Hórus, mítico soberano do Egipto, desdobra as suas divinas asas de falcão sob a cabeça dos faraós, não somente meros protegidos, mas, na realidade, a própria incarnação do deus do céu. Pois não era ele o deus protector da monarquia faraónica, do Egipto unido sob um só faraó, regente do Alto e do Baixo Egipto? Com efeito, desde o florescer da época história, que o faraó proclamava que neste deus refulgia o seu ka (poder vital), na ânsia de legitimar a sua soberania, não sendo pois inusitado que, a cerca de 3000 a. C., o primeiro dos cinco nomes da titularia real fosse exactamente “o nome de Hórus”. No panteão egípcio, diversas são as deidades que se manifestam sob a forma de um falcão. Hórus, detentor de uma personalidade complexa e intrincada, surge como a mais célebre de todas elas. Mas quem era este deus, em cujas asas se reinventava o poder criador dos faraós? Antes de mais, Hórus representa um deus celeste, regente dos céus e dos astros neles semeados, cuja identidade é produto de uma longa evolução, no decorrer da qual Hórus assimila as personalidades de múltiplas divindades.
Originalmente, Hórus era um deus local de Sam- Behet (Tell el- Balahun) no Delta, Baixo Egipto. O seu nome, Hor, pode traduzir-se como “O Elevado”, “O Afastado”, ou “O Longínquo”. Todavia, o decorrer dos anos facultou a extensão do seu culto, pelo que num ápice o deus tornou-se patrono de diversas províncias do Alto e do Baixo Egipto, acabando mesmo por usurpar a identidade e o poder das deidades locais, como, por exemplo, Sopedu (em zonas orientais do Delta) e Khentekthai (no Delta Central). Finalmente, integra a cosmogonia de Heliópolis enquanto filho de Ísis e Osíris, englobando díspares divindades cuja ligação remonta a este parentesco. O Hórus do mito osírico surge como um homem com cabeça de falcão que, à semelhança de seu pai, ostenta a coroa do Alto e do Baixo Egipto. É igualmente como membro desta tríade que Hórus saboreia o expoente máximo da sua popularidade, sendo venerado em todos os locais onde se prestava culto aos seus pais. A Lenda de Osíris revela-nos que, após a celestial concepção de Hórus, benção da magia que facultou a Ísis o apanágio de fundir-se a seu marido defunto em núpcias divinas, a deusa, receando represálias por parte de Seth, evoca a protecção de Ré- Atum, na esperança de salvaguardar a vida que florescia dentro de si.
Receptivo às preces de Ísis, o deus solar velou por ela até ao tão esperado nascimento. Quando este sucedeu, a voz de Hórus inebriou então os céus: “ Eu sou Hórus, o grande falcão. O meu lugar está longe do de Seth, inimigo de meu pai Osíris. Atingi os caminhos da eternidade e da luz. Levanto voo graças ao meu impulso. Nenhum deus pode realizar aquilo que eu realizei. Em breve partirei em guerra contra o inimigo de meu pai Osíris, calcá-lo-ei sob as minhas sandálias com o nome de Furioso… Porque eu sou Hórus, cujo lugar está longe dos deuses e dos homens. Sou Hórus, o filho de Ísis.” Temendo que Seth abraçasse a resolução de atentar contra a vida de seu filho recém- nascido, Ísis refugiou-se então na ilha flutuante de Khemis, nos pântanos perto de Buto, circunstância que concedeu a Hórus o epíteto de Hor- heri- uadj, ou seja, “Hórus que está sobre a sua planta de papiro”. Embora a natureza inóspita desta região lhe oferecesse a tão desejada segurança, visto que Seth jamais se aventuraria por uma região tão desértica, a mesma comprometia, concomitantemente, a sua subsistência, dada a flagrante escassez de alimentos característica daquele local. Para assegurar a sua sobrevivência e a de seu filho, Ísis vê-se obrigada a mendigar, pelo que, todas as madrugadas, oculta Hórus entre os papiros e erra pelos campos, disfarçada de mendiga, na ânsia de obter o tão necessário alimento. Uma noite, ao regressar para junto de Hórus, depara-se com um quadro verdadeiramente aterrador: o seu filho jazia, inanimado, no local onde ela o abandonara. Desesperada, Ísis procura restituir-lhe o sopro da vida, porém a criança encontrava-se demasiadamente débil para alimentar-se com o leite materno. Sem hesitar, a deusa suplica o auxílio dos aldeões, que todavia se relevam impotentes para a socorrer.
Quando o sofrimento já quase a fazia transpor o limiar da loucura, Ísis vislumbrou diante de si uma mulher popular pelos seus dons de magia, que prontamente examinou o seu filho, proclamando Seth alheio ao mal que o atormentava. Na realidade, Hórus ( ou Harpócrates, Horpakhered- “Hórus menino/ criança”) havia sido simplesmente vítima da picada de um escorpião ou de uma serpente. Angustiada, Ísis verificou então a veracidade das suas palavras, decidindo-se, de imediato, e evocar as deusas Néftis e Selkis (a deusa- escorpião), que prontamente ocorreram ao local da tragédia, aconselhando-a a rogar a Ré que suspendesse o seu percurso usual até que Hórus convalescesse integralmente. Compadecido com as suplicas de uma mãe, o deus solar ordenou assim a Toth que salvasse a criança. Quando finalmente se viu diante de Hórus e Ísis, Toth declarou então: “ Nada temas, Ísis! Venho até ti, armado do sopro vital que curará a criança. Coragem, Hórus! Aquele que habita o disco solar protege-te e a protecção de que gozas é eterna. Veneno, ordeno-te que saias! Ré, o deus supremo, far-te-á desaparecer. A sua barca deteve-se e só prosseguirá o seu curso quando o doente estiver curado. Os poços secarão, as colheitas morrerão, os homens ficarão privados de pão enquanto Hórus não tiver recuperado as suas forças para ventura da sua mãe Ísis. Coragem, Hórus. O veneno está morto, ei- lo vencido.”
Após haver banido, com a sua magia divina, o letal veneno que estava prestes a oferecer Hórus à morte, o excelso feiticeiro solicitou então aos habitantes de Khemis que velassem pela criança, sempre que a sua mãe tivesse necessidade de se ausentar. Muitos outros sortilégios se abateram sobre Hórus no decorrer da sua infância (males intestinais, febres inexplicáveis, mutilações), apenas para serem vencidos logo de seguida pelo poder da magia detida pelas sublimes deidades do panteão egípcio. No limiar da maturidade, Hórus, protegido até então por sua mãe, Ísis, tomou a resolução de vingar o assassinato de seu pai, reivindicando o seu legítimo direito ao trono do Egipto, usurpado por Seth. Ao convocar o tribunal dos deuses, presidido por Rá, Hórus afirmou o seu desejo de que seu tio deixasse, definitivamente, a regência do país, encontrando, ao ultimar os seus argumentos, o apoio de Toth, deus da sabedoria, e de Shu, deus do ar. Todavia, Ra contestou-os, veementemente, alegando que a força devastadora de Seth, talvez lhe concedesse melhores aptidões para reinar, uma vez que somente ele fora capaz de dominar o caos, sob a forma da serpente Apópis, que invadia, durante a noite, a barca do deus- sol, com o fito de extinguir, para toda a eternidade, a luz do dia. Ultimada uma querela verbal, que cada vez mais os apartava de um consenso, iniciou-se então uma prolixa e feroz disputa pelo poder, que opôs em confrontos selváticos, Hórus a seu tio. Após um infrutífero rol de encontros quase soçobrados na barbárie, Seth sugeriu que ele próprio e o seu adversário tomassem a forma de hipopótamos, com o fito de verificar qual dos dois resistiria mais tempo, mantendo-se submergidos dentro de água.
Escoado algum tempo, Ísis foi incapaz de refrear a sua apreensão e criou um arpão, que lançou no local, onde ambos haviam desaparecido. Porém, ao golpear Seth, este apelou aos laços de fraternidade que os uniam, coagindo Ísis a sará-lo, logo em seguida. A sua intervenção enfureceu Hórus, que emergiu das águas, a fim de decapitar a sua mãe e, acto contíguo, levá-la consigo para as montanhas do deserto. Ao tomar conhecimento de tão hediondo acto, Rá, irado, vociferou que Hórus deveria ser encontrado e punido severamente. Prontamente, Seth voluntariou-se para capturá-lo. As suas buscas foram rapidamente coroadas de êxito, uma vez que este nem ápice se deparou com Hórus, que jazia, adormecido, junto a um oásis. Dominado pelo seu temperamento cruel, Seth arrancou ambos os olhos de Hórus, para enterrá-los algures, desconhecendo que estes floresceriam em botões de lótus. Após tão ignóbil crime, Seth reuniu-se a Rá, declarando não ter sido bem sucedido na sua procura, pelo que Hórus foi então considerado morto. Porém, a deusa Hátor encontrou o jovem deus, sarando-lhe, miraculosamente, os olhos, ao friccioná-los com o leite de uma gazela. Outra versão, pinta-nos um novo quatro, em que Seth furta apenas o olho esquerdo de Hórus, representante da lua. Contudo, nessa narrativa o deus-falcão, possuidor, em seus olhos, do Sol e da lua, é igualmente curado.
Em ambas as histórias, o Olho de Hórus, sempre representado no singular, torna-se mais poderoso, no limiar da perfeição, devido ao processo curativo, ao qual foi sujeito. Por esta razão, o Olho de Hórus ou Olho de Wadjet surge na mitologia egípcia como um símbolo da vitória do bem contra o mal, que tomou a forma de um amuleto protector. A crença egípcia refere igualmente que, em memória desta disputa feroz, a lua surge, constantemente, fragmentada, tal como se encontrava, antes que Hórus fosse sarado. Determinadas versões desta lenda debruçam-se sobre outro episódio de tão desnorteante conflito, em que Seth conjura novamente contra a integridade física de Hórus, através de um aparentemente inocente convite para o visitar em sua morada. A narrativa revela que, culminado o jantar, Seth procura desonrar Hórus, que, embora precavido, é incapaz de impedir que um gota de esperma do seu rival tombe em suas mãos. Desesperado, o deus vai então ao encontro de sua mãe, a fim de suplicar-lhe que o socorra. Partilhando do horror que inundava Hórus, Ísis decepou as mãos do filho, para arremessá-las de seguida à água, onde graças à magia suprema da deus, elas desaparecem no lodo. Todavia, esta situação torna-se insustentável para Hórus, que toma então a resolução de recorrer ao auxílio do Senhor Universal, cuja extrema bonomia o leva a compreender o sofrimento do deus- falcão e, por conseguinte, a ordenar ao deus- crocodilo Sobek, que resgatasse as mãos perdidas. Embora tal diligência haja sido coroada de êxito, Hórus depara-se com mais um imprevisto: as suas mãos tinham sido abençoadas por uma curiosa autonomia, incarnando dois dos filhos do deus- falcão.
Novamente evocado, Sobek é incumbido da taregfa de capturar as mãos que teimavam em desaparecer e levá-las até junto do Senhor Universal, que, para evitar o caos de mais uma querela, toma a resolução de duplicá-las. O primeiro par é oferecido à cidade de Nekhen, sob a forma de uma relíquia, enquanto que o segundo é restituído a Hórus. Este prolixo e verdadeiramente selvático conflito foi enfim solucionado quando Toth persuadiu Rá a dirigir uma encomiástica missiva a Osíris, entregando-lhe um incontestável e completo título de realeza, que o obrigou a deixar o seu reino e confrontar o seu assassino. Assim, os dois deuses soberanos evocaram os seus poderes rivais e lançaram-se numa disputa ardente pelo trono do Egipto. Após um recontro infrutífero, Ra propôs então que ambos revelassem aquilo que tinham para oferecer à terra, de forma a que os deuses pudessem avaliar as suas aptidões para governar. Sem hesitar, Osíris alimentou os deuses com trigo e cevada, enquanto que Seth limitou-se a executar uma demonstração de força. Quando conquistou o apoio de Ra, Osíris persuadiu então os restantes deuses dos poderes inerentes à sua posição, ao recordar que todos percorriam o horizonte ocidental, alcançando o seu reino, no culminar dos seus caminhos. Deste modo, os deuses admitiram que, com efeito, deveria ser Hórus a ocupar o trono do Egipto, como herdeiro do seu pai. Por conseguinte, e volvidos cerca de oito anos de altercações e recontros ferozes, foi concedida finalmente ao deus- falcão a tão cobiçada herança, o que lhe valeu o título de Hor-paneb-taui ou Horsamtaui/Horsomtus, ou seja, “Hórus, senhor das Duas Terras”.
Como compensação, Rá concedeu a Seth um lugar no céu, onde este poderia desfrutar da sua posição de deus das tempestades e trovões, que o permitia atormentar os demais. Este mito parece sintetizar e representar os antagonismos políticos vividos na era pré- dinástica, surgindo Hórus como deidade tutelar do Baixo Egipto e Seth, seu oponente, como protector do Alto Egipto, numa clara disputa pela supremacia política no território egípcio. Este recontro possui igualmente uma cerca analogia com o paradoxo suscitado pelo combate das trevas com a luz, do dia com a noite, em suma, de todas as entidades antagónicas que encarnam a típica luta do bem contra o mal. A mitologia referente a este deus difere consoante as regiões e períodos de tempo. Porém, regra geral, Hórus surge como esposo de Háthor, deusa do amor, que lhe ofereceu dois filhos: Ihi, deus da música e Horsamtui, “Unificador das Duas Terras”. Todavia, e tal como referido anteriormente, Hórus foi imortalizado através de díspares representações, surgindo por vezes sob uma forma solar, enquanto filho de Atum- Ré ou Geb e Nut ou apresentado pela lenda osírica, como fruto dos amores entre Osíris e Ísis, abraçando assim diversas correntes mitológicas, que se fundem, renovam e completam em sua identidade. É dos muitos vectores em que o culto solar e o culto osírico, os mais relevantes do Antigo Egipto, se complementam num oásis de Sol, pátria de lendas de luz, em cujas águas d’ ouro voga toda a magia de uma das mais enigmáticas civilizações da Antiguidade.
Detalhes e vocabulário egípcio: culto de Hórus centralizava-se na cidade de Edfu, onde particularmente no período ptolomaico saboreou uma estrondosa popularidade; culto do deus falcão dispersou-se em inúmeros sub- cultos, o que criou lendas controversas e inúmeras versões do popular deus, como a denominada Rá- Harakhty; as estelas (pedras com imagens) de Hórus consideravam-se curativas de mordeduras de serpentes e picadas de escorpião, comuns nestas regiões, dado representarem o deus na sua infância vencendo os crocodilos e os escorpiões e estrangulando as serpentes. Sorver a água que qualquer devotado lhe houvesse deixado sobre a cabeça, significava a obtenção da protecção que Ísis proporcionava ao filho. Nestas estelas surgia, frequentemente, o deus Bes, que deita a língua de fora aos maus espíritos. Os feitiços cobrem os lados externos das estelas. Encontramos nelas uma poderosa protecção, como salienta a famigerada Estela de Mettenich: “Sobe veneno, vem e cai por terra. Hórus fala-te, aniquila-te, esmaga-te; tu não te levantas, tu cais, tu és fraco, tu não és forte; tu és cego, tu não vês; a tua cabeça cai para baixo e não se levanta mais, pois eu sou Hórus, o grande Mágico.”. out- embalsamadores vabet- lugar de purificação
Definições de Maçonaria segundo as Constituições Maçónicas Portuguesas
1806: não tem
1821: não tem
1840: “A Ordem da Maçonaria Lusitana é uma associação de homens livres que tem por fim o exercício da beneficência, a prática de todas as virtudes e o estudo da moral universal, das ciências e das artes.” (art. 1º)
1850: “A Ordem da Maçonaria Portuguesa é uma associação de homens livres, sujeitos às leis; que tem por objecto o exercício da beneficência, o estudo da moral universal, das ciências e artes, e a prática de todas as virtudes.” (art. 1º)
1867: “A Maçonaria subordinada ao Grande Oriente Português tem por dogmas fundamentais: a crença religiosa, os deveres da família e o amor da humanidade. Os seus fins são:
•I – Tributar amor e respeito ao Supremo Arquitecto do Universo;
•II – Propagar os conhecimentos tendentes a desenvolver a moral universal e a prática de todas as virtudes;
•III – Melhorar a condição social do homem por todos os meios lícitos, e especialmente pela instrução, pelo trabalho e pela beneficência.
§ único. Em conformidade com os princípios fundamentais da Ordem, não admite nem tolera no seu seio discussões sobre matérias políticas ou religiosas.” (art. 2º)
1871: “A Maçonaria é uma associação de homens unidos pelos laços de amizade fraternal, que têm por fins estimular-se reciprocamente na prática das virtudes morais e sociais.” (art. 1º)
“[…] tem por bases fundamentais a crença religiosa, o amor da família, da pátria e da humanidade; e por principal divisa a tolerância, empregando para a satisfação dos seus fins morais e sociais os seguintes meios:
•1º A propagação dos conhecimentos tendentes a desenvolver a moral universal e a prática de todas as virtudes;
•2º O melhoramento da condição social do homem pela instrução, pelo trabalho, pela protecção e pela beneficência.” (art. 2º)
1872: igual à de 1871
1878: “A Maçonaria é uma associação de homens liberais, unidos pelos laços do amor fraternal: tem por prática todas as virtudes morais e sociais, e por fim a ilustração da humanidade.” (art. 1º)
“[…] tem por bases fundamentais – a crença religiosa, o amor da família, da humanidade e da pátria, bem como da defesa da independência nacional; e por divisa a tolerância; empregando para o cumprimento dos seus fins morais e sociais os seguintes meios:
•1º A propagação dos conhecimentos tendentes a desenvolver a moral universal e a prática de todas as virtudes;
•2º O melhoramento da condição social do homem pela instrução, pelo conselho, pelo trabalho, pela protecção e pela beneficência.” (art. 2º)
1886: “A Maçonaria é uma associação de fraternidade universal que tem por bases fundamentais a crença religiosa, o amor da família, da Humanidade e da Pátria, e por fim combater a ignorância sob todas as suas formas; é uma escola mútua da qual o programa se resume em obedecer às leis do país, viver honradamente, praticar a justiça, amar o seu semelhante e trabalhar sem descanso para a felicidade do género humano pela sua emancipação progressiva e pacífica.” (art. 1º)
“A Maçonaria é franca aos homens de todas as nacionalidades, de todas as raças e de todas as crenças, contanto que tenhas as condições adiante declaradas. É, por consequência, proibido nas suas reuniões toda a discussão sobre política ou religião. A Maçonaria considera o trabalho como uma das primeiras obrigações do homem e impões a cada um dos seus membros este imperioso dever, condenando a ociosidade voluntária. Os associados são, deste modo, considerados e reconhecidos como obreiros e tratados entre si e entre a família maçónica como irmãos.” (art. 2º)
1895: “A Maçonaria é uma instituição secreta e ritualista que, sem servir classe determinada, tem por fim realizar praticamente, pela comunhão de esforços dos seus adeptos, o melhoramento e aperfeiçoamento das condições materiais, morais e intelectuais da sociedade. Trabalha, portanto na investigação e propaganda da verdade, no estudo e prática da moral e da solidariedade humana. Tem por princípios a tolerância mútua, o respeito pelos outros e por si próprio, e a liberdade absoluta de consciência. Tem por timbre: Honra, Verdade, Justiça. Tem por divisa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.” (art. 1º)
“A Maçonaria respeita todas as crenças religiosas e políticas de todos os seus membros sem, todavia, excluir das suas discussões o estudo e análise da política geral científica, e da filosofia e história das religiões, como ramos especiais da sociologia. Lembra a todos os seus membros, como um dos seus primeiros deveres de maçon e de cidadão, o respeito às leis da sua pátria, emanadas dos poderes legítimos, representativos da vontade da Nação.” (art. 2º)
“A Maçonaria considera a obrigação do trabalho como uma das leis imperiosas da humanidade, honrando igualmente o trabalho manual e o intelectual; impõe-no a cada qual segundo as suas forças, proscrevendo conseguintemente a ociosidade voluntária.” (art. 3º)
“Como a Maçonaria aspira a estender a todos os homens os laços fraternais que unem os maçons entre si por toda a superfície do globo, aconselha a todos os seus membros a propaganda maçónica, pelos meios ao seu alcance que não envolvam quebra de sigilo maçónico. A Maçonaria abomina todo o procedimento de violência em que a força se preeleve ao direito, e procurará, tanto quanto possível, actuar no mundo profano no sentido de realizar as suas aspirações.” (art. 4º)
“A todo o maçon se impõe o dever de auxiliar, esclarecer e proteger, em todas as circunstâncias, ainda mesmo em risco de vida, o seu irmão, e defendê-lo contra a injustiça e adversidade.” (art. 5º)
“A Maçonaria, que significa um grau de perfeição em quem a professa, quer que o homem seja ilustrado, moral e livre. Ilustrado, para que possa, sem necessidade de conselheiros e de tutores, e portanto de per si próprio, distinguir entre a verdade e o erro, e concorrer determinadamente à obra de progresso em que prossegue a humanidade, tarefa principalmente reservada às classes mais instruídas. Moral, para que, compreendendo também por si próprio, o que é o mal e o que é o bem, cumpra pelo seu impulso individual o fim da sua vida, que consiste em realizar o bem, que é alguma coisa mais do que não praticar o mal, e poder assim grangear a felicidade, só acessível àquele que tem a consciência de haver sempre cumprido com os seus deveres. Livre, porque sem liberdade não há responsabilidade, a condição mais bela da vida, nem dignidade pessoal, nem meio, nem maneira de afirmar integralmente a personalidade humana.” (art. 6º)
“Como consequência a última afirmação, a Maçonaria proclama a liberdade política, pois para a Maçonaria não há liberdade sem o reconhecimento dos direitos individuais e a prática do sufrágio universal. Esses direitos políticos, ao converterem o homem em cidadão, afirmam a igualdade, e constituem a fraternidade, bases e fundamentos da instituição.” (art. 7º)
“Os fins da Maçonaria são todos universais. Por isso, os maçons de todos os povos constituem uma só e a mesma família, e os seus membros têm o nome de irmãos.” (art. 8º)
1897: “A Maçonaria é uma instituição ritualista, filosófica, filantrópica e progressiva.” (art. 1º)
“A Maçonaria procura realizar aperfeiçoamentos morais, materiais e intelectuais no indivíduo, na família, na pátria e na humanidade; portanto, tem como preceitos fundamentais: o estudo, a prática austera da solidariedade, das virtudes sociais e privadas, e do trabalho.” (art. 2º)
“Como princípios, professa: franca e mútua tolerância; a liberdade de consciência; o respeito pela dignidade humana, por si próprio e pelos outros.” (art. 3º)
“Da liberdade de consciência promana o respeito por todas as crenças religiosas e políticas; sendo porém, da sua missão, o estudo da moral universal e das ciências, não exclui das suas discussões a análise da política geral, como ramo de conhecimentos importantes, e a da filosofia e história das religiões, como estudo que à sociologia interessa. Como consequência do livre exame, não aceita afirmações dogmáticas.” (art. 4º)
“Dentro da sua órbita serena e pacífica, a Maçonaria Portuguesa considera dever dos seus membros acatar a vontade legítima da Nação, quer manifestada no Parlamento pelos seus legítimos representantes, quer franca e expontaneamente proclamada por qualquer das formas determinadas pelas leis ou consagradas pela história.” (art. 5º)
“Como timbre inscreve a Maçonaria no seu código fundamental: Justiça, Verdade, Honra, Progresso.” (art. 6º)
“Por divisa, honra-se com a que consagrou os direitos do homem na sublime trilogia dos povos que rasganram as trevas dos tempos bárbaros: Liberdade; Igualdade; Fraternidade.” (art. 7º)
“Condenando a opressão sob todas as suas formas, proclama o direito nas suas justas manifestações; portanto, procura actuar no mundo profano, para que o direito prevaleça sobre todos os caprichos humanos e sobre a força.” (art. 8º)
“Por isso, a todo o Maçon se impõe o dever de auxiliar, esclarecer e proteger os fracos e, em todas as circunstâncias, com risco da própria vida, o seu Irmão que sempre defenderá contra as injustiças e contra a adversidade.” (art. 9º)
“Livre e responsável, o Maçon tem por virtudes todas as acções antagónicas do vício e da ociosidade.” (art. 10º)
“Como afirmação de liberdade, não pode o Maçon excluir os direitos individuais e, portanto, proclama a liberdade política; como, porém, os direitos políticos convertem o homem em cidadão, daí resulta o princípio da igualdade perante as leis, que facilmente conduz à fraternidade entre os homens.” (art. 11º)
“Como manifestação de fraternidade, tem por dever socorrer os seus semelhantes nos transes difíceis da vida.” (art. 12º)
“Universais são os fins da Maçonaria, portanto os Maçons de todos os povos constituem uma e a mesma família e os seus membros dão-se o tratamento de Irmãos.” (art. 13º)
1898: “A Maçonaria é uma instituição social e filosófica que, assentando no mais perfeito altruísmo, exercita a prática constante da fraternidade entre todos os seus adeptos, sem distinção de nacionalidade ou de crenças religiosas. Na íntegra compreensão e prática destes princíprios fundamentais, a Maçonaria acata a mais absoluta tolerância e a máxima liberdade de consciência; recomenda e evangeliza o mais profundo amor de família em particular, e da pátria e humanidade em geral, e aceita sob qualquer forma externa a verneração do Supremo Arquitecto do Universo, como o Ente Necessário Absoluto para o qual tendem todas as religiões.” (art. 1º)
“Assim compreendida e executada, a Maçonaria preenche cabalmente a sua função social; isto é, a emancipação pacífica e progressiva da humanidade, a melhoria de condições materiais e morais da vida do homem, tanto na ordem espiritual pelo derramamento de instrução, como na ordem material pelo exercício da beneficência. Daqui lhe vem, como natural consequência, a necessidade de estudar os problemas sociais e económicos, cuja solução importe para o homem o melhoramento das condições de sua vida para a integral realização do supremo ideal de perfectibilidade.” (art. 2º)
1907: “A Maçonaria é uma instituição essencialmente humanitarista, procurando realizar as melhores condições de vida social.” (art. 1º)
“A sua forma é ritualista.” (art. 2º)
“A Maçonaria é livre-pensadora na essência, mas deixa livre aos seus adeptos qualquer opinião pública ou confissão religiosa.” (art. 3º)
“A Maçonaria exige o máximo altruísmo, o sacrifício de quaisquer interesses materiais e morais ao bem-estar dos semelhantes e procura a abolição gradual de todas as fórmulas que denotem superioridades sociais ou distinções de classes.” (art. 4º)
“A Maçonaria esforça-se por estender a todos os homens os laços fraternais que unem os maçons sobre a superfície do globo. Recomenda aos seus adeptos a propaganda pelo exemplo e pela palavra falada e escrita, sob reserva da observância do sigilo maçónico.” (art. 5º)
“A Maçonaria considera o trabalho como um dever essencial ao homem, e honra igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.” (art. 6º)
“A Maçonaria é uma instituição universal, variando, porém, a sua organização conforme as condições dos povos em que se acha estabelecida. Todos os maçons constituem uma e a mesma família e dão-se o tratamento de irmãos, sendo iguais perante a lei, sem nenhuma distinção de nacionalidade, classe, sexo ou idade.” (art. 7º)
1912: “A Maçonaria é uma instituição essencialmente humanitária, procurando realizar as melhores condições da vida social.” (art. 1º)
“A sua forma é ritualista.” (art. 2º)
“A Maçonaria não se subordina a nenhuma escola ou facção filosófica, política ou religiosa.” (art. 3º)
“A Maçonaria exige o máximo altruísmo, o sacrifício de quaisquer interesses materiais e morais ao bem-estar dos semelhantes, e procura a abolição gradual de todas as fórmulas que denotem superioridades sociais ou distinções de classes.” (art. 4º)
“A Maçonaria esforça-se por estender a todos os homens os laços fraternais que unem os maçons sobre a superfície do globo. Recomenda aos seus adeptos a propaganda pelo exemplo e pela palavra falada e escrita, sob reserva da observância do sigilo maçónico.” (art. 5º)
“A Maçonaria considera o trabalho como um dever essencial ao homem, e honra igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.” (art. 6º)
“Sendo universais os funs da Maçonaria, os maçons de todos os países formam uma só família, dando-se entre si o tratamento de irmãos, sendo iguais perante a lei, sem nenhuma distinção de raça, nacionalidade, classe, sexo ou idade.” (art. 7º)
“A Maçonaria tem como deveres fundamentais a Justiça, a Verdade e a Solidariedade e como divisa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.” (art. 8º)
1914: “A Franco-Maçonaria é um instituição cosmopolita, igualitária e essencialmente tolerante e progressiva. Firmada sobre bases comuns, divide-se em regiões correspondentes a cada território político, mas aliada e solidária em toda a superfície da Terra. Reconhece como base da educação e ensino as prescrições morais dos “antigos deveres dos franco-maçons” e como meios: o uso do simbolismo extraído da Arte da Arquitectura; a instrução mútua sobre os interesses superiores da humanidade; a educação pelos sentimentos da Amizade e da Solidariedade, e a emulação no cumprimentos do dever social, pelos bons exemplos pessoais e pelo mais amplo exercício da Filantropia. Assegura aos seus agremiados a liberdade de consciência e o livre exame, de crença e de pensamento; repele todo o entrave a estas liberdades, respeitando todas as convicções sinceras e não admitindo ligações com qualquer política partidária ou seita religiosa. A sua divisa é: Liberdade-Igualdade-Fraternidade. Em conformidade com estes princípios os maçons tratam-se mutuamente como irmãos.” (art. 1º)
“A Maçonaria Portuguesa afirma a sua completa solidariedade aos princípios e tradições da Ordem Maçónica Universal. Cooperará em tudo que tenda ao aperfeiçoamento social e à realização de obras justas, úteis, progressivas e moralizadoras. Mantém o princípio de inteira liberdade de consciência, preconizando a máxima tolerância e respeito mútuo, e proscrevendo o recurso à violência e à força. Não admite distinções entre os seus obreiros, excepto as que resultam da prática inflexível da virtude e da dedicação à Ordem, à Pátria e à Humanidade, e promove a abolição de tudo que denote superioridade de classes ou diferenciação de castas. Toma como base os princípios de – Lisberdade, Ordem e Progresso – e proclama o respeito pela fórmula – Sub lege libertas.” (art. 2º)
1919: “A Maçonaria é uma instituição internacional essencialmente humanitária e altruísta, não se subordinando a nenhuma escola ou facção filosófica, política ou religiosa.” (art. 1º)
“A Maçonaria é uma tolerante e progressiva e, sendo ritualista, possui emblemas e sinais cuja alta significação simbólica só pode ser revelada depois da iniciação.” (art. 2º)
“Sendo universais os fins da Maçonaria, os maçons de todos os países formam uma e mesma família e os seus membros dão-se o tratamento de irmãos.” (art. 4º)
“Os fins do Grande Oriente Lusitano Unido […] são:
1) Procurar melhorar as condições sociais da humanidade;
2) Cumprir os seus deveres de fraternidade para com os seus semelhantes;
3) Propagar conhecimentos úteis.” (art. 9º)
1926: “A Maçonaria é uma instituição essencialmente humanitarista, procurando realizar as melhores condições de vida social.” (art. 1º)
“A sua forma é ritualista.” (art. 2º)
“A Maçonaria é livre pensadora. (Vide nota contendo o artigo 1º da Constituição de Anderson)” (art. 3º)
“A Maçonaria exige o máximo altruísmo, o sacrifício de quaisquer interesses materiais e morais ao bem-estar dos semelhantes.” (art. 4º)
“A Maçonaria estende a todos os homens os laços fraternais que unem os maçons sobre a superfície do globo. Recomenda aos seus adeptos a propaganda pelo exemplo e pela palavra falada e escrita, sob reserva da observância do sigilo maçónico.” (art. 5º)
“A Maçonaria considera o trabalho e a solidariedade como deveres essenciais ao homem e honra igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.” (art. 6º)
“A Maçonaria é uma instituição universal, variando, porém a sua organização conforme as condições dos povos em que se acha estabelecida. Todos os maçons constituem uma e a mesma família e dão-se o tratamento de irmãos, sendo iguais perante a lei.” (art. 7º)
Fonte: A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo – 2ª Edição, de A. H. de Oliveira Marques / Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1983 [pp. 67-76]
Estimados Ccomp., o presente trabalho teve como observação o canteiro de obras do Cristianismo alicerçado no novo testamento, sendo certo que há inúmeros outros respeitáveis canteiros de obras conhecidos como Judaísmo, Espiritismo, Budismo, Islamismo, Hinduísmo, Bramanismo, Pitagorismo, além de outras importantes construções, religiosas, espirituais e filosóficas.
