa lá e sua efígie dourada segura um peixe – o emblema do VESICA.

Embora os pacíficos comerciantes de Amalfi importassem o arco pontiagudo, os outros segredos maçônicos do Islã não foram conseguidos sob a égide do comércio. A 27 de novembro de 1095, o Papa Urbano II conclamou a cristandade para liberar os lugares santos e devolvê-los ao cristianismo. Milhares de homens piedosos, sacerdotes, monges, mercenários, soldados regulares e oportunistas atenderam ao chamado do Pontífice. A Primeira Cruzada foi bem sucedida. Nicéia foi capturada em 1097; no ano seguinte caiu Antioquia e a 15 de julho de 1089 a cidade santa de Jerusalém; rendeu-se aos exércitos do cristianismo após um cerco de apenas seis semanas.

Com esse sucesso, os “francos” como eram conhecidos os cristãos ocidentais, prosseguiram na obra de consolidação de suas conquistas. Como na Inglaterra, trinta anos antes, o país conquistado foi tornado seguro para os novos senhores por meio do reforço de velhos castelos e com a construção de novos, em pontos estratégicos por todo o país. Os maçons empregados para a construção desses castelos utilizaram o trabalho escravo, que sem dúvida incluiu uma boa quantidade de maçons árabes, pois seus desenhos incorporam muitas características desconhecidas dos artífices europeus.

O entusiasmo dos maçons daquele período são demonstrados pela rapidez espantosa com que as novas idéias conquistaram a Europa. A estrutura completa da abóbada de pedra reforçada com traves, conhecida apenas na Pérsia e na Armênia antes do ano 1100, foi utilizada na distante Catedral de Durham já em 1104. Em Gales, a Abadia de Neath foi construída por um dos maçons do rei Henrique I, Lalys, um prisioneiro de guerra sarraceno. Suas técnicas, aprendidas no Oriente Médio de uma tradição isolada, foram sem dúvida transmitidas aos maçons ingleses e galeses que trabalharam com ele nesse projeto.

Outro elemento importante na época, foi a redescoberta das obras de Euclides, o geômetra grego. Sua obra fora considerada perdida para a Europa, com a queda do Império Romano e sobrevivera apenas nas traduções árabes. Por volta de 1120, o erudito inglês Adelard of Bath fez uma tradução dos Elementos do árabe para o latim, que os tornou acessíveis pela primeira vez aos geômetras e maçons europeus. O modo de transmissão dessa obra seminal para a Inglaterra não é conhecido, mas os Cavaleiros Templários, que eram o repositório de muito saber arcano tradicional, podem tê-la obtido de uma fonte conquistada.

Ao longo dos séculos XII e XIII, foram desenvolvidas e refinadas as primeiras formas góticas. Os métodos islâmicos foram estudados e incorporados numa nova linguagem forma que passou de mão em mão com uma explosão de simbolismo místico. As grandes catedrais dessa época, como as de Chartres e de Paris (Notre Dame), apareceram numa forma completamente nova, num tempo consideravelmente curto. Sua construção, executada com um fervor literalmente religioso, continua sendo uma proeza de organização.

Uma tradição isolada, mas paralela da arquitetura de igrejas, estava seguindo o seu curso. Conquanto as igrejas redondas configurem um tema contínuo, embora fragmentado, ao longo de toda a arquitetura sagrada do mundo cristão, elas ocupam um lugar especial e um pouco herético no esquema da geometria sagrada. O edifício redondo ocupou um lugar especial na iconografia cristã, pois fora a forma escolhida para o Santo Sepulcro que uma vez marcara o lugar do túmulo de Cristo e o centro do mundo. Como a forma circular desses edifícios representasse a reprodução microcósmica do mundo, as igrejas redondas representavam um toda a pare os micro-cosmos locais que ocupavam o omphalos geomântico local.

As igrejas redondas derivaram originalmente dos templos pagãos primitivos da mesma forma. Os templos romanos redondos de Tivoli e Spalato, que sobreviveram até aos tempos modernos, são típicos dos santuários que inspiraram os geômetras sagrados cristãos. O templo de Tivoli foi baseado no modelo grego, com colunas externas, mas o de Spalato, que fazia parte do complexo do palácio do imperador Diocleciano, possuía colunas internas. Esse templo, planejado segundo o octógono, como muitas igrejas templárias posteriores, formou o protótipo dos santuários cristãos primitivos, tais como o de San Vitale em Ravena, que por sua vez influiu sobre o Santo Sepulcro em Jerusalém e sobre a Capela de Carlos Magno.

Como os templos pagãos, as igrejas redondas eram micocosmos do mundo. Na Idade Média tardia, elas tornaram-se a prerrogativa dos Cavaleiros Templários. A Ordem do Templo foi constituída em 1118 em Jerusalém, com a função aparente de prover proteção aos peregrinos da
Terra Santa. O seu poder cresceu, e logo a Ordem se tornou fabulosamente rica e capaz de erigir capelas e igrejas por toda a Cristandade (vide a igreja do Templo em Londres). A forma redonda da igreja tornou-se relacionada com a Ordem, e no centro de suas igrejas não havia nenhum altar, mas sim um cubo perfeito, de pedra talhada, que era um dos mistérios dos Templários.

A ordem foi extinta em 1314 e muitos dos seus oficiais mais graduados foram sentenciados à pena de morte pelas autoridades de Filipe V de França. Antes de sua extinção os Templários construíram templos redondos por toda a Inglaterra: Cambridge, Bristow, Canterbury, Dover, Warwick. Mas o de Londres era a sua casa principal, por ter sido construído segundo a forma do templo que está próximo do sepulcro de Cristo, em Jerusalém. Atualmente, apenas seis igrejas redondas existem nas Ilhas Britânicas, duas delas em ruínas. A igreja do Templo em Londres teve a sua cúpula destruída pelos alemães na 2ª Guerra Mundial, mas foi reconstruída.

Como já dito, as igrejas redondas pertencem a uma tradição separada da corrente principal da geometria sagrada eclesiástica. Com a extinção dos Templários, a forma redonda das igrejas foi eliminada, até que a Renascença a redescobrisse, diretamente das fontes pagãs antigas. Mas foi novamente suprimida, quando a Igreja reconheceu as suas origens. A forma redonda, ao contrário de outros padrões tais como a Cruz Latina, ao representava o corpo de um homem ou o corpo de Deus. Ao contrário, representava o mundo, o domínio da matéria e, em termos cristãos, as forças satânicas (na Idade Média satã era figurado como Rex Mundi – o rei do mundo). No costume Templário, essa materialidade era enfatizada pelo cubo que se situava no centro da rotunda. O cubo no interior do círculo representava a terra nos céus, a fusão dos poderes considerados heréticos pelos cristãos medievais, donde a perseguição aos alquimistas, magos e heréticos que se empenhavam nessa fusão. Com esse simbolismo exposto, não foi difícil provar a acusação de heresia contra os Templários. Princípios islâmicos públicos, derivados da ala mística do maometismo, os Sufis, só serviram para amaldiçoar ainda mais os Templários.

Por outro lado, o conhecimento técnico islâmico era de outra natureza. E apareceu por meio de um conjunto de circunstâncias, um segundo período de influência islâmica que deveria varrer o gótico chamado puro de Chartres. Durante o século XIII, as hordas mongóis saíram de sua base na Ásia Central e se converteram numa séria ameaça ao Oriente Médio e à Europa. Após a primeira fase de expansão, o Império Mongol estava consolidado com seu posto avançado na Pérsia, sob o governo de um vice-rei, que atendia pelo título de ILKHAN. Tendo deixado de representar uma ameaça à Cristandade, os mongóis logo foram vistos como aliados contra os turcos. Vários reis cristãos enviaram emissários a sucessivos IlKhans, a fim de cultivar essa aliança. Digno de nota foi o Olkhan Arghun (1284-1291), que manteve relações com muitos estados cristãos. Ele chegou a enviar uma embaixada a Londres, em 1289. Em troca, o rei Eduardo I da Inglaterra enviou uma missão comandada por Sir Geoffrey Langley à Pérsia. Langley participara de uma cruzada com o rei no começo dos anos 70 e viajara à Pérsia via Constantinopla e Trebizonda, em 1292. Tais embaixadas eram um canal para a transmissão de novos conhecimentos. Os arquitetos asiáticos misturaram as suas técnicas com a tradição islâmica persa e aos poucos o seu estilo foi transformado pelos maçons europeus.

Um edifício do período Ilkhan que exerceu grande influência na Europa foi o famoso mausoléu do Ilkhan Uljaitu, em Sultaneih. No início do século XX, o erudito alemão Ernst Diez fez estudo completo desse memorial. Toda a sua estrutura é determinada por dois quadrados interpenetrados que formam um octógono. A partir da base octogonal, derivou-se a elevação, que triângulos e quadrados. A altura do mausoléu, medida por M. Dieulafoy nos anos 80 do século XIX, é de 51 metros e o diâmetro interno tem exatamente a metade. Um sistema de razões derivadas geometricamente, foi a origem básica dessas harmonias, ao passo que o diâmetro principal dos pilares, que servira aos gregos como módulos, os arquitetos persas levaram essa medida para as dimensões dos arcos ou domos, em relações determinadas e proporcionais às outras partes do mausoléu. Neste mausoléu, o ponto básico de partida foi a dimensão do diâmetro da câmara mortuária.

A arquitetura deste mausoléu foi o ponto de partida que influenciou o octógono da Catedral de Ely, no leste da Inglaterra. A origem oriental desta geometria não deteve os mestres maçons no desenvolvimento de seus projetos. Como tecnólogos progressistas, eles acolheram com prazer as novas idéias orientais e as incorporaram às suas últimas obras. Os princípios transcendentes foram adotados por homens de saber, cuja compreensão do simbolismo os capacitara a trabalhar com novas e insuspeitadas técnicas.

O conhecimento acumulado da Pérsia e de outros países do Oriente Médio foi logo aumento, com informações provenientes de outros lugares. Em 1293, missionários cristãos foram da Itália à China, e em 1295 Marco Pólo retornou a Veneza, vindo de Pequim. Com esse intercâmbio sem precedentes, eram inevitáveis novas geometrias sagradas. Um exemplo disso e o Grande Salão da Piazza della Ragione, em Pádua. Foi desenhado por um frade agostiniano chamado Frate Giovanni, por volta de 1306. Giovanni trabalhara em muitos lugares da Europa e da Ásia e trouxera planos e desenhos dos edifícios que vira. Em Pádua, reproduziu um vasto teto de vigas que vira na Índia, e que media 240 por 84 pés.

Outras influências orientais podem ser demonstradas pelo aparecimento simultâneo de temas exóticos em lugares bastante distantes entre si. O arco de gola, em que os arcos que formam o arco são voltados para fora e continuam como uma característica arquitetônica sobre a porta ou janela, apareceu simultaneamente tanto em Veneza quanto na Inglaterra. Detalhes da porta de St. Mary Redcliffe, em Bristol, e também na catedral dessa cidade e no castelo de Berkeley, também apresentam uma influência oriental inconfundível, que pode ser comparada com a obra de Lalys, em Neath.

As visitas de registradores desses detalhes arquitetônicos locais, tais como as de Simon Simeon e Hgh, o Iluminador, na Terra Santa em 1323, serviram para reforçar o interesse nos círculos monásticos pelo desenho oriental. O estilo “perpendicular” na Inglaterra, que surgiu por volta do final do século XIV, foi prenunciado pelos hexágonos alongados dos edifícios muçulmanos egípcios do século XIII. Os elementos verticais que cruzam a curva de um arco, uma característica importante do desenho da Capela do King’s College em Cambridge (iniciada em 1446), já existiam no Mausoléu de Mustapha Pasha no Cairo, construído entre 1269 e 1273.