“Iir. trabalho no esquadro e somente no esquadro é que temos ordens de receber. Não deveríeis permitir que forma ou beleza peculiar vos fizessem infringir uma ordem taxativa. Sabeis de alguma utilidade na construção do Templo para uma pedra como esta? Eu não. Tampouco eu. Nem eu tampouco. Que faremos com ela? Lancemo-la fora, entre os escombros.”
Quem de nós realmente possui a visão do esquadro segundo a visão do Criador? Nós sequer nos atentamos que quando olhamos diretamente para o sol visualizamos apenas o seu resplendor.
Muitos daqueles que julgam ver o sol não sabem que a verdadeira visão do sol se abriga dentro daquilo que vemos, ou seja, o sol está dentro do próprio sol.
Quando possuirmos um vistoso e reluzente relógio, julgamos que somos os legítimos donos das horas que ele aponta. A partir daquele momento nós nos esquecemos de observar que às horas não nos pertence, nem tampouco o relógio que adquirimos, como tantas outras aquisições tangíveis e intangíveis que optamos por adquirir durante a nossa estada nesse plano.
Deixando de observar o que deveríamos, acabamos por esquecer os emblemas do Grau de Mestre, dentre os quais destaco a Ampulheta, as Asas do Tempo e a Foice. Lembremo-nos que quando a areia do tempo se esgotar deixando vazia a outra metade da ampulheta, o relógio que julgávamos ser nosso não mais irá nos pertencer, nem tampouco terá utilidade para nossa alma.
Há mais de dois mil anos nascia um rabino que andava por sobre as águas, curava os enfermos, que possuía o poder de alimentar a alma e o corpo através do milagre da multiplicação. Pregava o amor fraternal, o perdão, e o respeito ao próximo. Possuía a Marca de um verdadeiro Mestre, que é a marca da humildade. Ceiava junto de seus doze apóstolos. Colocava-se ao centro da mesa dividindo o pão e o vinho. Representava o próprio sol levando à luz de sua sabedoria às quatro estações do ano.
Apesar das obras que realizou, das palavras que pregava, do verdadeiro amor fraternal e dos ensinamentos esotéricos gnóstico cristão, encontrava-se fora do esquadro do mestre supervisor. Seus atos, palavras e exemplo resultaram no seu cárcere, nas chibatadas, no calvário e na conseqüente morte da sua matéria na cruz. Antes da foice do tempo cortar o fio de prata, disse “Pai como me Glorificastes. Em tuas mãos entrego o meu Espírito.”
Em tempo, a pedra desprezada há mais de dois mil anos ficou conhecida como Jesus Cristo, o Nazareno.
Paulo Santos M.’.R.’.A.’., Capítulo Os Verdadeiros Amigos N.56 de Maçons do Real Arco do Brasil
BIBLIOGRAFIA:
Ritual do Grau de MDM do Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil
Osíris é, indubitavelmente a mais célebre deidade do panteão egípcio e igualmente uma das mais complexas, pelo que não é, pois, de estranhar que os teólogos tenham procurado sintetizar os díspares aspectos desta personagem, através da criação de uma lenda. Para infortúnio de todos os amantes da mitologia egípcia a denominada “Lenda de Osíris” não é relatada integralmente por nenhum documento egípcio, fragmentando-se assim em trechos esparsos que relatam uma ou outra circunstância. Na realidade, a descrição completa das suas aventuras é nos oferecida por Plutarco, filósofo e escritor grego, através da sua obra “Ísis e Osíris”, na qual podemos verificar que a lenda se encontra dividida em três momentos fundamentais: o ímpio assassinato de Osíris; o nascimento e a infância de Hórus, seu filho; e o recontro entre este e Seth, aquele que lançara Osíris nos braços da morte.
Mas quem é afinal este deus, venerado por reis e plebeus, cujo coração encarnava a felicidade eterna, oferecida por seu pulsar a todos aqueles que o escutassem? Osíris despontou do seio da famigerada éneade de Heliópolis, denominação concedida à família divina criada por Átum-Rá, e na qual se reuniam nove poderosas deidades, cujas origens são narrados num mito arcaico da criação: Do caos inerte, que envolvia o universo, sob a forma do primitivo oceano Nun, emergiu uma colina de lodo, na qual poisou, latente no corpo de um escaravelho ou serpente, o deus- criador Átum, “Senhor Uno de nome misterioso”, que através do seu sémen, gerou o primeiro casal divino, constituído por Shu, a atmosfera, e Tefnut, a humidade, os quais, por ser turno, procriaram Geb, a Terra, e Nut, o céu, cujos corpos achavam-se fundidos em eternas núpcias de luz. Devido à intervenção de Ra, a quem desagradava a visão de tal amor, Shu foi coagido a separar o céu e a terra. Porém, ao apartar tão sublimes amantes, o deus estava igualmente a sonhar uma imagem poética, incessantemente, representada pela arte egípcia, na qual, acima de Geb, surge um homem nu, alongado e enfeitado com plumas, erguendo nos braços Nut, de corpo semeado de estrelas.
O nascimento de Osíris, fruto dos amores entre o céu e a terra é nos relatado por um mito que não carece de originalidade: Quando o deus- sol Ra abraçou a percepção de que no jardim da alma de Nut, desabrochava a rosa do desejo, cujo perfume incensava os seus encontros clandestinos com Geb, ele tomou a resolução de confiná-lo ao álgido Inferno de uma maldição: a deusa é proibida de dar à luz no período de tempo compreendido pelo calendário oficial. Desesperada, Nut, que se encontrava grávida de quíntuplos, resolve então pedir ajuda a Thot, senhor do tempo, que segundo alguns referem, lhe dedica uma paixão secreta. Após haver meditado sobre todas as soluções plausíveis, Thot enlaça então a resolução de jogar aos dados com a Lua. Abençoado pela Fortuna, o deus ganha a partida e obtém cinco dias suplementares no calendário. Nestes cinco dias, considerados como distintos do ano de doze meses, a maldição perdia o seu efeito, pelo que Osíris pôde enfim sublimar o mundo com seu nascimento, ocorrido no primeiro destes dias. Segundo a lenda, no instante em que Osíris floresceu para a vida, uma voz incendiou os céus com o fogo da seguinte anunciação: “O Senhor de tudo veio ao mundo!”. Algumas fontes referem também que um certo Pamyles escutou uma voz provinda de um templo tebano, que, num grito tonitruante lhe anunciou que o magnânimo Osíris, rei dos céus e da terra, havia nascido. No segundo dos dias suplementares, Nut deu à luz Hórus, o Antigo; no terceiro, o deus Seth; no quarto, Ísis; e, por fim, no quinto, Néftis, desposada por Seth.
É na qualidade de primogénito, que Osíris herda a soberania terrestre, pelo que, após unir-se a Ísis em esponsais divinos, ascendeu ao trono do Egipto, iluminando este país com o Sol de magnanimidade e indulgência que dourava a sua alma. Reinando como soberano da terra, Osíris arrebatou os egípcios às garras da selvajaria que os escravizara até então, concedeu-lhes leis e fê-los descobrir a arte de prestar culto aos deuses. Por seu turno, Ísis, a quem a corrente prática de canibalismo horrorizava, ofereceu aos Homens o trigo e a cevada, que Osíris os ensinou a cultivar, levando-os a abdicar dos seus costumes antropófagos, em prole de uma dieta de cereais. Para além disso, Osíris é conhecido por haver sido o primeiro a colher frutos das árvores, a assentar a vinha em estacas e a pisar as uvas, visando a confecção de vinho. Na ânsia de enriquecer o tesouro da humanidade com a jóia rara do conhecimento, Osíris delegou a Ísis todas as responsabilidades subjacentes ao governo do Egipto e percorreu o mundo, saciando a sua sede com o cálice da civilização e a sua fome com o desvendar dos segredos da agricultura. O seu reinado foi assim uma sonata de harmonia perfeita, tocada no piano de luz da felicidade suprema. Todavia, em breve um artífice das trevas consagrado mestre da sua eterna confraria de sombras e medos, iria esculpir o mais nefasto silêncio, pois apesar dos poderes inerentes à sua divindade, Osíris viria a aproximar-se da humanidade, ao partilhar com ela a vereda da morte. Seu irmão Seth, esposo de Néftis, cuja alma era escrava da inveja, cobiça e ódio, ofereceu um fausto banquete, no qual exibiu uma extraordinária urna, prometendo oferecê-la, a quem nela coubesse.
Quando Osíris aceitou o desafio, Seth selou a urna e arremessou-a ao Nilo. Ao aperceber-se de que, após uma apaixonada busca, Ísis a havia encontrado, Seth tornou a apoderar-se dela, retalhando o corpo do irmão, para lançá-lo, novamente, ao rio. Desesperada, Ísis tomou então a resolução de recuperar os catorze fragmentos do cadáver de Osíris, percorrendo, para tal efeito, todo o país. Após conquistado o sucesso, Anúbis, deus do embalsamamento, possuidor de uma cabeça de chacal, e que muitos proclamam como filho de Osíris e de Néftis, reuniu os catorze fragmentos do cadáver do poderoso deus, enrolando-os em ligaduras, com o fito de criar a primeira múmia. Ísis tomou então a forma de um falcão fêmea, de cujas asas o seu esposo recebeu, uma vez mais, a vida que havia perdido, podendo então gerar o deus- falcão, Hórus, herdeiro do trono que o seu tio Seth havia usurpado. Ultimado este acto, Osíris necessitou de regressar ao submundo, tornando-se no “Senhor da Eternidade”, soberano dos mortos, que preside aos julgamentos do além. É representado na arte egípcia como um homem de rosto esverdeado, qual lodo que concebe a vida do Egipto, ostentando as insígnias do poder: coroa, ceptro em gancho e chicote. Contudo, o seu corpo assemelha-se rígido, dado surgir como uma múmia enfaixada. Este mito reflecte flagrantemente uma paixão, representando Osíris como um ser que, na terra, foi vítima de uma traição que o teria confinado à extinção eterna, caso um amor isento de limites não se houvesse oposto a tão lúgubre fortuna, reinventando em seu corpo a arte perdida da vida, através de uma esplendorosa ressurreição. Compreende-se assim que todos procurem a benção deste deus, uma vez que somente ele coroa o firmamento da vida com o arco-íris da eternidade. Assim, não constitui qualquer surpresa verificar que no Antigo Império, o faraó defunto, na ânsia de com o deus se identificar, recebia o epíteto de Osíris, enquanto que o regente abraçava a denominação de Hórus. Todavia, vicissitudes político- sociais ocorridas no final do mesmo, permitiram que a benção de Osíris deixasse de ser prerrogativa exclusiva dos soberanos, estendendo-se assim a todos funcionários. No entanto, nem sempre Osíris usufruiu desta fama, sendo pois fruto de uma prolixa evolução.
Na realidade, Osíris foi venerado desde uma época muito antiga, principiando por encarnar um deus da fertilidade, relacionado com o milho, com o ciclo do seu enterramento como semente, o seu tempo de repouso debaixo da terra, a sua germinação e, finalmente, o seu retorno à vida. Era sua, portanto, a incumbência de propiciar aos egípcios uma boa colheita, sendo também responsável pela inundação do Nilo. À medida que a sua importância aumentava, Osíris assimilou características de outros deuses, os quais substituiu gradualmente. Em Mênfis, por exemplo, adoptou as características funerárias de Sokaris e, em Abidos, usurpou a identidade e o culto de Khentiamentiu, deus dos mortos e soberano das necrópoles. Posteriormente, integrou a cosmogonia de Heliópolis, transformando-se no legítimo herdeiro de Geb e Nut. Como símbolo da ressurreição, Osíris supervisionava as entradas no seu mundo, surgindo como um Sol, durante o poente. O culto de Osíris e Isís proliferou-se, com surpreendente popularidade, na bacia mediterrânea, durante a Época Baixa (664-332 a.C./ XXVI- XXX Dinastias), influenciando, segundo muitos historiadores também o cristianismo, com os seus ensinamentos sobre morte e ressurreição. Osíris, Ísis e Hórus formaram a Tríade (família constituída por três divindades) de Abidos, cidade onde se centralizou o seu culto, celebrado num dos maiores santuários egípcios, em cujo interior jazia a cabeça do deus da morte. Era de facto naquela que viria a tornar-se na capital da oitava província do Alto Egipto, que decorria o festival anual de Osíris, ao longo do qual a barca do deus era levada em procissão e a vitória de Osíris sobre os seus inimigos celebrada.
Todavia, também outras cidades foram iluminadas pela benção de Osíris, ao receberem partes do corpo retalhado do deus, salientando-se Busíris (“Domínio de Osíris” ou “Lugar de Osíris”, no Delta Central, como uma das mais famosas, dada a sua relação com a espinha dorsal de Osíris. Por seu turno, Per- Medjed, capital da 19ª capital do Alto Egípcio, estava ligada ao mito de Osíris, através do seu falo, que, segundo a tradição, jamais foi descoberto por Ísis.
Detalhes e Vocabulário Egípcio: Eneada de Heliópolis: família divina constituída por Átum, deus criador, Tefnu, humidade, Shu, atmosfera, Geb, terra, Nut, céu, Osíris, Ísis, Néftis e Seth. Ousir- Osíris Neb djed- O Senhor da Eternidade. Douat- submundo Sah- múmia
De 1820 a 1869 praticaram-se na Maçonaria portuguesa seis ritos diferentes: o Rito Francês, o Rito Simbólico Regular, o Rito Escocês Antigo e Aceite, o Rito de Heredom, o Rito Eclético Lusitano e o Rito de Adopção:. Diga-se desde já que o primeiro e o terceiro predominaram, a grande distância, sobre os quatro outros:.
A constituição maçónica de 1806 adoptara o Rito Francês como oficial e único no seio do Grande Oriente Lusitano:. Enquanto nesta obediência se esgotaram os trabalhos maçónicos portugueses, o Rito Francês manteve a sua exclusividade:. E mesmo depois, quando já os maçons portugueses se achavam divididos em facções numerosas, o Rito Francês continuou a prevalecer:.
O Rito Simbólico Regular parece ter sido utilizado na loja de exilados instalada em Inglaterra durante o reinado de D. Miguel:. Depois, esteve morto ou moribundo durante quase todo o período em estudo:. Há notícias de uma única oficina a praticá-lo, a loja 24 de Agosto, criada antes de 1843 na obediência da Maçonaria do Norte e, em seguida, da sua sucessora Confederação Maçónica:. Esta loja já não existia em 1867:.
O Rito Escocês Antigo e Aceite foi introduzido em Portugal em 1837, ao nível dos três primeiros graus:. Deveu-se à Grande Loja de Dublin (Irlanda), que instalou em Lisboa, nesse ano, a loja Regeneração I:. No conjunto dos 33 graus, o Rito Escocês surgiu três anos mais tarde, sob a chefia de Silva Carvalho e da loja Fortaleza, que constituíram o chamado Grande Oriente do Rito Escocês, conseguindo, em 1841, autorização para erigir um Supremo Conselho:. Neste mesmo anos de 1841, o Grande Oriente Lusitano introduziu o Rito em algumas das suas lojas, criando, pouco depois, um segundo Supremo Conselho:. O Rito Escocês Antigo e Aceite penetrou ainda no Grande Oriente de Portugal (1849), na Confederação Maçónica Portuguesa (após 1849), no segundo Grande Oriente Lusitano (1859) e, evidentemente, no Grande Oriente Português (1867):. Apesar da manutenção e consolidação do Rito Francês foi, sem sombra de dúvida, o Rito com maior dinamismo e força expansiva nos meados do século XIX, registando aumentos contínuos e consistentes no número de lojas que agrupava:.
O Rito de Heredom ou Rito de Perfeição foi o antepassado do Rito Escocês Antigo e Aceite e não passa de uma variante sua:. Pelo menos na década de 1840 confundia-se com o Rito Escocês, coexistindo, em diplomas, as duas terminologias:. Tem 25 graus, com os mesmos títulos e características dos primeiros 25 graus do Rito Escocês, à excepção dos nº 20, 21, 23 e 24, onde se registavam variações:. Que se saiba, seguiu este Rito em Portugal uma única oficina, a loja Fonseca Magalhães, fundada em Lisboa talvez em 1858 ou 1859, na dependência directa do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antogo e Aceite, presidido por Domingos Correia e Arouca:.
O Rito Eclético Lusitano deveu-se a Miguel António Dias e parece ter sido, até hoje, a única tentativa de constituir um rito próprio e exclusivo dos maçons portugueses:. Aquele autor esforçara-se, desde 1838, por reformar toda a Maçonaria portuguesa, adoptando como rito as práticas básicas dos Rito Francês, embora revisto e adaptado a Portugal:. Neste sentido redigiu umas “Bases Gerais” em seis capítulos e 34 artigos, que publicou na sua Architectura Mystica do Rito Francez ou Moderno (1943) e depois, novamente (1853), nos Annaes e Codigo dos Pedreiros Livres em Portugal, agora com lei orgânica e regulamento apensos:. Neste mesmo ano, Miguel António Dias conseguiu controlar uma série de oficinas, levando-as a aceitar o novo rito e a sua presidência de um governo provisório coordenador:. Para elas instalou-se formalmente o Grande Oriente da Maçonaria Eclética Lusitana, com cinco lojas, sendo três em Lisboa (Regeneração 20 de Abril, Firmeza, e Fraternidade), uma em Setúbal (Firmeza) e uma em Torres Novas (Torre Queimada):. A nova obediência conseguiu ainda elaborar a sua Constituição (28 de Setembro de 1860), mas não parece ter durado muito para além dessa data:. Algumas das oficinas abateram colunas e outras integraram-se no Grande Oriente de Portugal e na Confederação Maçónica Portuguesa, não sabemos se mantendo o Rito Eclético Lusitano, se voltando ao Rito Francês:.
O Rito de Adopção, destinado exclusivamente a mulheres, surgiu e manteve-se como ponte entre uma maçonaria estritamente masculina e arrogando-se de ortodoxa, e uma maçonaria aberta a ambos os sexos:. Assim, cada loja deste rito era fundada e patrocinada (“adoptada”) por uma loja regular masculina, que nela superintendia e a controlava:. Para não se criar, nas lojas femininas, a ilusão de igualdade com as masculinas, através de práticas que fossem idênticas em ambas, forjou-se um rito diferente – embora com alguns elementos comuns -, o chamado Rito de Adopção:. Este Rito, na variante com cinco graus, foi introduzido em Portugal em 1864, com a loja feminina Direito e Razão, aparentemente subordinada à Confederação Maçónica Portuguesa:. Mas achava-se definido e teorizado, com rituais em português, desde havia muito:.
Conclusões:
A existência e a adopção teóricas dos ritos não significavam necessariamente a sua aplicação prática:. Para começar, muitas lojas, “não tendo rigorosamente seguido rito algum especial, têm confundido muitos ritos diferentes” o que se devia, quer à falta ou à escassa divulgação de manuais, quer à semelhança existente entre os vários ritos, mormente nos três primeiros graus, quer ainda ao desinteresse, ao nível de Obediência ou de oficina, pelo próprio ritual:.
Em 1822, por exemplo, saiu a público um manual do Rito Adoniramita, que chegou a ser anunciado no Diario do Governo:. Era, provavelmente, o Cathecismo de Aprendiz do Rito Adonhiramita, s.l., s.d., cujas divergências do Rito Francês seriam mínimas e que pode ter sido utilizado nas lojas:. A preferência pelo Rito Francês imposta pela Constituição maçónica, levou acaso ao abandono da iniciativa tradutora:.
As influências francesa e brasileira na prática e teoria ritualistas parecem também claras, exercendo-se sobre a esmagadora maioria das lojas de quase todas as Obediências:. Originalidade portuguesa praticamente não existiu, a não ser no caso esporádico da doutrinação de Miguel António Dias:.
Por fim, releve-se a extensão e prolixidade de todos os rituais, cuja prática escrupulosa levaria a sessões de várias horas, equivalentes a espectáculos lúdicos de qualquer género:. A participação em loja obedecia também à necessidade de ocupar o tempo, numa sociedade onde as distracções não abundavam e o convívio pessoal se impunha:.
* De A.H. de Oliveira Marques, “Para a História do Ritual Maçónico em Portugal no Século XIX (1820-1869)”, separata da Revista de História das Ideias, Vol. 15, Faculdade de Letras, Coimbra, 1993:.
O painel alegórico dos graus “constituem ajudas visuais que ilustram os princípios ministrados em cada grau. O quadro do primeiro grau representa através de uma simbologia muito depurada o ser humano individual e o lugar que ocupa nos quatro mundos”.
A representação do mundo físico refere-se e relaciona-se com o pavimento mosaico. A zona média dominada pelas colunas representa a câmara central da alma, a essência da psique, os céus levam à porta de acesso, em íntimo contato com o espírito. O quarto nível, a divindade em si mesmo, é representado pela glória no centro do quadro.
Os maçons operativos na construção das catedrais dividiam-na em quatro partes a saber:
a nave representando o mundo físico, o corpo,
o coro representando a psique e alma,
a zona do altar representante do espírito,
o sacrário representando a divindade.