Os maçons da Europa, embebidos em conhecimentos geométricos, assimilaram prontamente as técnicas da arquitetura simbólica do Islã, realçando-a e trazendo-a para uma nova era. Eles nos legaram, ao longo dos séculos todas as obras de arte que são o deleite dos olhos e dos sentidos dos amantes da cultura e da beleza universal. Devido a isso, os nossos Irmãos Operativos são verdadeiros Benfeitores da Humanidade.

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.’.I.’., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil


AUTO AJUDA E A SUPERIORIDADE REAL

Este trabalho é principalmente baseado no sistema do QUARTO CAMINHO, a Auto Ajuda de verdade leva a uma Superioridade Real, que só existe em pessoas que tenham consciência de is mesmo, o resto é auto engano e egocentrismo, nada mais. Obter Consciência Cósmica ou Crística, é trabalho praticamente sobre-humano, que esta acima das forças do ser humano ordinário, mas obter consciência de is mesmo pode ser possível, desde que se façam esforços necessários, mas não existe nenhuma garantia nesse sentido, pois não é nada fácil , quero dizer também, que eu não consegui chegar a esse destino, mas sonho com esse dia.

Sempre quis trazer para a análise dos irmãos desta oficina os preceitos do Quarto Caminho, nós membros da maçonaria universal não podemos nos furtar de enfrentar esse tema, que tem muito em haver com o aperfeiçoamento e desenvolvimento humano, o que vem de encontro com a tradição de nossa amada ordem.

Digo mais, estudar esse sistema, pratica-lo com seriedade não é perda de tempo, para o estudioso sério. Trata-se, sem dúvida de uma especial forma de esoterismo pratico ou de comportamento mental , que pode ser praticado desde o primeiro dia de contacto com o sistema. Tem bases firmadas no Novo Testamento. Evita o auto-engano, pois é dado a analise séria de is mesmo, ensinando que na verdade não somos o que pensamos ser na maioria das vezes. Mostra-nos uma realidade que pode chocar a princípio. Venho estudando esoterismo e ciências afins, a mais de 25 anos e, pelo menos para mim, o quarto caminho destacou-se como um holofote, iluminando uma platéia escura ou uma mente escura – nunca vi nada igual. É certo que não estou fazendo justiça ao Quarto Caminho falando sobre o mesmo.

Pois sei que não estou preparado para tanto, nem tão pouco autorizado, mas depois DA morte de P.D. OUSPENSKI, seus seguidores ficaram mais ou menos órfãos, e ninguém o substituiu. Tenho notícias de aproveitadores, que plagiaram as idéias do Quarto Caminho, para capitanear seguidores e dinheiro, como podemos observar, de vários sites americanos, mexicanos e brasileiros – verdadeiros falsos profetas e enganadores DA humanidade. Também ouso afirmar, também por falta de maiores conhecimentos, que nunca estudei nenhum interprete, autor ou mestre, que viesse de encontro com minha consciência e meu ser como OUSPENSKI, porque este é o único que ousou ensinar algo efetivamente pratico que ouso afirmar tratar-se de esoterismo, já que, esoterismo, se existir algum, só poderá realizar-se dentro de nossa mente , dentro de nossa cabeça, o resto, não que seja lixo, mas não vem de encontro com o meu ser neste momento, seja, não me serve mais, depois que descobri O Quarto Caminho. Falo de mim.

O próprio OUSPENSKI, fala de níveis de ser, defendendo que existem : uma arte, uma religião (etc.) para cada nível de ser. E apesar do Quarto Caminho estar acima de meu nível de ser, porque são muitas as exigências, apesar de em nada atrapalhar, quer nossa vida profissional, quer nossa vida pessoal, muito ao contrário – só ajuda, tal sistema exerceu um fascino sobre mim mesmo, que não pretendo abando-lo até o fim de minha vida. Assim, quer dizer OUSPENSKI, que existe um esoterismo para cada nível humano.

Devo ainda afirmar, que, logo de início , para OS que pretendem estudar o QUARTO CAMINHO, desde que sejam honestos consigo mesmos, OS resultados se apresentam na vida pratica. Também deixo claro, que o melhor é ir direto à fonte e adquirir o livro “O QUARTO CAMINHO” e empenhar-se com esforços sérios no sistema, digo comecem por AI.

Antes de adentrarmos a um grosseiríssimo esboço do sistema, vale lembrar o seguinte : Na vida subumana, há somente instinto, e qualquer intelecto que exista é orientado para descobrir maneiras de satisfazer OS desejos e produzir emoções agradáveis (satisfação dos instintos) Na vida humana é algo parecido, o intelecto busca maneira de satisfazer OS desejos e produzir emoções agradáveis (satisfação dos instintos) muito pouco é intellectual, se há algo, a motivação intellectual é secundária e um guia DA motivação instintiva. Os pensamentos, crenças, opiniões e planos são condicionados pelo sentir, gostar, fazer, evitar, desejar (instintos) o raciocínio é emocional, muito pouco é objetivo e imparcial, assim o raciocínio é pintado. Por isso quarto Caminho, ensina que o ser humano é uma maquina, é praticamente inteiramente mecânico.

BASICAMENTE o sistema enfatiza o seguinte:
Que o homem é criado incompleto, e tem de esforçar-se para completar-se. Existem vários níveis de ser. Os mais conhecidos são o ser humano numero 1, 2 , 3 e quatro- O numero um predomina o ser instintivo, o dois o emocional e o três o intellectual. Extrai-se do sistema que mesmo que se fossemos um ser numero quatro, poderíamos nos permitir cair para o numero um ou dois . Extrai-se ainda que quanto mais evoluímos mais temos responsabilidade, isto é mais respondemos pelo pecado ou karma (que rigorosamente são a mesma coisa). Defende que fora a lei da consciência ou do pecado existe a lei do acidente, e que num descuido podemos cair sob o domínio dessa lei. Por isso defende que quem tem um plano exeqüível não esta tão mau que quem não tem. Pois quem tem um plano e não se desvia dele, não se deixa cair na lei do acidente que é a mesma coisa que ser tragado pela inconsciência, o que nos torna mecânicos, maquinas, para não dizer que se cai num nível sub-humano, ou abaixo das expectativas ou abaixo da normalidade. Que todos somos incompletos porque somos mais mecânicos que conscientes, isto é, muito mais mecânicos. Que há pouca consciência, o mundo é praticamente todo mecânico. Que gastamos energia demais e estamos praticamente abaixo da normalidade, somos muito mecânicos, que depois de alcançarmos a normalidade, poderíamos alcançar a consciência de si mesmo, que era isso que Cristo queria dizer, quando ensinava, corrigia ou afirmava : VIGIAI. Que para alcançarmos a normalidade e mais consciência temos que, poupar energia da seguinte forma:

  • Não expressar emoções negativas ou desagradáveis;

  • Não identificar-se;

  • Observar-se;

  • Lembrar-se de si mesmo;

  • Controlar a imaginação;

  • Não falar desnecessariamente;

  • Controlar o pensamento formatório;

  • Não ter consideração interna;

  • Ter consideração externa;

  • Evitar Falar Desnecessário;

  • Não mentir.

  • Ter um Plano.

Não expressão de emoções negativas e desagradáveis
É o que gasta mais energia – estamos falando daquela energia Crística, a qual Jesus disse que “nem só de pão vive o homem…”. (etc.) Não posso permitir que os meus instintos primitivos assumam o comando de mim mesmo, e esvaziem meu estoque de energia e me deixem como uma garrafa vazia.

Não identificar-se

Não me identifico para não me perder, não perder minha identidade, meu eu. A minha consciência é pequenina e fraca e a massa de inconsciência que é enorme, pode me tragar e me arrastar para o movimento inconsciente, neste momento sou uma maquina sem controle, a deriva. Não há porque me perder , tenho que estar no governo, isto é no poder de mim mesmo.

Observar-se

O centro intelectual pode e deve apreender e olhar as emoções. O centro emocional começa a perceber que não vale a pena continuar se o intelecto não o acompanha.

Lembrar-se de si mesmo

É isso mesmo, procurar lembrar de si mesmo varias vezes durante o dia, sentindo: Eu estou aqui. Eu sou eu.

Controlar a imaginação
Para não me perder em devaneios inúteis e bobos e gastar energia, também para não dar um colorido falso as situações e me auto enganar. Devemos buscar a solução ou buscar aceitar, usando a função critica e o pensamento correto. Esquadrinhar a coisa. Pensar de verdade e não perder-se em pensamentos inúteis

Não ter consideração interna

Não posso permitir que os instintos primitivos assumam o comando da unidade em mim ou do meu Eu ou consciência. Buscar observar-se e ficar consciente de mim e agir com bom senso.

Ter consideração externa

Ter uma atitude cuidadosa em reação com os outros, ser gentil, porque todos tem tendência ao auto-engano. Não confrontar o Ego, porque o Ego da maioria, seja o Ego coletivo é infinitamente maior que o seu, e conseqüentemente você só tem a perder, é uma questão matematíca e ao mesmo tempo, esses confrontos gastam suas economias de energia vital. Essa energia tem de ser economizada, poupada, para você poder fazer, realizar, conseguir algo. Também é de se dizer que o outro que procura o confronto pode não estar vivendo um bom momento.

Evitar falar desnecessário

Falar também despende energia e para sermos efetivamente úteis, devemos ter a palavra certa, na hora certa, para isso devemos apreender a ouvir, para Ouvir tudo. Não interromper os outros sem uma boa razão. Prestar a atenção detalhadamente, com cuidado e não me perder nas emoções que me afetam.

Pensamento Formatório:

No sistema do quarto Caminho, é um tipo de pensamento que pode levar ao devaneio ou não, tipo um barquinho vazio que vem passando e você monta nele e ele o leva, o fazendo dormir, inconsciente por mais tempo. Normalmente são dois ou três tipos de pensamento que você acompanha, esteja consciente e você os identificará.

Não mentir
A mentira desperdiça enorme quantidade de energia, a origem da mentira externa é a mentira interna, na verdade não sabemos quem somos – somos muitos e agimos que se soubéssemos quem somos.

Prisão da Limitação
Aceitar e assumir a situação em que se encontra é o primeiro passo para a liberdade. A prisão da limitação é a matéria prima que eu tenho para evoluir, sem isso ninguém conseguiria evoluir ou progredir. É um problema a resolver. Não vai adiantar nada esbravejar e chutar as paredes da prisão, nem tão pouco resignar-se e esperar a morte. A melhor atitude é considerar a prisão da limitação como um problema a resolver. Procurar com atenção as falhas , brechas, oportunidades etc., e lançar-se e agarrar a primeira oportunidade real que surgir.

Ter um Plano

Deve-se construir um plano com as seguintes bases ou perguntas: 1- Saber o que se quer? 2-Saber porque quer? 3-Saber como conseguir? Responda sinceramente essas perguntas, trace um plano exeqüível e siga o sistema, não se permitindo desviar-se do plano, para não ser tragado pelo movimento inconsciente.

Além do que, caríssimos irmãos, isso tudo, colocado de forma comportamental, poderia melhorar e muito a vida social, a vida profissional, a vida familiar, e por conseguinte a convivência entre os povos, já que não podemos viver fora da sociedade. Veja-se finalmente, que, se alguém conseguir ser mais consciente, seguindo ou não o sistema, haverá em relação aos outros uma verdadeira superioridade, a superioridade real.

Na verdade é disso que o mundo precisa, nos dias de hoje, somente esses homens, mais conscientes, acabarão vencendo no presente e cada vez mais no futuro, o mundo mudou, temos que nos adptar, temos que evoluir, temos que ser mais conscientes firmando-nos no Eu e não no Ego, este é o único caminho da evolução: consciência de si. Falo de todos os tipos de evolução, econômica, familiar, social, intelectual, moral etc., o sistema deve ser aplicado em todos os setores da vida pratica.

Porque também é certo de que mudando o presente, mudamos o passado, da seguinte forma: mudando o presente , acabamos por mudar o futuro e se mudarmos o futuro, teremos também mudado o passado. Daí o porque ousei trazer a esta oficina o grosseiro esboço acima.