Há quatro pontos cardeais situados nos bordos do quadro que definem a direção leste – oeste, o caminho a trilhar. Representam a dimensão da consciência. As três colunas das três grandes ordens arquitetónicas gregas em antigos traçados de nossa ordem conduzem à “regra de três”. Segundo Vitrúvio há três agentes que abarcam todos os níveis da loja/psique, sendo um agente ativo, exuberante, criativo e expansivo (coluna coríntia). Um agente passivo, reflexivo, tradicional e restrito (coluna dórica). O terceiro um agente equilibrado, consciente e coordenado, cuja obrigação é manter os outros dois num equilíbrio dinâmico (coluna jônica).
O pavimento quadrado ou piso mosaico tem sua origem na cultura sumeriana, povo da antiga mesopotâmia. Nos remete dentre outros ensinamentos à lei da dualidade. A borda ou orla dentada representa o princípio da atração universal através da união. O livro das sagradas escrituras com o esquadro e compasso formam as três grandes luzes emblemáticas da maçonaria, simbolizando a lei divina. Representa ainda o ponto dentro de um círculo, sendo que os modernos atribuíam um dos lados a Moisés e de outro ao rei Salomão. Um representa o papel de exuberância e o outro, da restrição. Já os antigos atribuíam as duas linhas paralelas associadas também a são João batista ( em meados do verão) e São João Evangelista (em meados do inverno), tendo como máxima: – “enquanto um maçom conservar-se assim circunscrito, não poderá errar”.
O altar dos juramentos, onde fica depositado o livro das sagradas escrituras, e onde são realizados os juramentos ritualísticos da ordem. É ele que corresponde ao santo dos santos do templo de Jerusalém, e é este o local íntimo e de maior conteúdo místico do templo maçônico. A pedra bruta deve representar o constante trabalho junto as nossas imperfeições, visando transformá-la em uma pedra quadrada e polida, para que somada a outras, possamos construir e edificar um verdadeiro templo para que exista a real construção interior, utilizamo-nos de poderosos instrumentos adequando-os a simbologia da régua de 24 polegadas, tais como o esquadro, o nível o prumo, o escopo e o maço. Destacamos o instrumento Lewis capaz de alavancar e levantar grandes pesos a certas alturas com pequeno esforço, mostrando-nos que devemos empregar apenas o esforço ideal sem qualquer desperdiço.
Existem quatro borlas pendentes nos cantos da loja lembrando-nos as quatro virtudes cardeais, a temperança, energia, prudência e justiça. Há a representação do universo onde reside o GADU, que tudo pode e vê, sendo onipotente, onisciente e onipresente. A lua representa a alma, assim como o sol simboliza o alimento do espírito, da vida. Representante inconteste da luz. À lua fora atribuído à figura da deusa Ísis, sendo esta, a grande iniciadora da alma nos mistérios do espírito.
A escada de Jacob faz referência bíblica onde Jacob teria visto em sonho uma escada que conduzia ao céu, àquele que fosse dotado inicialmente por três virtudes teologais, sendo a fé, a esperança e a caridade (os três primeiros degraus). Representam respectivamente a cruz, a âncora e o cálice sagrado ou santo graal. É o caminho pelo qual esperamos poder chegar aos céus, sendo que no topo da escada encontramos a estrela flamejante com sete pontas, simbolizando “as sete principais direções em que se move lentamente toda a vida até a sua completa união divina; os sete raios ou emanações com que deus encheu o universo com a luz de sua vida, os sete espíritos ou ministros ante o trono do senhor (apocalipse – 1:4), as sete estrelas simbolizando os sete poderes misteriosos adquiridos pelo homem perfeito, o senhor da vida e morte (apocalipse 1:1¨) “.
A chave representa o conhecimento dos augustos mistérios, a fórmula alquímica que estará inacessível mesmo àqueles que adentraram a senda, mas que não submeteram suas vontades, vaidades e paixões, cuja marca é o orgulho e a prepotência. “não deis aos cães o que é sagrado, para que eles não o joguem no lixo. Não atireis pérolas aos porcos, para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem” (Mateus, 7:6).
Aproveitamos os traçados para observar que existem a catalogação de 05 (cinco) divisões características e pertinentes ao objetivo das lojas maçônicas segundo alguns estudiosos da arte, sendo: – a maçonaria filosófica e maçonaria teísta, a fraternal ou clubista, a beneficente, a conspiratória e a maçonaria política. A ARLS.’. Verdadeiros Amigos se interessa única e exclusivamente no interior de seu sagrado templo pela maçonaria filosófica e teísta, reconhecendo a importância da maçonaria política, que esteve e está presente na história de nosso país. Ressaltamos os laboriosos IIr.’. Que trabalharam em prol da inconfidência mineira, a conjuração baiana no final do século xviii, a abolição da escravatura dentre outros importantes movimentos.
Particularmente durante os nossos trabalhos maçônicos adequamos o breve tempo disponível única e exclusivamente apenas à procura da sobreposição do espírito por sobre a matéria, através do constante trabalho em nós mesmos. Em nossa vida profana adequamos algumas polegadas da nossa régua às questões políticas, onde “os ódios comuns são as bases das suas alianças” , sendo os mesmos comparados às nuvens conforme observado por Magalhães pinto quando disse – “ política é como nuvem.
Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Apoiamos IIr.’. Altruístas que vivenciam o significado de “non nobis domine, non nobis sed nomini tuo da gloriam” (não por nós, não por nós, não por nós…), que realizam um trabalho bom, trabalho fiel, trabalho no esquadro, junto a sua loja servindo e sendo um exemplo de justiça e honradez na vida profana, para que algum dia não haja mais sentido na frase de Eça de Queiroz quando afirmou que: – “os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão”.
Paulo Santos M.’.M.’. da A.’.R.’.L.’.S.’. Verdadeiros Amigos 3902 GOSP/GOB, Oriente de São Paulo – Brasil
BIBLIOGRAFIA:
Maçonaria de W. Kirk Macnulty, Editora Prado.
Ritual do Grande Oriente do Brasil – Ritual de Emulação.
Ritual do Rito de York do Supremo Grande Capítulo do Real Arco do Brasil.
Trabalho do I.’. Alexsander Alves Novaes da ARLS Tiradentes 65.
Nenhuma personalidade do panteão egípcio pode rivalizar com a deusa Ísis, sublime essência da alma de uma das mais excelsas e proeminentes civilizações da antiguidade e maga detentora do esplendor ofuscante que a conduziu até ao auge da popularidade. Surgindo na teologia heliopolitana como fruto dos amores entre o céu (Nut) e a terra (Geb), Ísis reinara com uma sabedoria incontestável nas Duas Terras, o Alto e o baixo Egipto, muito antes do nascimento das dinastias. O amor que unia Ísis a Osíris em ternos esponsais vestia a sua alma com uma felicidade que abraçava o Infinito. Todavia, em breve a doce melodia que tão mítica perfeição dedilhava na harpa da sua vida seria, pelas trevas, resumida a um rol de acordes dissonantes, orquestrados numa sinfonia de silêncio e dor.
Tão vil prelúdio de uma noite sem fim surgiu sob a forma de um convite de Seth, que solicitava afavelmente a presença de seu irmão Osíris num banquete. Sem jamais cogitar que se tratava de uma ímpia conjuração, Osíris não declinou a oferta, colocando-se então à mercê de um execrável assassino. Algures no decorrer do banquete, Seth apresentou um caixão de proporções verdadeiramente excepcionais, assegurando que recompensaria generosamente aquele que nele coubesse. Imprudente, Osíris aceitou prontamente o desafio, permitindo que Seth e os seus acólitos pregassem a tampa e consequentemente o tornassem escravo da morte. Cometido o hediondo crime, o assassino Seth, que cobiçava ocupar o trono de seu irmão, lança a urna ao Nilo, para que o rio a conduzisse até ao mar, onde veio a perder-se. Este trágico incidente deu-se no décimo sétimo dia do mês Athyr, quando o Sol se encontra sob o signo de Escorpião. Quando Ísis tomou conhecimento do ocorrido, baniu de sua alma todo o desespero que a assombrava e abraçou a resolução de procurar o seu marido, a fim de lhe restituir o sopro da vida. Assim, cortou uma madeixa do seu cabelo, estigma da sua desolação, colocou o seu vestuário matutino e errou por todo o Egipto, na ânsia de ver a sua diligência coroada de êxito.
Por seu turno, e após haver dançado nas ondas do mar, a urna atingiu finalmente uma praia, perto da Babilónia, na costa do Líbano, enlaçando-se nas raízes de um jovem tamarindo, cujo prolixo crescimento a prendeu no interior do seu tronco. Ao alcançar o clímax da sua beleza, a imponente árvore atraiu a atenção do rei desse país, persuadindo-o a ordenar ao seu séquito que o tamarindo fosse derrubado, com o fito de ser utilizado como pilar na sua casa. Em simultâneo com o crescimento da referida árvore, Ísis prosseguia tão exaustivas busca pelo cadáver de seu marido, pelo que, ao escutar as histórias tecidas em torno da surpreendente árvore, tomou de imediato a resolução de ir à Babilónia, na esperança de ultimar enfim e com sucesso a sua odisseia. Ao chegar ao seu destino, Ísis sentou-se perto de um poço, ostentando um disfarce humilde e brindou os transeuntes que por ela passavam com um rosto lavado em lágrimas. Os relatos da sua inusitada condição rapidamente chegaram aos reis da Babilónia, que, intrigados, propuseram-se a conhecer o motivo de tanto desespero. Quando Ísis os viu estancar defronte de si, presenteou-os com saudações cordiais, reverentes e, solicitou-lhes que permitissem que os seus cabelos ela entrançasse. Uma vez que os regentes, embora servos da perplexidade, não impuseram qualquer veto ao seu convite, Ísis uniu o gesto à palavra, incensado as tranças que talhava pouco a pouco com o divino perfume exalado por seu ástreo corpo. Ultimado tão peculiar ritual, a rainha da Babilónia apressou-se a contemplar o resultado final, sendo enfeitiçada pelo irresistível aroma que seus cabelos emanavam. Literalmente inebriada por tão doce perfume dos céus, a rainha ordenou então a Ísis que a acompanhasse até ao palácio.
Assim, a deusa franqueou a entrada do palácio do rei da Babilónia, junto do qual conquistou o privilégio de tornar-se na ama do filho recém-nascido do casal régio, a quem amamentava com o seu dedo. Devido aos laços que a vinculavam à criança, Ísis desejou conceder-lhe a imortalidade, pelo que, todas as noites, a queimou, num fogo divino e, como tal, indolor, para que as suas partes mortais ardessem no esquecimento. Certa noite, durante este processo, ela tomou a forma de uma andorinha, a fim de cantar as suas lamentações. Maravilhada, a rainha seguiu a melopeia que escutava, entrando no quarto do filho, onde se deparou com um ritual aparentemente hediondo. De forma a tranquilizá-la, Ísis revelou-lhe a sua verdadeira identidade, e ultimou precocemente o ritual, mesmo sabendo que dessa forma estaria a privar o pequeno príncipe da imortalidade que tanto desejava oferecer-lhe. Observando que a rainha a contemplava, siderada, Ísis aventurou-se a confidenciar-lhe o lancinante incidente que a coagira a visitar a Babilónia, conquistando assim a confiança e benevolência da rainha, que prontamente aquiesceu em ceder-lhe a urna que continha os restos mortais de seu marido. Dominada por uma intensa felicidade, Ísis apressou-se a retirá-la do interior do pilar. Porém, fê-lo com tão negligente brusquidão, que os seus escombros de pedra espalharam-se por toda a divisão, atingindo, mortalmente, o pequeno príncipe. Na realidade, existem inúmeras versões deste fragmento da lenda, uma das quais afirma que a rainha expulsou Ísis, ao vislumbrar o aterrador ritual, pelo que esta retirou a urna, sem o consentimento dos seus donos. Porém, a veracidade desta versão semelha-se deveras suspicaz…
Com a urna em seu poder, Ísis regressou ao Egipto, onde a abriu, ocultando-a, seguidamente, nas margens do Delta. Numa noite, quando Ísis a deixou sem vigilância, Seth descobriu-a e apoderou-se, uma vez mais dela, com o intento de retirar do seu interior o corpo do irmão e cortá-lo em 14 pedaços, que foram, em seguida, arremessados ao Nilo. Ao tomar conhecimento do ocorrido, Ísis reuniu-se com a sua irmã Néftis, que não também tolerava a conduta de Seth, embora este fosse seu marido, e, juntas, recuperaram todos os fragmentos do cadáver de Osíris, à excepção, segundo refere Plutarco, escritor grego, do seu sexo, que fora comido por um peixe. Novamente deparamo-nos com alguma controvérsia, uma vez que outras fontes egípcias afirmam que todo o corpo foi recuperado. Acto contínuo, Ísis organizou uma vigília fúnebre, na qual suspirou ao cadáver reconstituído do marido: “Eu sou a tua irmã bem amada. Não te afastes de mim, clamo por ti! Não ouves a minha voz? Venho ao teu encontro e, de ti, nada me separará!” Durante horas, Ísis e Néftis, de corpo purificado, inteiramente depiladas, com perucas perfumadas e boca purificada por natrão (carbonato de soda), pronunciaram encantamentos numa câmara funerária ignota, que o incenso queimado impregnava de espiritualidade. A deusa invocou então todos os templos e todas as cidades do país, para que estes se juntassem à sua dor e fizessem a alma de Osíris retornar do Além.
Uma vez que todos os seus esforços revelavam-se vãos, Ísis assumiu então a forma de um falcão, cujo esvoaçar restituiu o sopro de vida ao defunto, oferecendo-lhe o apanágio da ressurreição. Seguidamente, Ísis poisou no sítio do desaparecido sexo de Osíris, fazendo-o reaparecer por magia, e manteve-o vivo o tempo suficiente para que este a engravidasse. Em contraste, outras fontes garantem que Osíris e a sua esposa conceberam o seu filho, antes do deus ser assassinado pelo seu irmão, embora a versão mais comum seja a relatada, primeiramente. Assim, ao retornar à terra, Ísis encontrava-se agora grávida do filho, a quem protegeria até que este achasse-se capaz de enfrentar o seu tio, apoderando-se (como legítimo herdeiro) do trono que Seth havia usurpado. Alguns declaram que Ísis, algum tempo antes do parto, fora aprisionada por Seth, mas que Toth, vízir de Osíris, a auxiliara a libertar-se. Porém, muitos concordam que ela ocultou-se, secretamente, entre os papiros do Delta, onde se preparou para o nascimento do filho, o deus- falcão Hórus. Quando este nasceu, Ísis tomou a decisão de dedicar-se inteiramente à árdua incumbência de velar por ele. Todavia, a necessidade de ir procurar alimentos, coagiam-na pontualmente a ausentar-se, deixando assim o pequeno deus sem qualquer protecção. Numa dessas ocasiões, Seth transformou-se numa serpente, visando espalhar o seu veneno pelo corpo de Hórus, pelo que quando Ísis regressou da sua diligência, encontrou o seu filho já próximo das morte.
Todavia, a sua vida não foi ceifada, devido a um poderoso feitiço executado pelo deus- sol, Ra. Dada a sua devotada protecção, Ísis era constantemente representada na arte egípcia a amamentar tanto o seu filho, como os faraós. Sendo um dos mais populares vultos da mitologia egípcia, cujo nome é representado por um trono (e crê-se que terá mesmo esse significado), Ísis assume o lugar de deusa da família e do casamento, a quem foram concedidos extraordinários poderes curativos, empregues, essencialmente, para salvar crianças de mordeduras de cobras. Devido às suas qualidades maternais, surge, por vezes, com a forma de uma porca ou de uma vaca, o que leva a que seja confundida com Háthor (deusa do amor), com quem, na realidade, se fundiu, na Época Baixa (664-332 a.C./ XXVI- XXX Dinastias), período de tempo em que o seu culto atingiu o auge. Deste modo, o seu culto proliferou-se por toda a bacia mediterrânea, na qualidade de Ísis- Afrodite, o que demonstra bem a forma como os romanos lhe prestavam culto, esculpindo imagens em sua homenagem, nas quais ela surgia, muitas vezes, com uma túnica que flutua ao vento e com um toucado composto por espigas, chifres de vaca, um disco solar e penas de avestruz.
Em torno do seu temperamento bravio (tão díspar da sua maternidade e benevolência!), teceu-se igualmente outra lenta, que narra a forma como Ísis, intrigada com o segredo que sustinha os poderes de Ra, conjura para obter o nome secreto do Senhor Universal, matriz das suas forças e esplendor. Assim, recolhe um pouco da sua saliva, amassa-a com terra e, com essa argila, molda uma serpente em forma de flecha, que coloca na encruzilhada dos caminhos desbravados pelo cortejo solar. Escrava da magia de Ísis, a serpente não hesita em morder Ra à sua passagem, que, com um silvo de dor, desfalece. Quando recupera a consciência, o deus- sol evoca, desesperado, todos os deuses, relatando-lhes o seu infortúnio: “ O meu pai e a minha mãe ensinaram-me o meu nome e eu dissimulei-o no meu corpo, para que mago algum o possa pronunciar como malefício para mim. Tinha eu saído para contemplar a minha criação, quando algo que desconheço me mordeu. Não foi nem fogo, nem água; mas o meu coração está em chamas, o meu corpo treme e os meus membros estão frios. Tragam-me os meus filhos, os que conhecem as fórmulas mágicas e cuja ciência chega aos céus!”. Ísis debruça-se sobre Rá e, simulando uma estupefacção imensurável, questiona: “ Que se passa? Ter-se-ia um dos teus filhos erguido contra ti? Então, destruí-lo-ei graças ao meu poder mágico e farei com que seja expulso da tua vista!” Quando o deus- sol lhe confidenciou a matriz do seu padecimento, Ísis assegurou-lhe que somente lhe entregaria o vital antídoto, caso este lhe revelasse a origem das suas imensuráveis forças.
Exasperada por Rá se negar a atender á sua reivindicação, Ísis solicitou, novamente: “Diz-me o teu nome, meu divino Pai! Porque o homem só revive quando é chamado pelo seu nome!” Escravizado pelo desespero, a personificação da luz oferece a Ísis um rol interminável de nomes falsos, na ânsia de que a deusa não alcançasse a percepção de que ele procurava ludibriá-la. Todavia, Ísis replicou: “ O teu nome não está entre aqueles que citaste! Diz-mo e o veneno abandonará o teu corpo, porque o homem revive quando o seu nome é pronunciado.” Subjugado pela dor, Rá aceita o ultimato, mesmo sabendo que tal concederia a Ísis autoridade sobre a sua pessoa. Num suspiro, declara então: “Olha, minha filha Ísis, de modo que o meu nome passe do meu corpo para o teu… Mal ele saia do meu coração, repete-o ao teu filho Hórus, submetendo-o a um juramento divino!”
Na realidade, todas as deusas egípcias possuíam esta dualidade, que as colocava entre a crueldade extrema e a indulgência infinita, num jogo de luzes e sombras que não as impediram de ser adoradas através dos tempos. A sua imagem é omnipresente e tanto cobre os sumptuosos santuários do Vale do Nilo, como os mais íntimos testemunhos de devoção pessoal. Porém, ao percorrermos o Egipto, deparamo-nos com três locais particularmente abençoados com a magia de Ísis:
Behbeit el- Hagar, no Delta, onde um sumptuoso templo foi erigido em honra de Ísis. Malogradamente, o halo de magia e espiritualidade que nimba esta excelsa deidade revelou-se impotente para deter aqueles que, não votando qualquer respeito pela sua índole sagrada, cometeram a ignomínia de destruir tão colossal santuário, onde os céus se reflectiam e renovavam num jogo divino, a fim de o transformar numa pedreira. Consequentemente, Behbeit el- Hagar é na actualidade um local quase literalmente desconhecido dos turistas e que semeia uma franca desilusão nos corações dos intrépidos que ainda o ousam visitar, pois a grandeza daquele que fora outrora um templo dedicado a uma divindade verdadeiramente excepcional resume-se agora a um monte de escombros e blocos de calcário ornados de cenas rituais. Dendera, no alto Egipto, eterno berço de feitiços onde Ísis desabrochou para a vida, onde nos deparamos com um santuário de Háthor parcialmente conservado, com um templo coberto e com o mammisi, ou seja, “templo do nascimento de Hórus), assim como com um exíguo santuário, onde a etérea Ísis nasceu, deslumbrando o mundo com sua pele rosada e revolta cabeleira negra. Filae, ilha- templo de Ísis, que serviu de refúgio à derradeira comunidade iniciática egípcia, mais tarde (séc. VI d. C., mais precisamente) exterminada por cristãos escravos do fanatismo.
Alguns símbolos adquiriram tal vigor que até o não iniciado sabe que o mesmo se refere à Maçonaria. O esquadro e o compasso são disso mesmo um bom exemplo: pessoas com um pouco de cultura os reconhecem como símbolo da maçonaria. Não sabem é, e só o iniciado sabe, que pela disposição dos mesmos existe um significado intrínseco. A águia bicéfala está num outro patamar, onde somente os mais atentos percebem quando esta é um símbolo maçónico.
A “Águia de Duas Cabeças de Lagash” é o mais antigo brasão do Mundo. Nenhum outro simbolo emblemático no Mundo pode rivalizar em antiguidade. A sua origem remonta à antiquíssima Cidade de Lagash (1). Era já utilizado há cerca de mil anos antes do Êxodo do Egipto, e há mais de dois mil anos quando foi construído o Templo do Rei Salomão.
Com o passar dos tempos, passou dos Sumérios para o povo de Akkad (2), destes para os Hititas (3), dos recônditos da Ásia menor para a posse de sultões, até ser trazida pelos Cruzados aos imperadores do Oriente e Ocidente, cujos sucessores foram os Hapsburg e os Romanoff.
Em escavações recentes, este «brasão» da Cidade de Lagash foi descoberto numa outra forma: uma águia com cabeça de leão, cujas garras se cravam nos corpos de dois leões, estes de costas voltadas. Esta é, sem dúvida, uma variante do símbolo da Águia.
A Cidade de Lagash situava-se na Suméria, no sul da Babilónia, entre os rios Eufrátes e Tigre, sendo perto da actual cidade de Shatra, no Iraque. Lagash possuía um calendário de doze meses lunares, um sistema de pesos e medidas, um sistema de banca e contabilidade, sendo ainda um centro de arte e literatura, para além de centro de poderes político e militar, tudo isto cinco mil anos antes de Cristo.
No ano 102 a.C., o cônsul romano Marius decretou que a Águia seria um símbolo da Roma Imperial. Mais tarde, já como potência mundial, Roma utilizou a Águia de Duas Cabeças, uma voltada a Este e outra a Oeste, como símbolo da unidade do Império. Os imperadores do Império Romano Cristianizado continuaram a sua utilização e foi depois adoptado na Alemanha durante o período de conquista e poder imperial.
É provável que a águia bicéfala tenha sido usada como símbolo maçônico desde o 12º século. Já as evidências disponíveis indicam ter sido ela usada pela maçonaria em 1758, após a criação do Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente em Paris. Era parte do Rito de Perfeição, do antigo Rito dos vinte e cinco graus, evoluindo em grande parte para o sistema Escocês. Não existe duvida relativa ao uso da águia bicéfala pelo Supremo Conselho, 33º, Jurisdição Sul dos USA desde 1801.
Os sucessores do Conselho de Imperadores do Ocidente e Oriente, são os vários Supremos Conselhos do Grau 33º espalhados pelo mundo, que herdaram a insígnia do emblema pessoal de Frederico o Grande, considerado como o primeiro Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito, conferindo ao Rito o direito de usa-la em 1786. (Sic.) simultaneamente adotou (acrescentou) mais sete graus (Aceitos) aos vinte e cinco conhecidos (Antigos), chegando-se então a trinta e dois graus Antigos e Aceitos. A esses graus foi acrescentado o Grau governativo do Rito de número trinta e três.
Observa-se que os Supremos Conselhos que tinham laços com a grande Loja da Inglaterra têm em seus selos a águia com as asas para cima, conquanto os supremos conselhos que tinham laços com a Grande Loja da França, têm em seus selos a águia com as asas voltadas para baixo. Existe este padrão, seja ele intencional ou não.
Nos compêndios de heráldica encontramos a águia bicéfala e acreditamos que como resultado da presença dos cruzados no Oriente, trazida como símbolo para os Imperadores do Oriente e do Ocidente, cujos sucessores foram nos últimos tempos, os Habsburgos e os Romanovs, em cujas moedas ela aparece sistematicamente, sendo copiado pela maioria das “Cidades Livres da Europa”, principalmente as da Alemanha, e como emblema no Império Oriental da união de Bizâncio com Constantino.
O fato de a águia estar representada com as asas abertas para cima ou para baixo é uma questão diretamente relacionada ao desenho do selo por um Supremo Conselho em particular, como resultante do gosto artístico de cada povo, preferindo uns o estilo clássico copiando a natureza, enquanto outros dão preferência à representação marcial. A Águia Bicéfala de Lagash é o mais antigo emblema do mundo e nenhuma outra figura pode gabar-se desta Antigüidade.
Como símbolo do Rito escocês Antigo e Aceito a Águia Bicéfala de Lagash tem suas asas abertas e coroada (encimada) pela coroa da Prússia. Suas garras estão pousadas em uma espada desembainhada que tem uma fita como ornamento serpenteando-a desde seu punho até a extremidade da lamina contendo a divisa: “Spes Mea in Deo Est” (“A Minha Esperança Está Em Deus”).
Notas:
Lagash é uma das cidades mais antigas da Mesopotâmia. A cidade de Lagash situava-se na Suméria, no Sul da Babilônia, entre os Rios Eufrates e Tigre, perto da atual cidade de Shatra, no Iraque. Possuia um calendário de doze meses lunares, um sistema de pesos e de medidas, um sistema bancário e de contabilidade, sendo ainda um centro de arte e literatura, tudo isso cinco mil anos antes de Cristo. Envolveu-se numa guerra com outra cidade-estado vizinha, de nome Umma, por causa do controle da água, sendo este o primeiro conflito armado de que se tem notícia tendo como causa o chamado “precioso líquido”.
Cidade que se localiza na parte superior da baixa Mesopotâmia, situada à margem esquerda do Eufrates, entre Sippar e Kish (no atual Iraque, a cerca de 50 kms a sudoeste do centro de Bagdad). Geralmente, contudo, é comum referir-se à cidade como Ágade (ou Agade), e à região como Acádia. A cidade/região alcançou seu cume de poder entre os séculos XX e XVIII a.C, antes da ascensão da Babilônia, além de representar o núcleo do reino de Nimrod na terra de Sinar.
Os Hititas eram um povo indo-europeu que, no II milénio a.C., fundou um poderoso império na Anatólia central (actual Turquia), cuja queda data dos séculos XIII-XII a.C.. Em sua extensão máxima, o Império Hitita compreendia a Anatólia, o norte e o oeste da Mesopotâmia até a Palestina. Chamavam-se a si próprios Hatti, e a sua capital era Hattusa.