MIGUEL AMADOR
M.’.M.’., Loja Rui Barbosa 3419 – Sinop/MT, Brasil


ATRIBUTOS DA MATÉRIA E AS LEIS DO PROGRESSO

1. Introdução

A Filosofia Esotérica afirma que a essência do ser humano é a mônada, comparada a uma “chispa divina” que se “desprende” do Todo e se lança no mundo da matéria em busca de experiências. A mônada, também chamada de “centelha divina”, se desprende do Todo, mas misteriosamente permanece una com Ele, conservando a sua natureza original. Do mesmo modo, todos os seres que têm existência no universo, apesar de existirem como seres, mantêm em si esta essência e dela recebem os germes dos atributos divinos.

Costuma-se dizer que Deus queria se conhecer e fez para Si um espelho, para poder se ver melhor. Esse espelho é o universo manifestado, com suas formas animadas e outras aparentemente inanimadas, e, através dessas, a Vida Divina se manifesta e evolui. As múltiplas formas de vida individualizadas são, portanto, reflexos da Vida Divina, que é oniabarcante, isto é, todas elas, mesmo que pareçam isoladas umas das outras, permanecem unas, entre si e com a própria Fonte primordial.

A construção do universo visível, comparado a um espelho, não é feita ao acaso, mas sim, através de um plano, chamado Plano de Evolução, que atinge o universo em sua totalidade e, do qual, todos nós participamos. A matéria que o constitui é organizada em níveis diferentes de densidade e a vida deverá, gradativamente, passar por experiências em todos eles. Estes níveis vão, do físico mais denso, aos mais altos níveis espirituais, passando a vida por experiências e ocupando formas diferentes, que passam pelos reinos: mineral, vegetal, animal e depois do humano.


2. Os Atributos da Matéria


2.1. A Verdade

Quando empregamos a palavra verdade queremos significar um conhecimento do universo, em todas as suas manifestações, visíveis e invisíveis. A verdade não é fruto dos investigadores, mas existe porque o universo existe. Quando falamos na verdade, estamos nos referindo a nós, pois o homem é uma parte infinitesimal do Todo, da chama da qual somos uma centelha. A construção do universo é obra de um divino construtor e cada fase da construção da matéria é dirigida por ele. Os átomos se reúnem ou se afastam, somente porque ele assim o quer.

Segundo ‘O Caibalion’: “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra.” Este princípio encerra a verdade que tudo está em movimento, tudo vibra, nada está parado; fato que a ciência moderna observa, e que cada nova descoberta científica tende a confirmar. Explica que as diferenças entre as diversas manifestações de matéria, energia, mente e espírito, resultam das ordens variáveis de Vibração. Desde o Todo, que é puro espírito, até a forma mais grosseira da matéria, tudo está em vibração; quanto mais elevada for a vibração, tanto mais elevada será a posição na escala. A vibração do espírito é de intensidade e velocidade infinitas, como uma roda que se move muito rapidamente parece estar parada. Na extremidade inferior da escala estão as grosseiras formas da matéria, cujas vibrações são tão vagarosas que parecem estar paradas.

2.2. A Energia Vital
Toda a matéria é animada pela Energia Vital, que é de natureza espiritual. Esta Energia desconhecida dá poder aos alimentos para nutrir, ao sangue para circular, às células para trabalhar nos órgãos, cujo funcionamento determina e do qual resulta a vida corporal. Esta Energia Vital nos vem do Sol, com a luz, o calor, a eletricidade, o magnetismo, etc. Por isso os antigos faziam do Sol o maior símbolo da Divindade.

Recebemos a Energia Vital, para o corpo físico pelos alimentos e para o corpo da alma pelo ar. Logo, a Energia Vital está no ar e não é o ar, está nos alimentos e não é alimento. E para isso é indispensável que o ar esteja impregnado da Energia Vital, trazida pelos raios solares.

2.3. Ação sobre a Matéria
A atração é o meio pelo qual dois seres correlativos e paralelos se combinam para produzir um resultado pela sua ação comum, atuando um sobre o outro. No momento em que o resultado se produziu, a atração deixa de existir, havendo então a repulsão e sempre iguais entre si.

Assim acontece entre o Espírito e a Matéria, resultando numa comunicação e manifestação de movimentos entre si. Agindo o Espírito sobre a Matéria, os átomos caloríficos se comunicam e combinam com os átomos sólidos. Como os átomos caloríficos são mais aptos ao movimento, eles são atraídos pelos átomos sólidos e com eles se combinam e os acendem, formando um corpo intermediário entre o calor e o sólido que se chama gás.

2.4. A Transformação da Matéria
A ciência estudou o átomo segundo seus efeitos, definindo que todos os elementos da matéria no Universo se compõem de átomos, “Tudo é Uno”. As matérias se diferenciam entre si pela vibração ou emanação do núcleo central.

O átomo se compõe de esferas com cargas elétricas positivas e negativas. Estas esferas estão agarradas entre si por uma energia, cuja capacidade chega a oito milhões de volts. O mistério consiste em que a força que liga os componentes do átomo não é a gravidade, nem o magnetismo, e continua indecifrável, além da imaginação do homem.

As esferas são em número diferente em cada átomo de um elemento; este é o segredo da diferenciação entre os elementos naturais, que se deve às vibrações da energia em cada átomo. O calor que escapa de muitas esferas, que se formam em torno de uma primeira, nascendo uma esfera central mais perfeita.

Também de um grupo de satélites nasce um planeta, de um grupo de planetas nasce um sol, de um grupo de sóis nasce uma via láctea e assim até o infinito, formando o universo.

2.5. A Vida no Universo
Os estudos teosóficos nos revelam que a vida no universo é fantástica. A palavra Vida se reveste de uma significação profunda e fértil em conseqüências. Compõe-se de sete reinos em evolução, do elemental ao humano. Os reinos dividem-se em: 1º a essência elemental, a matéria mental superior; 2º a essência elemental, a matéria mental inferior; 3º essência elemental, a matéria astral; 4º vida mineral; 5º a vida vegetal; 6º a vida animal e 7º a vida humana.

O período de existência da vida humana é composto de sete raças e cada uma de sete sub-raças, perfazendo um período mundial. Quando o trabalho desse período estiver concluído, a vaga de vida deixará o planeta Terra, para sua evolução em outro planeta do sistema solar. Uma vaga de vida habitará sete planetas, sendo três físicos e visíveis ao ser humano, na seqüência Marte, Terra e Mercúrio, e outros quatro invisíveis, sendo dois de matéria astral e dois de matéria mental, inferior e superior.

Sete períodos mundiais correspondem a um ronda de vida; sete rondas a uma cadeia de vida; sete cadeias a um sistema de evolução; e, finalmente, sete sistemas de evolução a um sistema solar.

3. As Leis do Progresso

A sociedade poderia reger-se unicamente pelas leis naturais, sem o concurso das leis humanas, se todos as compreendessem bem. Se os homens as quisessem praticar, elas bastariam. Mas, no decorrer do tempo, a sociedade impôs suas exigências, sendo necessárias leis especiais. A civilização criou necessidades novas para o homem, necessidades relativas à posição social que ele ocupa. Tem-se então que regular, por meio de leis humanas, os direitos e deveres dessa posição.

Mas, influenciado pelas suas paixões, ele não raro tem criado direitos e deveres imaginários, que a lei natural condena e que os povos riscam de seus códigos à medida que progridem. A lei natural é imutável e a mesma para todos; enquanto que a lei humana é variável e progressiva.

A principal causa da instabilidade das leis humanas acontece na época de barbárie, quando os mais fortes fizeram as leis e as fizeram para si. Neste sentido, se destaca a Idade Média, com seu sistema feudal, com o domínio do império romano e com a “Santa Inquisição” imposta pela Igreja Católica, que de santa não teve nada.

Ao progresso moral o maior obstáculo é o orgulho, o egoísmo, desenvolvendo a ambição e o vício. Uma sociedade depravada certamente precisa de leis severas. Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que então não precisarão mais de leis tão rigorosas.

O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque tem de evoluir ao seu destino. A evolução regular e lenta ocorre naturalmente pela força das coisas e pela influência das pessoas que o guiam na senda do progresso moral. À medida que o homem compreende melhor a justiça, torna-se indispensável modificar as leis humanas. E quanto mais elas se aproximam da verdadeira justiça, mais estáveis serão; vão sendo feitas para todos e se identificam com a lei natural.

Bibliografia:
O Caibalion – Estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia”, Os Três Iniciados.
Fundamentos da Teosofia”, C. Jinarajadasa
Doutrina Secreta – Volume I – Cosmogênese”, H. P. Blavatsky
Apontamentos em Grupo de Estudos ‘Âtmâ-Vidyâ’ na Sociedade Teosófica – Brasília

PEDRO JUCHEM
M.’.M.’., Loja Venâncio Aires II, nº 2369 – G.’.O.’.B.’. / RS, Brasil


AS ORIGENS DA MAÇONARIA ESPECULATIVA

Para pesquisar este complexo tema faz-se necessário examinar algumas lendas enraizadas no imaginário maçônico, para as quais não existe nenhuma comprovação documental.

A primeira delas descreve o nascimento da Maçonaria Especulativa como sendo a descendente direta da Guilda de Ofício correspondente, que teria deixado entrar os não operativos ou aceitos em suas Lojas.

Estes novos membros acabariam por dominar a guilda de ofício, não só em número, mas também na sua administração, transformando-a na organização maçônica que conhecemos a partir de 1717.

Sem dúvida, a Maçonaria moderna muito deve à instituição chamada de Venerável Companhia dos Maçons Livres da Cidade de Londres, como era chamada nos documentos oficiais, a corporação que reunia os que praticavam a arte de construir. Não é sem razão que a instituição atual é a sua sucessora, quase sem mudanças, no nome e em muitos dos seus princípios de governo.

A Maçonaria atual herdou nos nomes dos Oficiais e Dignitários mais importantes, o método de auto-sustentação financeira, a taxa de admissão, e outros usos, A bem da verdade, estes usos eram típicos de todas as corporações medievais, Entretanto, tudo isto não explica por quê os não operativos teriam solicitado a sua admissão, especificamente nesta corporação de oficio.

Uma explicação inicial, que Anderson foi buscar na antiguidade, consistiria no fato de que a admissão à corporação era atrativa em termos de “status social”, ou seja, por ser um ”símbolo de distinção”, como atualmente o é a admissão em associações do tipo Rotary ou Lions Clubs.

Assim sendo, tratar-se-ia da atração que uma Companhia de Ofício, rica e poderosa, teria exercido sobre os homens que profissionalmente não pertenciam à corporação. Na realidade, isto é altamente improvável. De fato, devemos considerar que já no inicio do séc. XVII a Companhia de Ofício tinha perdido toda a sua importância e poder efetivo (causada pela falta de grandes obras, geralmente patrocinadas pela Igreja, cujo prestigio e poder econômico estava em decadência e já não era o mesmo da alta Idade Média).

Qual seria então a atração que uma corporação em declínio poderia exercer sobre homens em busca de realizar suas ambições sociais?

Uma segunda explicação sustenta que os não operativos foram atraídos para a corporação devido aos segredos esotéricos que esta possuía. Aqui também, devemos ressaltar que não existe nenhum documento das lojas operativas que ateste a existência de qualquer tipo de mistério que não fosse aquele ligado aos segredos de profissão, do mesmo tipo que se podem encontrar em qualquer outra corporação do gênero.

A propósito, recordamos a suposta existência, na Inglaterra, de um grupo da chamada sobrevivência operativa, com um ritual com sete graus, que dividiam os Irmãos conforme o grau, em maçons do esquadro e maçons do arco, hipótese tão cara a René Guénon, o que é uma mistificação que apareceu e logo desapareceu no inicio do séc. XX.

No que se refere à assim chamada Compagnonage, organização que só existiu na França, e na qual os Maçons não tinham a predominância, sabe-se que a sua parte ritual e esotérica é posterior à da Maçonaria Especulativa.

Quanto aos famosos Mestres Comacinos, não existem documentos que atestem que tenham existido sob a forma de corporação. Os éditos longobardos que os mencionam são dos séc. VII e VIII, enquanto que os sistemas corporativos, com os seus juramentos, só aparecem no início do séc. XII (O Estatuto de Bolonha, de 1248). Os artigos dos éditos de Rotari e de Luitprando, falam somente dos regulamentos a serem aplicados nos casos de eventuais acidentes no exercício da profissão de construtor. Falam também das compensações a serem atribuídas aos acidentados ou às suas famílias. Por outro lado, não se encontra nestes éditos nada que possa sugerir algo de misterioso ou de esotérico na profissão dos Mestres Comacinos.

Também não é conhecido nenhum documento medieval das Guildas de Ofício que mencione qualquer forma de ensinamento esotérico, partilhado por seus membros. Especificamente em relação à Inglaterra, ninguém que já tenha lido os manuscritos Regius, Cooke, etc. encontrou neles quaisquer segredos, a não ser os relativos à profissão, a par de uma forte influência cristã, além da atenção dispensada aos problemas práticos, econômicos e referentes à administração do pessoal operativo.

Assim sendo, não se conhece nenhum documento que contenha referências àqueles que são os pontos fundamentais do esoterismo maçônico atual, ou seja: Palavras, Sinais, Toques, a Lenda do Terceiro Grau ou similares. Na realidade, todos os documentos afirmam exatamente o oposto, isto é, que só depois do ingresso dos membros não operativos, no séc. XVII, foi que começaram a encontrar-se indícios de que algo misterioso estava acontecendo no interior da corporação. A propósito, mencionamos algumas datas:

Já nos anos de 1520/21 os registros contábeis da corporação mencionam pagamentos efetuados por alguns membros e oficiais operativos, que tinham sido feitos maçons aceitos. É de ressaltar que nesta altura alguns membros aceitos eram já membros “ativos e quotistas” da Corporação de Ofício (embora a primeira admissão oficial, na Saint Mary’s Chapell Lodge, só tenha sido registrada em 1600).

Deste modo, estamos diante de acontecimentos exatamente opostos àqueles que sempre se supôs acontecerem, isto é, que são os membros operativos que são admitidos entre os Aceitos, e não o inverso. De tal fato, podemos supor a existência de uma estrutura organizada e independente. Assim, fazer parte da organização operativa não significava pertencer automaticamente à organização especulativa.

Outro fato significativo é que nos anos de 1655/56 a Companhia de Ofício decidiu retirar a palavra “freemasons” (Pedreiros Livres) de seu título, passando a chamar-se somente Companhia dos Maçons. Este fato permite supor que a mudança no nome da Companhia de Ofício visava oferecer cobertura a uma nova organização surgida em seu interior.

O certo é que os primeiros sinais dos não operativos são todos posteriores ao início do séc. XVII. Na Escócia, em Edimburgo, os primeiros sinais aparecem em 1634. Em Atchison”s Haven, em 1672, 1677 1693. Em Kilwinning, em 1672 e em Aberdeen, em 1670. Na Inglaterra, já em 1621 os registros comprovam a existência de uma Sociedade de Maçons, em conjunto com a corporação de ofício regular. Esta nova sociedade recebia capitações dos maçons Aceitos, tanto dos construtores de ofício, quanto dos que não tinham nenhuma relação com a profissão.

Deste modo, é pode-se perfeitamente admitir que durante o séc. XVII tenha sido constituída uma fraternidade oculta, dentro da corporação profissional. Os seus membros ditos Aceitos seriam os efetivos possuidores do esoterismo e da maior parte da ritualidade que nos é hoje conhecida. Os membros desta nova fraternidade foram gradativamente assumindo a sua condição maçônica perante o público externo, a partir da segunda metade do mesmo século.

A partir deste ponto, devemos procurar as origens deste novo grupo, a possível data de sua constituição, os seu conteúdo filosófico e esotérico, os seus fundadores, e o motivo pelo qual decidem ocultar-se dentro da corporação dos construtores.

Todos os pesquisadores concordam em que o esoterismo maçônico, com a sua tradução em rituais, símbolos e ensinamentos, é uma criação desenvolvida ao longo de algumas dezenas de anos, e é obra dos Especulativos. Quem seriam os homens que possuíam este tipo de conhecimentos ? Sem dúvida, eram homens de condição social média/alta, pertencentes à burguesia iluminada e que, nos dias de hoje, poderiam ser chamados de “liberais”.

Eram pesquisadores e estudiosos das culturas da antiguidade, colecionadores de manuscritos e de livros raros. Muitos se tornaram membros da Sociedade Real (Royal Society). Fazia também parte do seu projeto social a difusão do conhecimento científico, visando melhorar as condições de vida das populações mais humildes. Sob o ponto de vista religioso, numa época conturbada da história da Europa ( a Inquisição ) estes homens manifestavam uma forte tendência para a tolerância, a partir de um forte teísmo do tipo judaico-cristão.

Características muito importantes são as relações que muitos deles tinham com os sobreviventes do movimento Rosa-cruz da Alemanha, que se refugiaram na Inglaterra depois da dissolução do reino da Boêmia, em 1619. Os primeiros documentos que atestam a existência dos Aceitos, são datados de dois anos depois, isto é, de 1621. Deve-se notar que a Inglaterra era, na Europa de então, o único país que os colocaria a salvo dos processos e dos autos de fé da Inquisição Católica.

Mesmo na Inglaterra a situação político-religiosa estava em transição, e ainda era bastante perigosa a divulgação dos conhecimentos esotéricos, filosóficos e sociais que os haviam inspirado. Nestas condições, era bastante atraente a oportunidade de se ocultarem dentro da organização, de modo a resguardar a permanência do conhecimento não ortodoxo, bem como a sua transmissão, de modo velado. O simbolismo geométrico-arquitetônico era utilizado para exprimir o conteúdo do conhecimento esotérico e filosófico.

Assim, nada melhor para assegurar a continuidade da transmissão velada deste conhecimento do que a utilização de uma corporação de ofício, em declínio e de fácil manejo. Deste modo, a mensagem rosa-cruz foi introduzida na corporação dos maçons operativos ingleses, com a criação de rituais que asseguraram a sua sobrevivência e a sua transmissão futura.

Como já dito, estes rituais – Aprendiz e Companheiro – foram sendo desenvolvidos durante todo o séc. XVII e início do séc. XVIII. Não se conhecem com exatidão as datas em que foram concluídos estes rituais, por dois motivos: em primeiro lugar, os rituais não eram escritos. Em segundo lugar, porque eram escassos os registros das reuniões das Lojas. Os registros existentes das reuniões deste período referem-se, basicamente, aos aspectos administrativos das reuniões. Jamais, em relação aos aspectos ritualísticos.

A mensagem rosa-cruz tinha duas componentes: uma exotérica e outra esotérica. A primeira é facilmente reconhecida, e ainda hoje é uma das colunas de apoio do ensino maçônico. Propõe a tolerância religiosa, a ação social em favor dos necessitados, a difusão da cultura, a preferência pelos sistemas democráticos de governo, a aversão por toda a forma de despotismo, o compromisso com o social em todas as suas formas, e a obrigação de manter um comportamento ético irrepreensível.

A componente esotérica e metafísica começa a ser conhecida com o aparecimento dos Aceitos. Inicialmente se tem conhecimento da expressão “Palavra Maçônica”, cujo significado era desconhecido, e cujo segredo os Aceitos defendiam de maneira quase feroz. A esse respeito, Henry Adamson escreveu em 1638: “Nós temos a Palavra Maçônica e a segunda vista”. Henry Home assim se expressava em 1640: “Existem muitas palavras e sinais Maçônicos que vos serão revelados e de cujo segredo vos pedirei contas diante de Deus, no grande e terrível dia do Juízo Final. Deveis manter sempre o segredo sem revelá-lo a ninguém, a não ser aos mestres e companheiros da Sociedade dos Maçons”.

Além disso, encontramos referências nos juramentos de que essa Palavra jamais devia ser escrita, nem sequer na areia, sob pena de terríveis punições. Assim, parece certo que esta palavra devia consistir de algum tipo de conhecimento que nunca foi revelado. Neste ponto, é inequívoca a influência rosa-cruz.

Vejamos ainda alguns pontos que ajudarão em nossas conclusões. Sem imitar o trapalhão Ragon, analisemos as características do maçom aceito mais conhecido do séc. XVII. Referimo-nos a Elias Ashmole, iniciado em Warrington a 16 de outubro de 1646, aos 29 anos, como consta em seu próprio diário, no qual o termo usado não é “iniciado”, mas “aceito”. Em outro de seus diários ele escreveu, a 13 de maio de 1653, que o seu padrinho na Ordem, o senhor Blackhouse, lhe revelou no leito de morte, por sílabas, o nome da matéria da Pedra Filosofal. Em 1663, Ashmole tornou-se membro da Sociedade Real.

O segundo ponto a ressaltar consiste nas freqüentes referências, nos rituais, à assim chamada Lenda Críptica e às suas conexões com o simbolismo do Templo de Salomão. Convém lembrar que o ritual maçônico do grau de Aprendiz, praticamente na forma em que o conhecemos, foi desenvolvido e aperfeiçoado ao longo da segunda metade do séc. XVII e, provavelmente nas primeiras décadas do século seguinte.

Devemos também lembrar que a definição de Deus como Grande Arquiteto do Universo não é, como se poderia pensar, de origem maçônica, mas sim de uma antiga versão de uma lenda Alquímic0/Rosa-cruz. L”Andréa, conhecido por ter divulgado os Manifestos Rosacruzes em Londres, já usa esta expressão em um trabalho de 1623. Portanto, muito antes do desenvolvimento dos rituais maçônicos.

No que se refere ao sistema ritual que contém o Real Arco, muito apreciado pelos maçons, deve-se ressaltar que a lenda críptica é repetida, em várias versões, e que as referências alquímicas nos graus superiores ao terceiro são bastante explícitas, sem esquecer que um dos graus mais importantes do sistema é o Príncipe Rosa-Cruz.

Os argumentos acima expostos permitem concluir que o ensinamento dos Aceitos tem por base os conhecimentos alquímicos dos rosa-cruzes, com todas as suas conseqüências filosóficas e metafísicas.

Assim, concluímos também que o conhecimento esotérico e ocultista esteve presente nos primórdios da Instituição Maçônica atual e que a evolução do ritual e do simbolismo, ocorrida ao longo do séc. XVII e início do séc. XVIII, foi a maneira encontrada para manter vivo e compreensível todo este acervo de conhecimentos, cujo objetivo maior é o aperfeiçoamento moral e espiritual do ser humano.

BIBLIOGRAFIA
Freemasonry – Bernard Jones
The Compagnognage and the Craft – C.N. Batham
Historiae Patriae Monumenta – Edita Langobardorum
Medieval Masters and their Secrets – W.W. Conery-Crump
Speculative Masonry – Harry Carr
The Transition from Operative to Speculative Enlightenment – F.A. Yates
The pre-eminence of the Great Architect in Freemasonry – R.H.S. Rottenburg

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.’.I.’., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil


AS FERRAMENTAS DO GRAU DE APRENDIZ

Para sermos “justos e perfeitos” necessitamos de ensinamentos que aperfeiçoem a cada dia o nosso caráter e aprimorem gradativamente a nossa PERCEPÇÃO. Nada na vida poderá ser iniciado, trabalhado, cultivado ou concluído, sem que primeiro nós tenhamos a PERCEPÇÃO, da clareza e da exatidão daquilo a que nos propomos realizar.