Muito intrigou-me o trabalho apresentado no tempo de estudo na Loja no dia 2 de outubro de 2013. Tal trabalho foi apresentado pelo I.: Silvio e em parca síntese tratava ele a evolução da humanidade, reconhecendo-nos como se fossemos “astronautas” em uma grande nave espacial chamada planeta terra. O trabalho do amado Ir.: conseguiu inclusive definir a formação de raios, tal definição de forma descomplicada mostrou que com a precipitação das moléculas de água que estão no solo, somada a carga negativa ou positiva da atmosfera naquele momento faz com que ocorra uma descarga elétrica chamada de “raio”.
Essas interpretações faço do trabalho do querido Ir.: pelo o que ele apresentou em Loja, no tempo de estudos. Não tive contato com o trabalho, apenas são reflexões do que ouvi uma única vez do trabalho naquele momento, sendo que por isso peço desculpas ao referido Ir.: se deixei passar detalhes mais importantes de sua obra (isso deve ter ocorrido). Por conta disso penso que seria interessante os trabalhos dos aprendizes, após análise do Ir.: 2º Vigilante, fossem encaminhados por e-mail para todos os Irmãos da Loja para, caso queiram, lê-los, do contrário eliminá-los.
Ao final do trabalho o Ir.: Silvio conseguiu unir a criação e evolução da humanidade com a Maçonaria e verificou que em tempos históricos a Ordem esteve muito presente na vida da sociedade, na formação da sociedade livre, igualitária e fraterna, combatendo os laços ditatoriais e despóticos dos Estados constituídos. Após esta análise o amado Irmão concluiu trazendo uma indagação: por que hoje a Maçonaria não se faz presente nos acontecimentos históricos como se fazia presente em tempos passados? Se eu entendi o questionamento e se é que ele existiu, seria traduzido em: por que a Maçonaria está “adormecida”? Isso me fez pensar ao longo das semanas e fez-me buscar uma resposta, entre tantas possíveis, dos motivos de isso ocorrer hoje.
Recentemente recebemos por e-mail informações que lembrava datas importantes para a Maçonaria. Nesse e-mail tivemos a oportunidade de saber alguns acontecimentos históricos que envolveram a Ordem, como, por exemplo, que o ditador Gen. Francisco Franco passou por duas tentativas de ingressar na Ordem e seu ingresso foi negado na Maçonaria Espanhola, isso em 6 (seis) de outubro de 1932. Este ditador governou a Espanha de forma severa por 37 (trinta e sete) anos. Foi colocado no poder após a vitória do partido Nacional Socialista na guerra civil Espanhola, guerra essa que dizimou aproximadamente um milhão de pessoas.
O referido General apoiou por gratidão a Itália e a Alemanha na 2ª Guerra Mundial (1). Permaneceu no poder, mesmo após o final da 2ª Guerra Mundial, por conta da força opressora, é o que diz o site Infoescola, pois, “O regime era mantido por efeito da força radical e eliminadora de adversários que o governo desfrutava.(2)” Podemos usar, para ilustrar o trabalho, que a época, no mesmo grupo do General Franco pertencia os Fascistas Italianos e os Nazistas Alemães, governos despóticos, autoritários e sanguinários. Fazia parte do mesmo pensamento em que pese ter na Alemanha o Nazismo assumido o poder de forma diferente do ditador Espanhol, pois o Führer (3) foi aclamado no poder pelo “sufrágio universal” (4). Dominou Franco longos anos a Espanha, fazendo o povo amargar com a dor e com a opressão.
Com o término da 2ª Guerra Mundial o quadro político internacional mudou, passando as autoridades internacionais a aplicar políticas públicas internas para evitar que as atrocidades do Eixo Nazi-Facista se repetissem. Aqui começo a tentar de alguma forma responder o questionamento realizado pelo Ir.: Silvio, para tanto necessário abordar o novo quadro político dessa nova ordem mundial pós 2ª Guerra. Friso que 60 (sessenta) anos de história é um tempo pequeno na evolução da humanidade, por isso me refiro a “nova ordem mundial”. Surge nessa nova ordem mundial um novo direito, um direito internacional revigorado, desprendido do foco mercantilista das relações internacionais, passando a criação de normas internacionais para tutelar Estados e indivíduos no mundo inteiro. Cria-se a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, a Declaração Européia de Direitos do Homem de 1951 e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, essa mais tardia, de 1969 (5).
O que podemos extrair desse quadro Irmãos é que estamos vivenciando um sistema novo na recente ordem mundial, uma ordem mundial que prima pelos Direitos Humanos e preocupada com a existência de Estados Democráticos de Direitos tratar o indivíduo não mais como um objeto do Estado, mas sim um ser humano detentor de direitos e motivo pelo qual existe o Estado. Logo, a partir desse novo contexto de Estado, ou seja, o Estado Democrático de Direito é que começou a sociedade internacional vivenciar a proteção do indivíduo em relação ao Estado, deixando de ser ele, indivíduo, mero objeto do/desse Estado para ser detentor de direitos e garantias fundamentais, como, por exemplo, o que leciona Sarlet que o “direito (e garantia)” ao duplo grau de jurisdição que, em parca síntese, é o direito de ter uma (re)análise de toda matéria por outros juízes em outro grau de jurisdição, um espaço de recurso de demandas dos indivíduos. Esse direito tem o fim de (re)verificar e (re)analisar aquela sentença prolatada pelo juízo de primeiro grau de jurisdição, a fim de minimizar as consequências da intervenção do Estado na vida da sociedade.
Direcionando-me para o fim do texto e com o fulcro em responder ao questionamento do Ir.: Silvio, com intuito de demonstrar por quais motivos a Maçonaria não se envolve mais nos acontecimentos sociais e políticos como se envolvia em tempos passados em toda a sua história. Isso, entendo, ocorre por que vivemos um momento democrático de direito que vai para além do próprio Estado de Direito, pois conforme Sarlet, vivemos em um Estado em sua essência Constitucional (6). É nesta espécie de administração estatal que se deixou de lado o tratamento do indivíduo como objeto, pelo menos é como deveria ser (caso a parte é o tratamento do réu no processo penal pátrio, pois que ele ainda é um objeto nas mãos do Estado). Neste contexto de garantias do cidadão frente ao Estado que a Maçonaria vive e convive hoje.
Se vivemos em um quadro de normalidade e equilíbrio, em que pese os problemas sociais evidentes e as poucas políticas públicas de melhoria da vida da classe mais pobre. Vivemos em um Estado que garante direitos para as pessoas, que garante a liberdade ou pelo menos tenta garantir, que tenta garantir a equidade entre os seus componentes. Logo, graças a Deus por isso, a Maçonaria não necessita hoje pegar em armas para defender seus princípios norteadores e tão pouco a liberdade, fraternidade e igualdade, elementos intrínsecos do Estado Democrático de Direito. Todavia, se o quadro político e social mudar, ou seja, se a Administração do Estado voltar a ser despótica e ditatorial, sem dúvida nenhuma, a nobre Ordem Maçônica sairá de sua mansidão e buscará a defesa da liberdade, fraternidade e igualdade novamente.
Tiago Oliveira de Castilhos A.: M.: da A.:R.:L.:S.: Sir. Alexander Fleming 1773 do GR.:OR.:DO BRASIL
NOTAS:
Dados coletados do sítio Infoescola Navegando e Aprendendo. Disponível em: http://www.infoescola.com/história/franquismo (Acesso em: 9 out. 2013). Forma de governo Fascista reconhecido pelo nome de “Franquismo”, sendo sua principal característica a opressão aos opositores.
Citação colhida no mesmo site e mesma matéria sobre o Franquismo.
SARLET, Ingo Wolfgang. Direitos Humanos e Direitos Fundamentais: alguns apontamentos sobre as relações entre tratados internacionais e a constituição, com ênfase no direito (e garantia) ao duplo grau de jurisdição em matéria criminal., p. 239. In: Criminologia e sistemas jurídico-penais contemporâneos II. Ruth Maria Chittó Gauer (Org); Aury Lopes Jr. …(et. al.). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010. Disponível na forma eletrônica. Nota de rodapé de n. 6. O autor faz a distinção entre Direitos Fundamentais e Direitos Humanos com o fim de exemplificar cada qual, pois cada qual tem a sua importância. Se for identificado tudo como de ordem de direitos humanos, como tudo é, logo, nada é. Por tal feita, importante delimitação do Prof. Dr. Ingo Wolfgang Sarlet.
SARLET, 2010, p. 58. São, portanto, alguns direitos fundamentais elementos que fundam o Estado.
SARLET, Ingo Wolfgang. Direitos Humanos e Direitos Fundamentais: alguns apontamentos sobre as relações entre tratados internacionais e a constituição, com ênfase no direito (e garantia) ao duplo grau de jurisdição em matéria criminal., p. 239. In: Criminologia e sistemas jurídico-penais contemporâneos II. Ruth Maria Chittó Gauer (Org); Aury Lopes Jr. …(et. al.). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010.
SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva Constitucional. 10. ed. rev., ampl. e atual. 2.ª tiragem. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.
I – SIMBOLISMO DOS MISTÉRIOS “No final do séc. XVII e pricípio do séc. XIX, muitos europeus, incluido Maçons, encaminharam-se para o Médio-Oriente, onde encontraram relíquias das culturas ancestrais que haviam praticado os Antigos Mistérios. Os Maçons de espírito filosófico reconheceram nelas semelhanças entre a sua Ordem e estas tradições ancestrais. Os simbolos semelhantes, alguns dos quais, como a escada do Templo de Mithras, são partilhadas pela Maçonaria, encorajando a linha de pensamento que defende a ligação intrínseca com estes rituais ancestrais.”
“Ainda que haja uma clara evidência de uma ligação genérica entre o Ofício e os Antigos Mistérios, não há provas de como este material poderá ter sido transmitido ou de como poderá ter permanecido escondido e imune à Idade Média e à acção da Inquisição.” – W. Kirk MacNulty, Freemasonry – A Journey through Ritual and Symbol
“A Maçonaria oculta os seus segredos de todos, à excepção dos seus seguidores e sábios, ou os Eleitos, e utiliza falsas explicações e falsas interpretações dos seus simbolos para induzir em erro aqueles que merecem ser induzidos em erro; para ocultar a Verdade, chamada de Luz, destes e para a manter afastada dos mesmos.”– General Albert Pike, Morals and Dogma
Deve-se agora uma breve nota sobre Albert Pike. Pike (1809-91) era um Brigadeiro General da Confederação durante a Guerra Civil Americana que, quase sozinho, foi responsável pela criação da forma moderna do Rito Escocês Antigo e Aceite. Abastado, literado e detentor de uma extensa biblioteca, foi o Líder Supremo da Ordem de 1859 até à data da sua morte, tendo escrito diversos livros de História, Filosofia e viagens, sendo os mais famosos Moral e Dogma. Excluindo os quase meio milhão de praticantes do R:.E:.A:.A:., a grande parte dos maçons nunca leu a obra de Pike. Pike é frequentemente criticado pelos seus Irmãos Maçons que o acusam de, com a sua visão mística e controversa, ter amplamente alimentado os inimigos da Maçonaria.
“…O Rito é organizado como uma pirâmide, o majestoso túmulo de Hiram, no topo do qual uma ‘misteriosa escada’ de sete degraus é colocada, semelhante ao caminho de Eraclitus, que sobe e desce, sendo uma e a mesma. A imagem da pirâmide remete-nos de imediato para os sepulcros egípcios e à viagem de desprendimento do corpo, subindo, que constitui o objectivo da Iniciação. Simultaneamente, sintetiza de uma forma maravilhosa a sedimentação de tradições que o Rito provocou…” – Maurizio Nicosia, The Sepulchre of Osiris
‘Let there be light!’ – the Almighty spoke, Refulgent streams from chaos broke, To illume the rising earth! Well pleas’d the Great Jehovah flood – The Power Supreme pronounc’d it good, And gave the planets birth! In choral numbers Masons join, To bless and praise this light divine.”
– Poema maçónico de “Anthem III” in Ilustração da Maçonaria de William Preston (1804)
II – O ARQUITECTO DO UNIVERSO “De acordo com o Professor Cornford [do Royal College of Art], todas as pinturas dos velhos mestres que investigou eram conformes com ‘formas perfeitamente geométricas e/ou subdivisões aritméticas do rectângulo’. Existiam dois tipos de sistemas básicos – um ‘era baseado na crença da Criação descrita em Timaeus, de Plato, e foi publicado por Alberti no seu “Ten Books on Achitecture” (Florença, 1485). Este sistema procede pela utilização do cálculo e da construção com instrumentos e teve grande adesão na Alta Renascença e no período imediatamente seguinte, já que tanto desassociava a arte e a arquitectura das velhas e manuais formas maçónicas de trabalho da Idade Média, como as associava à escola humanística. Para além disso, o sistema numérico utilizado era uma espécie de invocação do Divino enquanto a construção ou pintura se tornaram um ensaio microcósmico do acto primário de criação.”
“O outro tipo de sistema era o maçónico-geométrico. De acordo com o Professor Cornford, este era ‘incomparavelmente o mais antigo dos dois, parecendo de facto ser já conhecido pelos antigos egípcios e à nossa própria cultura megalítica. Sobreviveu, frequentemente rodeado de uma atmosfera de segredo do Ofício (ou até de culto), ao tempo de Alberti, e, subsequentemente, desapareceu sem deixar rasto…”– Henry Lincoln, The Holy Place
“Quem seguisse o Caminho do Artífice teria de fazer uma coisa mais. Deveria lembrar sempre que estava a construir o templo de Deus. Construía um edifício em consciência onde ele mesmo era uma pedra individual e única. Com o tempo, cada ser humano polirá a sua pedra e a colocará no Templo, e então o Templo estará completo; Deus comtemplará Deus no Espelho da Existência e existirá então, como no Início, um único Deus.” – W. Kirk MacNulty, The Way of the Craftsman
“Os Antigos Mistérios não deixaram de exitis quando o Cristianismo se tornou a religião mais poderosa no mundo. O grande Pan não deixou de existir, e a Maçonaria é a prova da sua sobrevivência. Os Mistérios pré-cristãos assumiram, simplesmente, o simbolismo da nova fé, perpetuando por meio dos seus simbolos e alegorias as mesmas verdades que possuídas pelos sábios desde o prícipio do mundo. Não há, portanto, uma verdadeira explicação para o facto de simbolos cristãos encerrarem em si o que é escondido pela filosofia pagã. Sem as misteriosas chaves transportadas pelos líderes dos cultos egípcio, brâname e persa, os portais da Sabedoria não poderiam ser abertos.” – Manly P. Hall, Masonic, Hermetic, Quabbalistic & Rosicrucian Symbolical Philosophy
“Porque Ele (Deus) é o Construtor e Arquitecto do Templo do Universo; ele é o Verbum Sapienti.” – Yost, i, 411
“No Timaeus de Plato aparece a primeira alusão ao Criador enquanto ‘Arquitecto do Universo’. O Criador, em Timaeus, é chamado ‘tekton’, ou ‘mestre construtor’. ‘Arche-tekton’ denota, por conseguinte, ‘mestre artífice’ ou ‘mestre constutor’. Para Plato, o ‘arche-tekton’ traçou o cosmos por meio da geometria.” – Baigent & Leigh, The Temple and the Lodge
“Apesar de a Maçonaria requerer que os seus candidatos confirmem a sua crença em Deus, não aprofunda o sujeito, deixando a religião e sua prática ao Maçon enquanto indivíduo.” (nota de tradução: isto pretende afirmar que a Maçonaria requer a crença num Deus, não forçosamente o Deus Cristão) “Assim, é possibilitado a homens de todas as religiões o acesso ao estudo dos princípios morais e filosóficos da Maçonaria.” – W. Kirk MacNulty, Freemasonry – A Journey through Ritual and Symbol
O presente trabalho trata-se da tradução do Capítulo Primeiro (Ou seja, do Grau de Aprendiz) da obra máxima de Albert Pike, “Morals and Dogma of the Anciente and Accepted Scottish Rite of Freemasonry”, traduzido e anotado por Mohamad Ghaleb Birani (M.’.M.’.).
50. Ao Leste da Loja, sobre o Mestre, dentro de um triângulo, se encontra a letra hebraica YOD. Nas Lojas inglesas e americanas esta letra é substituída pela letra G.’.[61], pois é a inicial do nome “GOD[62]”, assim como simplesmente é este o motivo que levaram as lojas francesas a adotar, por sua vez, a letra D. para representar “DIEU[63]”. YOD é, na KABALAH, o símbolo da Unidade, da Divindade Suprema, a primeira letra do Nome Sagrado e, também, o símbolo da Grande Trindade Cabalística. Para entender seu sentido místico, deverás abrir as páginas de ZOHAR[64] e SIPHRA de ZENIUTHA, dentre outros livros cabalísticos e ponderar profundamente sobre seu sentido. É suficiente dizer que a mesma é a Energia Criativa da Divindade, representada como um ponto no centro de um círculo da imensidão. Para o Grau de Aprendiz, significa o símbolo da Divindade não-manifestada, o Absoluto, aquele que não tem nome.
51. Nossos Irmãos franceses posicionam a letra YOD no centro da Estrela Flamígera. Nas inscrições antigas, nossos irmãos ingleses do passado diziam que “a Estrela Flamígera ou a Glória no centro nos remete à grande luminária, o Sol, que ilumina a Terra e que através de sua generosa[65] influência dispensa bênçãos a toda Humanidade.” Nos mesmos ensinamentos eles a definiam como o emblema da PRUDÊNCIA[66]. A palavra latina “PRUDENTIA” significava, em seu sentido mais completo e original, Previdência; e, deste modo, a ESTRELA FLAMÍGERA era entendida como o emblema da onisciência ou o OLHO-QUE-TUDO-VÊ que, para os iniciados egípcios era o emblema de OSÍRIS, o Criador. Com YOD no centro, ela tem a significação cabalística da Energia Divina, que se manifesta como Luz, criando o Universo.
52. As Jóias de uma Loja são em número de seis. Três são definidas como Jóias “móveis” e três como Jóias “fixas”. O ESQUADRO, o NÍVEL e o PRUMO[67], na Antiguidade eram definidos, com muita propriedade, de Jóias Móveis, porque eram passadas de um Irmão para o outro. É uma inovação que a modernidade trouxe entende-las como Jóias Fixas, uma vez que elas sempre devem estar presentes em uma Loja. As Jóias Fixas são: a PEDRA BRUTA, a PEDRA PERFEITA ou CÚBICA, ou, em alguns rituais, o CUBO DUPLO e a PRANCHETA DE LOJA[68] ou a PRANCHETA DE MESTRE[69].
53. Destas Jóias, dizem nossos Irmãos do Rito de York que “o Esquadro inculca Moralidade, o Nível, Igualdade e o Prumo, Retidão.” A explicação sobre as Jóias fixas deverá buscar em seus monitores.
54. Nossos Irmãos do Rito de York acrescentam que “em toda Loja bem-governada encontra-se representado o ponto dentro de um círculo; o ponto representa um irmão tomado como indivíduo; o círculo representa os limites de sua conduta; dentro destes limites jamais sofrerá por seus preconceitos e nem será traído por suas paixões”.
55. Mas isto não nos serve para interpretar os símbolos da Maçonaria. Dizem alguns, interpretando com um pouco mais de clareza, que o ponto, no centro do círculo, representa a Deus no centro do Universo. É também um signo egípcio bastante comum para o Sol e para Osíris, que ainda é utilizado para representar astronomicamente a Grande Luminária. Na Kabalah esse ponto significa YOD, a Força Criativa de Deus, que irradia a Luz dentro deste espaço circular, onde Deus, a Luz Universal, deixa vazio para ali expandir e criar mundos, assim como para retrair Sua substância luminosa de todos os lados para um ponto[70].
56. Dizem ainda nossos Irmãos que, “o círculo é tangenciado por duas linhas paralelas perpendiculares, uma representando São João Batista e a outra, São João Evangelista e, acima de tudo, encontram-se as Escrituras Sagradas (um livro aberto)”. “Ao contornar esse círculo”, dizem eles, “nós necessariamente tocamos estas duas linhas como também tocamos a linha que representa a Escritura Sagrada e, enquanto um Maçom se mantém dentro dos limites desta circunferência, é impossível que ele incida em erros materiais”.
57. Seria uma perda de tempo tecer comentários sobre isto. Alguns autores teriam imaginado que aquelas linhas paralelas representavam os Trópicos de Câncer e de Capricórnio, os quais o Sol toca alternadamente no Solstício de Verão e no de Inverno. Mas os Trópicos não são linhas perpendiculares e tal idéia não passa de mera fantasia. Se estas linhas paralelas alguma vez pertenceram a este antigo símbolo, eles com certeza tinham um sentido muito mais profundo e muito mais proveitoso. Estas linhas provavelmente tinham a mesma significação que as das colunas gêmeas JACHIN e BOAZ. O adepto poderá encontrar tais significados na Kabalah. A JUSTIÇA e a PIEDADE de Deus estão em equilíbrio e o resultado é a HARMONIA, devido à Única e Perfeita Sabedoria que impera sobre ambas as colunas.
58. As Escrituras Sagradas são uma inteiramente moderna adição ao símbolo, da mesma forma que os globos celestial e terrestre dispostos no todo das colunas do pórtico. Assim, o símbolo ancestral foi corrompido por estas incongruentes adições, como Ísis lamentando sobre a coluna destruída que continha os restos de Osíris em Byblos[71].
59. A Maçonaria tem o seu decálogo, que é uma lei para seus Iniciados. São estes os seus Dez Mandamentos:
I. Deus é a Eterna, Onipotente, Imutável SABEDORIA, a Suprema INTELIGÊNCIA e o incansável Amor.
Deverás adorá-Lo, reverenciá-Lo e amá-Lo!
Deverás honra-Lo praticando a Virtude!
II. Para ti, a religião será para fazer o bem porque é um prazer para ti e não meramente porque é uma obrigação.
Deverás buscar a amizade dos homens sábios e obedecer a seus preceitos!
Tua alma é imortal! Não farás nada que a degrade!
III. Deverás lutar incessantemente contra o vício! Não deverás fazer aos outros o que não gostarias que to fizessem!
Deverás manter-te submisso à teu destino e manter sempre acesa a luz da sabedoria!
IV. Deverás honrar a teus pais!
Deverás respeitar e prestar homenagem aos mais velhos!
Deverás instruir aos mais jovens!
Deverás proteger e defender a infância e a inocência!
V. Deverás amar tua mulher e teus filhos!
Deverás amar a teu País e obedecer à suas Leis!
VI. Teu amigo deverá ser para ti como um irmão!
A má sorte não deverá te afastar dele!
Deverás fazer por sua memória o mesmo que farias por ele se ainda estivesse vivo!
VII. Deverás evitar e te afastar de amizades insinceras!
Deverás em tudo evitar o excesso!
Deverás evitar que as tuas ações se transformem em um peso para tua consciência!
VIII. Não deverás permitir que nenhuma paixão te governe!
Deverás tomar s paixões dos outros como enriquecedoras lições para ti próprio!
Deverás ser indulgente para como os erros!
IX. Deverás praticar o bem!
Deverás esquecer as injúrias!
Deverás sempre preferir o bem ao mal!
Não deverás nunca valer-te de tua força e de tua superioridade!
X. Deverás estudar para conhecer os homens e ainda para aprender a conhecer-te a ti mesmo!
Deverás ser justo!
Deverás evitar a preguiça!
60. Porém o maior mandamento da Maçonaria é este: “Um novo mandamento dou a ti: amai-vos uns aos outros! Aquele que diz que está na Luz e odeia seu irmão, permanece na escuridão”.
61. São estas as obrigações morais de um Maçom. Mas é também dever da Maçonaria ajudar na elevação do nível moral e intelectual da sociedade, cunhando conhecimento, ventilando idéias e propiciando que a mente do jovem cresça, ao entregar gradualmente os ensinamentos dos axiomas e ao promulgar leis positivas, estará a Humanidade em harmonia com seu destino.
62. Para este dever e obra é que o Iniciado é aceito como Aprendiz. Ele não pode pensar que suas atitudes em nada podem surtir efeito e, assim, se desesperar e se tornar inerte. É assim na Maçonaria como na vida diária. Muitos dos grandes feitos são realizados nas pequenas lutas do dia adia. Nós sabemos que existe uma determinada bravura que não é notada, que se defende a si própria, palmo a palmo na escuridão, contra a invasão fatal da necessidade e da baixeza. Existem nobres e misteriosos triunfos que ninguém vê e os quais não trazem qualquer recompensa e que nenhuma trombeta saúda. Vida, má sorte, isolamento, abandono e pobreza são os campos de batalha que têm também seus heróis – heróis obscuros que muitas vezes são maiores que aqueles se tornaram ilustres. O Maçom deve lutar da mesma maneira e com a mesma bravura contra estas invasões de necessidade e de torpeza que assolam a tantas nações como a tantos homens. Ele também deverá enfrentá-las cara a cara, mesmo na escuridão e protestar contra os erros nacionais e as tolices; contra a usurpação e as primeiras incursões desta hidra que é a tirania. Não existe eloqüência mais soberana que a eloqüência da verdade quando na indignação. É muito mais difícil para o povo a luta pela manutenção da liberdade que a luta pela sua conquista. Os Protestos da Verdade são sempre necessários. Constantemente o direito deve protestar contra os fatos. Existe, ipso facto, a Eternidade no Direito. O Maçom deverá ser o sacerdote e o soldado deste Direito. Se a seu país for tomada a liberdade, ele não poderá se desesperar. O Protesto do Direito contra o fato vai persistir para sempre. Quando se rouba uma coisa do povo, este crime nunca há de prescrever. A reclamação de seus direitos não será barrada por nenhum lapso de tempo. Varsóvia não poderá jamais ser Tártara, assim como Veneza nunca poderá ser Teutônica. Um povo deverá, com todas as suas forças, enfrentar a usurpação militar, eis que os Estados subjugados se ajoelham a outros Estados e usam o freio enquanto estão sob a força da necessidade; porém, quando a necessidade desaparece e uma vez que este mesmo povo esteja acostumado a ser livre, este país submerso emergirá e reaparecerá na superfície, e só assim a tirania será julgada pela História por ter sacrificado tantas vidas e ter feito tantas vítimas.