Veja o que disse o mestre SALOMÃO, durante a construção do templo de Jerusalém. Ele tomou em suas mãos duas pedras; uma delas, ainda bruta, não preparada, e a outra, uma pedra polida na forma cúbica. Disse:

“O homem deve ser como a pedra polida (o cubo) que surge como uma pedra bruta, irregular,multi-angulada, instável, e que ao ser lapidada revela toda a beleza contida que existe em todas as coisas da natureza. O ser, enquanto não for também lapidado não será aceito no Castelo da Perfeição.”

Disse mais:

“O homem é como uma pedra bruta, cheio de irregularidades, asperezas, imperfeições. Assim como o talhador lapida e transforma a pedra bruta tornando-a polida, assim também a pessoa deve lapidar-se, tirar de si inúmeras arestas irregulares deixando apenas aquelas arestas necessárias a lhe dar uma forma regular e perfeita. Polir a pedra bruta, desbastar todas as arestas imprecisas, para poder ser simbolizado por uma forma geométrica regular em seus múltiplos aspectos, a pedra cúbica.”

Estas palavras que foram ditas há várias centenas de milhares de anos e que evoluíram, principalmente na idade média (fim do império romano) através dos pedreiros, dos escultores, dos mestres construtores, artistas, homens iluminados, e, finalmente , passando por todos aqueles que se iniciaram na maçonaria, vieram trazer nos dias de hoje, o conteúdo simbólico e espiritual relativo aos aspectos internos do ser humano, tanto de ordem moral quanto espiritual, contribuindo para que haja a edificação do nosso caráter e o esclarecimento do saber em nossa PERCEPÇÃO.

  • Será que percebemos com clareza e exatidão: o bem e mal?

  • Será que percebemos detalhadamente nossos objetivos?

  • Será que percebemos as simetrias, harmonias, partes laterais, partes posteriores, forma física, imagem e outras dimensões numa obra?

  • Será que percebemos a profundidade de uma coisa em si através de uma conscientização clara e precisa?

  • Será que percebemos que o insucesso em algum negócio foi devido à falta de avaliação dos detalhes e suas conseqüências possíveis?

  • Será que percebemos o caminho espiritual mais correto para nos realizar como homem?

  • Será que percebemos claramente nossas impressões sensoriais, nossas ilações e conclusões?

  • Será que percebemos nossas “Percepções dedutivas”, acuidades sensoriais , o aprimoramento dos nossos sentidos psíquicos e as nossas intuições?

Vejo através das respostas à estas indagações que toda a complexidade da nossa vida resume-se em uma simples palavra: PERCEPÇÃO!

E, portanto, cabe a cada um de nós, descobrir a sutil diferença entre a pedra não trabalhada e a pedra cúbica, polida. Necessitamos descobrir esta diferença para que possamos nos aprimorar a cada dia, cultivar a fraternidade, estar em liberdade e sermos tolerantes em busca da igualdade.

Vejo também que a grande lição que podemos tirar através dos instrumentos recebidos em nossa iniciação maçônica: o MAÇO, o CINZEL e a RÉGUA DE 24 POLEGADAS é que se os levarmos cravados no peito seja aonde estivermos e, se realmente os utilizarmos no nosso dia-a-dia, alcançaremos o nível mais elevado da pedra cúbica: a luz, a harmonia, o bem, a união do espírito divino e da matéria, a união do positivo e do negativo, o silêncio, a união dos quatro elementos, o entendimento, a conversão de valores, a estrela de Davi, as palavras de Salomão, o grande segredo da alquimia, o racional, o dia, o sol do meio-dia: o abandono do nosso ego em prol do amor.

Como disse “o mais elevado” a Albert Einstein: Não jogo dados! Mas, cada um dos lados de meu dado tem uma eterna significância:

LADO 01

LADO 02LADO 03
PRUDÊNCIA PERSEVERANÇA PACIÊNCIA
LADO 04LADO 05LADO 06
PRONTIDÃO PERCEPÇÃO PERFEIÇÃO

Esse será o nosso objetivo, daqui para frente, seguir as sábias palavras de Salomão, usar das nossas ferramentas e ter a capacidade de enxergar, PERCEBER CLARAMENTE, aquilo que necessitamos mudar, em nós mesmos, para que nosso meio seja também alterado. Esse é o verdadeiro sentido simbólico do “desbastar da pedra bruta”.

WILDON LOPES DA SILVA
A.’.M.’., ARLS Mounth Moriah 3327 – São Paulo/SP, Brasil


AS FERRAMENTAS (ADAPTAÇÃO)

Um grupo de ferramentas reuniu-se em assembléia em uma Oficina para acertar suas diferenças. Um Malhete estava exercendo a presidência, mas, alguns participantes exigiram sua renúncia.

A Causa? O Malhete fazia demasiado barulho, vivia golpeando, não deixava ninguém falar e se achava dono do lugar. O Malhete, revoltado, disse que ele e que estava sofrendo um golpe e pediu a expulsão da Régua, do Maço e do Cinzel, um grupelho que conspirava contra ele; a Régua queria controlar o trabalho e o descanso físico e espiritual, segundo suas medidas sem dar satisfações a ninguém como se fosse a única perfeita; o Maço e o Cinzel só tratavam de asperezas, e, um sem auxílio do outro não tinha nenhum valor.

A Régua não se conteve e transferiu as acusações para o Esquadro, o Nível e o Prumo, pois, estes, não faziam o trabalho pesado e ainda queriam aferir tudo; o Nível só trabalhava na horizontal – muito descansado; o Prumo dizia que sua visão vinha de cima e não poderia ser contestado; e o Esquadro, queria sempre ver tudo sobre todos os ângulos… que prepotência…

O Esquadro aborrecido asseverou – Faço apenas o que está traçado na Prancheta, que se queixem com o Compasso o Lápis e o Cordel que são os culpados, eles e que maquinam tudo, dizem que juntos, e a partir de um único ponto, projetam uma linha, um ângulo, um plano e um sólido… como é possível?

Neste momento, todos, com respeito, se calaram, pois entrou na Oficina o Mestre da Obra. Este juntou todas as ferramentas e, apresentando a prancheta com o traçado e disse: – hoje vamos dar continuidade a construção projetada pelo do Grande Geômetra.

Com a participação de todos, os trabalhos foram iniciados e realizados em paz – com ordem e exatidão. Ao final, o Fiscal da Obra constatou que estava tudo justo e perfeito. Quando o Mestre foi embora as ferramentas voltaram a discussão.

Mas, a Prancheta adiantou-se e disse: – Senhores, ficou demonstrado que todos temos defeitos, mas o Mestre da Obra trabalha com nossas qualidades, ressaltando nossos pontos valiosos… Portanto, em vez de pensar em nossas fraquezas, devemos nos concentrar em nossos pontos fortes.

Então a assembléia entendeu que todos eram necessários, e, como equipe, eram fortes precisos e exatos, por isto, capazes de produzir com qualidade. Uma grande alegria tomou conta de todos pela oportunidade que tiveram de trabalharem juntos. E assim despediram-se, contentes e satisfeitos.

Quando buscamos defeitos em nossos Irmãos, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes, florescem as melhores conquistas. É fácil encontrar defeitos… Qualquer um pode fazê-lo! Mas, encontrar qualidades? Isto é para os sábios!

Nota:
Este texto foi inspirado do Original, “O Marceneiro e as Ferramentas”, de autor desconhecido. Para adaptá-la a feição maçônica, em sua construção, alteramos a narrativa, os nomes das ferramentas e relacionamos a fantasia das contendas, com suas representações maçônicas reais, considerando o simbolismo.

PAULO ROBERTO MARINHO DE ALMEIDA
M.’.M.’., GLMERJ – Rio de Janeiro/RJ, Brasil


AS CRUZADAS

Cruzadas, (termo espanhol, cruzada “marcada com uma cruz”) é o nome dado a uma série de guerras efetuadas pelos cristãos da Europa ocidental com a bênção – e a pedido – dos Papas, de 1095 até à metade do séc. XV, com o objetivo de retomar e defender o Santo Sepulcro, em Jerusalém, que estava na posse dos Muçulmanos. Em seu sentido lato, uma cruzada era uma guerra sancionada e apoiada pelo papa romano, dirigida contra todos os inimigos de Cristo.

AS CAUSAS
A causa imediata das cruzadas foi a interrupção da visita dos peregrinos ao Santo Sepulcro, como resultado da conquista dos turcos Seldjúcidas no séc. XI. Em 1055 o Seldjúcida Togrul Beg obrigou o seu suposto chefe, o Califa Abássida de Bagdá, que era sunita, a garantir-lhe o título de sultão. Após a batalha de Manzikert em 1071, bandos de turcos nômades arrasaram na Anatólia o que restava do antigo Império Bizantino, dificultando bastante a passagem dos peregrinos da Europa.

Após a morte do sultão Malik Shah em 1092, os seus emires entraram em guerra com a Síria, com a Palestina e com as demais províncias Abássidas, pertencentes ao Califa de Bagdá, interrompendo totalmente a visita dos peregrinos ao Santo sepulcro. A viagem de numerosos grupos de peregrinos europeus à Terra Santa era, à época, cada vez mais freqüente. Daí o clamor destes peregrinos por não terem mais acesso a Jerusalém. Uma segunda causa para a realização das cruzadas foi a liberação de energias que se tinham acumulado na Europa Ocidental. Por cerca de 200 anos os europeus sofreram guerras movidas pelos Sarracenos, pelos Vikings e pelos Húngaros. Mas no início do séc. XI os vikings e os húngaros já estavam cristianizados e de algum modo foi estabelecida uma ordem e uma lei pelos príncipes feudais e pelos prelados, enquanto que o comércio recomeçava a crescer e a moeda a circular.

Na época, a Igreja estava altamente envolvida na grande reforma Beneditina dos mosteiros, liderada pela Abadia de Cluny, na organização de um número sempre crescente de peregrinações à Terra Santa e pela redução das guerras religiosas contra os muçulmanos na Espanha e na Sicília. A cidade de Toledo, na Espanha, foi reconquistada aos árabes em 1085; a base árabe de Mahdia, na Tunísia, tinha sido conquistada pelos Genoveses e seus aliados de várias regiões da Itália, em 1087; os últimos muçulmanos foram expulsos da Sicília em 1091. Todas estas guerras foram abençoadas pelo Papa, que assim abriram precedentes para as futuras cruzadas.

O mais importante de tudo eram os planos do Papa Urbano II, um discípulo e protegido do Papa Gregório VII e um proeminente líder do movimento pela reforma dos Beneditinos de Cluny. Esta reforma previa a imposição de uma disciplina rígida, pura e universal para a Igreja, para livrá-la de todas as acusações de controle feudal e para consolidar a figura do Papa como vigário de Cristo para governar a igreja universal e para orientar as atividades do ser humano no serviço de Deus. Governar a igreja universal implicaria não só controlar a Europa Ocidental, mas também administrar a ruptura causada pelo cisma de 1054 entre o papado e o patriarca e imperador Bizantino, e atuar de modo a conseguir o reconhecimento da supremacia papal sobre toda a cristandade, tanto no ocidente quanto no oriente.

Depois de sua eleição em 1088, o papa Urbano II reativou os contatos com os Bizantinos, mas considerando que tanto ele quanto o Imperador de Bizâncio, Alexius I, estavam por demais ocupados em fortalecer suas posições em seus próprios domínios, nada de importante aconteceu nesta área por alguns anos. Na primavera de 1095, Urbano convocou o Concílio de Piacenza, para discussão de assuntos eclesiásticos. Alexius fez então um apelo a este Concílio, pedindo recrutas para a sua marinha, para combater os turcos. Urbano convocou para discutir o problema o Concílio de Clermont, em Auvergne, em novembro de 1095. Todavia, em vez de pedir marinheiros para a armada de Bizâncio, Urbano solicitou e obteve autorização para formar a sua própria armada, como, aliás, tinha tentado o seu antecessor, o Papa Gregório VII. O símbolo desta armada era uma cruz e o seu comandante seria um legado do Papa. O objetivo desta armada era auxiliar Alexius de Bizâncio a expulsar os turcos da Anatólia e em seguida recuperar a posse do Santo Sepulcro em Jerusalém.

Este último objetivo não estava nos planos de Alexius, que tinha objetivos mais urgentes. Não se sabe se Urbano levantou na ocasião a questão da supremacia papal. A cruzada subseqüente indica que Urbano pretendeu restaurar o seu domínio sobre os Gregos Ortodoxos.

A PRIMEIRA CRUZADA
O apelo de Urbano para a realização desta cruzada mobilizou a cristandade ocidental. Foi criada não só uma armada no sul da França, mas também duas armadas no norte deste mesmo país e uma na Apúlia, no sul da Itália, todas elas comandadas por príncipes feudais. Também foram formados batalhões de soldados, sob o comando de diversos líderes populares. A grande armada formada na Provença, liderada pelo poderoso Raimundo IV, conde de Toulouse, era acompanhada por Adhemar de Monteil, bispo de Le Puy, legado do Papa. Contingentes do norte eram liderados por Robert II Curthose, duque da Normandia; por Robert II, conde de Flandres e por Godfrey de Bouillon, duque da Baixa Lorena; por Stephen Henry, conde de Blois e por Hugh, conde de Vermandois. Do ducado Normando da Apúlia veio também Bohemund, filho de Robert Guiscard, com uma pequena, porém excelente armada.

Estes líderes, seja por sua posição seja por seu temperamento, não se dispuseram a serem comandados por Raymond ou qualquer outro comandante, e ficou claro que o legado papal teria de ter muito tato para os controlar. Estas forças de cruzados Francos, como foram chamadas, chegaram a Constantinopla entre julho de 1096 e maio de 1097. Godfrey de Bouillon – que seria depois um dos fundadores da Ordem do Templo – estava na Hungria; Raymond estava na Dalmácia e os outros na Apúlia e na Albânia.

Alexius, que simplesmente pedira marinheiros para a sua esquadra, ao contrário, recebeu hordas indisciplinadas de soldados, juntamente com peregrinos, padres e outros não combatentes, sob o comando de líderes que ele não podia controlar. Bohemund, que tinha acompanhado Robert Guiscard numa perigosa invasão das possessões Bizantinas na Albânia e na Grécia entre 1081 e 1085, de maneira irônica, solicitou a Alexius o comando das operações de todo o Oriente. Se concedido, isto faria dele o vice-rei, com poderes imperiais sobre todas as terras que os cruzados pudessem conquistar. Não se sabe se Alexius atendeu ao pedido, mas sabe-se que ele exigiu dos príncipes Francos o juramento de que lhe entregariam todo o território conquistado pelos turcos, que antes fizesse parte de seu reinado. Isto significava que Alexius esperava o retorno da península da Anatólia e da cidade de Antioquia aos seus domínios, não se importando com os territórios que fossem conquistados na Palestina pelos cruzados.

Assim, os Francos e os Bizantinos começaram ressentidos uns com os outros a sua jornada pela Ásia Menor, onde cercaram e obtiveram a rendição da cidade de Nicéia em 1097, que só não foi saqueada pelos Francos devido à intervenção das tropas Bizantinas. Este fato intensificou o ressentimento dos Francos em relação aos Gregos, cujos costumes religiosos eram diferentes e cujo nível cultural era superior ao seu. Apesar das diferenças entre os dois exércitos, toda a Anatólia foi reconquistada aos turcos seldjúcidas e retornou para o domínio de Alexius. Nesse meio tempo, a esquadra principal dos cruzados lançou âncora nas proximidades de Antioquia, cidade ao norte da Síria, em outubro de 1097. Esta cidade foi tomada a 3 de junho de 1098. Em seu caminho pela costa da Síria com destino a Jerusalém, os Francos conquistaram todas as cidades por onde passaram. Estas cidade eram domínio do Califa do Cairo. Finalmente, após sangrenta luta, os Francos conquistaram Jerusalém e recuperaram a posse do Santo Sepulcro em 15 de julho de 1099, com grande mortandade de cristãos, árabes e judeus. Na ocasião, a cidade era governada pelos árabes xiitas.

Existiram no total oito cruzadas, a última, decidida em 1267 por Louis IX de França, que não chegou a Jerusalém porque Luiz IX morreu na Tunísia em 1270. A quarta cruzada não foi contra os árabes, mas contra os Albingenses, que professavam a religião Cátara e que foram massacrados pelos cruzados em Béziers em 1209 (60.000 mortos) e em 1211, nas cidades de Castres, Pamiers, Albi, Minerve, etc. Em 1219, houve o massacre da cidade de Marmande, durante o qual homens mulheres e crianças pereceram. Por último a cidade de Montségur foi transformada em uma fogueira, onde morreram todos os Cátaros que restavam. Eles adotavam a Bíblia, acreditam em Deus, mas eram dualistas, isto é acreditavam só na existência de dois princípios opostos, o Bem e o Mal. Isto era considerado herege pela Igreja de Roma.
Os Cátaros eram franceses, da região do Languedoc (Langue d’OC)

O FIM DAS CRUZADAS
O ideal das cruzadas não tinha morrido. Os Papas – os Pontífices, os construtores de pontes, os árbitros da Paz – continuaram a pregar mais cruzadas contra os muçulmanos, porém a sua voz deixou aos poucos de ser ouvida. Apesar disso, várias expedições foram iniciadas, uma das quais saqueou Alexandria no Egito, em 1365.
Outras expedições foram enviadas não só contra a Terra Santa, mas também contra a cidade de Esmirna (1344) e mais duas invasões nos Bálcãs, que terminaram em derrota em Nikopol (1396) e em Varna (1344).

O príncipe português, dom Henrique o Navegador, o genovês Cristóvão Colombo e o almirante português dom Afonso de Albuquerque (conquistador da Índia e das cidades que controlavam a navegação no golfo pérsico) foram todos solenemente aclamados, porque as suas viagens restringiram o domínio muçulmano à parte oriental do mar Mediterrâneo.

Na Dieta de Augsburg, em 1530, os Luteranos, piedosamente, concordaram com os católicos em abrir guerra contra os Turcos – que tinham conquistado recentemente a Hungria – retornando depois às suas próprias divergências religiosas com o Papa. Desta expedição participou a armada portuguesa ,que junto com a francesa, derrotou os turcos no cabo de Matapão. Na verdade, a Europa Ocidental tinha, desde o início, aplaudido a idéia de uma guerra santa. No entanto, devido aos seus próprios problemas, nenhuma outra cruzada recebeu tanto apoio quanto a primeira. As guerras dos cavaleiros Teutônicos nas praias do mar Báltico, a Guerra dos Cem Anos na França, a reconquista da Espanha dos Mouros e as campanhas contra os Turcos Otomanos, desviaram a atenção do Santo Sepulcro. Além disso, os Papas, desde o cisma com a Igreja Ortodoxa, nunca mais estiveram em condições de pregar por novas cruzadas com sucesso.

Finalmente, o nascimento das monarquias nacionais, a difusão do comércio, o aumento de influência da classe média, a gradual eliminação do feudalismo, a Renascença, as Grandes Descobertas Marítimas de Portugal e da Espanha, e a Reforma de Lutero, tudo isso contribuiu para que o ideal das cruzadas desaparecesse da mente coletiva européia.

OS RESULTADOS DAS CRUZADAS
Um trágico resultado das cruzadas foi a destruição do império e da civilização Bizantina. Os Bizantinos nunca se recuperaram depois da quarta cruzada. O seu governo, restaurado em Constantinopla em 1261 era uma pálida sombra do império anterior, e caiu para os Turcos Otomanos em 1453, ano que marcou a Renascença européia. Desde daí ocorreu o declínio da cultura cristã ortodoxa. Assim foi destruída a esperança do Papa Urbano II de unir a cristandade do Oriente com a do Ocidente.

Um segundo resultado das cruzadas foi o triunfo militar do Islam no Oriente Médio. Não só os cruzados foram rechaçados, mas o Islam, sob o comando dos turcos otomanos, atacaram e conquistaram parte dos Bálcãs nos séc. XIV e XV, chegando às portas de Viena d’Áustria nos séc. XVI e XVII. Somente em Portugal, na Espanha e na costa oriental do mar Báltico, conseguiu o movimento dos cruzados estender a conquista Cristã de maneira permanente.

Por outro lado, o Islam também foi muito afetado pelas cruzadas. Considerando que os muçulmanos tinham sido bastante tolerantes com os cristãos e judeus cujo território haviam conquistado, o rude tratamento que receberam dos cruzados por três ou quatro séculos tornou-os totalmente intolerantes, principalmente nas regiões governadas pelos sultões Mamelucos e Otomanos. A própria cultura árabe sofreu com as invasões dos cruzados.

Quando as cruzadas começaram, o Islam possuía um notável nível cultural, bastante superior ao da Europa. Quando as cruzadas terminaram a situação estava invertida, com os europeus ostentando nível cultural superior ao dos árabes. Esta mudança não pode ser atribuída às cruzadas, mas sim à transferência do conhecimento árabe para a Europa, através da Espanha, da Sicília e da Renascença.

O comércio no Mediterrâneo foi altamente estimulado pelas cruzadas. Especiarias, tapeçarias, almofadas, drogas, frutas, açúcar, joalheria, perfumes, vidro e refinados produtos de aço, além de grãos, madeira, cavalos, eram trazidos dos portos árabes da África e do Mediterrâneo Oriental para a Europa. Os navios árabes passavam o Estreito de Gilbraltar (Djebel al Tarik. Obs. Tarik foi o árabe que comandou a invasão da Europa no ano 711. Daí o estreito ter o seu nome) e subiam até ao norte da Europa.

Uma outra importante conseqüência das cruzadas no ocidente foi, a introdução da cultura árabe que trouxe, além dos novos conceitos de arquitetura e de pintura, também trouxe a vasta literatura em forma de estórias, lendas, canções, crônicas e a historiografia. Muitas destas canções e contos fazem parte hoje do vernáculo e da cultura de vários países, principalmente de Portugal, da Espanha e da França.

Ao contrário, a Europa ocidental pouco ou nada contribuiu para enriquecer intelectualmente o mundo islâmico. Na época das cruzadas, o Ocidente tinha muito pouco para oferecer ao Islamismo.

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.’.I.’., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil


ALAVANCA SAGRADA

Quando a noite cai, muitos pensamentos me assaltam, vindas de um ponto ao qual não ouso identificar. De um lado, um sentimento de urgência, faz com que me debruce por sobre páginas e páginas de Ordens Santas que existem ou outras que deixaram de existir. Esta sensação me atrapalha o sono e me empurra, sem compaixão para o papel e a caneta… E começo a escrever.

No início nada me parece claro, então paro… Paro para rapidamente reiniciar. Sou resistente ao extremo ao influxo destas ordens interiores. Estas que vêem de um ponto que não ouso identificar, mas que intimamente sei de onde vêem.

Por outro lado, outro sentimento, qual seja o de ternura, atenua o movimento urgente. Parece que o mundo por alguns momentos, esqueceu-se de mim e eu posso, no resvalar da impessoalidade serenar o traço e escrever, apenas escrever. O sono é conciliado e, pensando no amanhã tomo parte na dança da noite de lua cheia, e durmo, durmo…

Nesta noite, e quem sabe em quantas outras, ás quais simplesmente não recordo, nesta noite enxergo por detrás de grandes janelas pintadas (seriam vitrais?) uma estrela, uma Estrela e grito simplesmente que Vi! Eu vi a Estrela que ostenta na fronte o nome do Indizível, do Inominado.

Noto, ao meu lado, observando atentamente, alguns bons Homens, munidos cada um com uma alavanca. Percebo então, em minhas mãos, uma outra Alavanca. No imenso salão que ocupamos, no lado de disco solar, vejo um outro ser humano, porém muitíssimo mais novo do que todos nós, ocupando um trono.

Abandonando este Trono que ocupava, desce lentamente os degraus (serão 3 ou 7 ou ainda 10 degraus?) e caminha em nossa direção.