63. Não importando o que ocorrer, nós devemos ter Fé na Justiça, na prevalência da Sabedoria de Deus, Esperança no Futuro e Amor para os que se encontram em erro. Deus torna visível aos homens a Sua Vontade nos acontecimentos; como um texto obscuro, escrito em uma misteriosa linguagem. Os homens, por sua vez, fazem sua interpretação como que imediatamente e de forma açodada, incorreta e cheia de erros, omissões e mal entendidos. Conseguimos enxergar, quando muito, apenas um arco de uma grande circunferência! Poucas mentes compreendem a linguagem divina. Só os mais sagazes, os mais calmos e os mais profundos podem decifram os hieróglifos, ainda que vagarosamente, mas quando eles surgem com o texto decifrado, ao que tudo indica, a necessidade há muito já foi embora e, neste meio tempo, já existem mais de vinte traduções desse mesmo texto nas praças públicas – e, claro, a versão mais incorreta é a mais popular e aceita. Para cada uma dessas traduções, um partido é formado e a cada mal entendido, uma facção é criada. Cada um desses partidos acredita que é o único que possui o verdadeiro texto e cada facção acredita que só ela detém a luz. Ao demais, as facções são compostas de homens cegos que, no entanto, alvejam com precisão, uma vez que os erros são excelentes projéteis, que acertam com muita habilidade e com toda a violência que salta dos erros de julgamento, (wherever a want of logic in those who defend the right, like a defect in a cuirass, makes them vulnerable).
64. É por isto que nos sentimos constrangidos ao combater os erros em frente ao povo. ANTEUS opôs longa resistência a HERCULES; as cabeças da HIDRA cresceram tão rápido quanto eram extirpadas. É absurdo dizer que o Erro, ferido, se contorce em dor e morre entre seus adoradores. A Verdade conquista devagar. Existe uma assombrosa vitalidade no erro. A verdade, de fato, dispara seu projétil por sobre a cabeça das massas; ou se o erro se encontra prostrado por alguns momentos, logo depois se põe em pé novamente, com tanto ou mais vigor que antes. O erro não morrerá quando seus miolos estiverem expostos e o erro que tem a vida mais longa é aquele que é o mais estúpido e o mais irracional.
65. Apesar disto, a Maçonaria, que é Moralidade e Filosofia, nunca deixará de cumprir sua obrigação. Nunca sabemos quando nossos esforços atingirão o sucesso – geralmente ocorre quando menos se espera – nem com quais efeitos e de quais esforços ele surgirá. Com sucesso ou com falha, a Maçonaria não deverá ser curvar ao erro ou sucumbir ao desencorajamento. Em Roma, alguns poucos soldados cartagineses que foram tomados como prisioneiros e se recusaram a se curvar a FLAMÍNIO, conservando um pouco da magnanimidade do grande ANÍBAL. Os Maçons deverão ter esta mesma grandeza de Alma. A Maçonaria deverá ser uma energia que encontra seus objetivos e efeitos na evolução da humanidade. Sócrates deverá incorporar Adão e produzir um Marco Aurélio, ou seja, em outras palavras, fazer de um homem fútil, um homem sábio. A Maçonaria não deverá ser um mero observatório, construído sobre mistérios, para apenas contemplar o mundo em seu descanso, com não outro resultado que não apenas ser um instrumento para a conveniência do curioso. Segurar a taça cheia de pensamentos para os lábios do homem sedento; dar a todos as verdadeiras idéias da Divindade; harmonizar consciência e ciência são as províncias da Filosofia. Moralidade é a Fé totalmente desabrochada. A Contemplação deverá levar à ação e o absoluto deve ser prático; o ideal deve ser ar, comida e bebida para a mente humana. Sabedoria é a sagrada comunhão e é a única condição para que esta deixe de ser um estéril amor à Ciência para se transformar no único e supremo método para unir a Humanidade e mobilizá-la para uma ação organizada. Assim Filosofia se torna Religião[72].
66. E a Maçonaria, como a História e a Filosofia, tem suas obrigações eternas – eternas e ao mesmo tempo, simples – para fazer oposição a CAIAFÁS como bispo, DRACO ou JEFFRIES como Juiz, TRIMALCIÃO como Legislador e TIBÉRIO como imperador. Tais são os símbolos da tirania, que degrada e esmaga, e a corrupção que polui e que infesta. Dos livros para o uso do ofício nos é dado que os três grandes sustentáculos para a profissão do Maçom são o Amor Fraternal, o Socorro e a Verdade. E é verdade que a afeição fraternal e a amabilidade deverão nos governar em todas as nossas convivências e relações com os nossos irmãos; e uma generosa e liberal filantropia que atua em todos nós no que respeita à todos os homens. Socorrer aos angustiados é particularmente um dos deveres do Maçom – um dever sagrado, que não pode ser omitido, negligenciado ou obedecido de forma fria e ineficiente. É ainda mais verdadeiro que a Verdade é uma atribuição divina e as fundações de cada uma das virtudes. Ser verdadeiro, buscar, procurar e aprender sobre a Verdade são os grandes objetivos de todos os bons Maçons.
67. Assim como os antigos fizeram, a Maçonaria prega a Temperança, Bravura, Prudência e Justiça, ou seja, as quatro virtudes cardinais. Eles são tão necessários para as nações como para os indivíduos. O povo que quiser ser Livre e Independente deverá possuir Sagacidade, Previdência, Perspicácia e uma cuidadosa circunspeção, qualidades que se encontram todas abrangidas pela palavra Prudência. Uma República deverá ser moderada ao afirmar seus direitos, comedida em seus Concílios e econômica em suas despesas; Deverá ser destemida, brava, corajosa, paciente nos reveses, inabalável nos desastres e esperançosa no meio das calamidades como Roma, quando ela vendeu o campo em que ANÍBAL manteve seu acampamento. Nenhuma Batalha de CANNAE ou FARSÁLIA, PAVIA, AGINCOURT ou WATERLOO deverá desencorajá-la. Deixar seu Senado permanecer sentado até quando os gauleses lhes arranquem por suas barbas. Ela deverá, acima de tudo, ser justa, não obedecendo aos fortes e nem pilhando os fracos; Ela deverá agir sob o esquadro com todas as nações, assim como a mais frágil das tribos; sempre mantendo sua fé, sendo sempre honesta em sua legislação, correta em todas as suas negociações. Quando uma República assim existir, ela será imortal: a precipitação, a injustiça, intemperança e luxuria na prosperidade, bem como o desespero e desordem nas adversidades são as causas da decadência e da dilapidação das nações.
### FIM ###
Mohamad Ghaleb Birani
A.’.R.’.L.’.S.’. “Octacílio Schüller Sobrinho” n.˚ 105 – Grande Oriente de Santa Catarina (Brasil)
NOTAS:
Importante trazer à colação que a letra grega “GAMMA” para os pitagóricos significava “geometria” e que trazia um simbolismo bastante interessante. A propósito, a letra “G” para os hebreus significava o terceiro nome de Deus. (N. do T.)
“Suas significações e etimologias são tão numerosas quanto variadas. Uma delas nos mostra a palavra derivada do termo persa muito antigo e místico: GODA, que quer dizer “ele mesmo”, ou alguma coisa emanada por si mesma do Princípio Absoluto. A raiz da palavra é GODAN, donde Wotan e Odin, cujo radical oriental quase não foi alterado pelas raças germânicas. Foi assim que desse radical fizeram GOTZ, donde derivaram o adjetivo GUT, “Good” (bom), assim como o termo GOTA ou ídolo. Da Grécia antiga, as palavras ZEUS e THEOS conduziram à palavra latina Deus.” (HELENA PETROVNA BLAVATSKY in “AS ORIGENS DO RITUAL NA IGREJA E NA MAÇONARIA”).
DEVV e DIVV, em sânscrito significam Sol e Luz e destas palavras se originou a palavra ZEUS, em grego; DEO, latino, DEUS, em português, etc. Ademais, segundo WILL DURANT, o nome ZEUS tenha se originado do radical indo-europeu di, que significa brilhar. (Nota do Tradutor)
“ZOHAR” ou “SOHAR” – trata-se de um grupo de livros sobre o TORÁ. Incluem interpretações bíblicas, bem como incursões teológicas, teosóficas, cosmogônicas e filosóficas. É também conhecido como “MIDRASH”. O significado da palavra “Zohar” é iluminação, brilho. De acordo com historiadores religiosos, a maior parte do Zohar foi escrito em aramaico – antigo idioma falado em Israel – durante o período da ocupação romana. Atribui-se este trabalho a um rabino do segundo século, SCHIMON BAR YOCHAR, (ou SCHIMON BEN-YOHAI, citado como o autor do ZOHAR na obra “THE RIGHT ANGLE – H. P. BLAVATSKY ON MASONRY IN HER THEOSOPHICAL WRITINGS”) que muito provavelmente seja uma personagem lendária judaica. Tal rabino teria vivido no tempo da perseguição romana aos religiosos judeus e, obrigado a se esconder em uma caverna, permaneceu recolhido por treze anos para estudar a Tora com seu filho, Eliazar. Acredita-se que a obra tenha sido feita através da inspiração direta de Deus. Curiosamente, permaneceu oculta por vários séculos até a sua redescoberta, no século XIII de nossa era, por Moshe de Leon. (Nota do Tradutor)
“GENIAL”, no original em inglês. (N. do T.)
“PRUDÊNCIA”, como pontifica ROBERT MACOY, “nos ensina a regular nossas vidas e ações em conformidade com os ditames da razão e é aquele hábito pelo qual nos sabiamente julgamos e prudentemente determinamos sobre todas as coisas do presente, assim como para a nossa futura felicidade. Esta virtude deverá ser uma característica peculiar de todo Maçom, não apenas para o governo de sua conduta em Loja, mas também em sua vida profana. Deverá ainda ser particularmente respeitada para que este mantenha sempre vigilância sobre os sinais, toques ou palavras, para que os segredos da Maçonaria não sejam ilegalmente obtidos por profanos.” (in “THE MASONIC MANUAL– A POCKET COMPANION FOR THE INITIATED – COMPILED AND ARRANGED BY ROBERT MACOY”, Edição Revisada, Estados Unidos da América, 1867, p. 35) (N. do T.)
“THE LEVEL, PLUMB AND SQUARE
We meet upon the Level, and we part upon the Square:/ What words sublimely beautiful those words Masonic are! / They fall like strains of melody upon the listening ears, /As they’ve sounded hallelujahs to the world, three thousand years. / We meet upon the Level, though from every station brought, / The Monarch from his palace and the Laborer from his cot / For the King must drop his dignity when knocking at our door / And the Laborer is his equal as he walks the checkered floor. / We act upon the Plumb,—’tis our Master’s great command / We stand upright in virtue’s way and lean to neither hand / The All-Seeing Eye that reads the heart will bear us witness true, / That we do always honor God and give each man his due. / We part upon the Square,—for the world must have its due, / We mingle in the ranks of men, but keep the Secret true, / And the influence of our gatherings in memory is green, / And we long, upon the Level, to renew the happy scene. / There’s a world where all are equal,—we are hurrying toward it fast / We shall meet upon the Level there when the gates of death are past / We shall stand before the Orient and our Master will be there, / Our works to try, our lives to prove by His unerring Square. / We shall meet upon the Level there, but never thence depart. / There’s a mansion bright and glorious, set for the pure in heart / Sand an everlasting welcome from the Zost rejoicing there, / Who in this world of sloth and sin, did part upon the Square. / Let us meet upon the Level, then, while laboring patient here / Let us meet and let us labor, tho’ the labor be severe; / already in the Western Sky the signs bid us prepare, / To gather up our Working Tools and part upon the Square.
Hands round, ye royal Craftsmen in the bright, fraternal chain! / We part upon the Square below to meet in Heaven again;
Each tie that has been broken here shall be cemented there, / And none be lost around the Throne who parted on the Square.” (Morris, Robert apud “ENCYCLOPEDIA OF FREEMASONRY AND ITS KINDRED SCIENCE, BY ALBERT G. MACKEY, M.D.”)
“TRACING-BOARD”, no original em inglês. (N. do T.)
“TRESTLE-BOARD”, no original em inglês, aqui traduzido como “Prancheta de Mestre”, novamente recorrendo à interpretação do texto do eminente autor norte-americano ROBERT MACOY, a seguir transcrito e traduzido: “As jóias fixas são a Pedra Bruta, a Pedra Perfeita e a Prancheta de Mestre. A pedra bruta é a pedra em seu estado natural e rude, recém tirada de uma pedreira; a pedra perfeita, preparada por um operário e pronta para ser ajustada pelas ferramentas de trabalho dos companheiros e a prancheta de mestre, que é para que o mestre faça seus desenhos sobre ela” (in “THE MASONIC MANUAL…”, p. 30) (N. do T.)
Novamente recorremos ao mestre FIGANIÈRE, no que respeita à sua interpretação desta figura, quando este aponta que “No círculo, como na esfera, há em volta eqüidistância do centro para a circunferência ou periferia (espaço). Nos dois movimentos assinalando um fenômeno, há equivalência na medida radial (tempo). Em todos os fenômenos, por muito que variem as fases, há dois movimentos que lhes são comuns, crescer e minguar…” (in “SUBMUNDO, MUNDO E SUPRAMUNDO”, Biblioteca Planeta, n.º 10, Editora Três, p. 58)
“BYBLOS” – é o nome dado pelos gregos à cidade de GEBAL, na FENÍCIA (o atual LÍBANO) e é considerada por alguns historiadores antigos como a mais antiga cidade do mundo, por sua contínua e ininterrupta ocupação desde a sua fundação, atribuída a CRONOS. Era assim chamada porque era de lá que o bublos (ou o papiro) era importado pelos gregos. Temos ainda no verbete “GEBAL”, na Enciclopédia de ALBERT GALLATIN MACKEY que se localizava no sopé do Monte Líbano e que seus habitantes, os “GIBLITES” (ou, na linguagem maçônica, “GIBLEMITES”) adoravam ao deus Adonis, o Thammuz sírio. Distinguiam-se na arte de esculpir a pedra e eram conhecidos, conforme os Primeiro Livro dos Reis (v. 18), como “STONE-SQUARERS” ou os lapidadores de pedra. (in “ENCYCLOPEDIA OF FREEMASONRY AND ITS KINDRED SCIENCE, BY ALBERT G. MACKEY, M.D.”)
“Then Philosophy becomes Religion…” – Muitos detratores da obra de ALBERT PIKE interpretam mal esta passagem, razão pela qual não pude me furtar a trazer à colação a interpretação bastante interessante e ponderada do mestre Figanière a este respeito, senão vejamos: “Quando as duas irmãs – com as chama o professor Huxley -, quando a religião e a ciência se congraçarem, prestando-se mútuo auxílio com a filosofia de permeio (um ternário ou trindade, como em toda a potência que se manifeste) é de crer se repita, com variante, o que já, mais de uma vez, se tem realizado neste mundo, se não mentem as vozes vindas de longe. No texto de Aristóteles, lembrado acima, considera ele as crenças e tradições acreditadas pela fábula, como destroços da sapiência arcaica. Diz Platão, no Philebo, que os antigos (fonte das tradições) “valiam mais do que nós, por se terem achado mais perto dos deuses”, o que nada mais significa senão que tais homens identificavam um nível cíclico espiritualmente mais adiantado. Confúcio, que vivia antes desse filósofo, tinha também o maior culto pela “antiguidade”; a sabedoria de outros séculos remotos era o norte de todos os seus esforços, e a base do seu ensino. Quem ler os clássicos daquele povo antiqüíssimo, persuade-se facilmente que o regime da China primeva tivesse por alicerces a religião da sapiência. Quer dizer, a religião apoiava-sena ciência, o governo e as instituições na religião ou, em outras palavras, a filosofia era invólucro da religião, ciência, governo e instituições. Nesse tempo a ciência que hoje se diz oculta, cultivava-se à luz do dia, porque o poder estava entregue à sapiência. (…) A “sabedoria do passado” a que este filósofo alude tão repetidas vezes, deve pois sem dúvida referir-se àqueles tempos tradicionais quando poder e sapiência eram termos equivalentes; (…)” (FREDERICO FRANCISCO STUART DE FIGANIÈRE MOURÃO in “SUBMUNDO, MUNDO E SUPRAMUNDO”, Coleção Biblioteca Planeta, n.º 10, Editora Três, Rio de Janeiro, 1973, p. 52) De arremate, temos que “O culto de que aí se trata nada mais é do que a religião da sapiência, cuja raiz tem penetrado todos os ciclos, indo esconder-se nas origens do mundo.” (Op. Cit., p. 57)
A introdução da Maçonaria em Portugal remonta ao segundo quartel do século XVIII:.
Talvez por 1727, foi fundada por comerciantes britânicos estantes em Lisboa uma loja que ficou conhecida nos registos da Inquisição como dos “Hereges Mercadores”, por serem protestantes quase todos os seus membros:. Esta loja veio a regularizar-se em 1735, filiando-se na Grande Loja de Londres onde obteve, primeiro, o número de registo 135 e, depois, o 120:. Só em 1755 seria abatida ao quadro das lojas de presidência londrina, embora provavelmente não trabalhasse desde havia muito:. A Inquisição não a incomodou, por certo devido à nacionalidade e à homogeneidade profissional dos seus participantes, protegidos pelos tratados com a Inglaterra:.
Em 1733 fundou-se uma segunda oficina em Lisboa, denominada “Casa Real dos Pedreiros-Livres da Lusitânia”:. Os seus obreiros era agora predominantemente católicos:. Conhecemos os nomes, nacionalidades e profissões de muitos deles, porventura a maioria:. Tratava-se sobretudo de irlandeses, tanto comerciantes como mercenários no exército português, mas havia também marítimos, médicos, três frades dominicanos, um estalajadeiro e até um mestre de dança:. O irmão desta loja que viria a ser mais famoso era o húngaro Carlos Mardel, oficial do exército mercenário e arquitecto de nome, a quem Lisboa tanto deve:. Em 1738, ao ser promulgada a bula condenatória de Clemente XII, a loja dissolveu-se, mas alguns dos obreiros, mormente os protestantes, não acataram a decisão papal, ingressando na outra loja:.
A terceira oficina criada em terra portuguesa conheceu destino mais trágico:. Fundou-a, em 1741, em Lisboa, o lapidário de diamantes John Coustos, nascido na Suíça mas naturalizado, depois, inglês:. Durou cerca de dois anos, ingressando nela uma trintena de estrangeiros residentes em Portugal, a maioria franceses, mas com alguns ingleses também, ao lado de um belga súbdito do Império, um holandês e um italiano:. Eram quase todos católicos, embora Coustos, o venerável, fosse protestante e outros, poucos, como ele:. Quanto a profissões, praticamente todos estavam ligados ao comércio, com percentagem elevada de negociantes e lapidários de pedras preciosas, ouro e prata:.
Denunciados à Inquisição em 1743, os maçons da loja de Coustos foram presos, torturados e sentenciados, sendo o venerável e os dois vigilantes condenados a vários anos de degredo e serviço nas galés:. Por intervenção estrangeira, porventura de outros maçons, libertaram-nos, porém, ao fim de algum tempo, com a condição de saírem do País:.
A perseguição de 1743 desmantelou este primeiro esboço de organização maçónica em terra portuguesa:. A própria loja dos “Hereges Mercadores” terá afrouxado a sua actividade, até de todo abater colunas:. A Maçonaria só tomou de novo força e vigor na década de 1760-70, mercê de uma maior tolerância governativa:. O marquês de Pombal – homem esclarecido e estrangeirado que, porventura, se documentara sobre a maçonaria ou fora mesmo iniciado no seu período de residência fora do País – deixou os pedreiros-livres em paz, ao mesmo tempo que quebrava as garras da Inquisição e a convertia em dócil instrumento do poder do Estado:. Em 1763 assinalava-se, em Lisboa, pelo menos uma loja de raiz inglesa, existindo talvez duas oficinas mais, uma francesa e a outra, mista, de militares e civis:. Em 1768 fundava-se, no Funchal, uma loja onde entraram, de certeza, obreiros portugueses, pertencentes à nobreza e à alta burguesia locais, ao lado de alguns ingleses e franceses também:. Na década seguinte, esta loja adormeceu durante alguns anos, retomando actividade a partir de 1779:.
Com a “viradeira”, tornaram as perseguições:. Inquisição e polícia deram caça à “pedreirada”, cujo volume ia avultando e inquietando os defensores da ordem estabelecida:.Por 1778 havia oficinas perfeitas ou simplesmente maçons desgarrados em vários pontos do País, como Lisboa, Coimbra, Valença e, vimo-lo já, Funchal:. Em 1790 temos testemunho certo da fundação, em Lisboa, de uma loja (chamada de D. André de Morais Sarmento), onde participaram uns 23 obreiros, 10 pela burguesia, 6 pela baixa nobreza militarizada, 4 pelo clero e 3 pelas colónias estrangeiras:. Na Madeira, no mesmo ano, havia duas lojas, e três em 1791, com um povo maçónico calculado em mais de 100 pessoas:. Na Horta fundara-se outra oficina e, provavelmente, uma também em Ponta Delgada:. No Porto existiu talvez uma loja em 1792:.
As perseguições de 1791-92 desmantelaram, pela segunda vez, a organização maçónica portuguesa:. Tanto em Lisboa como no Funchal e algures, os irmãos foram presos e impedidos de se continuarem a reunir:. As lojas tiveram de abater colunas e esperar dias melhores:. Isso não impediu, contudo, o funcionamento esporádico de algumas, como aconteceu em Coimbra, por 1793-94:.
Com o desembarque, em Lisboa, de um corpo expedicionário inglês, em Junho de 1797 – no quadro da guerra com a França -. introduziram-se as condições para que a Ordem renascesse:. Logo em 1798 havia constituídas quatro lojas inglesas em Lisboa, das quais três ligadas a regimentos e uma quarta aceitando também civis e portugueses:. Todas elas filiadas na Grande Loja de Londres, receberam os nº 94, 112, 179 e 315:. Esta última teve, para a história da Maçonaria portuguesa propriamente dita, um papel relevante, visto ter sido, anos depois, considerada a loja nº 1, quando se começaram a dar números às oficinas nacionais:. Foi a loja “União”:.
Até 1804 outras lojas se criaram e, ao lado delas, muitos maçons e simpatizantes foram ganhando diversas cidades e vilas do País:. Além do pessoal estrangeiro, numeroso e recrutado, como cinquenta anos atrás, entre os mercenários do exército, os comerciantes e industriais e o próprio clero, a comparticipação de cidadãos portugueses tocava já variados grupos sociais e ecoava em nomes ilustres nas letras, nas ciências e nas artes: abade Correia da Serra, FIlinto Elísio, Ribeiro Sanches, Avelar Brotero, Domingos Vandelli, José Anastácio da Cunha, José Liberato Freire de Carvalho, Domingos Sequeira:. A Maçonaria nacional recrutava-se, sobretudo, entre a oficialidade do exército e da marinha, o professorado, o comércio e a infústria, a burocracia civil e eclesiástica:. Em menor percentagem existiam irmãos clérigos e aristocratas terratenentes:. Era, em suma, a burguesia esclarecida quem sobretudo preenchia os lugares das oficinas:.
O presente trabalho trata-se da tradução do Capítulo Primeiro (Ou seja, do Grau de Aprendiz) da obra máxima de Albert Pike, “Morals and Dogma of the Anciente and Accepted Scottish Rite of Freemasonry”, traduzido e anotado por Mohamad Ghaleb Birani (M.’.M.’.).
21. É isto é o que é questionado e respondido em nosso catecismo, no que respeita à Loja.
22. Uma “Loja” é definida como uma “assembléia de Maçons, pontualmente congregados, tendo as escrituras sagradas, o esquadro e o compasso, uma carta de permissão e um estatuto que os autoriza a trabalhar.” A sala ou o lugar onde eles se reúnem, representando alguma parte do Templo do Rei Salomão é também denominada como Loja, e é assim que a estamos considerando.
23. É cediço, pois, que a Loja é sustentada por três grandes colunas, quais sejam a SABEDORIA, a FORÇA ou FORTALEZA e a BELEZA[25], representadas pelo Venerável Mestre, pelo 1.º Vigilante e pelo 2.º Vigilante e assim costuma se dizer, eis que a Sabedoria, a Força e a Beleza constituem-se na perfeição de todas as coisas e nada pode subsistir sem elas. “Assim o é, porque,”, diz o Rito de York, “é necessário Sabedoria para conceber, Força para suportar e Beleza para adornar todas as grandes empreitadas.” “Acaso não sabes,” nos diz o Apóstolo Paulo, “que sóis o templo de Deus e que o Espírito de Deus o habita? Se algum homem profanar o templo de Deus, este homem será destruído por Deus, porquanto o templo de Deus é sagrado e este templo sóis vós.”
24. A Sabedoria e o Poder da Divindade estão em equilíbrio. As leis da natureza e as leis morais não são meros mandatos despóticos de Sua vontade onipotente, para que então elas possam ser arbitrariamente mudadas por Ele e assim, transformar ordem em desordem, o bem em mal, o certo em errado, honestidade e lealdade em vícios e fraude, ingratidão e vício, em virtudes. O poder Onipotente, infinito e existindo só, não tem necessariamente que ser forçado à consistência. Seus decretos e Suas leis podem não ser imutáveis. As leis de Deus não nos são obrigatórias por se tratarem de decretos de Seu Poder ou por serem expressões de Sua Vontade, mas porque elas expressam Sua infinita SABEDORIA. Elas não são certas por serem Suas Leis; mas são Suas Leis porque são certas. Do equilíbrio da Sabedoria e Força infinitas resulta a perfeita Harmonia no universo material e moral. Sabedoria[26], Retidão e Harmonia constituem um ternário Maçônico[27]. Estes têm outros e ainda mais profundos significados que, em determinado momento, a ti serão revelados.
25. Como uma explicação simples, deverá ser aduzido o fato de que a sabedoria do Arquiteto é apresentada na combinação de – que só um habilidoso Arquiteto pode fazer, do mesmo tipo de arranjo que Deus fez em todos os lugares, como por exemplo, na árvore, no corpo humano, no ovo, nas células de uma colméia – força com graça, beleza, simetria, proporção, iluminação e ornamentação. Esta, também, é a perfeição do orador e do poeta – o combinar a força, o vigor e a energia com o estilo gracioso, com as cadencias musicais e com a beleza de figuras, a representação e a irradiação da imaginação e da fantasia: a força guerreira e industriosa do povo com seu vigor titânico devem ser combinadas com a beleza das artes, das ciências e da inteligência. Se o Estado pudesse escalar tais alturas da excelência, só assim o povo poderia ser realmente livre. A Harmonia neste caso, como em tudo o que é Divino, material e humano é o resultado do equilíbrio, da atração e repulsa de elementos contrários; uma única Sabedoria acima delas segurando o feixe de escalas. Reconciliar a lei moral, a responsabilidade humana, o livre-arbítrio com o poder absoluto de Deus, bem como conciliar a existência do mal em Sua Sabedoria absoluta[28], com a bondade e com a piedade – são estes os grandes enigmas da Esfinge.
26. Por entre duas colunas entraste na Loja. Elas representam as duas colunas erigidas no pórtico do Templo, cada uma em um lado do grande portão do Leste. Estes pilares, de bronze, de quatro dedos de espessura, eram, de acordo com o mais autêntico relato – aquele constante no Primeiro e no Segundo Livro dos Reis, confirmado em Jeremias – era de dezoito cúbitos de altura com mais cinco cúbitos de altura em seu capitel. O eixo de cada uma tinha quatro cúbitos de diâmetro. Um cúbito representa um pé e 707/1000. Isto é, o eixo de cada coluna tinha um pouco mais de 30 pés e oito polegadas de altura, e os capitéis de cada uma tinham um pouco mais de oito pés e o diâmetro do eixo tinha seis pés e dez polegadas. Seus capitéis eram enriquecidos com romãs de bronze cobertas por uma malha de bronze e ornamentadas por uma grinalda também de bronze, parecendo que foram feitas para imitar as sementes da flor de lótus ou o lilás egípcio, um símbolo sagrado para os hindus e egípcios. O pilar ou a coluna da direita, ou no sul, foi denominada como a palavra hebraica traduzida em nossa Bíblia como JACHIN, e a outra, na esquerda, foi denominada como BOAZ. Nossos tradutores dizem que a primeira palavra significa “Ele proverá (estabelecerá)” e a segunda significa “Nela há força”.
27. Tais colunas são imitações, feitas por KHURUM, o artista de Tiro, das grandes colunas consagradas aos Ventos e ao Fogo, posicionadas na entrada do famoso TEMPLO DE MALKARTH, na cidade de TIRO[29]. É bastante comum, nas lojas do Rito de York, ver um globo celestial em uma coluna e um globo terrestre em outra; mas estas colunas não são garantidas, pois são objetos que imitam as duas colunas originais do Templo. O significado simbólico destas colunas, por ora, deixaremos sem explicação, apenas acrescentando que os Aprendizes mantém suas ferramentas de trabalho na coluna “JACHIN”. Daremos também, por ora, apenas a etimologia e o significado literal destes dois nomes.
28. A palavra “JACHIN” em hebreu, provavelmente pronunciada como “YA-KAYAN”, entendida como um substantivo verbal significa “aquele que apóia” e, portanto, tida como firme, estável e confiável.
29. A palavra BOAZ é “baaz” que por sua vez significa Forte, Força, Poder, Poderoso, Refúgio, Fonte de Força, fortaleza. O prefixo significa “com” ou “dentro”, e confere à palavra a força de um gerúndio latino – roborando -, ou seja, fortalecendo.
30. A primeira palavra também significa “ele vai estabelecer”, ou plantar, por em posição ereta – vem do verbo “Kun”, ou seja, ele se manteve ereto. Provavelmente significava Ativo e Energia Vivificante e Força; BOAZ, significava Estabilidade e Permanência, no sentido passivo.
31. As dimensões da Loja, dizem nossos Irmãos do Rito de York, “são ilimitadas e cobrem nada menos que toda abóbada celestial”. “Para este objetivo”, eles dizem, “é que a mente do maçom é direcionada constantemente e é para lá que ele espera chegar ao fim de sua jornada com a ajuda da escada teológica, a qual Jacó viu em suas visões, se elevando da terra aos céus; os três principais lances são aqueles que são denominados como Fé, Esperança e Caridade, cada qual nos remete à Fé em Deus, Esperança na Imortalidade[30] e a Caridade destinada a toda a Humanidade”. A propósito, a escada, algumas vezes representada com nove lances é vista no quadro, começando no chão da terra, seu cume nas nuvens e as estrelas brilhando acima dela, como que para representar a escada mística que Jacó viu em seu sonho, posta sobre a terra com a sumidade a tocar o Céu, com os anjos de Deus subindo e descendo por ela[31]. A adição dos três principais lances, para o seu simbolismo, é de todo moderno e incongruente.
32. Os antigos contavam sete planetas, assim arranjados: a Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Existiam então sete céus e sete esferas destes planetas. Em todos os monumentos dos Mitras existiam sete altares ou piras consagradas aos sete planetas, assim como existiam sete velas no candelabro de ouro do Templo[32]. CLEMENTE DA ALEXANDRIA[33] nos assegura que estas luzes representavam os sete planetas em sua “STROMATA[34]”, bem como FÍLON, O JUDEU[35].
33. Para retornar à sua fonte no Infinito, a alma humana, os antigos diziam, deveria subir antes ter descido pelas sete esferas. A escada pela qual a alma reascendia – conforme MARCÍLIO FÍCINO em seus Comentários às Enéades de PLOTINO[36] -, possuía sete degraus ou passos; e nos Mistérios de MITRA[37], trazidos a Roma durante o reinado dos imperadores, a escada, com seus sete lances, era um símbolo da ascensão por entre estes sete planetas. Jacó viu os Espíritos de Deus subindo e descendo por esta escada e no topo desta encontrava-se a própria Divindade. Os MISTÉRIOS MITRÁICOS[38] eram celebrados em cavernas, onde seus portais eram marcados nos quatro pontos equinociais e nos pontos dos solstícios do ZODÍACO, sendo que os sete planetas foram representados na descida do céu de estrelas fixas para os elementos que constituem a terra; ao passo que cada um dos sete portões destinados a representar um planeta, foram marcados para que os adeptos passassem por eles, seja na descida ou em seu retorno à superfície.
34. Nós sabemos disto pelos ensinamentos de CELSO, em Orígenes, que dizia que esta imagem simbólica de passagem pelas estrelas, usada pelos Mistérios Mitráicos era uma escada que, da Terra ao Céu era dividida em sete níveis ou estágios e cada um destes era um portal e que, em seu cume, havia ainda um oitava estágio, onde se encontravam as estrelas fixas. O símbolo era o mesmo dos sete estágios da Pirâmide de Tijolos Vitrificados chamada “BORSIPPA[39]”, próxima à Babilônia, construída também com sete estágios, cada um destes de uma cor diferente. Nas cerimônias mitráicas, o candidato passava por sete estágios de iniciação, enfrentando vários desafios bastante arriscados – e era isto que esta escada representava.
35. Vês a Loja, seus detalhes e ornamentos através de suas Luzes. Já ouviste também que tais Luzes, como dizem nossos Irmãos do Rito de York, podem ser Grandes ou Pequenas.
36. A Bíblia Sagrada, o Esquadro e o Compasso não são apenas caracterizadas como as Grandes Luzes da Maçonaria, mas também são definidas tecnicamente como o mobiliário[40] da Loja; e como já visto, não pode a Loja ser constituída sem elas. Tal medida tem sido por algumas vezes usadas como pretexto para a exclusão de judeus de nossas Lojas, eis que eles não podem tomar o Novo Testamento como um livro sagrado. A Bíblia é uma parte indispensável no mobiliário de uma Loja Cristã, uma vez que é o livro sagrado da religião Cristã. Ao Altar pertencem, o PENTATEUCO hebreu em uma Loja hebraica e o CORÃO em uma Loja Maometana. Um destes Livros – que fique bem entendido-, bem como o Esquadro e o Compasso são as Grandes Luzes sob as quais um Maçom deverá sempre andar e trabalhar.
37. O juramento de um candidato deve sempre ser tomado sobre o livro ou os livros sagrados de sua religião, pois só assim o juramento se torna solene e marcante, eis que te foi perguntado a qual religião pertencias. Não temos qualquer outro problema com a religião que professas.
38. O Esquadro é um ângulo reto, formado por duas linhas retas. Por sua natureza se adapta apenas à superfícies planas, pertencendo unicamente à geometria, agrimensura, tal qual a trigonometria que lidava apenas com o plano e com a terra, que os antigos supunham ser plana. O Compasso descreve círculos e lida com a trigonometria esférica, que é a ciência das esferas e dos céus. O primeiro é um emblema do que respeita a terra e ao corpo; o outro, no que respeita à alma e aos céus. Entretanto, o Compasso é também usado para a trigonometria plana, como para erigir perpendiculares; ainda, foste alertado para o fato de que neste Grau ambas as pontas do Compasso estão sob o Esquadro e estás apenas lidando com seus sentidos moral e político destes símbolos e não com o seu significado filosófico e espiritual, mesmo que o divino sempre se coaduna com o elemento humano, intercalando com o terreno e o espiritual, pois há sempre algo de espiritual na mais corriqueira das atividades da vida. As nações não são apenas corpos políticos, mas também, corpos com uma alma política, para a desgraça daquelas pessoas que, buscando apenas o material, se esquecem de que a nação também tem uma alma. E, desta forma, temos uma raça petrificada em dogma, que pressupõe a ausência de uma alma e que confia na presença apenas da memória e do instinto, porquanto desmoralizada pelos lucros. Uma natureza assim não poderá nunca liderar a civilização. As genuflexões ante ao ídolo do dólar atrofiam tanto os músculos que usamos para andar quanto a vontade que origina tais movimentos. A absorção hierática ou mercantil diminui o brilho do povo, diminui seu horizonte rebaixando seu nível, privando-o do entendimento dos objetivos universais que são ao mesmo tempo humanos e divinos, o que constitui as nações missionárias. Um povo livre, esquecendo-se de que tem uma alma para cultivar, emprega todas as suas energias unicamente na perseguição de avanços materiais. Se tal povo faz a guerra, é com o objetivo único de atender a seus interesses comerciais. Os cidadãos, ao emular o Estado, perseguem por sua vez apenas a fortuna, a pompa e a luxúria como se fossem estes os únicos bens da vida. Uma nação assim gera riqueza muito rapidamente, mas as distribui muito mal. Resultam disto, portanto, os dois extremos de uma monstruosa opulência e de uma monstruosa miséria; toda a alegria é destinada apenas para muito poucos e para o resto, o povo, toda sorte de privações; Privilégio, Exceções, Monopólio e Feudalismo são produtos do próprio trabalho: uma falsa e perigosa circunstância que transforma o trabalho em um Ciclope[41], que acorrentado e cego, nas minas, nas forjas, nas oficinas, nas tecelagens e nos campos, sob os venenosos fumos, nas celas nauseabundas, nas fábricas sem ventilação, se fundamenta o poder público através da miséria individual, construindo a grandeza do Estado através do sacrifício do indivíduo. É nesta grandeza mal constituída que todos os elementos materiais se encontram combinados sem a participação, no entanto, do elemento moral. Se o povo, como uma estrela, tem o direito de eclipsar, a luz, por sua vez, tem o direito de retornar. O eclipse não poderá se degenerar em noite.
39. As três Luzes menores, ou as Luzes Sublimes, das quais já ouviste falar, são o Sol, a Lua e o Mestre de uma Loja; e já ouviste também que os nossos Irmãos do Rito de York têm a dizer sobre elas e porque eles as mantêm como se fossem Luzes de uma Loja. Porém, o Sol e a Lua não fazem, de forma alguma, luz dentro da Loja, a menos que seja simbolicamente, e as luzes não são tais astros, mas tratam-se daquelas coisas de que elas são símbolos. Sobre o que significam tais símbolos, o Maçom deste Rito não tem instrução. Nem a Lua tampouco, qualquer que seja o seu sentido, não rege de forma alguma a noite com sua regularidade.
40. O Sol é o símbolo ancestral da vida e do poder de criação da Divindade[42]. Para os antigos, a luz era a causa e a origem da vida; e Deus era a fonte de onde toda luz emanava; a essência da Luz, o fogo invisível, desenvolvida como Flama e que se manifestava como luz e esplendor. O Sol era a Sua manifestação e sua imagem visível, e os Sibaritas[43] veneravam o Deus-Luz, pareciam venerar ao Sol, em que eles acreditavam ser a manifestação da Divindade.
41. A Lua era o símbolo da capacidade passiva de produzir, a fêmea, sendo que o poder e energia de dar a vida eram do homem. Era o símbolo de ÍSIS[44], ASTARTE e ÁRTEMIS ou DIANA[45]. O “Mestre da Vida” era a divindade suprema, acima dos dois e que se manifestava através dos dois; ZEUS[46], o Filho de SATURNO, se tornou o Rei dos Deuses; HÓRUS[47], filho de OSÍRIS e de ÍSIS, se tornou o Mestre da Vida; DIONÍSIO ou BACO[48], assim como MITRA[49], se transformou no criador da Luz, da Vida e da Verdade.
42. O Mestre da Luz e da Vida, o Sol e a Lua, são simbolizados em cada Loja pelo Venerável Mestre e pelos Vigilantes: é a obrigação do Mestre é de dispensar a luz pura para os Irmãos, por si próprio, e através dos Vigilantes, que são seus ministros.
43. “Teu Sol”, diz ISAÍAS a Jerusalém, “não deverá mais ir abaixo, nem tua lua deverá desaparecer por si mesma; para o SENHOR haverá uma sempre presente luz, e os dias de teu sofrimento deverão acabar. Teu povo será também em tudo correto; eles deverão herdar a terra para todo o sempre.” E assim um povo livre.
44. Nossos ancestrais nórdicos veneravam esta tríplice Divindade: ODIN[50], o todo-poderoso Pai; FRÉIA[51], sua esposa, era o símbolo universal da matéria e THOR[52], seu filho, era o mediador. Porém, acima deles, estava o Deus Supremo, “o autor de tudo o que existe, o Eterno, o Antigo, o Vivificante e o Terrível Ser, o Buscador dentre as coisas ocultas, o Ser Imutável.” No TEMPLO DE ELEUSIS – um santuário iluminado apenas por uma janela no teto que representava o Universo -, as imagens do Sol, da Lua e de Mercúrio encontravam-se representados[53].
45. “O Sol e a Lua”, diz o sábio IIr.’. DELAUNAY[54], “representa os dois grandes princípios de todas as gerações, o ativo e o passivo, o masculino e o feminino. O Sol representa a luz verdadeira. Ele derrama sobre a Lua os seus raios fecundantes; ambos dividem sua luz com seus rebentos, a Estrela Flamígera ou HÓRUS e as três formas do Grande Triângulo Equilátero, em que no centro se encontra a onipotente letra da Kabalah, sobre o qual a criação teria surtido seus efeitos.”
46. Os ORNAMENTOS de uma Loja são tidos como “o Pavimento Mosaico, a Orla Dentada e a Estrela Flamígera”. O Pavimento Mosaico, dividido em quadrados ou em losangos claros e escuros é tido como para representar o piso do Templo do Rei Salomão e a Orla Dentada como “aquela bela borda que envolvia o piso do Templo”. A Estrela Flamígera no centro é tida como “o símbolo da Providência Divina e a representação comemorativa da estrela que surgiu para guiar os sábios do Leste para o lugar onde nasceu o nosso Salvador.” Entretanto, “as pedras não podiam ser vistas” no interior do Templo. As paredes eram cobertas com pranchas de cedro e o piso era de abeto. Não existem evidencias de que este tipo de pavimento ou piso existia no Templo, bem como tais bordas. Antigamente, na Inglaterra, apenas PRANCHETA DE LOJA era envolvida por uma orla dentada e é só na América que tal tipo de borda é disposta ao redor de todo Pavimento Mosaico. Os “TESSERAE”, de fato, eram os quadrados ou os losangos do pavimento. Na Inglaterra, ainda, “a orla dentada ou denteada” é chamada “TESSELLATED[55]”, devido à mesma ter quatro “TASSELS[56]”, que representavam a Temperança, Fortaleza, Prudência e Justiça. Ela foi denominada como a “Trassel” dentada, mas isto é um mau uso da palavra. É, pois, um pavimento quadriculado com uma orla dentada.
47. O pavimento que mescla o branco e o preto simboliza – talvez com este propósito ou não -, os Princípios do Bem e do Mal dos credos Egípcios e Persas. Representa o embate entre MICHAEL e SATÃ, entre os DEUSES e os TITÃS, entre BALDER[57] ou LOKI[58], entre a luz e as trevas, Dia e Noite, Liberdade e Despotismo, Liberdade Religiosa e os Dogmas Arbitrários da Igreja, que pensa por seus devotos e da qual o seu Pontífice clama serem infalíveis, e os decretos de seus Concílios como verdadeiros evangelhos.
48. Os eixos deste pavimento, se encontrados em losangos, devem necessariamente ser dentados ou denteados, dispostos como os dentes de uma serra; para ser completo, ao demais, uma borda também é necessária. É completada ainda por franjas que servem como ornamentos em suas esquinas. Se estes e suas bordas têm algum significado simbólico são, pois, fantasiosos e arbitrários.
49. Encontrar na ESTRELA FLAMÍGERA de cinco pontos uma alusão à Divina Providência é também uma fantasia e entende-la como uma representação daquela Estrela que guiou os Magos, é impor a ela um significado moderno. Originalmente, ela simbolizava SÍRIUS[59], a estrela canina, a anunciadora das enchentes do Nilo ou o Deus ANUBIS, companheiro da deusa ÍSIS na busca pelo do corpo de OSÍRIS, seu irmão e seu marido. Assim sobreveio a imagem de HÓRUS, o filho de OSÍRIS, ele mesmo representado pelo Sol, o criador das estações e o Deus do Tempo; o filho de ÍSIS, que era a natureza universal, ele próprio a matéria primitiva, fonte inesgotável de vida e uma fagulha do fogo ainda não criado e a semente universal de todos os seres vivos. A ESTRELA FLAMÍGERA representava também a HERMES, o Mestre do Aprendizado, conhecido pelos gregos antigos como o Deus Mercúrio. Então, veio a ser o símbolo ou característica potente e sagrada dos Magos, o PENTALFA[60], sendo o poderoso emblema da Liberdade e Isenção, resplandecendo com uma sempre firme e estável luz por entre os confusos elementos benignos e malignos das Revoluções, prometendo céus tranqüilos e estações férteis para as nações, após as tempestades das mudanças e do tumulto.
Mohamad Ghaleb Birani
A.’.R.’.L.’.S.’. “Octacílio Schüller Sobrinho” n.˚ 105 – Grande Oriente de Santa Catarina (Brasil)
NOTAS:
JOSEPH FORT NEWTON, nos ensina, em sua belíssima obra “THE BUILDERS” que “Na índia, e entre os Maias e os Incas, existiam três pilares nos portais dos templos terrestres e celestiais – Sabedoria, Força e Beleza. Quando um homem erigia um pilar, ele se transformava em um companheiro daquele a quem os sábios da China chamavam como o “Primeiro Construtor”. Ademais, pilares eram erigidos para marcar os lugares sagrados da visão e da Divina entrega, como quando Jacó erigiu um pilar em Bethel, Josué em Gilgal e Samuel em Mizpeh e Shen. Os pilares sempre foram símbolos de estabilidade, os quais os egípcios descreveram como “the place os stabilishing forever”, – emblemas da fé “que os pilares da terra são do Senhor, e que Ele dispôs o mundo sobre eles.” (Chapter II, p. 29, tradução livre, edição virtual, copyright 1996-2001 – Phoenixmasonry, Inc. in www.phoenixmasonry.org) (N. do T.)
Digna de registro é a definição de SABEDORIA dada por ALICE A. BAILEY, em sua obra “INICIAÇÃO HUMANA E SOLAR”, que a seguir se transcreve: “A sabedoria é produto da CÂMARA DA SABEDORIA. Relaciona-se com o desenvolvimento da vida na forma, com o progresso do espírito naqueles veículos sempre cambiantes e com as expansões de consciência que se sucedem de vida em vida. Refere-se ao aspecto vital da evolução. Como lida com a essência das coisas e não com as próprias coisas, é a percepção intuitiva da verdade separada da faculdade de raciocínio, e a percepção inata que pode distinguir entre o falso e o verdadeiro, entre o real e o irreal. É mais do que isso, pois representa, também, a capacidade crescente do Pensador penetrar cada vez mais na mente do LOGOS, de conscientizar a verdadeira natureza interna do grande personagem do universo, de enfocar o objetivo e de harmonizar-se progressivamente com a unidade mais ampla. Para nossa presente finalidade (que consiste em estudar um pouco o CAMINHO DA SANTIDADE e seus vários estágios) poderá ser descrita como a conscientização do “REINO DE DEUS INTERNO” e a percepção do “REINO DE DEUS EXTERNO” no sistema solar. Talvez possa ser expressa como a combinação progressiva dos caminhos do místico e do ocultista – a edificação do templo da sabedoria baseada no conhecimento. A sabedoria é a ciência do espírito, da mesma forma como o conhecimento é a ciência da matéria. O conhecimento é separativo e objetivo, ao passo que a sabedoria é sintética e subjetiva. O conhecimento divide; a sabedoria une. O conhecimento diferencia, ao passo que a sabedoria combina.” (p. 28/29). (N. do T.)
Sobre o TERNÁRIO MAÇÔNICO recomendamos a leitura do texto “O TERNÁRIO” de autoria do IIr.’. JOSÉ ANTÔNIO DOS SANTOS (in “Caderno de Pesquisas Maçônicas – Caderno 4”, págs. 119 usque 127), do qual se extrai a seguinte ilação: “a Maçonaria adotou o texto do Salmo 133, como invocação ao auxílio do G.’. A.’. D.’. U.’. na abertura dos Trabalhos da Loja de A.’. M.’., o qual é composta de TRÊS versículos, formando o mais lindo TERNÁRIO filosófico deste meu trabalho, a saber: Versículo 1 – Oh! Como é bom e agradável/Aos Irmãos unidos viverem juntos. Versículo 2 – É como o óleo perfumado na cabeça,/Que desce para a barba, a barba de AARÃO;/ Que desce para a orla de seu manto. Versículo 3 – É como o orvalho do Hermon/ Que desce sobre a montanha de Sião;/ Ali derrama o SENHOR sua benção./ E a vida para todo o sempre.” (N. do T.)
Sobre “ como conciliar a existência do mal em Sua Sabedoria absoluta…” que figura nesta passagem do texto, seguimos o entendimento, mais uma vez, de FIGANIÈRE, eis que “Segundo os cânones esotéricos o mal é fenômeno, um desvio da verdade; é também o espírito que permeia a lição de JOB, que, perguntando onde se acha a sabedoria, qual é o lugar da inteligência, responde afinal: “Eis aí o temor do Senhor, ele é a mesma sabedoria; e apartar-se do mal, é a inteligência (Cap. XXVIII, 12-28). Não há que recorrer à ”tolerância” do Supremo (segundo rezam certos textos) para explicar o mal. Concorda com o que diz KRISHNA (isto é, ATMÃ) no BHAGAVAD-GÎTÂ: “Não estou na natureza que pertence às três qualidades ditas SATTV RAJAS e TAMAS, conquanto procedam de mim; estão contudo em mim. Achando-se o mundo confundido pela influência destas três qualidades, ignora que sou distinto delas, e sem decadência.” (…) É no mesmo espírito que se exprime o YADJUR VEDA: “Ele move-se, Ele não se move; Ele está distante, Ele está perto; Ele está em tudo, Ele está fora de tudo.” (in “SUBMUNDO, MUNDO E SUPRAMUNDO”, Biblioteca Planeta, n.º 10, Editora Três, p. 68) E, de arremate: “A unidade absoluta (como se costuma postular o estado não-manifesto) dá consigo no panteísmo, na onipresença substancial de Deus, que assim estaria relacionado com tudo, sem excluir o mal” (Op. Cit., p. 67) (N. do T.)
Cidade de TIRO, na FENÍCIA, o atual LÍBANO. “E do mesmo modo que a Grécia em sua infância se mostra humilde discípula do Egito, quando exangue morre, por assim dizer, nos braços do Egito; em Alexandria uniu seus ritos, sistemas filosóficos e deuses com os do Egito e da Judéia, para que mais tarde pudessem ressuscitar em Roma no Cristianismo. Só a influência fenícia pode comparar-se À egípcia. Os ativos mercadores de Tiro e de Sidon foram agentes transmissores da cultura, que estimularam todas as regiões do Mediterrâneo por meio das ciências, tecnologia, artes e cultos do Egito e do Oriente Próximo.” (WILL DURANT in “HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO” – Segunda Parte, Tomo I, 3.ª edição, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1957, p. 91) (N. do T.)
“Se a alma não teve passado, por certo não terá porvir.” – FIGANIÈRE.
Sobre a ESCADA MÍSTICA DE JACÓ, se vislumbra em FIGANIÈRE que “Vendo em sonhos uma escada, posta sobre a terra com a sumidade a tocar no céu, vinham “os anjos de Deus subindo e descendo por ela” (Gênesis, XXVIII, 12). Por que não descendo e subindo – pois havia descida primeiro que subida? Porque o momento foi de início nem final; era de presença; “Anjos” em sonho, na realidade almas…” (in “SUBMUNDO, MUNDO E SUPRAMUNDO”, Coleção Biblioteca Planeta, n.º 10, Editora Três, Rio de Janeiro, 1973, p. 58) Importante notar ainda que Figanière ressalva em sua interpretação que não se tratam de “Anjos” e sim de “almas” e, a seguir, no texto – p. 33 – tais anjos são também definidos por Albert Pike como os “espíritos de Deus”, adotando este mesmo entendimento. (N. do T.)
São sete os Princípios Herméticos, (“The Principles of Truth are Seven; he who knows these, understandingly, possesses the Magic Key before whose touch all the Doors of the Temple fly open.”), a seguir transcritos: I – O Princípio do Mentalismo; II – O Princípio da Correspondência; III – O Princípio da Vibração; IV – O Princípio da Polaridade; V – O Princípio do Ritmo; VI – O Princípio da Causa e Efeito; VII – O Princípio do Gênero. (in “THE KYBALION – A STUDY OF HERMETIC PHILOSOPHY OF ANCIENT EGYPT AND GREECE, BY THREE INITIATES”, The Yogi Publication Centre, Chicago,1940, chapter II) (N. do T.)
“CLEMENTE DE ALEXANDRIA” – era um judeu gnóstico considerado como o responsável pela helenização do judaísmo. Segundo HELENA PETROVNA BLAVATSKY, em sua obra “AS ORIGENS DO RITUAL NA IGREJA E NA MAÇONARIA”, Clemente “era um converso na aparência, mas de coração ardente neo-platônico e filósofo pagão” que supostamente foi um dos primeiros instrutores dos bispos cristãos na origem do cristianismo e da Igreja Católica. Ao demais, é considerado como um dos primeiros membros da Igreja da Alexandria e morreu entre os anos de 211 e 216 d. C. Importa ainda dizer que era conhecido por escrever sobre o mito do “CRESTUS” da seita dos judeus essênios, considerados como os cristãos primitivos. (N. do T.)
“STROMATA” pode ser traduzida como “miscelânea” e é o último livro da trilogia de Fílon, que foi assim chamado pelo fato de abordar diversos assuntos filosóficos, religiosos e científicos. Os outros dois livros eram “PROPEPTICUS” e “PAEDAGOGUS”. (N. do T.)
“FÍLON, O JUDEU” ou “FÍLON DA ALEXANDRIA” – escreveu um tratado sobre Serapis ou o Bom Deus, destruído mais tarde pela Igreja Católica. Segundo estudiosos, os evangelhos teriam sido originados em seus escritos e talvez tenha sido o pensador mais influente durante o período de formação do Cristianismo, mesmo sem nunca ter mencionado ou reportado a existência de Jesus Cristo, segundo LA SAGASSE. Historiadores impõem que Fílon platonizou e helenizou o judaísmo – que desde a diáspora vinha perdendo adeptos em favor de outras religiões, como por exemplo, a persa – dando-lhe feições greco-egípcias e que teria sido o autor do livro “Apocalipse” que mais tarde foi catalogado na Bíblia. Foi um dos pensadores mais influentes de seu tempo – época em que CALÍGULA era o imperador romano – tratando de diversos acontecimentos históricos em Roma, na Palestina e na Judéia, bem como se dedicou ao estudo da então estranha seita dos essênios e de sua organização proto-socialista. Por fim, era notável por pregar a Igualdade e a Fraternidade entre os homens. (N. do T.)
“PLOTINO” – foi um dos maiores filósofos do mundo antigo e é considerado como o fundador da corrente do Neoplatonismo que exerceu enorme influência em místicos e filósofos pagãos, cristãos, judeus, muçulmanos e gnósticos. Morreu em 276.
“MITRA” – era para os persas o seu deus redentor e, segundo vários escritores, pode ser considerado o traço de união entre o cristianismo primitivo e o budismo dos hindus. Nasceu em uma gruta no dia 25 de dezembro e os acontecimentos de sua vida lendária lembram bastante aos acontecimentos da vida de JESUS CRISTO: a visita dos reis magos, o nascimento de mãe virgem, a tentação do diabo, a sua morte e ressurreição, etc., assim como nos remete, por sua semelhança, ao mito de Hórus dos egípcios, de Prometeu dos Gregos e ao da reencarnação do avatar Salvitri dos hindus, que também nasceram no dia 25 de dezembro (solstício de inverno). No que respeita às semelhanças com Jesus Cristo, alguns hindus crêem que Cristo seria o novo avatar destinado aos ocidentais – o oitavo foi KRISHNA, o nono foi BUDA, nome dado a Sidarta Gautama, nascido na Índia por volta do ano 621 a.C. –, sendo notável, ainda, as semelhanças dos nomes de JESEU KRISHNA com JESUS CRISTO. (N. do T.)
“MISTÉRIOS MITRÁICOS” ou ‘MISTÉRIOS DE MITRA” – tais mistérios vêm da religião criada por ZARATUSTRA ou ZOROASTRO (para os gregos, que sempre resistiram a adotar a pronúncia dos bárbaros), em que existia a eterna luta entre o bem e o mal. AHURA MAZDA (ou ORMUZD) era o deus do fogo e da luz e ANGRA MAYNIU (ou AHRIMAN) era o deus das trevas, representando o mal. Nesta luta, AHURA MAZDA foi auxiliado por seu filho MITRA, o espírito do Bem e da Justiça, porquanto era o mediador entre os homens e AHURA MAZDA. Este deus mandou seu filho a Terra, o qual nasceu de uma mulher virgem, pura e bela, concebido através de um raio de sol. Morreu e ressuscitou para salvar os homens e os mistérios mitráicos retratavam através de seus rituais os acontecimentos de sua vida lendária. (N. do T.)
“BORSIPPA” – importante cidade da SUMÉRIA – atual IRAQUE – que atualmente se chama BIRS NIMRUD, em homenagem ao DEUS NIMROD e onde se encontrava a pirâmide que é mal identificada na cultura judaico-cristã, bem como na cultura árabe, como a “TORRE DE BABEL”. Era possivelmente o templo de NABU, chamado filho de MARDUK da Babilônia e foi reconstruída pelo rei NABUCONODOZOR II com sete esferas de tijolos de nobre lápis lazuli. Tinha 231 pés (aproximadamente 70,41 metros) de altura divididos em sete terraços e mesmo quando em ruínas, alcançava 172 pés (aprox. 52,43 metros) de altura. Temos ainda em WILL DURANT, que em BORSIPPA se encontrava a maior das bibliotecas babilônicas. Apesar de terem todas sido destruídas, todo o acervo da biblioteca de BORSIPPA foi copiado e mantido na biblioteca de ASHURBANIPAL, e as trinta mil tabletas constituem-se na principal fonte de conhecimento sobre a vida, história e cultura do povo da Babilônia. Importante notar que, segundo este mestre, “que o grande ziggurat de BORSIPPA era chamado de “Os Estágios das Sete ESFERAS”; cada pavimento era dedicado a cada um dos sete planetas conhecidos na BABILÔNIA, e cada um tinha uma cor simbólica. O mais baixo era preto, representando a cor de Saturno; o próximo logo acima era branco, a cor de Vênus; o próximo era roxo, cor de Júpiter; o quarto azul, para Mercúrio; o quinto era escarlate, para Marte; o sexto era prata, para a lua; o sétimo dourado, para representar o sol. Estas esferas e estrelas, começando do topo, eram para designar os dias da semana.” (in “OUR ORIENTAL HERITAGE”, Editora Simon and Schuster, Estados Unidos, Nova York: 1954, p. 249/255)
Do inglês original “FURNITURE”, ou seja, mobiliário, podendo ser entendido como “Jóia” ou como as “Jóias Móveis de uma Loja”, conforme se depreende de vários manuais maçônicos. (Nota do Tradutor)
Os CICLOPES eram gigantes de um olho só. Os três primeiros eram filhos de GAIA e URANO. Aprisionados no mundo subterrâneo, foram libertados por ZEUS e ajudaram-nos a combater seus captores, os Titãs. Como ferreiros de Zeus, fizeram também seus raios e também o capacete de POSEIDON. (PHILIP WILKINSON in “O LIVRO ILUSTRADO DA MITOLOGIA”, p. 58) Ainda, Os CICLOPES eram chamados de “construtores” e ocultismo os chama de “Iniciadores”, que, iniciando alguns pelasgos, lançaram as fundações da verdadeira Maçonaria. ”(in “SECRET DOCTRINE”, II, P. 345 apud GEOFFREY FARTHING in“THE RIGHT ANGLE – H. P. BLAVATSKY ON MASONRY IN HER THEOSOPHICAL WRITINGS “, Chapter II, tradução livre) (N. do T.)
HELENA PETROVNA BLAVATSKY, em sua obra “AS ORIGENS DO RITUAL NA IGREJA E NA MAÇONARIA”, aponta em uma belíssima passagem que “sobre toda a superfície da Terra – do Pólo Norte ao Pólo Sul, dos Golfos gelados dos países nórdicos Às planícies tórridas do sul da Índia, na América Central, na Grécia e na Caldéia -, era adorado o fogo solar como símbolo do Poder Divino, criador da vida e do amor. A união do sol (o espírito – elemento masculino) com a Terra (a matéria – o elemento feminino) era celebrada nos Templos do Universo inteiro. A propósito, segundo o eminente ocultista e Maçom belga Ragon, em seu magnum opus “LA MAÇONNERIE OCULTE” temos que “o Sol era o mais sublime e natural das imagens do Grande Arquiteto; igualmente a mais engenhosa de todas as alegorias pelas quais o homem moral e bom (o verdadeiro sábio) simbolizava como a Inteligência infinita, sem limites.” “ No coro sideral o sol vai prosseguindo, qual na origem lho hás dado, o curso harmonioso. Tonitruante baixo em seu concerto infindo, só mandando-lho tu, Senhor, terá repouso. Sua luz dobra a nossa, enchendo-nos de espanto não podemos sondar-lhe a portentosa essência. Como o fora a princípio, ó sacra Onipotência, teu sol é hoje ainda enigma, assombro, encanto.” GOETHE, em “FAUSTO”. (N. do T.)
“SABBAEANS”, no texto original, aqui traduzido como “Sibaritas”. (N. do T.)
“ÍSIS” – “era esposa fiel e irmão de OSÍRIS. ÍSIS criou o Nilo com suas lágrimas. OSÍRIS e ÍSIS são os pais de HÓRUS, o deus do céu com cabeça de falcão, cujos olhos eram a lua e o sol. HÓRUS foi concebido quando Ísis, transformando-se num gavião, bateu as asas tentando devolver o alento vital a OSÍRIS. HÓRUS guiava a alma dos mortos no outro mundo e era um dos protetores do faraó.” (in “O LIVRO ILUSTRADO DA MITOLOGIA – LENDAS E FÁBULAS SOBRE GRANDES HERÓIS E DEUSES DO MUNDO,” Editora Publifolha, São Paulo, 2000, p. 32)
“ÁRTEMIS OU DIANA” – Deusa da caça e irmã gêmea de Apolo, era também protetora dos filhotes dos animais. Era casta e enfurecia-se quando ameaçada. (N. do T.)
“ZEUS” – “Filho caçula dos Titãs Cronos e Réia, Zeus derrotou os Titãs e tornou-se rei dos deuses. Era ele quem governava os deuses que viviam no Monte Olimpo, assegurando a justiça e presidindo a ordem social. Zeus punia seus inimigos com raios, que os Ciclopes faziam para ele. Em seus domínios, os céus, Zeus fixava a ordem das estações e o curso das estrelas. Ele teve três esposas – Metis, Têmis e Hera – e muitos casos com deusas, ninfas e mulheres normais (PHILIP WILKINSON, in “O LIVRO ILUSTRADO DA MITOLOGIA”, p. 56). Esta luta entre Zeus e aliados contra os Titãs tornou-se para os gregos o símbolos da conquista do barbarismo e da força bruta pela civilização e a razão. Em Will Durant temos que “começou como deus do céu e das montanhas, distribuidor das preciosas chuvas. Em suas formas primitivas foi um deus da guerra; discute consigo mesmo se deverá por termo ao cerco de Tróia ou “tornar a guerra mais sangrenta”, e acaba escolhendo a segunda alternativa. Aos poucos vai se transformando no calmo e poderoso chefe dos deuses e dos homens, encarapitado no Olimpo com barbuda dignidade. Torna-se cabeça e fonte da ordem moral do mundo; pune a negligência filial, protege a propriedade da família, sanciona juramentos, persegue perjuros e protege fronteiras, lares, suplicantes e hóspedes. Por fim faz-se o sereno juiz que Fídias esculpiu para o templo de Olímpia.” (in “HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO”, Segunda Parte – Tomo I, p. 232/233)
“Assim como seu pai, o supremo OSÍRIS, HÓRUS, deus do céu, teve de lutar com seu invejoso tio, SETH. Quando OSÍRIS morreu, Hórus foi até a corte dos deuses reivindicar o trono. Mas SETH, alegando ser o mais forte e o mais capaz para defender o deus sol em suas travessias do mundo subterrâneo, disse que o rei deveria ser ele. De início, os deuses não quiseram escutar HÓRUS, porque SETH fizera seu hálito cheirar muito mal. Depois, HÓRUS e SETH participaram de uma série de testes para ver quem era o mais forte. SETH arrancou os olhos de HÓRUS e, por isso, o mundo ficou às escuras. A deusa HATOR curou HÓRUS despejando leite em seus olhos. Os adversários continuaram lutando, empatados, até que OSÍRIS interveio, ameaçando evitar demônios do outro mundo à morada dos deuses se os dois não parassem a disputa. Eles desistiram, e HÓRUS tornou-se o rei.” (in “O LIVRO ILUSTRADO DA MITOLOGIA – LENDAS E FÁBULAS SOBRE GRANDES HERÓIS E DEUSES DO MUNDO,” Editora Publifolha, São Paulo, 2000, p. 33)
“DIONÍSIO” – ou BACO, para os romanos. Era filho de ZEUS e protetor das vegetações e das vinhas, era considerado também, o deus dos mortos, através das promessas de ressurreição. (N. do T.)
Das semelhanças entre o deus PROMETEU dos gregos e MITRA dos persas: importa dizer que este deus, PROMETEU, também era um protetor da humanidade. Quando ZEUS e os homens encontraram-se para partilhar comida, PROMETEU tramou para que ZEUS levasse os ossos e deixasse a carne para os homens. ZEUS reagiu tirando o fogo da Terra. Mas PROMETEU foi até a forja de HEFAÍSTOS e roubou um pouco do fogo para os humanos. Ele também os ensinou a usá-lo para trabalhar os metais. Notável também são as semelhanças com os deuses de todos os povos de origem indo-ariana como os persas, gregos, romanos, etc. e seus mitos da criação e dos cultos solares que se manifestam em todas estas culturas, servindo como elemento de ligação. Sobre a questão aqui apontada, recomenda-se, para maior clareza, o estudo da obra “A CIDADE ANTIGA” do mestre FUSTEL DE COULANGES. ( N. do T.)
“ODIN” ou “ODIM” – “Era o líder de ASGARD e deus da guerra, das tempestades, da magia, da inspiração e do mundo dos mortos. O mais velho e o maior de todos os deuses escandinavos, foi o criador do cosmo, ao lado dos irmãos VILI e VE. Odin tinha dois segredos para tanto poder. O primeiro era sua capacidade de mudar de forma, assumindo aquela que desejasse. O segundo era sua sabedoria, que obteve bebendo do poço de MIMIR. Este continha orvalho de uma das raízes do grande freixo do mundo, IGDRASIl.” (in “O LIVRO ILUSTRADO DA MITOLOGIA – LENDAS E FÁBULAS SOBRE GRANDES HERÓIS E DEUSES DO MUNDO,” Editora Publifolha, São Paulo, 2000, p. 82)
“FRÉIA” – “Era deusa da fertilidade. Ela ajudava o crescimento das plantas, favorecia as pescarias e socorria as mulheres na hora do parto. Deusa da magia e da riqueza, tinha um famoso colar chamado BRISINGAMEN (feito por quatro irmãos anões chamados BRISNIGS) e um manto de penas, chamado VALHAMR. Fréia também defendia a liberdade sexual e tinha muitos amantes – tantos deuses quanto mortais.” (Op. Cit., p. 83)
“THOR” – “era o deus do trovão, era uma das divindades mais poderosas e populares de ASGARD. O som trovejante de suas marteladas ecoava pelos céus. O martelo feito pelos anões, era capaz de esmagar o mais forte dos adversários. Defendendo os deuses contra seus inimigos, os gigantes, Thor derrotou THRYM, que roubara seu martelo, e HRUNGIR, que ameaçava destruir Asgard.” (Op. Cit., p. 83) Também conhecido como “THONAR” ou “DONAR”. (N. do T.)
“In all the ancient mythologies there were triads, which consisted of a mysterious union of three deities. Each triad was generally explained as consisting of a creator, a preserver, and a destroyer. The principal heathen triads were as follows: The Egyptian, Osiris, Isis, and Horus; the Orphic, Phanes Uranus, and Kronos; the Zoroastric, Ormuzd, Mithras, and Ahriman; the Indian, Brahma, Vishnu, and Siva; the Cabirie, Axereos, Axiokersa, and Axiokersos; the Phenician, Ashtaroth, Mileom, and Chemosh; the Tyrian, Behls, Venus, and Thammuz; the Grecian, Zeus, Poseidon, and Hades; the Roman, Jupiter, Neptune, and Pluto; the Eleusinian, Iacchus, Persephone, and Demeter; the Platonie, Tagathon, Nous, and Psyche; the Celtic, Hu, Ceridwen, and Creirwy; the Teutonic, Fenris, Midgard, and Hela; the Gothic, Woden, Friga, and Thor; and the Seandinavians, Odin, Vile, and Ve. Even the Mexicans had their triads, which were Vitzliputzli, Kaloc, and Tescalipuca.” (in “ENCYCLOPEDIA OF FREEMASONRY AND ITS KINDRED SCIENCE, BY ALBERT G. MACKEY, M.D.”) (N. do T.)
DELAUNAY, FRANÇOIS H. STANISLAUS, segundo Mackey, “era uma literato e historiador francês, autor de vários trabalhos sobre a Maçonaria, dos quais o principal é “TUILEUR DES TRENTE-TROIS DEGRÉS DE L’ ECOSSISME DU RITE ANCIEN ET ACCEPTS”, sendo, críticas à parte, um trabalho de grande erudição e de exaustiva pesquisa sobre a etimologia das palavras do Rito.” (in “Encyclopedia…”). (N. do T.)
Ou seja, embutida com mosaico ou ainda, incluída ou calçada em mosaico. (N. do T.)
Franja, ou “TASSEL” no original em inglês.
“BALDER” – “Era filho de ODIN e FRIGA, BALDER era o mais belo dos deuses. Quando foi morto pela lança de visgo, todos os deuses de Asgard ficaram de luto. Eles convenceram HEL a deixar que BALDER voltasse à vida, desde que todos no mundo chorassem o deus morto. Tudo e todos choraram, exceto uma giganta, que na verdade era LOKI disfarçado – de modo que Balder foi obrigado a continuar no mundo dos mortos.” (in “O LIVRO ILUSTRADO DA MITOLOGIA…”, p. 82).
“LOKI” – “Parte deus e parte gigante, Loki era uma mescla de deus ardiloso e criador. Apesar de ser amigo dos ASES, causou a morte de BALDER. Era ele quem iria liderar seus filhos monstruosos e as almas dos mortos contra os deuses, em RAGNAROK, e por isso todos o receavam. Era também conhecido como Deus Dissimulado e Pai das Mentiras.” (Op. Cit., p. 84)
SÍRIUS é a estrela mais brilhante da constelação CANIS MAJOR e no Hemisfério Norte é considerada o vértice do triângulo invernal, apelidada de ESTRELA CANINA. Em Roma, já era conhecida como “CANÍCULA”. Esta estrela sempre foi o centro das atenções e em todas as culturas – das mais primitivas às mais sofisticadas – sempre lhe foi destinada especial significação. Era objeto de adoração para os egípcios do Vale do Rio Nilo e era chamada de “SOTHIS”, sendo que diversos templos foram construídos em que sua luz penetrava nos altares. Ao demais, acredita-se que o calendário egípcio foi inteiramente baseado em sua ascensão helíaca, a qual ocorre um pouco antes das cheias do Nilo. Para a Mitologia Grega, os cães caçadores de ÓRION tornaram-se a estrela Sírius pelas próprias mãos de ZEUS. Ainda, os gregos antigos associavam a estrela ao calor do verão, pois “seirius”, em grego, significava “o escaldador”. (Nota do Tradutor)
Segundo ALBERT G. MACKEY in “ENCYCLOPEDIA…”, também conhecido como o “TRIÂNGULO DE PITÁGORAS”, também conhecido como “PERDALPHA” e “TRIPLE TRIANGLE”. José Castellani nos ensina que “ A Estrela Pentagonal, ou PENTALFA (cinco princípios), ou PENTAGRAMA (cinco letras), que, a partir dos meados do século XVIII, passou, com o nome de Estrela Flamejante, a fazer parte da Simbologia Maçônica, é de origem pitagórica, representando, também o homem em sua alta espiritualidade (Estrela Hominal), sem ter, todavia, qualquer relação com a magia, como no pitagorismo.” (in “Caderno de Pesquisas Maçônicas”, Caderno 4,, Editora Maçônica “A Trolha”, Londrina, 1992, p. 68 (N. do T.)
“Os maçons regulares, também ditos tradicionais ou de via sagrada, são aqueles que trabalham nas suas Lojas sob invocação de Deus, Grande Arquitecto do Universo, sobre o livro sagrado, o esquadro e o compasso. Quanto aos outros, ditos maçons irregulares, ou liberais, ou de via substituída, que se reúnem segundo a aparência dos mesmos ritos, decorações e ideais, já dispensam a via espiritual, e trabalham sobre a Constituição de Andersen, a do País da sua nacionalidade, enfim sobre a própria declaração Universal dos Direitos do Homem, e sem necessariamente invocarem Deus, o Grande Arquitecto do Universo.
Isto é: uns, os regulares, partem de um pressuposto que é o da crença no Criador, os outros partem do postulado da liberdade de crença ou não no Criador, uns e outros, sem se remeterem a uma posição contemplativa, buscam o seu próprio aperfeiçoamento, “não faças aos outros aquilo que não gostavas que te fizessem”, mas com efeitos diversos ao nível de intervenção na sociedade.
De facto, enquanto os regulares se situam no plano do sagrado, os outros colocam-se no campo do laicicismo, e consequentemente envolvem-se mais directamente na vida profana que procuram aperfeiçoar, senão mesmo transformar.
Para um maçon “regular” a sociedade só será mais perfeita se isso decorrer do processo de aperfeiçoamento individual, de cada um, enquanto para um maçon “irregular”, o essencial é ser ele o agente da transformação da sociedade. Isto é, passa o maçon em vez de ser o destinatário das suas reflexões e consciência, para procurar o auto aperfeiçoamento, a considerar-se o agente de transformação e da perfeição da sociedade.
Bem se compreende que esta atitude possa gerar desde logo, a quebra de harmonia entre os maçons. Ultrapassada a intimidade de cada um, em que só cada qual é juiz de si próprio, e de acordo com os parâmetros da sua autodefinição, sendo portanto responsável pela sua própria consciência, os maçons irregulares confrontam-se exteriormente sobre as várias actividades que poderão contribuir para transformação e aperfeiçoamento da sociedade…e estas serão tantas quantas as percepções do que é a perfeição da sociedade.
Uma outra questão que pode lançar alguma confusão quanto ao termo maçon, para além da referida distinção entre maçons regulares e irregulares, na terminologia mais amplamente consagrada, é a possibilidade de existirem maçons que trabalham regularmente mas em situação institucional de irregularidade, e a de maçons institucionalmente irregulares, mas que trabalhem regularmente nos seus templos e Lojas.
De facto, para se ser maçon não basta uma auto proclamação. É necessário que “os seus irmãos o reconheçam como tal”, isto é, é essencial que se tenha sido iniciado, por outros maçons, cumprido com as suas obrigações de maçon, esotéricas, simbólicas e incluindo as materiais, e que se integre numa Loja, integrada regulamentarmente numa Grande Loja ou num Grande Oriente, devidamente consagrados, consoante as terminologias tradicionais.”
Fonte: “A MAÇONARIA ENTREABERTA” de Luis Nandin de Carvalho
OS LANDMARKS
1. A Maçonaria é uma fraternidade iniciática que tem por fundamento tradicional a fé em Deus , Grande Arquitecto do Universo:.
2. A Maçonaria refere-se aos ” Antigos Deveres ” e aos ” Landmarks ” da Fraternidade , especialmente quanto ao absoluto respeito das tradições específicas da Ordem , essenciais à regularidade da Jurisdição:.
3. A Maçonaria é uma ordem , à qual não podem pertencer senão homens livres e de bons costumes, que se comprometem a pôr em prática um ideal de paz:.
4. A Maçonaria visa ainda , o aperfeiçoamento moral dos seus membros, bem como de toda a humanidade:.
5. A Maçonaria impõe a todos os seus membros a prática exacta e escrupulosa dos ritos e do simbolismo , meios de acesso ao conhecimento pelas vias espirituais e iniciáticas que lhe são próprias:.
6. A Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das opiniões e crenças de cada um:. Ela proíbe-lhes no seu seio toda a discussão ou controvérsia, política ou religiosa:. Ela é ainda um centro permanente de união fraterna , onde reinam a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam estranhos uns aos outros:.
7. Os Maçons tomam as suas obrigações sobre um volume da Lei Sagrada , a fim de dar ao juramento prestado por eles, o carácter solene e sagrado indispensável à sua perenidade:.
8. Os Maçons juntam-se , fora do mundo profano , nas Lojas onde estão sempre expostas as três grandes luzes da Ordem: um volume da Lei Sagrada , um esquadro , e um compasso, para aí trabalhar segundo o rito , com zelo e assiduidade e conforme os princípios e regras prescritas pela Constituição e os Regulamentos Gerais de Obediência:.
9. Os Maçons só devem admitir nas suas lojas homens maiores de idade, de ilibada reputação, gente de honra, leais e discretos, dignos em todos os níveis de serem bons irmãos, e aptos a reconhecer os limites do domínio do homem e o infinito poder do Eterno:.
10. Os Maçons cultivam nas suas Lojas o amor da Pátria, a submissão às leis e o respeito pelas autoridades constituídas:. Consideram o trabalho como o dever primordial do ser humano e honram-no sob todas as formas:.
11. Os Maçons contribuem pelo exemplo activo do seu comportamento são, viril e digno, para irradiar da Ordem no respeito do segredo maçônico:.
12. Os Maçons devem-se, mutuamente, ajuda e proteção fraternal , mesmo no fim da sua vida:. Praticam a arte de conservar em todas as circunstâncias a calma e o equilíbrio, indispensáveis a um perfeito controle de si próprio.
Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, prepared for the Supreme Council of the Thirty Third Degree for the Southern Jurisdiction of the United States: Charleston, 1871.[1] – Albert Pike
O presente trabalho trata-se da tradução do Capítulo Primeiro (Ou seja, do Grau de Aprendiz) da obra máxima de Albert Pike, “Morals and Dogma of the Anciente and Accepted Scottish Rite of Freemasonry”, traduzido e anotado por Mohamad Ghaleb Birani (M.’.M.’.).
1.º) APRENDIZ
A RÉGUA DE DOZE POLEGADAS E O MAÇO
1. A FORÇA, não regulada ou mal regulada, não é apenas desperdiçada no vácuo, como a pólvora queimada a céu aberto e o vapor ainda não confinado pela ciência; porém, ao se debater no escuro e em seus arroubos encontrando apenas o ar, ela se retrai e contunde a si mesma. É destruição e ruína. É como um vulcão, um terremoto ou um ciclone – não é crescimento e progresso. É o cego POLIFEMO [2] atacando a esmo e caindo de cabeça em direção à afiadas rochas graças ao ímpeto de seus próprios golpes.
2. A Força cega de um povo é uma força que deve ser economizada e gerida, como aquela mesma força cega do vapor que, impelindo os pesados braços de ferro e fazendo girar grandes rodas, é feita para maçar e armar o canhão, bem como para tecer o laço mais delicado. Esta força deve ser regida pela Inteligência[3]. A inteligência é para o povo e é a sua força, assim como a agulha deslizante da bússola[4] o é para uma embarcação – é sua alma, sempre guiando a enorme massa de madeira e ferro e apontando sempre para o Norte. Para atacar as cidadelas erigidas por todos os lados contra a raça humana pela superstição, pelo despotismo e pelo preconceito, a Força deve ter um cérebro e uma lei. Só assim seus feitos de coragem produzirão resultados permanentes, surgindo o verdadeiro progresso. E ainda existem as conquistas sublimes. O pensamento é uma força e a Filosofia deverá ser uma energia, encontrando seus objetivos e seus efeitos na evolução do gênero humano. Os dois grandes motores são a Verdade e o Amor. Combinadas tais forças, guiadas pela Inteligência e regidas pela RÉGUA[5] do Direito e da Justiça, sendo ainda empreendidas em movimentos e esforços sistemáticos, a grande revolução preparada pelas Eras iniciará sua marcha. O PODER da Divindade está em equilíbrio com a Sua Sabedoria. O único resultado, por conseguinte, é a HARMONIA.
3. É porque a FORÇA é mal regulada é que as revoluções se provam sempre falhas. É por isso então que tantas insurreições, vindas daquelas altas montanhas que dominam o horizonte moral, como a Justiça, a Sabedoria, a Razão e o Direito que, constituídos da mais pura neve do ideal, depois de uma longa queda, de rocha a rocha, mesmo depois de ter refletido o céu em sua transparência e de ser absorvida por uma centena de afluentes em seu majestoso caminho do triunfo, de repente, se perde nos pântanos, como um rio da Califórnia que se perde nas areias.
4. A contínua caminhada da raça humana impõe que às alturas que a cercam devam resplandecer com nobres e gratificantes lições de coragem. Provas de ousadia e coragem deslumbram a História, pois formam uma das tantas luzes que guiam o homem. Elas são as estrelas e o brilho que vêm do grande mar de eletricidade que é da Força inerente ao Povo. Aspirar, enfrentar e correr todos os riscos, perseverar, ser fiel ao seu verdadeiro eu, combater corpo a corpo com o destino, surpreender a derrota com o próprio terror que ela inspira[6] para confrontar o poder injusto e para desafiar um triunfo corrompido[7] – estes são os exemplos que as nações precisam e a luz que as eletrificam.
5. Existem imensas Forças nas grandes cavernas do mal sob a sociedade; a abominável degradação, sordidez, desgraça e privação, os vícios e os crimes que empesteiam e apodrecem na escuridão perseveram na populaça que vive abaixo do povo nas grandes cidades. Ali, seu altruísmo desaparece e todos uivam, caçam, tateiam, roem e rosnam cada um por si próprio. Idéias são ignoradas e sobre progresso não existe pensamento. Essa populaça tem duas mães – ambas madrastas –: a Ignorância e a Miséria[8]. O querer é seu único guia – é para seus desejos apenas que eles suplicam por satisfação. Porém, até mesmo estes apetites podem ser empregados, como a areia rasteira em que pisamos que, quando fundida em uma fornalha, derretida e purificada pelo fogo, pode se tornar num magnífico cristal. Eles têm a força bruta do MAÇO, porém, seus golpes só podem trazer benefícios à grande causa se vibrados dentro dos limites traçados pela RÉGUA, quando manejada pela sabedoria e discrição.
6. E é esta mesma força do povo, este poder titânico dos gigantes, que constrói as fortificações dos tiranos e que engrossam as fileiras de seus exércitos. Então, a possibilidade de que estes tipos de tirania, tais quais foram relatadas, como “Roma cheira pior sob VITÉLIO do que nos tempos de SILA. Sob CLÁUDIO[9] e DOMICIANO[10] vem à tona toda a deformidade que constitui a vileza e a feiúra que corresponde à tirania. A estupidez dos escravos é o resultado direto das torpezas e das atrocidades de seu déspota. Destas agastadas consciências são exalados o miasma que reflete seu senhor; as autoridades públicas são sujas, os corações estão em colapso, consciências estão contraídas e as almas, pequenas. Assim é sob CARACALLA, assim é sob CÔMODO e sob HELIOGABALUS[11], enquanto o Senado Romano, sob CÉSAR[12], apenas exalava o odor grosseiro que é característico de um ninho de águias”.
7. É a força do povo que sustenta todos estes despotismos, dos piores tanto quanto dos melhores. Estas forças agem através de exércitos; e estes mais escravizam do que libertam. O despotismo aplica a RÉGUA. A Força é o MAÇO de aço que acompanha a sela do cavaleiro ou a do bispo em sua armadura. A passiva obediência da força suporta tronos e oligarquias, os reis espanhóis e senadores venezian0s. O poder, em um exército manejado pela tirania, é a expressão máxima da mais absoluta fraqueza; e, desta forma, a Humanidade deflagra guerras contra a Humanidade, em detrimento da própria Humanidade. Assim o povo de boa vontade se submete ao despotismo, seus trabalhadores se submetem à depreciação de seu trabalho, bem como os seus soldados aos açoites; Então, são nas batalhas que são perdidas que muitas vezes se alcançam progressos. Menos glória é mais liberdade. Quando o tambor silencia, a razão, às vezes, tem voz.
8. Tiranos usam a força do povo para acorrentar e subjugar – ou seja, para oprimir o povo. E cada vez mais eles fazem isto com o povo como o próprio homem faz com o gado confinado. Assim o espírito de liberdade e da inovação é reduzido por baionetas e os princípios são paralisados por tiros de canhão; enquanto monges se misturam com tropas e a Igreja, jubilosa e militante, seja ela, Católica ou Puritana, canta Te Deums para as vitórias sobre os rebeldes.
9. O poder militar, quando não subordinado ao poder civil, novamente o MARTELO ou o MAÇO da FORÇA, sem a guiança da RÉGUA, é uma tirania armada, nascida já adulta, como a deusa ATENA[13] que surgiu da testa de ZEUS. Com ela surge uma dinastia, para começar com CÉSAR[14] e apodrecer com VITÉLIO e CÔMODO. No tempo presente, ela se inclina a começar donde as dinastias terminaram.
10. Constantemente o povo imprime no início uma força apenas para terminar em uma imensa fraqueza. A força do povo é exaurida indefinidamente, ao prolongar coisas há muito tempo mortas e ao governar a humanidade embalsamando as velhas tiranias da Fé; restaurando dogmas dilapidados, reerguendo velhos templos carcomidos pelos vermes, avivando velhas e estéreis superstições, multiplicando os parasitas para salvar a sociedade, perpetuando velhas instituições, enfatizando o culto de símbolos como se fossem os verdadeiros meios de salvação, ao atar o cadáver do passado, boca a boca, com o vivo presente. É por isso que uma das tragédias da Humanidade foi ter sido condenada à eterna luta contra fantasmas, superstições, inveja, hipocrisia, preconceitos, formulas erradas e os apelos da tirania. Despotismos, vistos no passado, tornam-se respeitáveis assim como a montanha abundante de enrugadas e tenebrosas rochas vulcânicas que, quando vista à distância é azul, suave e linda. A vista de um único calabouço da tirania vale muito mais para dissipar qualquer ilusão e criar um ódio sagrado contra o despotismo, bem como para direcionar corretamente a FORÇA do que os mais eloqüentes livros. Os franceses deveriam ter preservado a BASTILHA[15] como uma perpétua lição. A Itália não deveria ter destruído os calabouços da Inquisição. É a força do povo que manteve o poder que construiu suas celas sombrias e encarcerou aos vivos em seus sepulcros de granito.
11. A FORÇA do povo não pode, uma vez que um governo livre é criado, por sua irrestrita e espasmódica atividade, ser mantida e continuada. Essa Força deve ser limitada, acondicionada, transportada e distribuída em diferentes canais e em cursos indiretos até uma saída, sendo que assim deverão ser promulgadas as leis, externadas as ações e as decisões do Estado; como os antigos e sábios reis egípcios que distribuíram em diferentes canais, por subdivisões, as furiosas águas do Nilo, compelindo-as a fertilizar e não a devastar as terras. Deverá ser “jus et norma”, a lei e a Regra, ou Régua[16], da constituição e lei, dentro das quais a força pública deverá agir. Ao fazer uma brecha em ambos, a grande força do vapor, com seus suaves e poderosos golpes, reduzirá todo o maquinário em átomos. Porém, ao destruir a si mesma, pelo menos, restará inerte e morta por entre as ruínas que ela provocou.
12. A FORÇA do povo, ou a vontade popular em ação e em funcionamento, simbolizada pelo MALHETE[17], regido e guiado por ações dentro dos limites da LEI e da ORDEM, simbolizadas pela RÉGUA DE VINTE E QUATRO POLEGADAS, tem por seus frutos a LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE – Liberdade regida pela Lei; Igualdade de direitos aos olhos da Lei; Irmandade acompanhada de suas obrigações e deveres assim como benefícios.
13. Ouvirás ainda que muito brevemente sobre a PEDRA bruta[18] e a PEDRA perfeita[19], como fazendo parte das jóias de uma Loja. A PEDRA bruta é tida como “uma pedra retirada da pedreira em seu estado rude e natural”. A PEDRA perfeita é tida como “a pedra pronta para as mãos dos trabalhadores a ser ajustada pelas ferramentas de trabalho dos Companheiros”. Não repetiremos as instruções sobre estes símbolos, dados pelo Rito de York. Deverás ler sobre estes símbolos em monitores impressos. São tidas para aludir à evolução individual do obreiro – uma continuação daquela mesma interpretação superficial.
14. A Pedra Bruta é o POVO, devendo ser entendida como massa, rude e desorganizada. A Pedra perfeita ou a Pedra Cúbica, símbolo da perfeição, é o Estado, valendo-se de seu poder legiferante pelo consentimento dos governados; As leis e a Constituição manifestando a vontade popular; o governo harmonioso, simétrico, eficiente – seus poderes devidamente distribuídos e perfeitamente ajustados em equilíbrio.
15. Se desenharmos em uma superfície plana, teremos: Três faces visíveis e nove linhas externas, desenhadas entre sete pontos. O cubo completo possui mais três faces, perfazendo seis faces; mais três linhas, perfazendo doze linhas; e mais um ponto, perfazendo oito. Como o número 12 inclui os números 3, 5, 7 e 3 vezes 3, ou 9, e é produzido pela adição do número sagrado 3 para 9, enquanto as duas figuras que o representam, 1 e 2, a unidade ou a mônada[20] e o binário[21], adicionados, perfazem este mesmo número sagrado, o 3; tal número é denominado o número perfeito e o cubo, desta forma, se torna o símbolo da perfeição.
16. Produzido pela FORÇA e agindo pela RÉGUA; forjada em conformidade com a RÉGUA LISA[22] e com sua origem na Pedra Bruta, é um símbolos apropriado para a Força do Povo, expressada pela constituição e pelas leis do Estado; e este Estado, por sua vez, por suas três faces visíveis, representam as três divisões – o Executivo, que executa as leis; o Legislativo, que cria as leis; o Judiciário, que interpreta as leis, que as aplica e também as enfatiza, entre homem e homem, entre o Estado e os cidadãos. As três faces invisíveis são a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, a alma tripartida do Estado – sua vitalidade, espírito e inteligência.
17. Em que pese a Maçonaria não usurpar nem emular a Religião, a oração é uma parte essencial de nossas cerimônias. São as aspirações da alma em direção à Infinita e Absoluta Inteligência, que é a única e suprema Divindade, errônea e fragilmente caracterizada como um “ARQUITETO”. Certas faculdades do homem são direcionadas ao Desconhecido – pensamento, meditação, oração. O Desconhecido é um oceano cuja consciência é sua bússola. O pensamento, a meditação e a oração são a grande e misteriosa direção apontada pela sua agulha. É seu magnetismo espiritual que assim conecta a alma humana com a Divindade. São estas majestosas irradiações da alma que a impulsionam das sombras em direção à luz.
18. Alegar que a oração é absurda pelo fato de que não é possível para nós, por este meio, persuadir Deus a mudar Seus planos, é um escárnio mesquinho e superficial. Ele produz efeitos sabidos e pretendidos de antemão através da instrumentalidade das forças da natureza, eis que todas essas forças são as Suas Forças. E nós fazemos parte destas forças. Nosso livre-arbítrio e nossa vontade são forças e nós não cessamos de empreender todos nossos esforços para alcançar fortuna ou felicidade, prolongar a vida ou nos manter saudáveis, por causa de que nós não podemos, de forma alguma, mudar o que está predestinado. Isto seria absurdo. Se os esforços, por sua vez, também são predestinados, nossos próprios esforços jamais poderiam ser desprezados, pois são concebidos pelo nosso livre-arbítrio. Porém, da mesma forma, nós oramos. Vontade é uma força. Pensamento é uma força. Oração é uma força. Por que então não haveria de ser da Lei de Deus que a oração, assim como a Fé e o Amor, não surtisse seus efeitos? O homem não é para ser entendido o começo ou o objetivo final da evolução, sem considerarmos estas duas forças, a Fé e o Amor. A oração é sublime. Há piedade nas orações que imploram e clamam. Negar a eficácia da oração é negar a Fé, o Amor e também os esforços. Assim como os efeitos são produzidos, quando nossa mão, movida por nossa vontade, lança uma pedra no oceano, nunca cessam; assim como cada palavra expressa é registrada para a eternidade no éter[23].
19. Toda Loja é um Templo como um todo e, em seus detalhes, simbólica. O próprio Universo forneceu ao homem o modelo para os primeiros templos erigidos à Divindade. A organização do TEMPLO DE SALOMÃO, os ornamentos simbólicos que representaram seus principais adornos, a túnica do Alto Sacerdote, tudo isto tinha por referência o Universo, assim como o era compreendido na Antiguidade. O Templo conteve muitos emblemas das estações – o Sol, a Lua, os Planetas, as constelações URSA MAIOR e MENOR, o Zodíaco, os elementos e as outras partes do mundo. E o Mestre desta Loja, do Universo, é HERMES[24], de quem KHURUM é seu representante, que é uma das luzes da Loja.
20. Para futuras instruções sobre o simbolismo dos corpos celestiais, dos números sagrados, do Templo e de seus detalhes, deverás esperar pacientemente até que avances na Maçonaria e, neste ínterim, deverás exercitar o intelecto ao estudar por ti próprio tais símbolos. Estudar e pesquisar, para interpretar corretamente os símbolos do Universo é trabalho do sábio e do filósofo. É decifrar a escrita de Deus e penetrar em seus Desígnios.
Mohamad Ghaleb Birani
A.’.R.’.L.’.S.’. “Octacílio Schüller Sobrinho” n.˚ 105 – Grande Oriente de Santa Catarina (Brasil)
NOTAS:
MORAL E DOGMA DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA, PREPARADO PARA O SUPREMO CONSELHO DO GRAU TRINTA E TRÊS DA JURISDIÇÃO SUL DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA: CHARLESTON, 1871.
“POLIFEMO” – era uma criatura da mitologia grega, filho do deus POSEIDON e da ninfa THOOSA que viva só em uma caverna da Sicília, junto ao Etna, cuidando de ovelhas, quando ULISSES (ou ODISSEU) e seus homens desembarcaram na terra dos ciclopes procurando comida, ao voltarem de TRÓIA para casa. Ulisses e seus companheiros entraram no antro de POLIFEMO procurando por comida, nem desconfiando de que a caverna era onde o ciclope dormia e guardava suas ovelhas. ULISSES e seus homens foram surpreendidos e aprisionados com o retorno do ciclope, que fechou a caverna com uma rocha enorme. Ofegantes, são descobertos pelo ciclope que agarra e devora dois de seus homens e continua a devorar dois homens de cada vez até que ULISSES tem uma idéia: oferecer vinho ao ciclope que imediatamente pergunta quem é que lhe oferece a bebida. ULISSES responde: “NINGUÉM”. Adormecido pela bebida, ULISSES e seus homens afiam uma vara e ferem o olho do ciclope, cegando-o. No dia seguinte, POLIFEMO abre a caverna para deixar suas ovelhas saírem, verificando com o tato se são realmente suas ovelhas ou os prisioneiros e, mais uma vez, o gênio inventivo de ULISSES lhes salva, pois, ao se segurarem embaixo das ovelhas, conseguem fugir da caverna. POLIFEMO, ao perceber a fuga grita aos outros ciclopes que “NINGUÉM tinha o cegado” e seus companheiros o ignoram. Já em seu navio, ULISSES, zombando da estupidez do ciclope, revela que não foi “Ninguém” que o feriu e sim, ele, ULISSES. Furioso, POLIFEMO atira enormes rochas ao mar e quase atinge a embarcação. Como ULISSES consegue fugir, POLIFEMO pede ao seu pai, POSEIDON, que se vingue deles, atormentando-os durante toda a sua viagem. (Nota do tradutor)
“INTELLECT”, no original em inglês.
“COMPASS”, no original em inglês.
“RULE”, no original em inglês.
“To surprise defeat by the little terror it inspires” no original em inglês. (N. do T.)
“Intoxicated triumph” no original em inglês. (N. do T.)
“Não me fale ninguém do populacho, a cujo aspecto a inspiração desmaia, remoinho humano, que nos leva à força.” GOETHE, em FAUSTO.
“TIBÉRIO CLÁUDIO DRUSO” – Cláudio nasceu em 13 de agosto de 10 a.C., em Lion. Era ainda muito criança quando seu pai morreu e durante quase toda a sua Adolescência sofreu de várias moléstias de longa duração, as quais, segundo Suetônio, lhe enfraqueceram de tal modo o espírito que foi considerado inapto para exercer qualquer função pública e privada. Ainda segundo o mestre, foi vítima de inúmeros maus tratos por parte de seus preceptores e, mesmo sua mãe, afirmava incessantemente que ele era um monstro, que não havia sido acabado, mas apenas esboçado pela natureza. Sua irmã, Lívia, ao ouvir certa vez dizer que um dia “esse imbecil” reinaria um dia, lamentou publicamente a sorte do povo romano por tão indigno destino. O próprio Augusto, seu tio-avô chegou a qualificá-lo como “retardado e enfermiço” em suas cartas. Entretanto, mesmo sendo assim caracterizado por todos, não deixou nunca de testemunhar reverentes homenagens e o respeito público. Tornou-se imperador aos 50 anos de idade de uma das formas mais singulares: pelo desânimo e desinteligência do senado em designar um sucessor para Calígula. Um dos fatos marcantes de seu reinado – apesar de tal fato ser contestado veementemente por muitos historiadores – é que supostamente teria expulsado os judeus, que se rebelavam constantemente, supostamente pelo incitamento de “CRESTOS”. Outros fatos notáveis de seu reinado foram os festins que promoveu, o gosto pelas execuções de seus adversários e a ridícula e por muitas vezes açodada aplicação da justiça. Nomeou a Nero como seu herdeiro e em seguida morreu envenenado. (in SUETÔNIO, “A VIDA DOS DOZE CÉSARES”, Editora Martin Claret, São Paulo, 2006, p. 241 usque 276)
“TITO FLÁVIO DOMICIANO” – o último dos doze Césares, nascido a 23 de outubro de 51 a. C.. Representa, talvez, toda a torpeza de que foram capazes os imperadores romanos que sucederam a AUGUSTO. Dentre seus feitos, destacam-se o fato de ter banido da cidade e da Itália todos os filósofos da época; o de ter desenvolvido novas de modalidades de tortura contra seus adversários políticos; de ter se mostrado ainda mais cruel e desumano que todos os seus antecessores, principalmente ao sair vitorioso de uma guerra civil. Possuía uma ferocidade que além de considerável – na lição de SUETÔNIO -, era também requintada e imprevista. Por exemplo, no dia anterior em que havia mandado crucificar seu tesoureiro, o convidou para acompanhá-lo a seu quarto e fez com que comesse iguarias de sua mesa. Esgotado com as excessivas despesas de seus desvarios, tornou-se ainda mais rapace que os outros imperadores, valendo-se de seus soldados para rapinar cidadãos em qualquer lugar, seja ele vivo ou morto. Bastava para isso uma simples alegação de que o cidadão alvejado fosse contrário à majestade do príncipe. Ao demais, se apropriava de heranças de cidadãos comuns sob a alegação de que o de cujus desejava que “César fosse seu único herdeiro”. Como se não bastasse, ao longo de seu império decidiu que além de senhor, deveria ser tratado por “deus”. Foi vítima de uma conspiração e assassinado no dia 18 de setembro de 96. (in SUETÔNIO, “A VIDA DOS DOZE CÉSARES”, Editora Martin Claret, São Paulo, 2006, p. 411 usque 431).
“HELIOGABALUS” – ou ELAGABALAUS, a forma latina do nome de origem semítica “EL-GABAL”, adotado por este imperador romano, que reinou de 218 a 22 d.C. Quando sucedeu a MACRINUS, seu predecessor, o culto ao deus sol em Roma já estava avançado e este se aproveitou para estabelecer seu deus “EL-GABAL” como divindade-mor do panteão de deuses romanos, ocupando o lugar de JÚPITER. Era também notável por seus excessos, em especial, por suas inclinações sexuais. É acusado por vários historiadores de ter sido transexual e de seus estranhos hábitos terem chocado a sociedade romana de então, já acostumada a tantos excessos dos imperadores. (Nota do Tradutor)
A vida de CAIO JÚLIO CÉSAR é bem conhecida, assim como tudo o que tramou – encabeçando o partido popular, ou da plebe – para derrubar a República Romana e estabelecer uma monarquia ao estilo oriental, após a vitória sobre POMPEU MAGNO na batalha de Farsália ao fim da Guerra Civil. Entretanto, sempre em sua vida política dissimulou seu objetivo verdadeiro, que era a ditadura perpétua e centralizada nele próprio, até mesmo quando obteve a total vitória contra a aristocracia republicana. É cediço que mesmo na época da guerra contra Pompeu dissimulava que era a favor da paz, quando não o era. Ao vencê-lo, teve por opção dissolver o Senado, mas não o fez. Expulsou com sua política populista os grandes homens da época como CÍCERO e CATÃO e os substituiu por bárbaros incultos e interessados apenas em lucros fáceis (gauleses, etc.) para em pouco tempo deteriorar a imagem do Senado e reforçar a idéia de que não se tratava da ditadura de um único homem, pelo horror que tal idéia causava a toda classe de homens, sejam aristocratas, sejam os populares. Daí a figura do “odor grosseiro de um ninho de águias”, utilizada por ALBERT PIKE, para representar a decadência de uma instituição que foi decisiva para que Roma se tornasse o império que era. (N. do T.)
“ATENA” – era a deusa da sabedoria e nasceu da testa de ZEUS, depois que este engoliu sua mãe, METIS. Seu símbolo era a mais sábia das aves, a coruja. Sabia tecer e tinha habilidade para as artes, além de ser uma deusa guerreira. Carregava uma lança e um escudo – a égide – ornamentado com a cabeça da GÓRGONE MEDUSA, que petrificava quem quer que a visse. ATENA era a protetora da região da Ática, suja principal cidade era Atenas. (PHILIP WILKINSON, in “O LIVRO ILUSTRADO DA MITOLOGIA”, Editora Publifolha, São Paulo, 2000, p. 55)
CÉSAR costumava dizer que era descendente da DEUSA VÊNUS, ou seja, a deusa do amor. Da união desta deusa com o mortal ANQUISES, nasce ENÉIAS, que tem a sagrada missão de carregar os penates de seus ancestrais para um outro lugar, após a destruição de Tróia pelos gregos. Após errar anos pelos mares, funda a cidade de Alba Longa na Itália e, muitas gerações depois, seus descendentes, RÔMULO e REMO ao serem expulsos de sua cidade natal, fundam Roma e é desta linhagem que CÉSAR – quer por romantismo, quer por cinismo – dizia ser a descendência do clã dos Júlios, derivada do nome de IULO (ASCÂNIO), filho de ENÉIAS. (N. do T.)
A “BASTILHA” era utilizada para recolher presos políticos, religiosos e escritores e pensadores subversivos, contrários ao regime. De todos os famosos que aí estiveram presos, vale destacar o escritor e filosofo Voltaire, o “Homem da Máscara de Ferro”, o escritor Marquês de Sade, dentre vários outros. Simboliza até hoje o terror e a opressão da tirania e o dia da “queda” da Bastilha – 14 de julho de 1789 – foi escolhido como o feriado nacional francês e a data mais marcante da REVOLUÇÃO FRANCESA. (apud “PEQUENO DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO KOOGAN-LAROUSSE”, Editora Larousse, São Paulo, 1982) (N. do T.)
“the law and Rule, or Gauge”, no original em inglês. (N. do T.)
“GAVEL”, no texto original. ALBERT G. MACKEY pontifica que o “COMMON GAVEL”, ou o malhete comum, da forma como aqui foi traduzido, é uma das ferramentas de trabalho do APRENDIZ. É usada pelo MAÇOM OPERATIVO para desbastar a pedra bruta e também pelo construtor, já que é a ferramenta mais conveniente para esta atividade. Na MAÇONARIA ESPECULATIVA é usada como símbolo da eterna obrigação do MAÇOM de trabalhar para a purificação de todos os vícios e purezas de sua mente. Tem por origem a palavra alemã “GIPFEL” e é também conhecido como “HIRAM”, eis que, como o ARQUITETO, ele governa o Ofício e mantém em ordem a Loja, como ele fazia no TEMPLO.
“ROUGH ASHLAR”, em inglês.
“PERFECT ASHLAR”, em inglês.
“MÔNADA” – O Uno. O espírito tríplice em seu próprio plano. No ocultismo muitas vezes significa a tríada unificada – ATMA, BUDDHI, MANAS; Vontade Espiritual, Intuição e Mente Superior – ou a parte imortal do homem que reencarna nos reinos inferiores e gradualmente progride através deles até o homem e, daí, até o objetivo final. (ALICE A. BAILEY in “INICIAÇÃO HUMANA E SOLAR”, p. 192)
“DUAD”, no texto original. Na versão final, este entendimento será revisto. (N. do T.)
“GAUGE”, no original inglês.
No original em inglês a figura utilizada é a de “INVISIBLE AIR”, que não tem muito sentido em português, razão pela qual foi substituída por “éter” que me parece ser uma figura muito mais eloqüente que “o ar invisível”, mesmo com a definição dada a éter pelo próprio ALBERT PIKE em sua obra “THE CREATION”, a seguir transcrita: “This light “of the vestige of the garment,” is said to be, relatively to that of the vestige of the substance, like a point in the centre of a circle. This light, a point in the centre of the great light is called Auir, Ether, or Space.” Na versão final desta tradução tal questão será revista. (N. do T.)
“HERMES” – Para os gregos antigos era um dos deuses olímpicos. Filho de ZEUS com a ninfa MAIA, era o deus responsável por tudo o que se relacionasse com movimento, viagem, estradas, moeda e transações comerciais, aparecia sempre usando um chapéu de viajante e sandálias aladas. Na mão, levava uma varinha mágica feita de duas cobras enroscadas numa haste. Não podemos nos furtar à interessante descrição de HERMES feita pelo mestre WILL DURANT, senão vejamos: “HERMES (MERCÚRIO) era mais interessante. Originalmente fora pedra, e do culto das pedras sagradas proveio a sua veneração; os estágios da sua evolução mostram-se ainda visíveis. Vemo-lo como uma alta pedra colocada sobre os túmulos, ou então como o daimon, ou espírito dessa pedra. Passa em seguida a ser pedra dos marcos, ou o seu deus, demarcando e guardando seus campos; e porque sua função aí é também a de promover a fertilidade, o falo torna-se um dos seus símbolos. Em seguida aparece como herma ou coluna – com uma cabeça bem acabada, busto informe e um proeminente falo, esculpidos na pedra – a qual era colocada em frente a todas as casas respeitáveis de Atenas; (…) De novo o encontramos como deus dos caminhantes e protetor dos arautos; o característico bordão ou caduceu torna-se uma das suas insígnias favoritas.” (in “A HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO – SEGUNDA PARTE, TOMO I”) Para (…), em sua obra “THE SECRET TEACHINGS OF ALL ERAS”, a Grande Pirâmide do Egito seria a tumba do deus egípcio OSÍRIS e que teria sido construída há mais de 70.000 anos pelos próprios deuses, sendo o imortal Hermes seu arquiteto. É considerado por este autor como “o monumento a Mercúrio, o mensageiro dos deuses e o símbolo universal da sabedoria e das letras.”
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