Em suas mãos balança suavemente uma rosa vermelha quase de maneira desdenhosa. Próximo á nós, olha-nos nos olhos e, sem pronunciar palavra, desenha uma letra no ar, que tomando uma cor escarlate, deixa um rastro de fogo. E a Estrela então se apaga…

No escuro sinto desejo de deixar-me cair ao chão, entretanto mãos me seguram e deitam-me carinhosamente num caixão. Não estou morto penso eu, você esta morto, dizem muitas vozes.

Por um momento, enxergo outros clarões, aqui e acolá, dando início à uma história que não entendo, pois a língua usada não me é familiar. Sonho dentro do sonho e estou em pé, segurando uma alavanca, que finco firmemente por sob uma grande rocha. Faço, exerço força, aplico Vontade até que, do interior brota a exata percepção de que ocupo os dois lados da alavanca sagrada. Sou Eu que exerço e aplico força e vontade num dos lados, porém na outra extremidade, sou eu adormecido e inacabado.

Tal percepção é uma revelação, penso eu e, cada vez que penso, a percepção se esvai, no sonho. Ao deixar livre a percepção ela se faz forte. Diz-me que não deixe a razão falar, que apenas sinta com o coração esta nova dimensão, esta dupla condição de movimento e inércia, de vida e morte, de clareza e confusão, do que movimenta e daquele que é movimentado.

Ao deixar-me ao acaso, a rocha na ponta da Alavanca já não pesa e sinto que se move de maneira rápida. Sou o movimento e a capacidade de movimentar! Assim que esta percepção se torna parte de mim, acordo e me encontro dentro de um caixão! Lembrei-me então que havia sido ali deitado antes do sonho no sonho.

Agora as vozes eram claras e eu entendia perfeitamente a história que estava sendo contada. Sem mais demoras fui de lá removido e alegre percebi que o Sol havia nascido e ocupava o centro da Rosa, na mão do Menino.

Acordei e, suavemente, abri a janela para observar a Lua Cheia, que ainda voava pelo céu escuro da madrugada. Restou apenas, em minhas mãos, uma Alavanca…

MARCELO MARSIGLIA SIDOTI
M.’.M.’., Loja Ypiranga 83 – Cruz da Perfeição Maçônica, Brasil


A VERDADE

O QUE É A VERDADE?
Se tivessem esperado a resposta, quando perguntaram a Jesus, talvez não estivéssemos até agora em busca da verdade. Segundo a definição dos filósofos, a verdade consiste numa relação de conformidade entre o conhecimento e as coisas consideradas. Mas a verdade não é uma coisa. Este computador, este trabalho, não são verdades; mas pensar, ou dizer que este computador existe, ou que este trabalho é ruim, isso sim, é dizer e pensar verdades.

A verdade consiste, pois, em julgar que as coisas são o que são na realidade: “Dizer que é, o que é, e dizer que não é o que não é, eis a verdade”, assim disse Aristóteles. Podemos, pois, definir também a verdade como sendo:
uma relação de conformidade entre o que o espírito julga, e o que de fato é.

A VERDADE LÓGICA E A VERDADE ONTOLÓGICA
A verdade supõe três coisas: o objeto que se apresenta à inteligência, a inteligência que julga, e a relação de conformidade entre o juízo e o objeto.

Para quem vê as coisas, os juízos só são verdadeiros enquanto se conformam com os objetos; mas para Deus, criador de tudo o que existe, são os objetos que se conformam com as idéias, segundo as quais todas as coisas foram criadas. No dizer de Bossuet, vemos as coisas porque elas existem; para Deus, elas existem porque Ele as criou e as vê.

Deste modo, existem duas espécies de verdades, sendo uma a verdade lógica, isto é, a verdade dos nossos conhecimentos, que consiste na conformidade da nossa inteligência com o objeto, e a verdade ontológica, isto é, a verdade das coisas, que consiste na sua conformidade com a inteligência divina.

Conclui-se daí que tudo o que existe é ontologicamente verdadeiro; porque, criando Deus os seres tal como Ele os vê e quer, não poderia existir coisa alguma que não fosse perfeitamente conforme com a sua idéia.
Uma vez que a verdade ontológica pertence à metafísica, falaremos então da verdade lógica, mais próxima de nós, os humanos.

A VERDADE LÓGICA
A verdade do conhecimento, ou verdade lógica, é a conformidade da inteligência com o que é, isto é, com o objeto. Todos os atos pelos quais a inteligência se conforma com os objetos serão por isso mesmo, cada um a seu modo, susceptíveis de verdade lógica. Todo o conhecimento intelectual se funda nas intuições imediatas absolutamente infalíveis da consciência.

A inteligência humana tende naturalmente para a verdade; sendo, porém imperfeita, nem sempre a atinge, e quando a atinge, é quase sempre de modo imperfeito. Daí existirem diversos estados da inteligência em relação à verdade:
1. A verdade pode estar para a inteligência como se não existisse: é o estado de ignorância.
2. A verdade pode entrever-se como simplesmente possível: é o estado de dúvida.
3. A verdade pode atingir-se como provável: a inteligência está neste caso no estado de opinião.
4. A verdade pode atingir-se com plena evidência: é o estado de certeza.
5. A verdade pode ser desconhecida, negada ou afirmada diferente do que é: é o estado de erro.

Conforme dito acima, ontologicamente, só existem coisas verdadeiras. Entretanto, a verdade pode aparecer-nos mais ou menos claramente. Esta é a razão porque o mesmo objeto, que para mim é duvidoso, pode muito bem ser certo para outra pessoa, mais bem dotada em sua inteligência. Convém salientar que a dúvida foi transformada por Descartes em método de conhecimento. É claro que, para a inteligência perfeita – Deus – toda a verdade é evidente, e neste caso perdem sentido os termos duvidoso e provável.

AS PROBABILIDADES MATEMÁTICAS E MORAIS DA VFRDADE
A probabilidade matemática consiste no seguinte: dados todos os casos possíveis e de mesma natureza, em número determinado, podemos conhecer o seu grau de probabilidade através de uma fração, cujo denominador seja o número de casos possíveis, e o numerador seja o número de casos favoráveis.

Seja um copo que contenha 10 bolas, sendo 8 pretas e 2 brancas; a probabilidade de se tirar uma bola branca é exatamente de 2/10.

Sabe-se, contudo, que a mais rigorosa apreciação das probabilidades não pode garantir que não haja erro, e só permite fixar uma média, que será tanto mais exata, quanto maior for o número de casos observado. (Concluímos assim que as pesquisas de opinião efetuadas para avaliar as probabilidades dos candidatos políticos no Brasil, cuja população é de cento e noventa milhões e nas quais a amostra é só de duas mil pessoas, são totalmente furadas e com margem de erro muito superior aos mais ou menos 2% anunciados pelos órgãos de pesquisa).

A probabilidade moral não permite avaliações matemáticas, porque as probabilidades não são todas conhecidas nem são todas da mesma natureza. É o que acontece nos eventos que dependem do livre arbítrio.

AS TRÊS ESPÉCIES DE VERDADE: METAFÍSICA, FÍSICA E MORAL
A verdade metafísica não é passível de ser contradita; por exemplo, o todo é maior do que as partes: 2 + 2 = 4. Por serem verdades apreendidas pela razão, a evidência e a certeza, que delas procedem, chamam-se racionais ou metafísicas.
A certeza metafísica supõe a total impossibilidade da dúvida. Ao afirmar uma verdade metafísica, o espírito sabe que a contraditória é absurda.

A verdade física é contingente, isto é, o predicado sempre combina com o sujeito: o sol ilumina, o leão tem juba. Estas verdades são apreendidas pela experiência; por isso, por sua evidência e certeza, chamam-se verdades físicas.

Finalmente, existem as verdades morais, que independem de leis físicas ou metafísicas, mas dependem da lei psicológica e moral, isto é, de uma lei da natureza humana. Exemplos: o homem tende para a felicidade; ele é feito para a verdade; e está submetido à lei do dever.

Como vimos, a definição da Verdade é das mais complexas, e cada filósofo a apresenta de maneira diferente. A Verdade dos conhecimentos é a base da Filosofia, e a Verdade Moral é a base da vida Social.

AS QUATRO NOBRES VERDADES
O mundo está cheio de sofrimentos. O nascimento, a velhice, a doença e a morte são sofrimentos, assim como o são o odiar ou o estar separado de um ente querido. A Vida que não está livre dos desejos e paixões está sempre envolta em angústia. Eis o que se chama a Verdade do Sofrimento. A causa do sofrimento humano encontra-se nos desejos do corpo físico e nas ilusões das paixões mundanas, que se acham profundamente enraizados nos instintos físicos. O desejo, sendo muito forte, pode se manifestar em tudo, até mesmo em relação à morte. A isto se chama a Verdade da Causa do Sofrimento.

Se o desejo que está na raiz de toda a paixão humana, puder ser removido, aí então, morrerá esta paixão e desaparecerá todo o sofrimento humano. Esta é a Verdade da Extinção do Sofrimento.

Para se atingir um estado de tranqüilidade, em que não há desejo nem sofrimento, deve-se disciplinar a mente, de modo a desenvolver a percepção, o pensamento, o comportamento, o meio de vida, o esforço, a atenção e a concentração corretos. Esta é a Verdade para a Extinção dos Desejos e das Paixões.

Os que buscam a Iluminação devem entender as Quatro Nobres Verdades. Quem não as entender e praticar, continuará o seu ciclo de vidas pela eternidade.

A BUSCA DA VERDADE
Quando o fogo dos desejos está assolando o mundo, não importa saber qual é a composição do universo ou qual é a organização ideal da comunidade humana. O importante é saber como resolver o problema dos nascimentos, da velhice, das doenças e da morte. Os que buscam a Verdade não devem esperar que isto seja uma tarefa fácil.

Antes de tudo, deve-se ter na mente a natureza básica deste mundo, onde reinam a vida, o sofrimento e a morte. Vida, oh vida! Para que serves se o ser humano não faz bom uso dos seus renascimentos?

Na Mensagem do Mestre, Krishna disse a Arjuna: “O conhecimento da Verdade é dado àquele que domina o eu pessoal e as impressões dos sentidos. Aquele que atingiu esse conhecimento e esta sabedoria entra na Paz Suprema, no Nirvana”. Como ensinaram Buda, Confúcio, Zaratustra, o Amor é a via primordial para a Iluminação. O Amor é o Alfa e o Ômega da vida. O Homem nasce com o Alfa. O Ômega só é alcançado pelo trabalho difícil, árduo e constante, no seu aperfeiçoamento espiritual.

Para o maçom, a busca da Verdade deve ser constante. É algo que começa com a sua Iniciação, mas que nunca mais acaba, ainda que tenha atingido os mais altos graus.
Através de seus símbolos e alegorias, a maçonaria ensina que a Verdade é um atributo da Divindade, e que só pelo burilamento das asperezas do seu caráter, pelo estudo e pela meditação, pelo uso da razão e da moral, o maçom pode alcançar a Iluminação e aproximar-se da Grande Verdade, o Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia
Bhagavad Gita
A Sabedoria dos Vedas
A Doutrina de Buda
Gnose – Estudos Esotéricos
Aristóteles – Metafísica
Kant – Crítica da Razão Pura
Hegel – O Real e o Racional
Dicionário de Maçonaria e Simbologia – Nicola Aslan

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.’.I.’., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil


A SABEDORIA DOS DRUIDAS E O SONHO DA NOVA ERA

O druidismo é a herança cultural e espiritual dos povos celtas, uma religião politeísta originária do passado arcaico proto-indo-europeu. Foi levada para a Europa Ocidental por tribos indo-européias que falavam dialetos célticos. O druidismo é um caminho espiritual em harmonia como o fluxo natural do cosmos. É uma das muitas religiões populares e telúricas que resgatam a reverência às coisas vivas e à disciplina do trabalho diligente, da produtividade, da força física e da saúde. Nos ascena com a importância de seguir a sabedoria dos nossos ancestrais, em vez de rejeitar o antigo conhecimento das gerações passadas.

Estamos entrando na era pós-moderna; os povos estão retornando às suas raízes espirituais e culturais. Recursos estão escassos. A Terra e sua atmosfera não podem suportar mais poluição; devemos terminar com a explosão populacional. A tecnologia pode ter sido a responsável por muitos de nossos atuais problemas de superprodução, mas ela também nos encaminhou para a solução desses problemas. Devemos permitir nosso crescimento espiritual e individual enquanto usamos as novas ferramentas tecnológicas em benefício da humanidade, e não para a destruição de nossos recursos naturais. As pessoas não terão como manter estilos de vida materialistas e gananciosos em um futuro próximo.

Caminhos espirituais como o druidismo estão passando a significar mais para nós porque enfatizam a família, o aconchego do lar e estilos de vida naturais em harmonia com a ecologia do cosmos e com a diversidade humana. As pessoas estão encontrando prazeres maiores na leitura de bons livros, na música popular ou na simples companhia dos amigos e da família. Talvez, no futuro, menos tempo e dinheiro sejam desperdiçados com especulações sobre os estilos de vida decadentes dos ricos e famosos, e as pessoas, então, começarão a voltar suas energias para caminhos positivos de purificação do meio ambiente e de seus recursos preciosos.

Nas religiões tribais e populares, os mais velhos são respeitados por sua experiência e discernimento que ganharam com a idade. Assim é como antevejo a era pós-moderna. A velha visão modernista ditava que tudo seria mudado e que a geração anterior tinha feito tudo errado. Na era pós-moderna, apesar dos tempos irem e virem, as pessoas retornarão ao que deu certo no passado, com a crença de que o que resistiu servirá tanto ao presente quanto ao futuro.

O movimento é anti-racista e antietnocentrista porque permite as pessas serem o que realmente são, a crescer com suas próprias identidades culturais, e a resistir a uma religião ecumênica monolítica para toda a humanidade. Universalismo e sincretismo forçam todas as pessoas a se conformarem com um único caminho.

Alguns seguidores da Nova Era e neopagãos gostariam de unificar todos os sistemas religiosos sob um único e monolítico sistema sincrético, em busca do relativismo cultural. Tal sistema sugere, na verdade, que minorias étnico-religiosas são de alguma forma inferiores e devem ser agrupadas num império religioso maior. Não é melhor permitir que diversos sistemas permaneçam fiéis as suas próprias tradições e histórias, do que insistir na mistura com práticas e crenças possivelmente incompatíveis? A genuína tolerância religiosa vai além do sincretismo e da unidade superficial.

A Nova Era não é tão nova assim, representa a Era de Aquário, que teve início com a entrada do século XXI, é um tempo de reviver antigas idéias. As pessoas que aderem ao Nova Era têm uma sede espiritual autêntica e talvez, por isso, tenhamos o retorno do druidismo céltico, com seus deuses superiores! As pessoas sentirão uma afinidade maior com seu ambiente natural e as condições climáticas, e terão menos necessidades de viajar com motores queimando combustível, à medida que interagirem com a realidade virtual de seus sistemas de computador.

É tarefa das gerações futuras a pesquisa séria de antigos costumes de crenças ancestrais e a reconstrução da sabedoria do passado, com vistas à preservação das heranças culturais no presente. Para os celtas isso significa retornar às fontes originais, indagando os druidas mais antigos sobre suas tradições nativas, utilizando métodos científicos e bem fundamentados de reconstrução.

Bibliografia:
A Verdade sobre Os Druidas, de Tadhg MacCrossan – Editora MAUAD

PEDRO JUCHEM
M.’.M.’., Loja Venâncio Aires II, nº 2369 – G.’.O.’.B.’. / RS, Brasil


A RELIGIÃO NATURAL

Segundo Cícero, o termo religião vem do Latim re-ligare. Em sua acepção etimológica, é religião tudo o que religa o ser humano com a divindade. As definições de religião são muitas; cada filósofo propõe a sua. Em geral, a religião pode ser definida como sendo o conjunto de deveres do homem para com Deus. Ela se divide em natural e sobrenatural. A primeira determina os deveres da criatura para com o seu Criador, com o auxílio da razão. A segunda inspira-se nas luzes da fé e da revelação. Nosso propósito é tratar somente da religião natural.

O conjunto dos atos pelos quais cumprimos os nossos deveres para com Deus constitui o culto. Sendo o homem composto de alma e de corpo, destinado por natureza a viver em sociedade, conclui-se que o culto a Deus deve ser interno e externo, conforme sejam os seus atos religiosos puramente espirituais, com sua manifestação exterior, ou sejam cumpridos em nome da sociedade.

O CULTO INTERNO
O ato religioso por excelência, por ser a expressão das relações da alma com Deus, é a oração, na qual se resume todo o culto. A oração pode ser definida como a elevação da alma para Deus a fim de O adorar, render-Lhe graças e solicitar o Seu perdão e a Sua assistência.

Os deístas admitem a necessidade da oração que adora, agradece e se arrepende, mas excluem totalmente a oração que pede, alegando ser ela inútil e até injuriosa a Deus. Deus, diz Kant, é onisciente; conhece as nossas necessidades melhor do que nós mesmos. É inútil expor-Lhas por meio da oração. Deus é infinitamente bom, e infinitamente inclinado a auxiliar-nos e socorrer-nos. Assim, é supérfluo importuná-Lo com a oração. Segundo J.J. Rousseau, os decretos de Deus são imutáveis. Por isso seria presunção pretender modificá-los (Maktub – está escrito – é a expressão árabe para o determinismo).

Ora, Deus conhece sem dúvida o que nos falta. Não é para O informar que oramos. A oração é, antes de tudo, a confissão da nossa impotência e da necessidade que temos de Deus. Em si mesma, esta confissão é meritória, e por isso Deus constituiu-a a condição e o meio para nos conceder os seus favores. Dizem os deístas que Deus é infinitamente bom e não espera pelos nossos merecimentos para nos cumular de Seus dons.

É fora de dúvida que Deus tudo pode fazer por si mesmo; mas também não é menos verdade que exige a nossa participação pessoal. Não é outra a razão pela qual Ele nos dotou de inteligência, vontade e liberdade, através da quais podemos obter o merecimento. Pretender que Deus tudo fará por si mesmo equivale a negar a causalidade do ser humano. Dizer que é inútil a oração que pede alguma coisa, baseado na imutabilidade dos decretos divinos é pretender provar, não só a inutilidade da oração, mas ainda de toda a intervenção humana, levando-nos assim ao fatalismo absoluto.

Sem dúvida, os decretos de Deus são eternos e imutáveis; sabemos também que prevêem, e que abarcam tudo na existência do universo. Mas, quando uma pessoa dirige a Deus uma prece digna de ser ouvida, não devemos supor que esta oração só agora chega ao conhecimento de Deus. Ele ouviu já esta oração desde toda a eternidade; e se este Pai misericordioso a julgou digna de ser ouvida, o universo foi organizado em favor dela, de tal maneira que o seu cumprimento não foi mais do que uma seqüência do curso natural dos acontecimentos.

O CULTO EXTERNO
Não basta apenas o culto interno a Deus, por meio dos atos íntimos das faculdades da nossa alma. É necessário também exteriorizar estes sentimentos por palavras e por atitudes. A estas manifestações chamamos de culto externo.

Ainda que menos importante do que o culto interno, o culto externo não é menos obrigatório, por vários motivos, dos quais destacamos três:

– O corpo, por ser parte essencial do ser humano, tem também o dever de tributar a sua homenagem a Deus.
– A influência do moral sobre o físico é uma lei da natureza; por isso todos os atos íntimos se refletem exteriormente e se manifestam através de alguma modificação em nosso organismo.
– Esta influência – do moral sobre o físico – prova que as ações externas favorecem e desenvolvem os sentimentos internos. Daí se conclui que o culto externo é um dever, por ser uma conseqüência natural e uma condição necessária ao culto interno.

O CULTO PÚBLICO
É o culto que a sociedade tributa a Deus por intermédio dos seus representantes (da sociedade e não de Deus, que não os tem). Este culto é também obrigatório, por várias razões:

– Visto ser o homem essencialmente sociável, deve, como tal, prestar homenagem a Deus, e perante Ele proclamar a sua absoluta dependência.
– Deus é o Criador e a Providência das sociedades humanas; por isso tem direito a que as sociedades o invoquem e glorifiquem.

A religião constitui o mais sólido fundamento dos Estados, é a grande inspiradora das mais nobres virtudes, principalmente da justiça e da caridade, sem as quais não pode haver uma sociedade estável e duradoura. O profeta Maomé dizia que os homens maus eram os que não praticavam a caridade nem o culto a Allah. A sabedoria árabe nos deu este pensamento: a caridade sem a religião vale mais para a ordem do universo do que a tirania de um príncipe devoto.

O culto público é a garantia do culto externo, como este também é a garantia do culto interno. Pelo fato de se unirem para honrar a Deus, isto é, orar, os homens mutuamente se incitam a praticar a religião, e por isso ficam ao abrigo das extravagâncias e das superstições facilmente originadas do culto puramente individual. A razão estabelece a necessidade do culto individual e social, embora deixe em aberto o modo como este culto deva ser prestado.

MAÇONARIA – CULTO E RELIGIÃO
Albert Mackey, o compilador dos 25 Landmarks obedecidos na Maçonaria brasileira, assim se expressa em sua Encyclopaedia:
“A Maçonaria é uma instituição eminentemente religiosa, e deve unicamente ao elemento religioso que ela contém a sua origem e a perpetuidade de sua existência que, sem o elemento religioso, não mereceria ser cultivada por um homem sábio e bom”.

Ao contrário do que pensamos sobre os Landmarks de Mackey, concordamos totalmente com o seu pensamento sobre a religião, e afirmamos também que a Maçonaria é uma Religião. Quando falamos de Egrégora, falamos da comunhão dos sentimentos de elevação espiritual para Deus. Quando falamos de Cadeia de União, falamos também da troca de energias resultantes da comunhão dos mesmos ideais e da elevação espiritual em busca da divindade.

Os trabalhos da maçonaria regular não são iniciados nem concluídos sem a invocação ao Ser Supremo, e sem a abertura e o fechamento ritualístico do Livro da Lei, sobre o qual prestamos nossos juramentos. Tudo isto é um culto natural e público a Deus. Por isso, a Maçonaria é sumamente religiosa, respeitando o culto interno de cada um dos seus membros, qualquer que seja a religião por ele individualmente praticada. Em sua constante busca da Verdade, a Maçonaria pratica a Religião Natural, a que, à luz da razão, estabelece o conjunto dos Deveres para com Deus, sobre os quais somos questionados já na Prova da Terra da nossa Iniciação.

Dizia nosso Irmão Rui Barbosa em sua Oração aos Moços: “Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo sublimar-se d’alma, pelo contato com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua de cada um sobre si mesmo e sobre o mundo onde labutamos. O indivíduo que trabalha acerca-se do autor de todas as coisas. Quem quer, pois, que trabalhe, está em oração ao Senhor. Oração pelos atos, que emparelha com a oração pelo culto”.

Oremos pois, meus Irmãos, pelo trabalho e pelo culto maçônico. A oração nos eleva acima e além do corpo físico, prisão temporária e perecível de nossa alma, e nos aproxima do nosso Criador, Deus, o Supremo Arquiteto do Universo.

Bibliografia
Jean Jacques Rousseau – Confissões
Emmanuel Kant – Crítica da Razão Pura
Rui Barbosa – Oração aos Moços
Mansour Challita – As mais Belas Páginas da Literatura Árabe
Encyclopaedia Británica – Volume nº 7
Nicola Aslan – Grande Diccionario de Maçonaria e Simbologia

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.’.I.’., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil