Todos os artigos de Luis de Figueiredo

Rito Escocês – Graus do R.E.A.A.

GRAU 1 – Aprendiz

Avental de pele branca com a abeta (ou babadouro) levantada. Simbolicamente, o aprendiz é representado em mangas de camisa e com esta aberta no peito, numa alusão ao seu traje durante as provas de iniciação, em que se deve apresentar com peito nu, o joelho descoberto e o pé esquerdo descalço.

 


GRAU 2 – Companheiro

Avental de pele branca com a abeta voltada para baixo.

O companheiro já é representado em traje civil completo, segundo a moda da época.

 


GRAU 3 – Mestre

Avental branco forrado e debruado de vermelho; no meio do avental estão pintadas ou bordadas a vermelho as letras “M.·. B.·.”. Ao pescoço, fita azul de cerca de 10cm de largura (“quatro polegadas”), tendo, na sua extremidade inferior, uma roseta vermelha; pendente acha-se a jóia, que consiste num esquadro e num compasso, este aberto num ângulo de 45 graus. Estas insígnias, que se mantiveram essencialmente até hoje na Maçonaria portuguesa, conhecem, todavia, na actualidade, uma ligeira alteração, s., a substituição da fita por uma banda azul debruada de vermelho, que se usa a tiracolo da direita para a esquerda. Passe Mestre – Insígnias semelhantes às de “Mestre”; no avental pinta-se ou borda-se a ouro um círculo, em cujo campo estão as duas colunas “B.·.” e “J.·.” dos templos maçónicos e, no meio, um pentagrama ou estrela flamejante de cinco pontas com um iod hebraico no centro; em volta da circunferência, servindo de orla, estão as letras “H.·. T.·. S.·. T.·. K.·. S.·.”.

 


GRAU 4 – Mestre Secreto

Avental branco preso por fitas (ou cordões) pretas; no meio do avental, dois ramos cruzados, um de loureiro e o outro de oliveira, com a letra “Z” no centro; abeta azul com um olho pintado ou bordado a ouro.

Ao pescoço, fita azul debruada de preto, tendo pendente a jóia, que é uma chave de marfim, igualmente com um “Z” inscrito.

 


GRAU 5 – Mestre Perfeito

Avental branco com abeta verde; no meio do avental há três circunferências concêntricas tendo no centro da menor um cubo com a letra “J” na face principal.

Ao pescoço, fita verde de onde pende a jóia, que é um compasso aberto a 60 graus sobre um segmento de círculo graduado.

 


GRAU 6 – Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade

Avental branco debruado de vermelho, tendo na abeta um triângulo, pintado ou bordado a ouro, com três pontos (.·.). Ao pescoço, fita carmesim de que pende a jóia, que é formada por três triângulos entrelaçados.

GRAU 7 – Preboste e Juíz

Avental branco bordade de vermelho na orla e ao longo da abeta onde se acha, pintada ou bordada, uma chave de ouro; no meio do avental existe uma algibeira debruada de vermelho com uma roseta também vermelha. Ao pescoço, fita carmesim, tendo pendente a jóia, que é outra chave de ouro.

 


GRAU 8 – Intendente dos Edifícios

Avental branco debruado de vermelho e bordado, na orla, a verde; no centro, a vermelho, uma estrela de nove pontas e, por baixo, uma balança a ouro; na abeta, um triângulo branco debruado de verde tendo inscritas, na mesma cor, as letras “B.·. A.·. J.·.”.

Banda carmesim posta a tiracolo, da direita para a esquerda, de que pende a jóia, consistindo num triângulo de outro com inscrições alusivas ao grau.

 


GRAU 9 – Mestre Eleito dos Nove

Avental branco debruado de preto tendo, no centro, bordado ou pintado, um braço segurando um punhal no acto de ferir; abeta, debruada também de preto.

Banda preta, posta a tiracolo, da esquerda para a direita, tendo semeadas nove rosetas vermelhas, de forma a que se vejam quatro na face dianteira e outras quatro na traseira; como jóia, um punhal de ouro com lâmina de prata, que pende da nona roseta, situada na parte inferior da banda.

 


GRAU 10 – Ilustre Eleito dos Quinze

Avental branco debruado de preto, tendo, no meio, uma vista simbólica da cidade de Jerusalém com três portas e, frente a cada uma delas, espetada num poste, uma cabeça; abeta debruada também de preto. Banda preta a tiracolo, da esquerda para a direita, com três cabeças pintadas ou desenhadas na parte da frente; do extremo inferior da banda pende a jóia, que é um punhal de ouro com cabo de prata. Segundo os rituais do século XX, a banda ostenta, além das três cabeças, nove rosetas vermelhas e doze lágrimas de prata.

GRAU 11 – Sublime Cavaleiro Eleito

Avental branco debruado de preto, com orla decorativa também a preto; no meio, uma algibeira tendo pintada ou bordada uma cruz vermelha; abeta debruada e orlada de preto. Banda preta, colocada a tiracolo, da esquerda para a direita, tendo bordada a prata a divisa “VICERE AUT MORI”; a jóia, pendente da extremidade inferior da banda é um punhal de ouro com lâmina de prata. Nos rituais do século XX permite-se a substituição da divisa por “três corações inflamados”, bordados.


GRAU 12 – Grande Mestre Arquitecto

Avental branco, debruado e orlado de azul, com uma algibeira ao meio, também orlada da mesma cor, abeta debruada de azul. 

Banda azul a tiracolo, da direita para a esquerda; tem suspensa, na sua extremidade inferior, a jóia, que é uma chapa quadrada com inscrições alusivas ao grau.

 


GRAU 13 – Real Arco

Banda escarlate, da direita para a esquerda, de cuja extremidade inferior pende a jóia, um triângulo ou uma medalha de ouro com inscrições alusivas ao grau.
 

Nos rituais do século XX usa-se, além da banda – convertida em fita posta ao pescoço – , um avental branco orlado de escarlate.

 


GRAU 14 – Grande Escocês

Avental branco, debruado de carmesim e orlado com um folho da mesma cor; no meio, está pintada ou bordada, também a carmesim, uma pedra quadrada com um anel ao centro.

Fita de igual cor ao pescoço, tendo pendente a jóia que é um compasso de ouro aberto em cima de um quarto de círculo. Nos rituais do século XX, o avental é orlado com um folho azul, em vez de carmesim.

 


GRAU 15 – Cavaleiro do Oriente ou da Espada

Avental branco, debruado de verde; no meio, acham-se bordados três cepos de carvalho formando um triângulo, no centro do qual estão inscritas as iniciais “L.·. D.·. P.·.”; na abeta, pintada ou bordada, vé-se uma cabeça ensaguentada entre duas espadas cruzadas. Banda verde-mar a tiracolo, da direita para a esquerda, tendo bordados ossos, membros, cabeças, espadas inteiras e espadas partidas, bem como uma ponte com as iniciais acima referidas; da banda pende a jóia, que é uma pequena espada. Nos rituais do século XX, o triângulo de cepos de carvalho é substituído por três triângulos entrelaçados, sendo os lados formados por pequenos triângulos.

GRAU 16 – Príncipe de Jerusalém

Avental vermelho debruado de amarelo claro; facultativamente, pode pintar-se no meio uma imagem do templo de Salomão, ladeado por: um esqueadro, um compasso, um escudo, um delta flamejante e o braço da justiça. Ao pescoço, escapulário azul debruado de amarelo e bordado a ouro, com uma balança, o braço da justiça, um punhal, cinco estrelas e duas coroas; dele pende a jóia, que é uma medalha de ouro tendo gravadas, no anverso, uma mão sustentando uma balança e, no reverso, uma espada de dois gumes e cinco estrelas. Luvas vermelhas. Nos rituais modernos, tal como no texto do ritual de 1841-42, a cor do escapulário é avermelhada (“cor de aurora”), em vez de azul.


GRAU 17 – Cavaleiro do Oriente e do Ocidente

Avental amarelo debruado de vermelho. Banda branca, a tiracolo, da direita para a esquerda.
 

Ao pescoço, fita preta tendo pendente a jóia, um heptágono parcialmente de ouro e parcialmente de prata ou de madrepérola, com inscrições alusivas ao grau.

 


GRAU 18 – Soberano Príncipe Rosa-Cruz

Avental amarelo debruado de escarlate, tendo ao meio três círculos e três quadrados concêntricos, com três triângulos também concêntricos inscritos no círculo mais pequeno; na abeta, borda-se um “J” a ouro (embora na gravura pareça vermelho).

Ao pescoço, fita metade verde (a da direita), liga escarlate com a legenda “VIRTUDE E SILÊNCIO”. As insígnias modernas são bastante diferentes destas, baseando-se essencialmente a sua simbologia no pelicano alimentando os sete filhos com a carne do peito e na cruz com a rosa mística.


GRAU 19 – Grande Pontífice

Banda carmesim orlada de branco, posta a tiracolo, da direita para a esquerda; bordadas, doze estrelas de ouro, bem como as palavras “Alpha” à frente e “Omega” atrás. Da banda pende a jóia, em forma de quadrado, tendo gravadas letras alusivas ao grau.

Toga branca e fita azul com doze estrelas de ouro cingindo a testa. Nos rituais modernos, a toga e a fita da cabeça estão omitidas, surgindo, em compensação, um avental branco com decorações alusivas ao grau.


GRAU 20 – Venerável Mestre de todas as Lojas

Avental azul orlado de amarelo, com abeta amarela; pintado ou bordado a ouro, no meio, um triângulo com a letra “R” inscrita; da fita que ata o avental pendem dois cordões amarelos franjados.

Escapulário azul e amarelo estando, na parte da frente, o azul em cima e o amarelo em baixo e, na parte de trás, o amarelo em cima e o azul em baixo. A jóia, que pende do escapulário, é um triângulo de ouro com a letra “R”.


GRAU 21 – Cavaleiro Prussiano ou Noaquista (também grafado “Noaquita”)

Avental amarelo.
Banda preta, posta a tiracolo, da direita para a esquerda, tendo pendente, da extremidade inferior, a jóia, que é um triângulo equilátero de ouro atravessado por uma flecha com a ponta virada para baixo.

Luvas amarelas.

 


GRAU 22 – Real Machado

Avental de pele branca, debruado de vermelho e atado com fita vermelha; pintadas, uma mesa redonda com desenhos e plantas de edifícios em cima, tendo por baixo três figuras, uma derrubando uma árvore, outra cortando os ramos da árvore derrubada, e a terceira afeiçoando a madeira; na abeta, um olhos bordado a ouro. Ao pescoço, fita larga cor de fogo, tendo pendente a jóia, que é um machado de ouro com cabo terminado em borma de coroa e, gravadas, letras alusivas ao grau. Nos rituais modernos, omitem-se as três figuras do avental e muda-se para as cores do arco-íris a cor da fita.

GRAU 23 – Chefe do Tabernáculo

Faixa escarlate à cintura, com franja de ouro pendente do lado direito. A jóia, pendente da faixa, é um turíbulo suspenso por roseta preta. Toga branca. Nos rituais modernos, acrescentam-se um avental escarlate, orlado de amarelo e uma fita da mesma cor, ao pescoço.


GRAU 24 – Príncipe do Tabernáculo

Avental branco debruado de cor de fogo, tendo no meio uma esfera de ouro. Banda da mesma cor com a esfera ao meio, posta a tiracolo, da direita para a esquerda. Facultativamente, usa-se uma toga azul semeada de estrelas de ouro, com gola guarnecida de “raios de garça de oiro de maneira que formem uma espécie de resplendor por detrás da cabeça”. Fita azul com estrelas de ouro cingindo a testa. Nos rituais modernos surgem variantes: escarlate em vez de cor de fogo; fita ao pescoço em vez de banda; triângulo luminoso em vez de esfera; murça azul e manto cor de ouro.


GRAU 25 – Cavaleiro da Serpente de Bronze

Fita vermelha ao pescoço, com a divisa “VIRTUDE E CORAGEM”; pendente da sua extremidade, a jóia, que é uma serpente enroscada numa vara terminando em “T”. Nos rituais modernos, acrescenta-se um avental brando, orlado de escarlate.

GRAU 26 – Príncipe da Mercê (também grafado “Merci” ou “Mercy”)

Avental escarlate, no meio do qual está pintado um triângulo, metade verde e metade branco. Ao pescoço, fita tricolor, vermelha, branca e verde, em faixas paralelas, estando o verde em baixo; dela pende a jóia, que é um triângulo equilátero de ouro.


GRAU 27 – Grande Comendador do Templo

Avental vermelho forrado e debruado de preto; no meio, tem, a preto, uma cruz teutónica rodeada por uma coroa de louro; na abeta, e na mesma cor, uma chave. Ao pescoço, fita branca com risca vermelha perto de cada borda, semeada de cruzes duplas vermelhas; dela pende a jóia, um triângulo equilátero de ouro.

Nos rituais modernos, como aliás na própria descrição escrita de 1841-42, a cruz do avental coloca-se na abeta, juntamente com a chave; há ainda outras variantes, de menos importância.


GRAU 28 – Cavaleiro do Sol

Avental de pele “parda”, debruado de preto. Ao pescoço, fira de moirée branco, tendo na ponta, bordado ou pintado, um olho a ouro; a jóia, pendente da fita, é um triângulo radiante de ouro, com um ohos no meio. Túnica curta azul celeste. Barrete de seda azul, bordado a ouro, ou fita amarela cingindo a testa. Nos rituais modernos suprime-se o avental.

GRAU 29 – Grande Escocês de Santo André

Banda de moirée carmesim, posta a tiracolo, da esquerda para a direita; dela pende a jóia alusiva ao grua. Toga vermelha com cinta de seda branca, franjada a ouro. Nos rituais modernos há variantes; acrescenta-se um avental branco orlado de verde com franjas de ouro, permite-se a substituição da banda por uma fita ao pescoço e conhecem-se dois tipos de jóia, consoante se use banda ou fita.


GRAU 30 – Grande Eleito Cavaleiro Kadosch (também grafado “Kadosh” e “Kadesh”)

Avental branco debruado de vermelho com a cruz teutónica no centro. Banda preta, orlada de prata, posta a tiracolo da esquerda para a direita, tendo bordados, a ouro uma cruz teutónica e duas espadas entrelaçadas, e a prata uma águia bicéfala (com coroa e segurando uma espada, ambas a ouro), as iniciais “C.·. K.·. S.·.” e uma caveira com dois ossos entrecruzados; laço e franja de prata na extremidade inferior; desta pende também a jóia, que é um punhal de prata com cabo de ouro. Cinta vermelha. Usa-se igualmente, em alternativa às anteriores insígnias, uma túnica branca aberta dos dois lados, debruada de preto; no peito e nas costas, leva uma grande cruz teutónica, a vermelho. Cinta preta franjada de prata, de que pende a jóia, um punhal com cabo de marfim e ébano. Chapéu com abas abatidas, tendo na frente um sol com raios de ouro e fundo de prata, no meio do qual se acha um pequeno olho; aos lados do sol, as letras “N” e “A”. Nos rituais modernos suprime-se geralmente o avental e surgem alterações de somenos importância. Também se não faz uso da túnica nem do chapéu.


GRAU 31 – Grande Juiz Soberano Comendador

Avental branco debruado de prata com a cruz teutónica no meio, também de prata, e o número “31” bordado a vermelho, na abeta. Ao pescoço, fita de moirée branca, tendo na ponta um triângulo radiante de ouro com o número “31” bordado a vermelho.
 

O avental pode ser suprimido nas sessões de loja de grau inferior. Nos rituais modernos acrescenta-se a jóia, pendente da fita, que é uma cruz teutónica.

 


GRAU 32 – Sublime Príncipe do Real Segredo

Ao pescoço, fita preta orlada de prata e forrada de vermelho, com uma cruz teutónica na ponta, bordada a vermelho, onde se desenha uma águia bicéfala de prata; no reverso da fita borda-se outra cruz teutónica, a preto; a jóia, pendente da fita, é uma cruz teutónica de ouro esmaltada de vermelho, com o número “32” no centro. Usa-se também, em alternativa, uma túnica branca com cinta negra franjada de prata, e um manto vermelho no qual se borda uma cruz teutónica branca; no peito da túnica borda-se outra cruz teutónica, vermelha. Chapéu semelhante ao do grau 30, preto com uma águia bicéfala a ouro. Nos rituais modernos, para lá de se omitir a túnica, o manto e o chapéu, acrescenta-se uma cinta preta franjada de prata, com a cruz teutónica pendente.


GRAU 33 – Soberano Grande Inspector Geral

Avental branco, orlado de folho vermelho, tendo bordada no meio uma águia bicéfala de ouro, coroada e sobreposta por cinco bandeiras; na abeta borda-se uma cruz teutónica a vermelho e ouro. Banda de moirée branca, posta a tiracolo, da direita para a esquerda; tem bordados, a ouro e vermelho, a águia bicéfala coroada, um triângulo radiante tendo no centro o número “33” e duas bandeiras cruzadas e sobrepostas por uma coroa; franja de ouro. Cinta de moirée branco, franjada de ouro, com uma cruz teutónica a vermelho e ouro no centro. Ao pescoço, fita estreita branca, tendo pendente a jóia, que é uma águia bicéfala preta coroada, com bico, unhas e espada nas garras a ouro. Usa-se em alternativa, para ocasiões solenes, uma túnica vermelha orlada de ouro, banda e cinta como as anteriormente descritas, e manto brando orlado e bordado de ouro, com uma cruz teutónica vermelha. Na cabeça coroa aberta. Nos rituais modernos, para além de se omitir o traje de cerimónia, suprime-se o avental.

 

Fonte: Figurinos Maçónicos Oitocentistas, um «guia» de 1841/42 com apresentação, introdução e anotações do Dr. A. H. de Oliveira Marques (Editorial Estampa, Lisboa, 1983) – cortesia do Grémio Fénix (GOL, Lisboa)


A INCLUSÃO MAÇÔNICA NO MUNDO

Em diversas jurisdições maçônicas ao redor do mundo, a lista de 25 Landmarks de Albert G. Mackey é respeitada como algo intocável, afinal, sua vigésima quinta regra assim determina, que os outros 24 Landmarks são imutáveis. O décimo oitavo traz em sua redação o impedimento de mulheres, escravos e aleijados serem iniciados, o que já rendeu rios de tinta sobre o tema. Quanto à iniciação de mulheres, não é o objetivo deste estudo, mas pode-se afirmar que não é dependente desse Landmark a sua não aceitação.

A iniciação feminina é proibida na maçonaria regular pelos Oito Pontos de Regularidade da Grande Loja Unida da Inglaterra, que exige a entrada somente de homens, de maior idade e reputação ilibada. Em relação aos escravos, a regra já não tem cabimento no mundo moderno, se é que já teve algum fundamento, conhecendo-se a história das Lojas Prince Hall, dos Estados Unidos da América (que paradoxalmente, adotam ainda os 25 Landmarks). Mackey era contra a iniciação de deficientes físicos, adotando a Doutrina do Homem Perfeito, pois apenas um homem com perfeita compleição física podia se apresentar para a construção do tempo maçônico. Um aleijado, em suas palavras, não podia ser feito maçom.

As listas de Landmarks são muito variadas, cada Grande Loja ou Oriente adotando as que acha mais interessantes para sua realidade. A Grande Loja Unida da Inglaterra, de onde surgiram as primeiras leis e jurisprudências maçônicas diz, no seu Livro das Constituições que os Landmarks são imutáveis, mas, observe-se, nunca definiu quais eram. Na maioria das listas de Landmarks encontramos somente a prescrição de que o iniciado seja homem, de idade madura e boa reputação.

Neste estudo tenta-se demonstrar que, dentro da Maçonaria regular, felizmente, a regra de exclusão de deficientes físicos, atualmente em voga na América Latina e outras jurisdições, não é nem de longe universal: a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja do Maine e a Grande Loja Regular da Bélgica, para citar apenas três, não apresentam restrições à Iniciação de profanos com deficiências físicas. Observe-se o que traz a página da internet da Grande Loja Regular da Bélgica:

Pessoas com deficiências podem tornar-se maçons?
Sim, podem, desde que sua deficiência não os previna de participar das reuniões, pois de outro modo a maçonaria não seria, de forma alguma, de valia para elas.
Se alguém se torna deficiente após adquirir a qualidade de maçom, mantem-se maçom e os irmãos encontram um meio de manter o relacionamento.

Ainda a página da Grande Loja do Maine, nos Estados Unidos da América informa em seção de perguntas mais frequentes:

Como um homem se torna um maçom?
Eu tenho uma deficiência física. Posso ser um maçom?
A resposta é quase que certamente sim, desde que você possa participar da Loja e preencha os outros critérios na questão (1) desta seção (ser homem, pelo menos 18 anos de idade, ter uma crença em Deus e ser de bom caráter). Paraplégicos têm-se tornado maçons, assim como cegos, surdos e outros com várias deficiências. Pequenas modificações devem ser feiras nos rituais (por exemplo: empregar linguagem de sinais, modificando pontos em que o candidato fica em pé se é usuário de cadeira de rodas), mas a maioria das lojas têm condições de acomodar os candidatos. Nos tempos medievais, o requerimento de possuir um corpo fisicamente perfeito era sério, uma vez que o trabalho de pedreiro era fisicamente difícil. Algumas Grandes Lojas trouxeram tal requerimento à maçonaria simbólica (isto é, não-operativa). Contudo, em tempos mais modernos isso tem sido eliminado.

P. Roberts, assessor de Relações Internacionais da Grande Loja Unida da Inglaterra esclarece em correspondência destinada a esclarecer sobre as práticas britânicas:

Confirmo que não temos restrições a (iniciar) candidatos cegos ou restritos a cadeiras de rodas. Em minha própria Loja tínhamos um irmão cego e atualmente temos um surdo.

R.L.D. Cooper, curador da Grande Loja da Escócia responde através de correspondência eletrônica:

Sim, nós temos os três Rituais em Braille. As únicas pessoas que não podem se tornar maçons são surdo-mudos – que não podem ouvir e falar e assim não entenderiam o ritual. Nós temos uma Loja que é destinada principalmente para pessoas em cadeira de rodas. Outras pessoas com deficiências são tratada caso a caso.

Pesquisando sobre casos atuais, encontram-se os seguintes relatos no “Masonic Forum of Light”, em tópico inquirindo sobre a existência de maçons cegos:

Postagem original: Existem maçons cegos?
Temple, Birmingham
É claro que existem maçons cegos como você já ouviu falar. Há maçons com todo o tipo de deficiências que você possa imaginar. O ritual é adaptado a eles quando há necessidade. Eu estava presente, como convidado, quando uma pessoa cega foi iniciada em Loja. Ele foi vendado, não para preveni-lo de enxergar, mas como parte do ritual… Foi-lhes dada a luz espiritual ou a luz do conhecimento. A Luz Maçônica. A venda enfatizou isso a ele.
George, Haslingfield, Nr Cambridge, Inglaterra

Nós tivemos um homem cego iniciado, elevado e exaltado em meu Distrito Maçônico em um loja vizinha. Acompanhava-o seu cão guia. Quando ele se ajoelhou no altar para seu juramento seu cão deitou ao seu lado. Quando foi conduzido pela loja, seu cão o acompanhou. Foi exaltado e seu cão estava a seu lado e na conclusão do mestrado a Loja apresentou ao cão um avental de mestre maçom que ele usava orgulhosamente. Ver um mestre maçom recém exaltado e seu cão, ambos adornados com aventais Maçônicos provocou lágrimas de emoção.
Bentley, 2005

Mackey foi superado há muitos e muitos anos na maioria das Grandes Lojas, a sua Doutrina do “Homem Perfeito” é muito rara hoje nos Estados Unidos. Em minha própria loja (Indiana), nós temos uma Loja Especial de Mestres Instalados que foi treinada para prestar assistência aos deficientes durante os Rituais. Como nós somos ensinados que são as Qualidades Internas, e não as Externas, que tornam um homem elegível a ser maçom, há poucas deficiências físicas que não podem ser superadas.
Indiana, 25 de dezembro de 2012

Temos em seguida no mesmo tópico o relato do irmão Peter L., Secretário da Loja Tower of Lebanon, 169, Belfast, Grande Loja da Irlanda:

Atualmente sou registrado como cego tendo sido assim desde o nascimento. Recentemente minha visão deteriorou tremendamente, mas isso não me impede de ser o Secretário da Loja. Atualmente sou “Excelent King” no Arco Real. A loja/capítulo fez pequenos ajustes para mim, mas nós revolucionamos as Atas… Eu faço a Ata no computador, copio e distribuo com as circulares e na Loja ocorre assim:
VM: Irmão Secretário, a ata, por favor.
EU: o rascunho da ata foi enviado com a circular e não houve emendas desde então.
VM: Está aprovada a ata.

John Hamill, descreve na revista Freemasonry Today, que traduzimos:

Uma das reuniões mais memoráveis que participei foi um Terceiro Grau (exaltação), o candidato estava em uma cadeira de rodas. Podia-se sentir a atmosfera de boa vontade na loja com os oficiais concentrando-se no conforto do candidato e os integrantes das fileiras laterais desejando em silêncio que os oficiais fizessem um bom trabalho para o candidato. Era a maçonaria no seu melhor.

Exemplos vários de casos reais de maçons iniciados em diversos locais do mundo, na maçonaria regular, pelos critérios da Grande Loja Unida da Inglaterra e do Grande Oriente do Brasil. A falta de informação talvez seja um dos maiores entraves nessa questão. Deve-se ter bases para a solução do problema, as premissas, que devem ser reais e não fantasiosas, e uma das principais premissas que devem nortear esse assunto é de que a maçonaria regular mundial permite a iniciação de pessoas com deficiências.

Além disso, a iniciação de pessoas com deficiências não torna uma potência irregular. Somente através da pesquisa, estudo e conhecimento, chegaremos por fim ao resultado final que certamente será o fim do preconceito e a permissão às lojas de poderem elas próprias decidirem quem é elegível à iniciação na maçonaria. Aliás, acreditamos que isso já seja possível, legalmente, no Grande Oriente do Brasil, de acordo com sua constituição e regulamento, mas este é assunto para um futuro artigo.
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Diego Denardi
M.’. M.’. – Or.’. de Santiago (Brasil)


O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO E A PARTÍCULA DIVINA

GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO
O Grande Arquiteto do Universo, etimologicamente se refere ao principal Criador de tudo que existe, principalmente do mundo material (demiurgo) independente de uma crença ou religião específica.


CONCEITO CRISTÃO

O conceito de Deus como o Grande Arquiteto do Universo tem sido empregado muitas vezes no cristianismo. Ilustrações de Deus como o arquiteto do universo podem ser encontradas em Bíblias desde a Idade Média e regularmente empregadas pelos apologistas e professores cristãos.

Teólogos cristãos como Tomás de Aquino (1) sustentam que existe um Grande Arquiteto do Universo, a Primeira Causa (2), e que este é Deus. Os comentadores de Aquino têm apontado que a afirmação de que o Grande Arquiteto do Universo é o Deus cristão não é evidente, com base na “teologia natural” somente, mas requer adicionalmente de um “salto de fé” baseado na revelação da “Bíblia”.

João Calvino (3), em seu Instituto da Religião Cristã (publicado em 1536), chama repetidamente o Deus cristão de “O Arquiteto do Universo”, também se referindo aos seus trabalhos como “Arquitetura de Universo”, e em seu comentário sobre Salmo 19 (4) na Bíblia católica Salmo 18 (5) refere-se à Deus como o “Grande Arquiteto” ou “Arquiteto do Universo”.

CONCEITO MAÇÔNICO
O conceito do ‘Grande Arquiteto do Universo’ está além de qualquer credo religioso, respeitando toda a sua pluraridade. A crença num ser supremo é ponto indiscutível, para que se possa ser iniciado na maçonaria, uma realidade filosófica mas não um ponto doutrinal. Como é uma escola de filosofia, moral e bons costumes, e não sendo uma religião, a maçonaria não pretende concorrer com outras religiões. Permite aos seus iniciados a crença em qualquer uma das religiões existentes, exigindo apenas a crença num ser superior, criador de tudo e de todos, que o candidato já acreditasse antes mesmo de considerar a possibilidade de vir a ser um maçom.

Assim, ‘Grande Arquiteto do Universo’ ou ‘G.•.A.•.D.•.U.•.’ é uma designação maçônica para uma força superior, criadora de tudo o que existe. Com esta abordagem, não se faz referência a uma ou outra religião ou crença, permitindo que maçons muçulmanos, católicos, budistas, espíritas e outros, por exemplo, se reúnam numa mesma loja maçônica.

Para um maçom de origem muçulmana se referiria a Alah, para outro de católica, seria Jave, de qualquer forma significaria Deus. Assim as reuniões em loja podem congregar irmãos de diversas crenças, sem invadir ou questionar seus conteúdos. A atividade da Maçonaria em relação ao Grande Arquiteto do Universo – G.•.A.•.D.•.U.•., envolve estudos filosóficos e não proselitismo (6).

CONCEITO HERMÉTICO
O Grande Arquiteto também pode ser uma metáfora aludindo à potencialidade divina de cada indivíduo. “(Deus)… Esse poder invisível que todos sabemos existir, mas entendida por muitos nomes diferentes, tais como Deus, o Espírito, o Ser Supremo, a Inteligência, Mente, Energia, Natureza e assim por diante.” Na Tradição Hermética (7), cada pessoa tem o potencial de tornar-se Deus, esta
idéia ou conceito de Deus é percebido como interno e não externo. O Grande Arquiteto é também uma alusão ao universo criado observador. Nós criamos nossa própria realidade, por isso nós somos o arquiteto. Outra forma seria a de dizer que a mente é o construtor.

CONCEITO DO PONTO DE VISTA DA GNOSIS
O conceito de Grande Arquiteto do Universo ocorre no gnosticismo. O Demiurgo é o Grande Arquiteto do Universo, o Deus do Antigo Testamento, em oposição a Cristo e Sophia mensageiros da Gnose do Verdadeiro Deus. Ebionits como Notzrim, por exemplo, o Rabba Pira, é a fonte de origem, e, recipiente de todas as coisas, que é preenchido pelo Rabba Mana, o Grande Espírito, do qual emana a primeira vida. A primeira vida reza para a companhia e filhos, após o que a segunda vida, o Ultra Mkayyema ou mundo que constitui Æon (8), o Arquiteto do Universo, vem a ser. A partir desse Arquiteto vem uma série de æons, que erguem o universo sob o comando da gnosis (9), o conhecimento personificado de vida.

BÓSON DE HIGGS
O Bóson de Higgs é uma partícula elementar prevista pelo Modelo Padrão de partículas, teoricamente surgida logo após ao Big Bang de escala maciça hipotética predita para validar o modelo padrão atual de partícula. Representa a chave para explicar a origem da massa das outras partículas elementares. Todas as partículas conhecidas e previstas são divididas em duas classes: férmions (partículas com spin da metade de um número ímpar) e bósons (partículas com spin inteiro).

As massas da partícula elementar e as diferenças entre o eletromagnetismo (causado pelo fóton) e a força fraca (causada pelos bósons de W e de Z), são críticas em muitos aspectos da estrutura da matéria microscópica e macroscópica; assim se existir, o bóson de Higgs terá um efeito enorme na compreensão do mundo em torno de nós.

O bóson de Higgs foi predito primeiramente em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs, trabalhando as ideias de Philip Anderson. Entretanto, desde então não houve condições tecnológicas de buscar a possível existência do bóson até o funcionamento do Grande Colisor de Hádrons (LHC) meados de 2008. A faixa energética de procura do bóson vem se estreitando desde então e, em dezembro de 2011, limites energéticos se encontram entre as faixas de 116-130 GeV, segundo a equipe ATLAS, e entre 115 e 127 GeV de acordo com o CMS.

Fora da comunidade científica, é mais conhecida como a partícula de Deus (tradução livre do original God particle), alcunha dada pelo físico Leon Lederman devido ao fato desta partícula permitir que as demais possuam diferentes massas.

A 4 de Julho de 2012, cientistas do CERN anunciaram que, ao fim de 50 anos de investigação, descobriram uma partícula nova que pode ser o bóson de Higgs.

Peter Ware Higgs (Newcastle upon tyne, 29 de maio de 1929), é um físico teórico britânico e professor emérito da Universidade de Edimburgo. Higgs é conhecido por sua proposta de 1960 de quebra da simetria na teoria “eletrofraca”, explicando a origem da massa das partículas elementares em geral e, em particular, dos bósons W e Z. O assim chamado mecanismo de Higgs teve vários inventores além de Higgs, e prevê a existência de uma nova partícula, o bóson de Higgs (muitas vezes descrita como “a mais procurada partícula na física moderna”). Identificado pelo CERN, o bosón de Higgs teve sua existência oficialmente anunciada para o mundo em 04 de julho de 2012. O mecanismo de Higgs é aceito como um ingrediente importante no modelo padrão de partículas físicas, sem a qual as partículas não teriam massa.

Foi homenageado com uma série de prêmios em reconhecimento de seu trabalho, incluindo a Medalha e Prêmio Paul Dirac pelas contribuições à física teórica do Instituto de Física em 1997, o Prêmio High Energy and Particle Physics pela Sociedade Europeia de Física em 1997 e o Prêmio Wolf de Física em 2004.

A partícula chamada Bóson de Higgs é de fato o quantum (10) (partícula) de um dos componentes de um campo de Higgs. No espaço vazio, o campo de Higgs adquire um valor diferente de zero, que permeia a cada lugar no universo todo o tempo. Este valor da expectativa do vácuo (11) (VEV) do campo de Higgs é constante e igual a 246 GeV. A existência deste VEV diferente de zero tem um papel fundamental: dá a massa a cada partícula elementar, incluindo o próprio bóson de Higgs. No detalhe, a aquisição de um VEV diferente de zero quebra espontaneamente a simetria de calibre da força eletrofraca, um fenômeno conhecido como o mecanismo de Higgs. Este é o único mecanismo conhecido capaz de dar a massa aos bóson de calibre (12) (particulas transportadoras de força) que é também compatível com teorias do calibre.

No modelo padrão, o campo de Higgs consiste em dois campos carregados neutros e duas componentes, um do ponto zero e os campos componentes carregados são os bósons de Goldstone. Transformam os componentes longitudinais do terceiro-polarizador dos bósons maciços de W e de Z. O quantum do componente neutro restante corresponde ao bóson maciço de Higgs. Como o campo de Higgs é um campo escalar, o bóson de Higgs tem a rotação zero. Isto significa que esta partícula não tem nenhum momentum angular (13) intrínseco e que uma coleção de bósons de Higgs satisfaz as estatísticas de Bose-Einstein (14).

O modelo padrão não prediz o valor da massa do bóson de Higgs. Discutiu-se que se a massa do bóson de Higgs se encontra, aproximadamente, entre 130 e 190 GeV, então o modelo padrão pode ser válido em escalas da energia toda a forma até a escala de Planck (15) (TeV 1016). Muitos modelos de super-simetria predizem que o bóson de Higgs terá uma massa somente ligeiramente acima dos limites experimentais atuais e ao redor 120 GeV ou menos. A massa do bóson de Higgs não foi medida experimentalmente.

Dentro do modelo padrão, a não observação de sinais desobstruídos em aceleradores de partícula conduz a um limite mais baixo experimental para a massa do bóson de Higgs de 114.4 GeV no nível da confiança de 95%. Não o bastante, um pequeno número de eventos foi gravado pela experiência do LEP (16) no CERN (17) que poderia ser como resultado de bósons interpretados de Higgs, mas a evidência é inconclusiva. Espera-se entre os físicos que o Grande Colisor de Hádrons (18), construído no CERN, confirme ou negue a existência do bóson de Higgs. As medidas de precisão observáveis da força eletrofraca indicam que a massa modelo padrão do bóson de Higgs tem um limite superior de 175 GeV no nível da confiança de 95% até a data de março de 2006 (que usam uma medida acima da massa superior do quark).

PARTÍCULA DE DEUS
A expressão vem de um livro do físico ganhador do prêmio Nobel Leon Lederman (19), cujo esboço de título era “A Partícula Maldita” (“The Goddamn Particle”, no original), em alusão às frustrações de tentar encontrá-la. O título foi, depois, cortado para “A Partícula de Deus” por seu editor, aparentemente temeroso de que a palavra “maldita” fosse ofensiva.
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Roberto Aguilar M. S. Silva
M.’. M.’. – A.’.R.’.L.’.S.’. Loja Maçônica Renascença IV, Santo Ângelo, RS (Brasil)


NOTAS:

  1. Tomás de Aquino (Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7 de março 1274) foi um padre dominicano, filósofo, teólogo, distinto expoente da escolástica, proclamado santo e cognominado Doctor Communis ou Doctor Angelicus pela Igreja Católica.

  2. Argumento cosmológico – é um raciocínio filosófico que visa buscar uma Causa Primeira (ou uma causa sem causa) para o universo. Por extensão, esse argumento é frenquentemente utilizado para a existência de um Ser Incondicionado e Supremo, identificado como Deus. A premissa básica é que, já que há um universo em vez de nenhum, ele deve ter sido causado por algo ou alguém além dele mesmo. E essa primeira causa deve ser Deus. Esse raciocínio baseia-se na lei da causalidade, que diz que toda coisa finita ou contingente é causada agora por algo além de si mesma.Esse argumento é tradicionalmente conhecido como argumento a partir da causalidade universal, argumento da causa primeira, argumento causal ou o argumento da existência. Qualquer que seja o termo empregado, há três variantes básicas do argumento cosmológico, cada uma com distinções sutis, mas importantes: os argumentos da Causa (causalidade), da Essência (essencialidade), do Devir (tornando-se), além do argumento da contingência. Esse raciocínio tem sido utilizado por vários teólogos e filósofos ao longo dos séculos, desde a Grécia antiga com Platão e Aristóteles, passando pela Idade Média com São Tomás de Aquino, até a atualidade com William Lane Craig, Alexander Pruss, Timothy O’Connor, Stephen Davis, Robert Koons e Richard Swinburne.

  3. João Calvino (Noyon, 10 de julho de 1509 — Genebra, 27 de maio de 1564) foi um teólogo cristão francês. Calvino teve uma influência muito grande durante a Reforma Protestante, uma influência que continua até hoje. Portanto, a forma de Protestantismo que ele ensinou e viveu é conhecida por alguns pelo nome Calvinismo, embora o próprio Calvino tivesse repudiado contundentemente este apelido. Esta variante do Protestantismo viria a ser bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), Países Baixos, África do Sul (entre os africânderes), Inglaterra, Escócia e Estados Unidos.

  4. Salmo 19: Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Um dia fala disso a outro dia; uma noite o revela a outra noite. Sem discurso nem palavras, não se ouve a sua voz. Mas a sua voz ressoa por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo. Nos céus ele armou uma tenda para o sol, que é como um noivo que sai de seu aposento, e se lança em sua carreira com a alegria de um herói. Sai de uma extremidade dos céus e faz o seu trajeto até a outra; nada escapa ao seu calor. A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes. Os preceitos do Senhor são justos, e dão alegria ao coração. Os mandamentos do Senhor são límpidos, e trazem luz aos olhos. O temor do Senhor é puro, e dura para sempre. As ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas. São mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro; são mais doces do que o mel, do que as gotas do favo. Por elas o teu servo é advertido; há grande recompensa em obedecer-lhes. Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que desconheço! Também guarda o teu servo dos pecados intencionais; que eles não me dominem! Então serei íntegro, inocente de grande transgressão. Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!  Salmos 19:1-14

  5. Salmo 18: Eu te amo, ó Senhor, força minha. O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em quem me refúgio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio. Invoco o Senhor, que é digno de louvor, e sou salvo dos meus inimigos. Cordas de morte me cercaram, e torrentes de perdição me amedrontaram. Cordas de Seol me cingiram, laços de morte me surpreenderam. Na minha angústia invoquei o Senhor, sim, clamei ao meu Deus; do seu templo ouviu ele a minha voz; o clamor que eu lhe fiz chegou aos seus ouvidos. Então a terra se abalou e tremeu, e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto ele se indignou. Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo devorador; dele saíram brasas ardentes. Ele abaixou os céus e desceu; trevas espessas havia debaixo de seus pés. Montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento. Fez das trevas o seu retiro secreto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as espessas nuvens do céu. Do resplendor da sua presença saíram, pelas suas espessas nuvens, saraiva e brasas de fogo. O Senhor trovejou a sua voz; e havia saraiva e brasas de fogo. Despediu as suas setas, e os espalhou; multiplicou raios, e os perturbou. Então foram vistos os leitos das águas, e foram descobertos os fundamentos do mundo, à tua repreensão, Senhor, ao sopro do vento das tuas narinas. Do alto estendeu o braço e me tomou; tirou-me das muitas águas. Livrou-me do meu inimigo forte e daqueles que me odiavam; pois eram mais poderosos do que eu. Surpreenderam-me eles no dia da minha calamidade, mas o Senhor foi o meu amparo. Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim. Recompensou-me o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos. Pois tenho guardado os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu Deus. Porque todas as suas ordenanças estão diante de mim, e nunca afastei de mim os seus estatutos. Também fui irrepreensível diante dele, e me guardei da iniquidade. Pelo que o Senhor me recompensou conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos perante os seus olhos. Para com o benigno te mostras benigno, e para com o homem perfeito te mostras perfeito. Para com o puro te mostras puro, e para com o perverso te mostras contrário. Porque tu livras o povo aflito, mas os olhos altivos tu os abates. Sim, tu acendes a minha candeia; o Senhor meu Deus alumia as minhas trevas. Com o teu auxílio dou numa tropa; com o meu Deus salto uma muralha. Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito; a promessa do Senhor é provada; ele é um escudo para todos os que nele confiam. Pois, quem é Deus senão o Senhor? e quem é rochedo senão o nosso Deus? Ele é o Deus que me cinge de força e torna perfeito o meu caminho; faz os meus pés como os das corças, e me coloca em segurança nos meus lugares altos. Adestra as minhas mãos para a peleja, de sorte que os meus braços vergam um arco de bronze. Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me sustém, e a tua clemência me engrandece. Alargas o caminho diante de mim, e os meus pés não resvalam. Persigo os meus inimigos, e os alcanço; não volto senão depois de os ter consumido. Atravesso-os, de modo que nunca mais se podem levantar; caem debaixo dos meus pés. Pois me cinges de força para a peleja; prostras debaixo de mim aqueles que contra mim se levantam. Fazes também que os meus inimigos me deem as costas; aos que me odeiam eu os destruo. Clamam, porém não há libertador; clamam ao Senhor, mas ele não lhes responde. Então os esmiúço como o pó diante do vento; lanço-os fora como a lama das ruas. Livras-me das contendas do povo, e me fazes cabeça das nações; um povo que eu não conhecia se me sujeita. Ao ouvirem de mim, logo me obedecem; com lisonja os estrangeiros se me submetem. Os estrangeiros desfalecem e, tremendo, saem dos seus esconderijos. Vive o Senhor; bendita seja a minha rocha, e exaltado seja o Deus da minha salvação, o Deus que me dá vingança, e sujeita os povos debaixo de mim, que me livra de meus inimigos; sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim; tu me livras do homem violento. Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações, e entoarei louvores ao teu nome. Ele dá grande livramento ao seu rei, e usa de benignidade para com o seu ungido, para com Davi e sua posteridade, para sempre. Salmos 18:1-50

  6. O proselitismo (do latim eclesiásticoprosélytus, que por sua vez provém do grego προσήλυτος) é o intento, zelo, diligência, empenho ativista de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa, ideia ou religião (proselitismo religioso).

  7. Hermetismo é o estudo e prática da filosofia oculta e da magia associados a escritos atribuídos a Hermes Trismegisto, “Hermes Três-Vezes-Grande”, uma deidade sincrética que combina aspectos do deus grego Hermes e do deus egípcio Thoth. Os escritos mais importantes atribuídos a Hermes são a Tábua de Esmeralda e os textos do Corpus Hermeticum. Estas crenças tiveram influência na sabedoria oculta europeia, desde a Renascença, quando foram reavivadas por figuras como Giordano Bruno e Marsilio Ficino. A magia hermética passou por um renascimento no século XIX na Europa Ocidental, onde foi praticada por nomes como os envolvidos na Ordem Hermética do Amanhecer Dourado e Eliphas Levi. No século XX foi estudada por Franz Bardon, entre outros.

  8. Éon, eão, eon ou ainda aeon significa, em termos latos, um enorme período de tempo, ou a eternidade. A palavra latina aeon, significa “para sempre”. Ela é derivada do grego αιών (aión), cujo um dos significados é “um período de existência” ou “vida”. Platão usou a palavra aeon para denotar o mundo eterno das ideias, que ele concebia como se estivesse “atrás” do mundo perceptível, como demonstrado em sua famosa alegoria da caverna. Assim, em termos filosóficos ou em história da religião, no gnosticismo e no neoplatonismo, refere-se à entidade intermédia entre a divindade suprema e o mundo perceptível ao pensamento. Em alguns sistemas gnósticos, as várias emanações do Ser Supremo, o Mônade, são chamadas aeons. Este Ser primordial também era um aeon e tinha um ser dentro de si mesmo chamado Ennoea (Pensamento), Charis (Graça), ou Sige (Silêncio). O ser perfeito dividido concebeu o segundo aeon, Caen (Poder) em si mesmo. Junto com o aeon masculino Caen veio o aeon feminino Akhana (Verdade, Amor). Os aeons frequentemente aparecem em pares masculino/feminino chamados Sizígias e são bastante numerosos. Dois frequentemente listados são Jesus e Sophia. Juntos, os aeons constituem o Pleroma, a “região da Luz”. As regiões abaixo do pleroma estão mais perto da escuridão, como o mundo físico. Quando o aeon chamado Sophia emanou sem o seu “aeon parceiro”, o resultado foi o Demiurgo, ou semi-criador (às vezes chamado de Yaldaboth nos textos gnósticos), uma criatura que nunca deveria ter existido. Ele nunca pertenceu ao pleroma, e o Uno emanou dois aeons, Cristo e o Espírito Santo, para salvar o homem do Demiurgo. Cristo então tomou a forma de homem, Jesus, para poder ensinar aos homens como adquirir a gnosis, e assim retornar ao Pleroma.

  9. Gnosticismo – (do grego Γνωστικισμóς (gnostikismós); de Γνωσις (gnosis): ‘conhecimento’) é um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a mimetizar-se com o cristianismo nos primeiros séculos de nossa era, vindo a ser declarado como um pensamento herético após uma etapa em que conheceu prestígio entre os intelectuais cristãos. De fato, pode falar-se em um gnosticismo pagão e em um gnosticismo cristão, ainda que o pensamento gnóstico mais significativo tenha sido alcançado como uma vertente heterodoxa do cristianismo primitivo. Alguns autores fazem uma distinção entre “Gnosis” e “gnosticismo”. A gnose é, sem dúvida, uma experiência baseada não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração. Gnosticismo, por outro lado, é a visão de mundo baseada na experiência de Gnose, que tem por origem etimológica o termo grego gnosis, que significa “conhecimento”. Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a “episteme” dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental; Sabedoria. É usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do coração. É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

  10. A mecânica quântica é a teoria física que obtém sucesso no estudo dos sistemas físicos cujas dimensões são próximas ou abaixo da escala atômica, tais como moléculas, átomos, elétrons, prótons e de outras partículas subatômicas, muito embora também possa descrever fenômenos macroscópicos em diversos casos. A Mecânica Quântica é um ramo fundamental da física com vasta aplicação. A teoria quântica fornece descrições precisas para muitos fenômenos previamente inexplicados tais como a radiação de corpo negro e as órbitas estáveis do elétron. Apesar de na maioria dos casos a Mecânica Quântica ser relevante para descrever sistemas microscópicos, os seus efeitos específicos não são somente perceptíveis em tal escala. Por exemplo, a explicação de fenômenos macroscópicos como a superfluidez e a supercondutividade só é possível se considerarmos que o comportamento microscópico da matéria é quântico. A quantidade característica da teoria, que determina quando ela é necessária para a descrição de um fenômeno, é a chamada constante de Planck, que tem dimensão de momento angular ou, equivalentemente, de ação.A mecânica quântica recebe esse nome por prever um fenômeno bastante conhecido dos físicos: a quantização. No caso dos estados ligados (por exemplo, um elétron orbitando em torno de um núcleo positivo) a Mecânica Quântica prevê que a energia (do elétron) deve ser quantizada. Este fenômeno é completamente alheio ao que prevê a teoria clássica.

  11. Na química, na física e na linguagem cotidiana, o vácuo é a ausência de matéria em uma certa região do espaço.

  12. Bósons de calibre são bósons mediadores das interações fundamentais da natureza. Em outras palavras, partículas elementares cujo comportamento é descrito por teorias de calibre. No modelo padrão, existem três tipos de bósons de calibre: Fótons, mediadores da interação eletromagnética; Bósons W e Z, mediadores da força nuclear fraca; Glúons, mediadores da força forte. Ainda existiria o gráviton, mediador da gravidade. Contudo, ainda não foi observado e a teoria quântica da gravidade ainda não está desenvolvida satisfatoriamente. Além disso, os bósons de calibre deveriam ter massa nula pela teoria. Isso não é verificado experimentalmente e para explicar este problema foi proposto o mecanismo de Higgs, o que introduziu mais um bóson, o bóson de Higgs.

  13. Momento angular (também chamado de momentum angular ou quantidade de movimento angular) de um corpo é a grandeza física associada à rotação e translação desse corpo. No caso específico de um corpo rodando em torno de um eixo, acaba por relacionar sua distribuição da massa com sua velocidade angular. Deve-se dizer que, com o advento da mecânica quântica (MQ), o status da grandeza física quantidade de movimento angular sofreu uma severa modificação. A grandeza não pode, no contexto da MQ, ser definida em termos de duas grandezas que são relacionadas pelo princípio da incerteza como o raio vetor e a velocidade angular. Tais grandezas são complementares e não podem ser, simultanea e de forma totalmente precisa, determinadas. A pares de grandezas assim relacionadas dá-se o nome de grandezas complementares (apud Bohr). Assim sendo, a quantidade de movimento angular passou a ser entendida como a grandeza conservada sob rotações no espaço tridimensional, em decorrência da isotropia do mesmo. A dedução de todas as grandezas que decorrem de simetrias geométricas (quantidade de movimento linear, energia e quantidade de movimento angular) do espaço-tempo (no contexto mais geral da teoria da relatividade) é feita através do formalismo dos geradores dos movimentos.

  14. Em mecânica estatística, a estatística de Bose–Einstein (ou mais coloquialmente estatística B-E) determina a distribuição estatística de bósons idênticos indistinguíveis sobre os estados de energia em equilíbrio térmico.

  15. Escala de Planck é a menor escala da física quântica, ainda inexplorada pelos aceleradores de partículas pela grande quantidade de energia exigida. Seu comprimento é da ordem de 10 elevado à potência -35 (em metros).

  16. LEP, o Grande Colisor de Elétrons e Pósitrons (português brasileiro) ou Grande Colisionador de Electrões e Positões (português europeu), (em inglês: Large Electron-Positron collider ) foi um acelerador de partículas construído na Organização Europeia para Investigação Nuclear (CERN) e usado entre 1989 e 2000.

  17. A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (em francês: Organisation Européenne pour la Recherche Nucléaire), conhecido como CERN (antigo acrônimo para Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire) , é o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado na região noroeste de Genebra, na fronteira Franco-Suíça.

  18. O Grande Colisor de Hádrons (português brasileiro) ou Grande Colisionador de Hadrões (português europeu) (em inglês: Large Hadron Collider – LHC) do CERN, é o maior acelerador de partículas e o de maior energia existente do mundo. Seu principal objetivo é obter dados sobre colisões de feixes de partículas, tanto de prótons a uma energia de 7 TeV (1,12 microjoules) por partícula, ou núcleos de chumbo a energia de 574 TeV (92,0 microjoules) por núcleo. O laboratório localiza-se em um túnel de 27 km de circunferência, bem como a 175 metros abaixo do nível do solo na fronteira franco-suíça, próximo a Genebra, Suíça

  19. Leon Max Lederman (Buffalo, 15 de Julho de 1922) é um físico orte-americano. Recebeu o Nobel de Física de 1988 – conjuntamente com Jack Steinberger e Melvin Schwartz – pelo método do feixe de neutrinos, descoberta do muon neutrino e demonstração dos leptons dobrados.


BIBLIOGRAFIA:


A BÍBLIA MAÇÔNICA DO REI JAMES I – PARTE 2

PARTE 2 DE 2
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CASAMENTO ESPANHOL
Outro fonte em potencial de renda era a perspectiva de um dote espanhol com um casamento entre Carlos, Príncipe de Gales, e a infanta Maria Ana de Espanha. A política do Casamento Espanhol, como foi chamado, também era atrativa para Jaime como um modo de manter a paz com a Espanha e evitar custos extras com uma guerra. A paz podia ser mantida com as negociações ativas e pela consumação do casamento – o que pode explicar porque Jaime manteve as negociações por quase uma década. A política era apoiada por Henry e Thomas Howard e outros ministros e diplomatas de tendências católicas – juntos conhecidos como Partido Espanhol – porém não tinham a confiança dos protestantes.

Quando sir Walter Raleigh foi libertado da prisão em 1616, ele foi procurar ouro na América do Sul com claras instruções de Jaime para não entrar em conflitos com a Espanha. A expedição foi um grande fracasso e seu filho foi morto lutando contra os espanhois. Quando Raleigh voltou para a Inglaterra, Jaime mandou executá-lo, gerando indignação no público, que era contra o apaziguamento com a Espanha. A política de Jaime foi prejudicada ainda mais com o início da Guerra dos Trinta Anos, especialmente depois de seu genro Frederico V, Eleitor Palatino, ter sido expulso em 1620 da Boémia pelo católico Fernando II, com tropas espanholas invadindo ao mesmo tempo o território natal de Frederico, a Renânia (22). Jaime finalmente chamou um parlamento no ano seguinte para financiar uma expedição militar afim de ajudar seu genro.

Por um lado, os comuns garantiram subsídios inadequados para financiar operações militares sérias ao auxílio de Frederico, por outro – lembrando dos lucros conseguidos com os ataques navais de Isabel contra os carregamentos de ouro espanhol – declararam uma guerra diretamente contra a Espanha. Em novembro de 1621, liderados por sir Edward Coke, os comuns vieram com uma petição pedindo não apenas uma guerra contra a Espanha mas também que Carlos se casasse com uma protestante, reforçando as leis anti-católicas. Jaime categoricamente disse-lhes para não interferirem nas questões da prerrogativa real ou poderiam tomar punições, que os fez publicar uma declaração protestando por seus direitos, que incluiam a liberdade de expressão. Pressionado por Jorge Villiers, 1.° Duque de Buckingham e o embaixador espanhol Diego Sarmiento de Acuña, Jaime arrancou o protesto do livro de registros e dissolveu o parlamento.

No início de 1623, Carlos e Villiers decidiram agir por conta própria e viajar para a Espanha em segredo, afim de ganhar Maria Ana diretamente, porém a missão foi um enorme fracasso. Ela detestou Carlos e os espanhois os confrontaram com termos que incluiam as leis anti-católicas aprovadas pelo parlamento. Mesmo com um tratado sendo assassinado, o príncipe e o duque voltaram para a Inglaterra em outubro e rapidamente renunciaram ao acordo, alegrando muito o povo inglês. Desiludidos, os dois ignoraram a política espanhola de Jaime e pediram um casamento francês e uma guerra contra o império de Habsburgo. Para arrecadarem os fundos necessários, eles prevaleceram sobre o rei para chamar outro parlamento, que se reuniu em fevereiro de 1624. Pela primeira vez, o grande sentimento anti-católico dos comuns ecoou na corte, onde o controle da política estava saindo de Jaime e passando para Carlos e Villiers, que pressionaram o rei para declarar guerra e planejaram a destituição de Cranfield quando este se opôs aos planos por causa dos custos. O resultado do parlamento foi ambíguo: Jaime se recusou a declarar guerra, porém Carlos acreditava que os comuns estavam comprometidos a financiar uma guerra contra a Espanha, uma situação que contribuiu para seus problemas com o parlamento durante seu próprio reinado.

REI E IGREJA
Após a Conspiração da Pólvora, Jaime sancionou severas medidas para controlar os católicos ingleses não-conformistas. Em maio de 1606, o parlamento aprovou a Lei de Recusa Papispa, que forçaria todos os cidadãos a prestar um juramente de lealdade negando a autoridade do papa sobre o rei. Jaime foi conciliatório com os católicos que prestaram o juramento, tolerando o catolicismo secreto até dentro de sua corte. Henry Howard, por exemplo, era secretamente católico e foi recebido de volta na Igreja Apostólica Romana em seus últimos meses.

Ao assumir o trono inglês, Jaime, suspeitando de que iria precisar do apoio dos católicos da Inglaterra, garantiu ao Conde de Northumberland, simpatizante da antiga religião, de que não perseguiria “ninguém que seja discreto e prestativo, mas uma obediência externa à lei”. Na Petição Milenar de 1603, o clero puritano (23) exigiu, entre outras coisas, a abolição da confirmação, alianças de casamento e o termo “padre”, e que o uso da touca e sobrepeliz (24) torna-se opcional. Jaime inicialmente foi rigoroso na aplicação da conformidade, induzindo um sentimento de perseguição entre muitos puritanos; mas expulsões e suspensões tornaram-se menos frequentes enquanto o reinado proseguia. Como resultado da Conferência de Hampton Court em 1604, uma nova tradução e compilação dos livros aprovados da Bíblia foram encomendados para resolver questões das diferentes traduções.

A Versão do Rei Jaime, como ficou conhecida, foi completada em 1611 e é considerada uma obra prima da prosa jacobita (25), ainda sendo amplamente usada. Na Escócia, Jaime tentou levar a igreja escocesa “tão próxima quanto possível” da Igreja Anglicana para reestabelecer o episcopado (26), uma política que enfrentou grande oposição dos presbiterianos (27). Em 1617, pela única vez desde que assumiu o trono inglês, Jaime voltou para a Escócia na esperança de implementar os rituais anglicanos. Os bipos do rei forçaram seus Cinco Artigos de Perth através de Assembleia Geral no ano seguinte, mas as decisões receberam amplas resistências. Jaime deixaria a igreja da Escócia dividida em sua morte, criando uma fonte de problemas para seu filho.

FAVORITOS
Durante toda sua vida Jaime teve relações próximas com cortesãos masculinos, causando debate entre os historiadores sobre suas naturezas. Depois de sua ascensão na Inglaterra, sua atitude pacífica e acadêmica contrastava com o comportamento belicoso e sedutor de Isabel, algo indicado pelo epigrama contemporâneo Rex fuit Elizabeth, nunc est regina Jacobus (“Isabel era o rei, agora Jaime é a rainha”). Alguns de seus biógrafos concluem que Esmé Stewart (posterior Duque de Lennox), Roberto Carr (depois Conde de Somerset) e Jorge Villiers (depois Duque de Buckingham) eram seus amantes. A restauração do Apethorpe Hall, realizada entre 2004 e 2008, revelou uma passagem anteriormente desconhecida ligando os quartos de Jaime e Villiers. Outros afirmam que as relações não eram sexuais. O Basilikon Doron de Jaime lista a sodomia como um crime que “estais no dever de consciência nunca perdoar”, e Ana da Dinamarca deu à luz a sete filhos do rei, além de sofrer pelo menos três abortos e ter dois natimortos.

Quando Robert Cecil morreu em 1612, houve poucas lamentações por aqueles que brigavam para assumir o poder agora vacante. Até sua morte, o sistema administrativo elisabetano sobre o qual ele presidia continuava a funcionar com relativa eficiência; depois, entretanto, o governo de Jaime entrou em um período de declíneo e descrédito. A morte de Cecil deu ao rei a noção de governar em pessoa como seu próprio Ministro de Estado, com Carr assumindo muitas das funções de Cecil. Porém, a inaptidão de Jaime de comparecer de forma próxima às questões oficiais expôs o faccionalismo do governo. O partido de Henry Howard logo tomou controle de grande parte do governo e sua patronagem.

Até o poderoso Carr, pouco preparado para as resposabilidades que foram colocadas sobre ele e frequentemente dependente de sua amigo íntimo sir Thomas Overbury para ajuda na papelada governamental, caiu no campo de Howard após começar um caso com a casada Francisca Howard, quem Jaime ajudou a conseguir a anulação do casamento para poder se casar com Carr. Porém, no verão de 1615, surgiu que Overbury, que morreu no dia 15 de setembro de 1613 na Torre de Londres, onde estava à pedido do rei, foi envenenado. Entre aqueles condenados pelo assassinato estava Francisca e Roberto Carr, o último já tendo sido substituído como favorito do rei por Villiers. Jaime perdou Francisca e comutou a sentença de Carr, eventualmente perdoando-o em 1624. A implicação do rei em um escândalo como esse provocou muitas conjunturas públicas e literárias, além de manchar a corte de Jaime com uma imagem de corrupção e depravação. A subsequente queda dos Howard deixou Villiers sem oponentes em 1619 como a figura suprema do governo.

ÚLTIMO ANO
Por volta dos cinquenta anos de idade, Jaime começou a sofrer cada vez mais de artrite, gota e cálculo renal. Ele também perdeu os dentes e bebia muito. Durante seu último ano de vida, com Villiers tendo consolidado seu controle sobre Carlos para garantir seu prórpio futuro, o rei estava frequentemente muito doente, se transformando numa figura cada vez mais periférica e raramente visitando Londres. Uma teoria diz que Jaime podia estar sofrendo de porfíria (28), uma doença que seu descendente Jorge III do Reino Unido exibia sintomas. Jaime descreveu sua urina ao médico Théodore de Mayerne como sendo “coloração vermelho escuro de vinho Alicante”.Essa teoria não é aceita por alguns especialistas, particularmente no caso de Jaime já que tinha cálculo renal, que pode levar sangue até a urina e fazê-la ficar avermelhada.

No início de 1625, Jaime foi tomado por uma série de ataques de artrite, gota e desmaios, ficando seriamente doente em março com calafrios e então com um derrame. Jaime VI & I morreu na Theobalds House no dia 27 de março durante um violento ataque de disenteria, com Villiers ao seu lado. Seu funeral, um evento magnífico e desorganizado, ocorreu em 7 de maio. O bispo John Williams de Lincoln pregou o sermão, dizendo que o “Rei Salomão morreu em Paz, quando já tinha vivido por volta de sessenta anos … e assim você sabe o fez Rei Jaime” foi enterrado na Abadia de Westminster (29). A posição exata da tumba ficou perdida por vários séculos. No século XIX, após a escavação de muitas das sepulturas sob o chão, o caixão de Jaime foi encontrado na sepultura de Henrique VII.

FRANCIS BACON
Francis Bacon, 1°. Visconde de Alban, também referido como Bacon de Verulâmio (Londres, 22 de janeiro de 1561 — Londres, 9 de abril de 1626) foi um político, filósofo e ensaísta inglês, barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio), visconde de Saint Alban. É considerado como o fundador da ciência moderna. Desde cedo, sua educação orientou-o para a vida política, na qual exerceu posições elevadas. Em 1584 foi eleito para a câmara dos comuns.

Sucessivamente, durante o reinado de Jaime I, desempenhou as funções de procurador-geral (1607), fiscal-geral (1613), guarda do selo (1617) e grande chanceler (1618). Neste mesmo ano, foi nomeado barão de Verulam e em 1621, barão de Saint Alban. Também em 1621, Bacon foi acusado de corrupção. Condenado ao pagamento de pesada multa, foi também proibido de exercer cargos públicos. Como filósofo, destacou-se com uma obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. Em suas investigações, ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo (30), sendo muitas vezes chamado de “fundador da ciência moderna”. Sua principal obra filosófica é o Novum Organum (31). Francis Bacon foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes (32) e também um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator. Estudiosos apontam como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (33) (1614), Confessio Fraternitatis (34) (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (35) (1616).

FILOSOFIA
CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS

Preliminarmente, Bacon propõe a classificação das ciências em três grupos:

  • Poesia ou ciência da imaginação;

  • História ou ciência da memória;

  • Filosofia ou ciência da razão.

A história é subdividida em natural e civil e a filosofia é subdividida em filosofia da natureza e em antropologia.

ÍDOLOS
No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos:

  1. Idola Tribus (ídolos da tribo): Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. O homem é o padrão das coisas, faz com que todas as percepções dos sentidos e da mente sejam tomadas como verdade, sendo que pertencem apenas ao homem e não ao universo. Dizia que a mente se desfigura da realidade. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana.

  2. Idola Specus (ídolos da caverna): De acordo com Bacon, cada pessoa possui sua própria caverna, que interpreta e distorce a luz particular, à qual estão acostumados. Isso quer dizer que, da mesma maneira presente na obra ‘República’ de Platão, os indivíduos, cada um, possui a sua crença, sua verdade particular, tida como única e indiscutível. Portanto, os ídolos da caverna perturbam o conhecimento, uma vez que mantém o homem preso em preconceitos e singularidades.

  3. Idola Fori (ídolos do foro): Segundo Bacon, os ídolos do foro são os mais perturbadores, já que estes alojam-se no intelecto graças ao pacto de palavras e de nomes. Para os teóricos matemáticos um modo de restaurar a ordem seria através das definições. Porém de acordo com a teoria baconiana, nem mesmo as definições poderiam remediar totalmente esse mal, tratando-se de coisas materiais e naturais posto que as próprias definições constam de palavras e as palavras engendram palavras. Percebe-se portanto, que as palavras possuem certo grau de distorção e erro, sendo que umas possuem maior distorção e erro que outras.

  4. Idola Theatri (ídolos do teatro): Os ídolos do teatro têm suas causas nos sistemas filosóficos e em regras falseadas de demonstrações. Os falsos conceitos são as ideologias, essas são produzidas por engendramentos filosóficos, teológicos, políticos e científicos, todos ilusórios. Os ídolos do teatro, para Bacon, eram os mais perigosos, porque, em sua época, predominava o princípio da autoridade – os livros da antiguidade e os livros sagrados eram considerados a fonte de todo o conhecimento.

O MÉTODO
O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. Para Bacon, a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico (36) aristotélico, mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo (37). O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que, se devidamente observados, apresentam a causa real dos fenômenos.

Para isso, no entanto, deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para, em seguida, confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam), a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam). Com isso, seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e, pelo registro da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos, é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia.

O método, no entanto, possui pelo menos duas falhas importantes. Em primeiro lugar, Bacon não dá muito valor à hipótese. De acordo com seu método, a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. Isso, contudo, raramente ocorre. Em segundo lugar, Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. A origem para isso, talvez, foi o fato de ter estudado em Cambridge, reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão.

OBRAS
A produção intelectual de Bacon foi vasta e variada. De modo geral, pode ser dividida em três partes: jurídica, literária e filosófica.

OBRAS JURÍDICAS
Figuram entre seus principais trabalhos jurídicos os seguintes títulos: The Elements of the common lawes of England (38) (Elementos das leis comuns da Inglaterra), Cases of treason (39) (Casos de traição), The Learned reading of Sir Francis Bacon upon the statute os uses (40) (Douta leitura do código de costumes por Sir Francis Bacon).

OBRAS LITERÁRIAS
Sua obra literária fundamental são os Essays (41) (Ensaios), publicados em 1597, 1612 e 1625 e cujo tema é familiar e prático. Alguns de seus ditos tornaram-se proverbiais e os Essays tornaram-se tão famosos quanto os de Montaigne (42). Outros opúsculos, no âmbito literário: Colours of good and evil (43) (Estandartes do bem e do mal), De sapientia veterum (44) (Da sabedoria dos antigos). No âmbito histórico destaca-se History of Henry VII (História de Henrique VII) .

OBRAS FILOSÓFICAS
As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. Nesta última, Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico. Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo:

  1. Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado, como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza), Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento), Historia naturalis (História natural), onde tenta aplicar seu método pela primeira vez;

  2. Escritos relacionados com a Instauratio magna, mas não incluídos em seu plano original. O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida), onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por ideias de caráter científico. Além deste, destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés);

  3. Instauratio magna, onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes:

    a) Partitiones scientiarum (Classificação das ciências), sistematização do conjunto do saber humano, de acordo com as faculdades que o produzem;
    b) Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza), exposição do método indutivo, trabalho esse que reformula e repete o Novum organum;
    c) Phaenomena universi sive Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia), versa sobre a coleta de dados empíricos;
    d) Scala intellectus, sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto), contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método;
    e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda), onde faz considerações à margem do novo método, visando mostrar o avanço por ele permitido;
    f) Philosophia secunda, sive Scientia activa (45) (Filosofia segunda ou Ciência ativa), seria o resultado final, organizado em um sistema de axiomas.

MORTE E LEGADO DE FRANCIS BACON
Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida, tentando realizar na prática seu método. No inverno de 1626, estava envolvido com experiências sobre o frio e a conservação. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. Morreu em 9 de abril, vítima de uma bronquite. Encontra-se sepultado em St Michael Churchyard, St Albans, Hertfordshire na Inglaterra.

Efetivamente, Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a atividade científica. Sua teoria dos idola antecipa, pelo menos potencialmente, a moderna Sociologia do Conhecimento. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem moderno. Ademais, Bacon foi um escritor notável. Seus Essays são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna. Há muitos que acreditam que tenha sido ele o verdadeiro autor das peças de Shakespeare, teoria surgida há séculos, na chamada Questão da autoria de Shakespeare.

FRANCIS BACON E A BÍBLIA DO REI JAMES 1°
Bíblia do rei James (em português Jaime ou Tiago), também conhecida como Versão do rei James ou Bíblia KJV (em inglês: Authorized King James Version, Versão Autorizada do rei Jaime), é uma tradução inglesa da bíblia realizada em benefício da Igreja Anglicana, sob ordens do rei Jaime I. A primeira publicação data de 1611, causou um profundo impacto não apenas nas traduções inglesas posteriores, mas na literatura inglesa como um todo. As obras de autores famosos como John Bunyan, John Milton, Herman Melville, John Dryden e William Wordsworth estão repletas de aparentes inspirações nesta tradução da Bíblia. Versões como a New King James Version são revisões de seu texto. Importante não só na literatura inglesa, a Bíblia do rei James também causou profundo impacto social na Inglaterra do século XVII e inclusive a ela alguns historiadores relacionam papel importante nas próprias revoluções inglesas do século XVII. A combinação de uma versão da Bíblia em vernáculo, assim como os custos cada vez mais baixos de impressão fizeram com que a Bíblia do rei James fosse rapidamente distribuída e largamente lida por praticamente todas as camadas sociais inglesas.

Como resultado, a bíblia se torna o centro de todas as discussões e é utilizada largamente para embasar ideologias. Pode-se dizer que a Bíblia do rei James traz uma resignificação para a bíblia no período; até então livro o qual poucos obtinham acesso para leitura, sua tradução e barateamento de custo alto de produção, pois era manuscrita e a sua confecção não demorava menos de dois anos por unidade, então com a subseqüente distribuição em larga escala, causa um fenômeno novo dentro do cristianismo: a bíblia passa a ser lida pela população.

A Bíblia do Rei James de 1611 é ornamentada com símbolos de Bacon, estes símbolos são Rosacrucianamente marcados para chamar a atenção dos iniciados para eles e dizer-lhes que a Bíblia de 1611 é, sem possibilidade de dúvida, um dos livros de Bacon. Quando Bacon nasceu, o Inglês como língua literária não existia, mas até o ano de sua morte ele tinha conseguido fazer do idioma Inglês o veículo mais nobre do pensamento. Ele fez isso apenas por sua Bíblia e seu Shakespeare. A primeira edição da Bíblia do Rei James, foi editada por Francis Bacon e preparada sob a supervisão maçônica e tem mais marcas de pedreiro do que a Catedral de Estrasburgo (46).
Segundo A. E. Loosley Bacon editou a Versão Autorizada da Bíblia impressa em 1611. Dr. Lancelot Andrewes, bispo de Winchester, um dos principais tradutores, foi amigo íntimo de Bacon.. Que Bacon revisou os manuscritos antes da publicação é certo. Conforme o mesmo autor Bacon evidentemente conhecia a Bíblia muito bem, e todo o esquema da Versão Autorizada era dele. Ele era um fervoroso estudante, não só da Bíblia. Santo Agostinho, São Jerônimo, e escritores das obras teológicas, foram estudados por ele.

Ele deixou suas anotações em muitos exemplares da Bíblia e em dezenas de obras teológicas. A tradução deve ter sido um trabalho em que ele tomou o maior interesse, na verdade, é bem possível que ele inspirou. Ele seguiria o seu progresso de estágio por estágio, e quando a última etapa veio só havia um escritor do período capaz de transformar as frases com o estilo incomparável que é o grande charme, e isso é evidente, na Versão Autorizada e nas peças de Shakespeare.

###  FIM  ###


Roberto Aguilar M. S. Silva
M.’. M.’. – A.’.R.’.L.’.S.’. Loja Maçônica Renascença IV, Santo Ângelo, RS (Brasil)


NOTAS:

  1. Renânia (em alemão: Rheinland) é o nome genérico de uma região do oeste da Alemanha, nas duas margens do médio e baixo Reno, rio do qual tira seu nome.

  2. O puritanismo designa uma concepção da fé cristã desenvolvida na Inglaterra por uma comunidade de protestantes radicais depois da Reforma.

  3. A Sobrepeliz (do latim: superpelliceum) é uma veste litúrgica que faz parte das vestes corais. É usada por todos os clérigos, acólitos e seminaristas por cima da batina sobretudo quando assistem ao coro para o Ofício Divino, mas também para as outras celebrações litúrgicas, quando não tomem parte nelas como Celebrante ou Concelebrante ou como diácono ministrante ao altar. É uma espécie de Alva encurtada e com as mangas largas, sempre de cor branca e normalmente de Linho, algumas têm também rendas,bordados e um laço a guarnecer.

  4. O Jacobitismo foi um movimento político dos séculos XVII e XVIII na Grã-Bretanha e Irlanda que tinha por objectivo a restauração do reinado da casa dos Stuarts na Inglaterra e Escócia (e depois de 1707, ano em que a Escócia e a Inglaterra se uniram, o reino da Grã-Bretanha).

  5. Episcopado, também conhecido como Governo Episcopal, é uma das formas administrativas da Igreja.

  6. Presbiterianismo se refere as igrejas cristãs protestantes que aderem à tradição teológica reformada (calvinismo) e cuja forma de organização eclesiástica se caracteriza pelo governo de uma assembleia de presbíteros, ou anciãos. Há muitas entidades autônomas em países por todo o mundo que subscrevem igualmente o presbiterianismo. Para além de distinções traçadas entre fronteiras nacionais, os presbiterianos também se dividiram por razões doutrinais, em especial em seguida ao Iluminismo. A Igreja Presbiteriana é oriunda da Reforma Protestante do século XVI, e mantém o caráter de Igreja Católica (o termo “católico”, derivado da palavra grega: καθολικός (katholikos), significa “universal” ou “geral”), como declarado no Credo dos Apóstolos. É uma denominação cristã comprometida com valores éticos e morais. Sua atuação no contexto social brasileiro, por exemplo, é marcante, através de instituições de ensino desde o infantil até o superior, que têm alcançado excelência e reconhecimento internacional, como por exemplo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Instituto Presbiteriano Gammon, entre outras.

  7. Porfirias são um grupo de distúrbios herdados ou adquiridos que envolvem certas enzimas participantes do processo de síntese do heme. Estes distúrbios se manifestam através de problemas na pele e/ou com complicações neurológicas. Existem diferentes tipos de porfirias, atualmente sendo classificadas de acordo com suas deficiências enzimáticas específicas no processo de síntese do heme. O termo porfiria deriva da palavra grega πορφύρα, porphýra, significando “pigmento roxo”. O nome também aparenta ser uma referência à coloração arroxeada dos fluidos corporais dos pacientes durante um ataque.

  8. A Igreja do Colegiado de São Pedro em Westminster mais conhecida como Abadia de Westminster (em inglês:Westminster Abbey) é uma grande igreja em estilo gótico na Cidade de Westminster, sendo considerada a igreja mais importante de Londres e, algumas vezes, de toda a Inglaterra. É famosa mundialmente por ser o local de coroação do Monarca do Reino Unido. Entre 1546 e 1556 obteve estatuto de Catedral e atualmente é uma Royal Peculiar.

  9. Na filosofia, empirismo é uma teoria do conhecimento que afirma que o conhecimento vem apenas ou principalmente, a partir da experiência sensorial. Um dos vários pontos de vista da epistemologia, o estudo do conhecimento humano, juntamente com o racionalismo, o idealismo e historicismo, o empirismo enfatiza o papel da experiência e da evidência, experiência sensorial, especialmente, na formação de ideias, sobre a noção de idéias inatas ou tradições; empiristas podem argumentar, porém, que as tradições (ou costumes) surgem devido às relações de experiências sensoriais anteriores. Empirismo na filosofia da ciência enfatiza a evidência, especialmente porque foi descoberta em experiências. É uma parte fundamental do método científico que todas as hipóteses e teorias devem ser testadas contra observações do mundo natural, em vez de descansar apenas em um raciocínio a priori, a intuição ou revelação. Filósofos associados com o empirismo incluem Aristóteles, Alhazen, Avicena, Ibn Tufail, Robert Grosseteste, Guilherme de Ockham, Francis Bacon, Thomas Hobbes, Robert Boyle, John Locke, George Berkeley, Hermann von Helmholtz, David Hume, Leopold von Ranke, e John Stuart Mill.

  10. Novum Organum é uma obra de cunho científico e filosófico publicada em 1620 por Francis Bacon, dois anos após tornar-se Lorde Chanceler e barão de Verulam e dois anos antes de publicar a História Natural.

  11. Rosa-cruz é uma confraria de iluminados existente na Alemanha a partir do século XVI e difundida pelos países vizinhos no século XVII, quando ficou publicamente conhecida através de três manifestos. Insere-se na tradição esotérica ocidental. Esta confraria hermética é vista por muitos rosacrucianistas antigos e modernos como um “Colégio de Invisíveis” nos mundos internos, formado por grandes adeptos, com o intuito de prestar auxílio à evolução espiritual da humanidade.

  12. Fama Fraternitatis Rosae Crucis (Fama fraternitatis Roseae Crucis oder Die Bruderschaft des Ordens der Rosenkreuzer), ou simplesmente Fama Fraternitatis, é um manifesto rosacruciano publicado em 1614 na cidade alemã de Kassel.

  13. Confessio Fraternitatis (Confessio oder Bekenntnis der Societät und Bruderschaft Rosenkreuz) é um manifesto rosacruciano publicado em 1615 na cidade alemã de Kassel.

  14. Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz anno 1459), ou simplesmente Núpcias Alquímicas (ou Químicas) de Christian Rozenkreuz, é um manifesto rosacruciano publicado em 1616 na cidade alemã de Estrasburgo (anexada à França em 1681).

  15. Um silogismo (do grego antigo σσλλογισμός, “conexão de idéias”, “raciocínio”; composto pelos termos σύν “com” e λογισμός “cálculo”) é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita e que mais tarde veio a ser chamada de silogismo, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. A teoria do silogismo foi exposta por Aristóteles em Analíticos anteriores.

  16. Na lógica, um raciocínio indutivo é um tipo de raciocínio ou argumento que partindo de premissas particulares obtém uma conclusão universal. Alternativamente, pode ser definido como um argumento no qual a conclusão tem uma abrangência maior que as premissas. A lógica diferencia duas classes fundamentais de argumentos: os dedutivos e os indutivos. Os argumentos dedutivos são aqueles que as premissas fornecem um fundamento definitivo da conclusão, enquanto nos indutivos as premissas proporcionam somente alguma fundamentação da conclusão, mas não uma fundamentação conclusiva1 , identificando dessa maneira os conceitos de dedução e raciocínio válido. Uma outra maneira de expressar essa diferença é dizer que numa dedução é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa, mas no raciocínio indutivo no sentido forte isso é possível, mas pouco provável2 . Num raciocínio dedutivo a informação da conclusão já está contida nas premissas, de modo que se toda a informação das premissas é verdadeira, a informação da conclusão também deverá ser verdadeira. No raciocínio indutivo a conclusão contém alguma informação que não está contida nas premissas, ficando em aberto a possibilidade de que essa informação a mais cause a falsidade da conclusão apesar das premissas verdadeiras. Raciocinar indutivamente é partir de premissas particulares, na busca de uma lei geral, universal.

  17. http://archive.org/details/elementsofcommon00baco

  18. http://archive.org/details/casesoftreason00baco

  19. http://archive.org/details/learnedreadingof00baco

  20. Essais (Ensaios, na língua portuguesa) é o título da principal obra de Michel de Montaigne, publicada pela primeira vez em 1580, e que foi pioneira no gênero literário chamado “ensaio”.

  21. Michel Eyquem de Montaigne (Saint-Michel-de-Montaigne, 28 de fevereiro de 1533 — Saint-Michel-de-Montaigne, 13 de setembro de 1592) foi um político, filosofo, escritor e cético francês, considerado como o inventor do ensaio pessoal. Nas suas obras e, mais especificamente nos seus “Ensaios”, analisou as instituições, as opiniões e os costumes, debruçando-se sobre os dogmas da sua época e tomando a generalidade da humanidade como objeto.

  22. http://archive.org/details/baconsessaysand00wriggoog

  23. http://books.google.com.br/books?id=7v2qcxE5XewC&oe=UTF-8&redir_esc=y

  24. http://revistasofosunirio.files.wordpress.com/2012/03/historia-da-filosofia-emile-brehier-2.pdf

  25. A Catedral de Estrasburgo ou Catedral de Nossa Senhora de Estrasburgo (em francês Cathédrale Notre-Dame-de-Strasbourg; em alemão Liebfrauenmünster zu Straßburg) é uma catedral católica romana em Estrasburgo, França. A construção foi terminada em 1439, tornando-se o mais alto edifício do mundo entre 1625 a 1874, e permaneceu como a maior igreja do mundo até 1880, quando foi ultrapassada pela Catedral de Colônia, na Alemanha. Hoje é a quarta maior igreja do mundo. Durante a década de 1520, a cidade abraçou as teses religiosas de Martinho Lutero, cujos adeptos estabeleceram uma universidade no século seguinte. Ulrich Ensingen foi um de seus arquitetos.


BIBLIOGRAFIA:


A BÍBLIA MAÇÔNICA DO REI JAMES I – PARTE 1

PARTE 1 DE 2

Jaime VI & I (Edimburgo, 19 de junho de 1566 – Cheshunt, 27 de março de 1625) foi o Rei da Escócia como Jaime VI e Rei da Inglaterra e Irlanda pela União das Coroas como Jaime I. Ele reinou na Escócia desde 1567 e na Inglaterra a partir de 1603 até sua morte. Os dois reinos eram estados soberanos individuais, cada um com seu próprio parlamento, sistema judiciário e leis, governados por Jaime em união pessoal. Ele sucedeu ao trono escocês com apenas treze meses, logo após sua mãe Maria da Escócia (1) ter sido forçada a abdicar em seu favor.

Quatro regentes governaram o país durante sua minoridade, que encerrou-se oficialmente em 1578, apesar dele apenas ter assumido total controle de seu governo em 1583. Em 1603, ele sucedeu Isabel I (2) de Inglaterra como o monarca da Inglaterra e Irlanda. Ele reinou nos três países por mais 22 anos até sua morte em 1625 aos 58 anos; esse período é conhecido como era jacobita em sua homenagem. Após a União das Coroas, ele passou a viver na Inglaterra, voltando para a Escócia apenas em 1617 e se entitulando “Rei da Grã-Bretanha e Irlanda”. Jaime foi um grande defensor de um parlamento único para a Inglaterra e Escócia. Durante seu reinado, começaram o Plantation de Ulster e a colonização inglesa da América.

Com 57 anos e 246 dias, seu reinado na Escócia foi o mais longo da história. Ele realizou a maioria de seus objetivos em seu país natal, porém enfrentou grandes dificuldades na Inglaterra, incluindo a conspiração da pólvora (3) e vários conflitos com o parlamento inglês. A “Era de Ouro” da literatura e dramaturgia do Período Elisabetano (4) continuou sob Jaime, com escritores como William Shakespeare, John Donne, Ben Jonson e Francis Bacon contribuindo para uma cultura literária florescente.

O próprio Jaime era um acadêmico talentoso, tendo escrito obras como Daemonologie, The True Law of Free Monarchies e Basilikon Doron. Ele patrocinou a tradução da Bíblia que foi nomeada em sua homenagem: a Bíblia do Rei Jaime. Anthony Weldon afirmou que Jaime tinha sido denominado “o tolo mais sábio da cristandade”, um epíteto que desde então é associado ao monarca. Porém, desde a segunda metade do século XX, os historiadores revisaram a reputação de Jaime e o trataram como um rei sério e ponderado.

NASCIMENTO
Jaime foi o único filho de Maria da Escócia e seu segundo marido Henrique Stuart, Lorde Darnley. Maria e Henrique eram bisnetos de Henrique VII de Inglaterra através de Margarida Tudor, a irmã mais velha de Henrique VIII. O reinado de Maria na Escócia foi inseguro tanto para ela quanto para seu marido, ambos católicos, enfrentando uma rebelião de nobres protestantes. Durante o complicado casamento, Henrique aliou-se secretamente com os rebeldes e conspirou para matar David Rizzio, secretário da rainha, três meses antes do nascimento de Jaime. Jaime nasceu no dia 19 de junho de 1566 no Castelo de Edimburgo; como filho mais velho e herdeiro, ele automaticamente recebeu os títulos de Duque de Rothesay e Príncipe da Escócia. Ele foi batizado Jaime Carlos em 17 de dezembro durante uma cerimônia católica realizada no Castelo de Stirling.

Seus padrinhos foram Carlos IX de França (representado por João, Conde de Brienne), Isabel I de Inglaterra (representada por Francisco Russell, 2.º Conde de Bedford) e Emanuel Felisberto de Saboia (representado pelo embaixador Filipe du Croc). Maria não permitiu que John Hamilton, Arcebispo de St Andrews, cuspisse na boca da criança, como era o costume. Os convidados ingleses foram posteriormentes ofendidos pelo entretenimento, que foi elaborado pelo francês Bastian Pagez e os mostrava como sátiros com rabos.

Henrique foi assassinado em 10 de fevereiro de 1567 durante uma explosão em Edimburgo, talvez como vingança pela morte de Rizzio. Jaime assim herdou os títulos de Duque de Albany e Conde de Ross de seu pai. Maria já estava impopular, e seu casamento com Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell, suspeito de assassinar Henrique, em maio de 1567 aumentou a insatisfação do povo com ela. Em junho de 1567, os rebeldes protestantes prenderam Maria no Castelo de Lochleven; ela nunca mais viu o filho. Ela foi forçada a abdicar em 24 de julho de 1567 em favor de Jaime e nomear seu meio-irmão Jaime Stuart, 1.º Conde de Moray como regente.

REGÊNCIAS
Jaime foi colocado aos cuidados do Conde e da Condessa de Mar, “para ser conservado, amamentado e criado” na segurança do Castelo de Stirling. Jaime foi coroado Rei da Escócia com treze meses de idade por Adam Bothwell, Bispo de Orkney (5), na Igreja do Holy Rude em 29 de julho de 1567. O sermão de coroação foi pregado por John Knox (6). De acordo com as crenças religiosas da maior parte da classe dominante escocesa, Jaime foi criado como membro da protestante Igreja da Escócia.

O Conselho Privado selecionou George Buchanan, Peter Young, Adam Erskine e David Erskine como preceptores ou tutores do jovem rei. Como o tutor sênior de Jaime, Buchanan sujeitou o menino a agressões regulares, mas também colocou nele uma enorme paixão pela literatura e aprendizado. Buchanan tentou transformar Jaime em um rei protestante e temente a Deus, alguém que aceitava as limitações da monarquia.

Em 1568, Maria fugiu de seu aprisionamento, levando a vários anos de violência esporádica. O Conde de Moray derrotou as tropas da antiga rainha na Batalha de Langside, forçando Maria a fugir para a Inglaterra, onde acabou sendo presa por Isabel. Em 23 de janeiro de 1570, Moray foi assassinado por James Hamilton. O próximo regente de Jaime foi seu avô paterno, Mateus Stuart, 4.º Conde de Lennox, que um ano depois foi fatalmente ferido na entrada do Castelo de Stirling por apoiadores de Maria. Seu sucessor, o Conde de Mar, “pegou uma doença veemente” e morreu no dia 28 de outubro de 1572. A doença de Mar ocorreu após um banquete no Palácio de Dalkeith, oferecido por Jaime Douglas, 4.º Conde de Morton.

Morton, que assumiu o cargo de Mar, mostrou-se de diversas maneiras o mais eficiente dos regentes de Jaime, porém fez inimigos por sua rapacidade. Ele caiu em desgraça quando o francês Esmé Stewart, Lorde de Aubigny, primo do pai de Jaime e futuro Conde de Lennox, chegou na Escócia e rapidamente se estabeleceu como o primeiro dos favoritos do rei. Morton foi executado em 2 de junho de 1581, tardiamente acusado de envolvimento no assassinado de Lorde Darnley. Em 8 de agosto, Jaime fez de Lennox o único duque na Escócia. Então com quinze anos, o rei permaneceria sob a influência de Lennox por mais um ano.

Os calvinistas (7) escoceses não confiavam em Lennox, mesmo ele sendo um protestante convertido, por perceberem demonstrações físicas de afeição entre ele e o rei, alegando que Lennox “tentou levar o rei para a concupiscência carnal”. Em agosto de 1582, naquilo que ficou conhecido como o Assalto de Ruthven, os condes protestantes de Gowrie e Angus atrairam Jaime para o Castelo de Ruthven e o aprisionaram, forçando Lennox a fugir da Escócia. Jaime assumiu um controle cada vez maior de seu reino após sua libertação em junho de 1583. Ele empurrou a aprovação dos Atos Negros para afirmar a autoridade real sobre a Igreja da Escócia e denunciou as escritas de Buchanan. Entre 1584 e 1603, Jaime estabeleceu um efetivo governo real e uma paz relativa entre os lordes; ele foi auxiliado habilmente por John Maitland, que liderou o governo até 1592.

Uma comissão composta por oito homens, conhecida por Octavianos, trouxe algum controle sobre a péssima situação das finanças escocesas em 1596, porém teve oposição de interesses escusos. Ela foi dissolvida um ano depois de um tumulto em Edimburgo, iniciado por anti-católicos, ter forçado a corte a se estabelecer em Linlithgow temporariamente. Um último atentado escocês contra a pessoa do rei ocorreu em agosto de 1600, quando Jaime foi aparentemente atacado por Alexander Ruthven, irmão mais novo do Conde de Gowrie, na Casa de Gowrie em Ruthven. Restaram poucas testemunhas oculares já que Ruthven era administrada por John Ramsay, pajem de Jaime, e o conde havia sido morto na desordem. Dado a história dos Ruthven e que eles deviam muito dinheiro ao rei, o relato de Jaime sobre o ocorrido não foi universalmente aceito.

Em 1586, Jaime assinou o Tratado de Berwick com a Inglaterra. Isso, aliado a execução da sua mãe no ano seguinte, que ele achou um “procedimento absurdo e estranho”, ajudou a abrir o caminho para sua sucessão no outro país. A rainha Isabel I não era casada e também não tinha filhos, assim Jaime era seu provável sucessor. Assegurar sua ascenção na Inglaterra tornou-se um dos pontos principais de sua política. Durante a crise da Invencível Armada (8) em 1588, ele garantiu a Isabel seu apoio como “seu filho natural e compatriota de seu país”.

CASAMENTO
Durante sua juventude, Jaime foi elogiado por sua castidade já que mostrava pouco interesse em mulheres. Após a perda de Lennox, ele continuou a preferir a companhia masculina. Entretanto, era necessário um casamento adequado para reforçar sua monarquia, assim a escolha de esposa caiu sobre Ana da Dinamarca (9), então com quatorze anos, filha do rei protestante Frederico II da Dinamarca. Pouco depois do casamento por procuração em Copenhague em agosto de 1589, Ana partiu para a Escócia porém foi forçada a parar na Noruega por causa de tempestades. Jaime, ao saber que a travessia havia sido interrompida, velejou para Leith com uma comitiva de trezentas pessoas para buscar Ana pessoalmente, naquilo que o historiador David Harris Willson chama de “o único episódio romântico de sua vida”.

Os dois se casaram formalmente no Palácio do Bispo em Oslo no dia 23 de novembro e retornaram para a Escócia em 1 de maio de 1590, após paradas em Helsingør e Copenhague e um encontro com Tycho Brahe (10). De acordo com todos os relatos, Jaime inicialmente estava encantado por Ana e nos primeiros anos de seu casamento sempre demonstrava paciência e afeição. O casal teve sete filhos que sobreviveram ao nascimento, dois quais chegaram a idade adulta.

BRUXAS
A visita de Jaime a Dinamarca, um país familiar com caça às bruxas, pode tê-lo encorajado a estudar bruxaria, que o próprio considerava parte da teologia. Depois de voltar para a Escócia, o rei compareceu aos julgamentos das bruxas de North Berwick, a primeira grande caça às bruxas no país sob o Ato de Bruxaria de 1563. Várias pessoas, mais notavelmente Agnes Sampson, foram condenadas de usar bruxaria para enviar tempestades contra o navio de Jaime. O rei ficou obcecado pela ameaça que as bruxas representavam e, inspirado por seu próprio envolvimento, escreveu Daemonologie em 1597, um trato que se opunha a prática de bruxaria e que serviu de base para Macbeth de William Shakespeare.

Jaime supervisionou pessoalmente a tortura de mulheres acusadas de serem bruxas. Depois de 1599, ele ficou mais cético. Em uma carta escrita algum tempo depois ao seu filho Henrique, o rei parabeniza o príncipe pela “descoberta acolá de uma pequena bruxa falsa. Rezo a Deus que sejais meu herdeiro em tais descobertas… a maioria dos milagres hoje em dia mostram-se ilusões, e tu pode ver por este como os juízes devem ser cautelosos em acusações de confiança”.

TERRAS ALTAS E ILHAS
A dissolução forçada do Senhorio das Ilhas por Jaime IV em 1483 levou a agitações na costa oeste. Apesar do rei ter subjulgado o exército organizado das Hébridas, ele e seus sucessores não tinham a vontade ou a habilidade para prover formas alternativas de governo. Dessa forma, o século XVI ficou conhecido como linn nan creach (“o tempo de ataques”). Além disso, os efeitos da reforma religiosa estavam demorando a impactar a Gàidhealtachd, criando um calço religioso entre essa área e os centros de controle político no Cinturão Central (11).

Em 1540, Jaime V viajou pelas Hébridas, forçando chefes de clãs a acompanhá-lo. Seguiu-se um período de paz, porém os clãs logo estavam em desacordo novamente. Durante o reinado de Jaime VI, foi completada a tranformação da imagem das Hébridas (12) como berço do cristianismo escocês para uma em que seus cidadãos eram considerados bárbaros sem leis. Documentos oficiais descrevem o povo da região como “sem o conhecimento e temor de Deus”, que estavam propensos a “todos os tipos de crualdades bárbaras e bestiais”.

A língua gaélica escocesa, falada fluentemente por Jaime IV e provavelmente Jaime V, ficou conhecida na época de Jaime VI como “erse” (irlandês), implicando que sua natureza era estrangeira. O parlamento escocês chegou a conclusão que ela era a principal causa das deficiências das Terras Altas, tentando aboli-la. Foi nessa situação que em 1598, Jaime VI autorizou os “Cavalheiros Aventureiros de Fife” para civilizar a “mais bárbara Ilha de Lewis”. o rei escreveu que os colonizadores deveriam agir “não por acordo” com os habitantes locais, mas “por extirpação”. A chegada deles em Stornoway foi um sucesso, porém os colonizadores foram expulsos por forças locais comandadas por Murdoch e Nel MacLeod. Uma nova tentativa foi feita em 1605 com o mesmo resultado, porém a terceira em 1607 obteve mais sucesso.

Os Estatutos de Iona foram promulgados em 1609, fazendo com que chefes de clã enviassem seus herdeiros para serem educados em escolas protestantes e de língua inglesa nas Terras Baixas (13), apoiassem ministros protestantes nas paróquias das Terras Altas (14), banissem os bardos e regularmente se reportassem a Edimburgo para responder por suas ações. Assim começou um processo “especificamente destinado a extirpar a língua gaélica, a destruição de sua cultura tradicional e a supressão de seus portadores”. Nas Ilhas do Norte, Patrício Stewart, 2.º Conde de Orkney, resistiu aos Estatutos de Iona, acabando preso. Seu filho Roberto liderou uma rebelião mal sucedidada contra Jaime, e tanto o conde quanto seu filho foram enforcados. Sua propriedades foram confiscadas e as ilhas de Órcades (15) e Shetland (16) anexadas.

TEORIA DA MONARQUIA
Jaime escreveu The True Law of Free Monarchies e Basilikon Doron entre 1597 e 1598, onde discutia a base teológica para a monarquia. No primeiro, ele afirma o direito divino dos reis (17), explicando que por razões bíblicas os reis são seres superiores a outros homens, apesar de que “a maior bancada é a mais escorregadia para se sentar”. O documento propõe uma teoria absolutista para a monarquia, em que um rei pode impor novas leis pela prerrogativa real (18), porém também deve ter atenção para a tradição e a Deus, que “incitariam flagelos como agrado para a punição de reis perversos”.

Basilikon Doron, escrito como um livro de instruções para o príncipe Henrique Frederico, então com quatro anos, fornecem um guia prático para ser rei. O trabalho é considerado como sendo muito bem escrito e o melhor exemplo da prosa de Jaime. Seu conselho sobre os parlamentos, que ele entendia apenas como a “corte chefe” do rei, prenuncia sua dificuldades com os comuns da Inglaterra: “Não realize Parlamentos”, ele aconselha Henrique, “porém pela necessidade de novas Leis, que seria mas que raramente”.Em True Law, Jaime matém que o rei possui o seu reino como um senhor feudal possui seu feudo, porque reis surgiram “antes de quaisquer propriedades ou classificações de homens, antes de quaisquer parlamentos serem realizados, ou leis criadas, e por eles a terra era distribuida, que no início eram totalmente deles. E assim .dos reis”.

PATRONO LITERÁRIO
Nas décadas de 1580 e 1590, Jaime ficou preocupado em promover a literatura na Escócia. Sua dissertação, Some Rules and Cautions to be Observed and Eschewed in Scottish Prosody, publicada em 1584 quando ele tinha dezoito anos, era tanto um manual poético quanto a descrição da tradição poética do escôces, sua língua nativa, aplicando princípios da Renascença. Ele também fez provisões estatuárias para reformar e promover o ensino da música, vendo os dois interligados. Para a prossecução desses objetivos ele foi patrono e chefe de um círculo de poetas e músicos jacobinos escocêses, a Banda de Castália, que incluia indivíduos como William Fowler e Alexander Montgomerie, posteriormente um dos favoritos do rei.

Jaime, ele mesmo um poeta, ficava feliz em ser visto como um membro do grupo. No final da década de 1590, sua defesa da tradição escocesa ficou um pouco prejudicada pelo prospecto cada vez maior de herdar a coroa inglesa; alguns de seus poetas da corte passaram a anglicanizar suas escritas, indo junto com ele para Londres depois 1603. Seu papel característico como um participante ativo e patrono na corte escocesa fez dele uma importante figura na poesia e dramaturgia renascentista inglesa, que chegaria ao auge durante seu reinado. Entretanto, seu mecenato para a estilística de sua própria tradição esocesa, uma tradição que incluia seu predecessor Jaime I, ficou esquecida.

REINADO NA INGLATERRA
ASCENSÃO

Já que Isabel I era a última descendente de Henrique VIII, Jaime foi visto como o provável herdeiro do trono inglês através de sua bisavó Margarida Tudor, a irmã mais velha de Henrique. Começando em 1601, nos últimos anos da vida de Isabel, certos políticos ingleses, notavelmente o ministro chefe sir Robert Cecil, corresponderam-se secretamente com Jaime afim de preparar uma transição sem grandes problemas. Em março de 1603, com a rainha claramente morrendo, Cecil enviou a Jaime um rascunho de proclamação de sua ascensão ao trono inglês. Isabel morreu nas primeiras horas de 24 de março e Jaime foi proclamado rei em Londres no mesmo dia. Ele deixou Edimburgo em 5 de abril, prometendo retornar a cada três anos (uma promessa que não manteve), e progrediu lentamente para o sul. Lordes locais o receberam com pródiga hospitalidade e o rei ficou maravilhado pelas riquezas de sua nova terra e súditos. Jaime afirmou estar “trocando um sofá de pedra por uma profunda cama de penas”.

Na casa de Cecil em Hertfordshire, Theobalds House, tamanha era sua admiração que ele comprou a propriedade no local, chegando na capital depois do funeral de Isabel. Seus novos súditos amontoavam-se para vê-lo, aliviados que a sucessão não desencadeou inquietações ou invasões. Ao entrar em Londres no dia 7 de abril, Jaime foi cercado por uma grande multidão. Sua coroação ocorreu em 25 de julho, com alegorias elaboradas criadas por poetas dramáticos como Thomas Dekker (19) e Ben Jonson (20). Apesar de um surto de peste ter restringido as festividades, “as ruas pareciam pavimentadas com homens”, como escreveu Dekker, “barracas em vez de mercadorias ricas foram expostas com as crianças, caixilhos abertos cheios de mulheres”. Entretanto, o novo reino de Jaime tinha seus problemas. Monopólios e taxas tinham gerado um sentimento generalizado de injustiça, e os custos de uma guerra na Irlanda tornaram-se um grande peso para o governo, Na época de sua sucessão, a Inglaterra devia uma quantia de 400 mil libras esterlinas.

INÍCIO
Apesar da transição ter ocorrido sem problemas e o povo tê-lo acolhido, Jaime sobreviveu a duas conspirações durante seu primeiro ano de reinado, a Conspiração Católica e a Conspiração Principal, que levou às prisões de indivíduos como Henry Brooke, 11.º Barão Cobham e sir Walter Raleigh. Aqueles que esperavam uma mudança no governo com Jaime ficaram decepcionados quando o rei manteve o Conselho Privado de Isabel, como havia secretamente planejado com Cecil, porém Jaime rapidamente adicionou seu apoiador Henry Howard, o sobrinho Thomas Howard e cinco nobres escoceses ao conselho. Nos primeiros anos de seu reinado, o dia a dia do governo era gerenciado por Robert Cecil junto com Thomas Egerton, quem Jaime posteriormente nomeou como Lorde Chanceler, e Thomas Sackville, que continuou como Lorde do Tesouro. Assim, o rei estava livre para se concentrar em questões maiores, como uma forma de criar uma união maior entre a Inglaterra e a Escócia e assuntos internacionais, além de aproveitar seus passatempos, como a caça. Jaime queria construir a partir da união pessoal das coroas inglesa e escocesa e estabelecer um único país com um único monarca, parlamento e conjunto de leis, um plano que gerou oposição nos dois reinos. “Acaso Ele não nos fez tudo em uma ilha”, disse o rei ao parlamento inglês, “rodeado de um mar e de si mesmo, por natureza indivisível?”.

Porém, em abril de 1604, os comuns recusaram por motivos legais seu pedido para ser chamado de “Rei da Grã-Bretanha” Em outubro do mesmo ano, ele assumiu o título por proclamação ao invés de por estatuto, apesar de sir Francis Bacon ter afirmado que ele não podia usá-lo em “qualquer procedimento legal, instrumento ou garantia”. Nos assuntos internacionais, Jaime foi mais bem sucedido. Nunca tendo entrado em guerra contra a Espanha, ele se dedicou a encerrar a longa Guerra Anglo-Espanhola (21); em agosto de 1604, devido a uma habilidosa diplomacia por parte de Cecil e Henry Howard, um acordo de paz foi assinado entre os dois países, e Jaime celebrou com um grande banquete. Porém, a liberdade de adoração dos católicos na Inglaterra continuou a ser um grande objetivo para a política espanhola, criando dilemas constantes ao rei, desconfiado internacionalmente por reprimir os católicos enquanto que internamente encorajado pelo Conselho Privado a mostrar menos tolerância.

CONSPIRAÇÃO DA PÓLVORA
Na noite do dia 4 para o 5 de novembro de 1605, na véspera da Cerimônia de Abertura do Parlamento da segunda sessão de Jaime, o católico Guy Fawkes foi descoberto nos porões do prédio do parlamento. Ele estava cuidando de uma pilha de madeira não muito longe de 36 barris de pólvora, com que ele pretendia explodir o parlamento no dia seguinte e causar a destruição de, nas palavras do próprio Jaime, “não apenas … de minha pessoa, da de minha esposa e também da posteridade, mas também de todo o órgão do estado em geral”. A sensacional descoberta da Conspiração da Pólvora, como ficou rapidamente conhecida, despertou um sentimento de alívio nacional na entrega do rei e de seus filhos, que Cecil explorou para extrair o maior subsídio do parlamento com exceção de um garantido por Isabel I. Fawkes e os outros implicados na conspiração foram executados.

REI E PARLAMENTO
A cooperação entre Jaime e o parlamento após a Conspiração da Pólvora foi atípica. A sessão anterior de 1604 moldou as atitudes de ambos pelo resto do reinado, apesar das dificuldades iniciais terem acontecido por incompreensão mútua e não por animosidade. Em 7 de julho de 1604, o rei furiosamente suspendeu o parlamento depois de não conseguir apoio para subsídios financeiros e a união total da Inglaterra e Escócia. “Não vou agradecer onde sinto que não merece agradecimento”, ele afirmou em seu discurso de encerramento, “… Eu não sou de tal ações como para louvar os tolos … Vocês verão quantas coisas não fizeram bem … Gostaria que fizessem uso mais modesto de sua liberdade a tempo para vir”. Enquanto o reinado de Jaime continuava, seu governo enfrentou pressões financeiras cada vez maiores, parcialmente pela inflação rastejante, mas também pela libertinagem e incompetência financeira da corte de Jaime.

Em fevereiro de 1610, Cecil propôs um esquema, conhecido como o Grande Contrato, onde o Parlmento, em troca de concessões reais, garantiria a quantia de seicentas mil libras para pagar as dívidas do rei além de uma subvenção anual de duzentas mil libras. As negociações espinhosas que se seguiram tornaram-se tão prolongadas que o rei eventualmente perdeu a paciência e dissolveu o parlamento em 31 de dezembro. “Seu maior erro”, disse a Cecil, “tem sido a de que você nunca deve atrair mel de fel”.O mesmo padrão se repetiu com o chamado “Parlamento Apodrecido” de 1614, que ele dissolveu depois de apenas nove semanas quando os comuns exitaram em dar-lhe o dinheiro que queria. Jaime então reinou sem parlamento até 1621, empregando oficiais como o empresário Lionel Cranfield, que eram astutos o bastante para arrecadarem e economizarem dinheiro, vendendo títulos e outras honras, muitos criados para esse propósito, como fontes alternativas de renda.

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Roberto Aguilar M. S. Silva
M.’. M.’. – A.’.R.’.L.’.S.’. Loja Maçônica Renascença IV, Santo Ângelo, RS (Brasil)


NOTAS:

  1. Maria Stuart ou Maria I da Escócia (Linlithgow, 8 de dezembro de 1542 — Northamptonshire, 8 de fevereiro de 1587), foi rainha do Escócia, de 14 de Dezembro de 1542 a 24 de Julho de 1567, e rainha consorte de França, de 10 de Julho de 1559 a 5 de Dezembro de 1560. Maria, a única sobrevivente dos filhos do rei Jaime V da Escócia, tinha apenas seis dias de idade quando o seu pai faleceu, sucedendo-lhe ao trono. Nove meses depois foi coroada. Maria passou grande parte da sua infância em França enquanto a Escócia era governada por regentes. Em 1558, casou com Francisco, Delfim da França. Francisco foi coroado rei como Francisco II em 1559 e Maria tornou-se rainha consorte, por pouco tempo, até à data da morte do seu marido a 5 de Dezembro de 1560. Maria regressou à Escócia, chegando a Leith a 19 de Agosto de 1561, dando início à sua governação como rainha. Quatro anos mais tarde, casou com o seu primo, Henrique Stuart, Lorde Darnley, mas a sua união não foi feliz. Em Fevereiro de 1567, a sua residência foi destruída por uma explosão e Darnley foi encontrado morto no jardim. James Hepburn, 4.º conde de Bothwell, foi considerado o principal suspeito da morte de Darnley, mas foi absolvido de qualquer culpa em Abril de 1567, e, no mês seguinte, casou com Maria. No seguimento de uma insurreição contra o casal, Maria foi feita prisioneira no Castelo de Loch Leven. A 24 de Julho de 1567, Darnley forçou Maria a abdicar a favor do seu filho de onze anos, Jaime. Após uma tentativa fracassada de recuperar o trono, Maria fugiu para sul procurando a protecção da sua prima, rainha Isabel de Inglaterra. Maria tinha, no passado, reclamado o trono de Isabel para si e era considerada a legítima soberana de Inglaterra por muitos católicos ingleses, incluindo os participantes de uma rebelião conhecida como the Rebelião do Norte. Tomando-as como uma ameaça, Isabel limitou os seus movimentos em vários castelos e mansões no interior de Inglaterra. Depois de 18 anos e meio de confinamento, Maria foi considerada culpada de planear o assassinato de Isabel, e foi executada.

  2. Isabel I (Greenwich, 7 de setembro de 1533 — Richmond, 24 de março de 1603), também conhecida sob a variante Elisabete I ou Elizabeth I, foi Rainha da Inglaterra e da Irlanda desde 1558 até à sua morte. Também ficou conhecida pelos nomes de A Rainha Virgem, Gloriana e Boa Rainha Bess. Filha de Henrique VIII, Isabel nasceu como princesa, mas a sua mãe, Ana Bolena, foi executada dois anos e meio depois do seu nascimento e Isabel foi declarada bastarda. Mais tarde, seu meio-irmão, Eduardo VI, deixou a coroa a Lady Jane Grey, excluindo as suas irmãs da linha de sucessão. No entanto, o seu testamento foi rejeitado, Lady Jane Grey foi executada e, em 1558, Isabel sucedeu à sua meia-irmã católica, Maria I, depois de passar quase um ano presa por suspeita de apoiar os rebeldes protestantes.

  3. A Conspiração da pólvora foi uma tentativa mal-sucedida de um grupo de católicos provinciais ingleses de assassinato do rei Jaime I de Inglaterra, de sua família, e da maior parte da aristocracia protestante em um único ataque, às Casas do Parlamento, durante a cerimônia de abertura. O objetivo deles era explodir o parlamento inglês durante uma sessão na qual estaria presente o rei e todos os parlamentares utilizando trinta e seis barris de pólvora estocados sob o prédio do parlamento. Guy Fawkes como especialista em explosivos seria responsável pela detonação da pólvora.

  4. O Período Elisabetano ou Período Isabelino é o período associado ao reino da rainha Isabel ou Elizabeth I (1558-1603) e considerado frequentemente uma era dourada da história inglesa. Esta época corresponde ao ápice da renascença inglesa, na qual se viu florescer a literatura e a poesia do país. Este foi também o tempo durante o qual o teatro elizabetano cresceu e Shakespeare, entre outros, escreveu peças que rompiam com o estilo a que a Inglaterra estava acostumada. Foi um período de expansão e da exploração no exterior, enquanto no interior a Reforma Protestante era estabelecida e defendida contra as forças católicas do continente. O Período Elisabetano é assim tão considerado em parte pelo contraste com os períodos anterior e posterior. Foi um breve período de paz nas batalhas entre protestantes e católicos e as batalhas entre o Parlamento e a monarquia que engolfaram o século XVII. As divisões entre o catolicismo e protestantismo foram definidas momentaneamente pelo Estabelecimento Religioso Elisabetano e o Parlamento ainda não era forte o suficiente para desafiar o absolutismo real.

  5. As Órcades ou Órcadas (em inglês Orkney Islands, “Ilhas Orkney”, no gaélico escocês Àrcaibh) são um arquipélago localizado no Mar do Norte, cerca de 16 km ao largo do Norte da Escócia. As Órcades foram inicialmente colonizadas por pictos e vikings mas são actualmente uma das Autoridades Unitárias da Escócia. O grupo é constituído por cerca de 70 ilhas, das quais 20 habitadas por cerca de 20 000 pessoas. A maior ilha do arquipélago é The Mainland, onde fica Kirkwall a capital administrativa. A economia do arquipélago é sustentada pela indústria de produção de lã, carne, queijo, cerveja, whisky e pelas plataformas petrolíferas que operam ao largo das Órcades. Do ponto de vista geológico as Órcades são ilhas continentais separadas da Europa e das restantes Ilhas Britânicas durante a subida geral do nível do mar observada no Pliocénico. As ilhas estão habitadas desde 3500 a.C., num primeiro estágio povoadas por um povo conhecido como orcanianos, eram divididos em tribos e faziam trabalhos com metal. Depois foram ocupadas pelos pictos. Por volta do ano 800, as Órcades foram invadidas pelos vikings que submeteram e escravizaram a população local de pictos. O arquipélago fica a poucas milhas marítimas tanto da Noruega como da Escócia e representava, na época, uma base de Inverno ideal para as pilhagens vikings às Ilhas Britânicas. Com os dividendos dos saques, enquanto estes duraram, e mais tarde com o estabelecimento de uma colónia de pastores e agricultores, as Órcades ganharam nova vida sob o controle viking.

  6. John Knox (Haddington, East Lothian, 1514 — Edimburgo, 24 de novembro de 1572) foi um religioso reformador escocês que liderou uma reforma religiosa na Escócia segundo a linha calvinista. Ele foi educado na Universidade de St Andrews ou possivelmente a Universidade de Glasgow e foi ordenado para o sacerdócio católico em 1536. Influenciado pelos reformadores da igreja primitiva, como George Wishart, ele se juntou ao movimento para reformar a igreja escocesa. Ele foi pego nos eventos eclesiásticos e políticos que envolveram o assassinato do cardeal Beaton em 1546 e a intervenção da regente da Escócia Maria de Guise. Ele foi preso por forças francesas no ano seguinte e exilado para a Inglaterra em seu libertação em 1549. Seu lugar e data de nascimento continuam a ser debatidos, sendo Gifford Gate, nas proximidades da cidade de Haddington (20 quilômetros a leste de Edimburgo) o mais provável local.

  7. O Calvinismo (também chamado de Tradição Reformada, Fé Reformada ou Teologia Reformada) é tanto um movimento religioso protestante quanto uma ideologia sociocultural com raízes na Reforma iniciada por João Calvino em Genebra no século XVI. A tradição Reformada foi desenvolvida, ainda, por diversos outros teólogos como Martin Bucer, Heinrich Bullinger, Pietro Martire Vermigli e Ulrico Zuínglio. Apesar disso, a fé Reformada costuma levar o nome de Calvino, por ter sido ele seu grande expoente. Atualmente, o termo também se refere às doutrinas e práticas das Igrejas Reformadas . O sistema costuma ser sumarizado através dos Cinco pontos do calvinismo, elaborados como uma resposta ao Arminianismo.

  8. A Invencível Armada ou Armada Invencível (em castelhano: “Grande y Felicísima Armada”), também referida como “la Armada Invencible” (castelhano) ou “the Invincible Fleet” (inglês), com certo tom irônico, pelos ingleses no século XVI, foi uma esquadra reunida pelo rei Filipe II de Espanha em 1588 para invadir a Inglaterra. A Batalha Naval de Gravelines foi o maior combate da não declarada Guerra Anglo-Espanhola e a tentativa de Filipe II de neutralizar a influência inglesa sobre a política dos Países Baixos Espanhóis e reafirmar hegemonia na guerra nos mares. A armada era composta por 130 navios bem artilhados, tripulados por 8 000 marinheiros, transportando 18 000 soldados e estava destinada a embarcar mais um exército de 30 000 infantes. No comando, o Duque de Medina-Sidônia seguia num galeão português, o São Martinho. No combate no Canal da Mancha, os Ingleses impediram o embarque das tropas em terra, frustraram os planos de invasão e obrigaram a Armada a regressar contornando as Ilhas Britânicas. Na viagem de volta, devido às tempestades, até metade dos navios se perdeu. O episódio da Armada foi uma grave derrota política e estratégica para Coroa espanhola e teve grande impacto positivo para a identidade nacional inglesa.

  9. Ana de Dinamarca (12 de dezembro de 1574 – 2 de março de 1619) foi a rainha consorte de Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra , sendo a segunda filha dos 7 filhos do rei Frederico II da Dinamarca e Noruega e da duquesa Sofia de Mecklenburg-Güstrow. Ana de Dinamarca (12 de dezembro de 1574 – 2 de março de 1619) foi a rainha consorte de Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra1 , sendo a segunda filha dos 7 filhos do rei Frederico II da Dinamarca e Noruega e da duquesa Sofia de Mecklenburg-Güstrow.

  10. Tycho Brahe (Skåne, Dinamarca, 14 de Dezembro de 1546 — Praga, 24 de Outubro de 1601) nascido Tyge Ottesen Brahe, foi um astrônomo dinamarquês. Teve um observatório chamado Uranienborg na ilha de Ven, no Öresund, entre a Dinamarca e a Suécia.

  11. Central Belt, Cinturão Central da Escócia em português, é um termo comumente utilizado para descrever a área com maior densidade populacional da Escócia. Apesar de seu nome, o Cinturão não é geograficamente “central”, mas na verdade localiza-se no sul do país. Era conhecido anteriormente como “Terras do Meio” ou “Terras do Meio Escocesas”, mas este termo caiu em desuso.

  12. As Hébridas compreendem um largo arquipélago na costa oeste da Escócia, e em termos geológicos são compostas das mais antigas rochas das Ilhas Britânicas.

  13. As Terras Baixas da Escócia (gaélico escocês A’ Ghalldachd’, significado aproximado ‘região não-gaélica’, em inglês Scottish Lowlands) são a região plana no sul da Escócia, onde existe uma forte tradição da igreja presbiteriana (a Kirk, uma igreja calvinista). É também a zona mais desenvolvida da Escócia, ali se situando as cidades de Glasgow e Edimburgo. Esse topônimo não é usado formalmente e na realidade ele abrange algo que seria entre a parte meridional do Planalto Central Escocês e as Bordas (Borders).

  14. Por contraste, as Terras Altas são uma região mais tradicional, pobre, onde o catolicismo permaneceu influente ao longo da História da Escócia.

  15. As Órcades ou Órcadas (em inglês Orkney Islands, “Ilhas Orkney”, no gaélico escocês Àrcaibh) são um arquipélago localizado no Mar do Norte, cerca de 16 km ao largo do Norte da Escócia. As Órcades foram inicialmente colonizadas por pictos e vikings mas são actualmente uma das Autoridades Unitárias da Escócia. O grupo é constituído por cerca de 70 ilhas, das quais 20 habitadas por cerca de 20 000 pessoas. A maior ilha do arquipélago é The Mainland, onde fica Kirkwall a capital administrativa. A economia do arquipélago é sustentada pela indústria de produção de lã, carne, queijo, cerveja, whisky e pelas plataformas petrolíferas que operam ao largo das Órcades.Do ponto de vista geológico as Órcades são ilhas continentais separadas da Europa e das restantes Ilhas Britânicas durante a subida geral do nível do mar observada no Pliocénico.

  16. Shetland (antigamente escrito Zetland, derivado de Ȝetland), originalmente chamado de Hjaltland, é uma das 32 áreas de Concelho da Escócia. É um arquipélago a nordeste das Órcades, com uma área total de aproximadamente 1466 km². Ele forma parte da divisão entre o Oceano Atlântico a oeste e o Mar do Norte a leste. Seu centro administrativo, e único burgh, é Lerwick. A sua maior ilha, Mainland, é a terceira maior ilha escocesa e também a terceira maior ilha circundando a Grã-Bretanha. Sua área é de cerca de 969 km². Outras ilhas importantes são Yell e Unst, nas North Isles. As Ilhas Shetland estão subdivididas em 22 paróquias (parish) e wards, que não tem muita significância administrativa, mas que são usadas para propósitos estatísticos.

  17. O Direito divino dos reis é uma doutrina política e religiosa européia, com antecedentes no cesaropapismo bizantino ou até anteriores nomeadamente com o tempo dos faraós, que foi desenvolvida no ancien régime francês e no protestantismo inglês, baseando-se na crença de que o monarca tem o direito de reinar por vontade de Deus, e não devido a vontade de seus súbditos, parlamento, aristocracia ou qualquer outra autoridade. Esta doutrina tentava explorar a ideia que qualquer tentativa de depor o monarca ou restringir seus poderes seria contrária à vontade de Deus. Essa discussão surge no final da Idade Média, embora ainda se acreditasse que a origem desse poder ser divino, que provinha da vontade de Deus, mas que esse direito deixava de ser dado directamente ao rei e sim confiado ao povo, que era ele que o conferia depois ao monarca. O que diferia nas várias monarquias é que divergia a natureza dessa transmissão. A entrega inalienável (sem volta) do poder do rei foi a opção encontrada para o surgir do absolutismo real e de modo diferente, a da “mera” delegação no rei, avocável, deram fundamento à doutrina do poder popular real por escolha nos seus órgãos próprios.

  18. A Prerrogativa Real é um órgão de autoridade habitual de privilégios e imunidades, reconhecida em lei comum e, às vezes, em jurisdições de direito civil possuindo na monarquia como pertencente ao soberano sozinho. É o meio pelo qual alguns dos poderes executivos do governo, investidos em uma monarquia, dizem respeito ao processo de como a governança de seu estado são realizadas. Prerrogativas individuais podem ser abolidos pelo Parlamento, apesar de existir no Reino Unido um procedimento especial. Embora em algumas repúblicas chefes de Estado possuam poderes semelhantes, não são coincidentes, contendo uma série de diferenças fundamentais. Na Inglaterra, os poderes da prerrogativa eram originalmente exercidos pelo monarca agindo sozinho, sem um requisito observado pelo consentimento do parlamento ou da Magna Carta). Todavia, desde a ascensão da casa de Hanover têm sido geralmente exercida sobre o conselho do primeiro-ministro ou o Gabinete, que por sua vez é responsável perante o Parlamento, de forma exclusiva, salvo em assuntos da Família Real, pelo menos desde os tempos da Rainha Vitória. Tipicamente, em democracias liberais que são as Monarquias Constitucionais, como as da Dinamarca, Japão ou Suécia, a Prerrogativa Real serve como uma função cerimonial prescrito no poder do Estado.

  19. Thomas Dekker (Londres, c. 1572 — Clerkenwell, 25 de agosto de 1632) foi um dramaturgo inglês.
    A primeira notícia sobre o escritor data de 1598, quando aparece no Jornal de Philip Henslowe; na tal data se achava ao serviço da companhia teatral do Lord Almirante, para a qual escreveu dez dramas e colaborou em trinta entre 1598 e 1602. Apesar de sua abundante produção cênica, viveu una existência precária e esteve na prisão por dívidas entre 1613 e 1618. Em uma polêmica literária surgida entre John Marston e Ben Jonson se manifestou partidário do primeiro, e o ataque que o adversário lhe dirigiu com Poestaster lhe fez escrever sua réplica Satiromastix (1601); mas se reconciliaram e chegaram, inclusive, a escrever algumas peças juntos, como The King’s Entertainment (1604).

  20. Benjamin “Ben” Jonson (Westminster, 11 de junho de 1572 — Londres, 6 de agosto de 1637) foi um dramaturgo, poeta e ator inglês da Renascença, contemporâneo de Shakespeare. Entre suas peças mais conhecidas estão Volpone, The Alchemist (O Alquimista) e Bartholomew Fair: A Comedy (A Feira de São Bartolomeu: uma Comédia).

  21. A Guerra Anglo-Espanhola (1585-1604) foi um conflito entre os reinos da Inglaterra comandada por Elizabeth I de Inglaterra e a Espanha comandada por Filipe II. A guerra começou mais propriamente com uma vitória inglesa em Cádiz em 1587 e contra a Armada Espanhola em 1588, mas os ingleses não fizeram novos avanços depois disso e os espanhóis vão receber algumas vitórias. A guerra permaneceu inconclusiva durante muito tempo.


BIBLIOGRAFIA:


A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA E OS MAÇONS

A Educação Anarquista ou Pedagogia Libertária inscreve-se no contexto das teorias modernas da educação. Neste sentido, possui uma fundamentação filosófica e política que lhe é própria, embora esta fundamentação esteja relacionada com outras teorias e práticas pedagógicas que lhe são contemporâneas. É necessário, portanto, saber distingui-la de outras teorias educacionais.

Segundo Gallo (2013), o fundamento da educação libertária é o conceito de educação integral que, de acordo com Paul Robin (1), é o resultado de um longo processo de evolução, em que diversos educadores, ao longo do tempo, foram levantando idéias e tecendo considerações que, em pleno século dezenove, já amadurecidas, puderam ser sistematizadas numa teoria orgânica:

A idéia de educação integral só há pouco tempo alcançou sua completa maturidade. Rabelais (2), penso eu, é o primeiro autor a dizer algo sobre ela; com efeito, lemos em suas obras que Ponocrates ensinava a seu aluno as ciências naturais, a matemática, fazia-o praticar todos os exercícios corporais e aproveitava os dias de tempo chuvoso ‘para fazê-lo visitar as oficinas e se pôr a trabalhar’. Porém, essa concepção requer um desenvolvimento e que seja aplicada a todos os homens. A este respeito resta ainda muito a dizer, inclusive mais tarde o Emílio, em que o autor consagra todas as faculdades de um homem para educar a um só, num meio preparado artificialmente para este objetivo.

Paul Robin

O conceito de homem que sustenta tal teoria fica muito claro para Robin:

A idéia moderna – de educação integral – nasceu do sentimento profundo de igualdade e do direito que cada homem tem, quaisquer que sejam as circunstâncias de seu nascimento, de desenvolver, da forma mais completa possível, todas as faculdades físicas e intelectuais. Estas últimas palavras definem a Educação Integral.

A concepção de homem que subjaz à teoria da educação integral é decorrente do humanismo iluminista do século dezenove, percebendo-o como um “ser total”; o homem é concebido como resultado de uma multiplicidade de facetas que se articulam harmoniosamente e, por isso, a educação deve estar preocupada com todas estas facetas: a intelectual, a física, a moral etc. (Gallo, 2013).

Existem três grupos de entendimento da educação na sociedade: educação como redenção, educação como reprodução e educação como transformação. A pedagogia libertária, assim como as demais pedagogias progressistas, segue a tendência filosófico-política da educação como transformação da sociedade. A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos, num sentido libertário e autogestionário (a escola institui, com base na participação dos grupos, mecanismos instituicionais de mudança, através de assembléias, conselhos, eleições, reuniões e associações.

Pedagogia Libertária e as Matérias Escolares
As matérias são colocadas à disposição do aluno, mas não são exigidas. São um instrumento a mais, porque o que realmente é importante para a pedagogia libertária é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo. O método de ensino, portanto, dá-se na vivência grupal, é na forma de autogestão que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias de sua própria aprendizagem, sem qualquer forma de poder. Trata-se de colocar nas mãos do aluno tudo que for possível. Os alunos têm liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico na dependência de suas necessidades ou das do grupo.

Pedagogia Libertária e o Papel do Professor e do Grupo
A pedagogia libertária considera desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de obrigações e ameaças. Nesse sentido, o professor deve se por a serviço do aluno sem impor suas concepções e idéias, sem fazer do aluno um “objeto”, ele deve se misturar ao grupo para uma reflexão em comum. Toda essa liberdade de decisão tem um sentido bem claro. Se um aluno resolve não participar, o faz porque não se sente integrado, mas o grupo tem responsabilidade sobre esse fato e tem que colocar a questão em discussão.

Pedagogia Libertária e a Avaliação
O critério de relevância do saber é seu possível uso prático. Por isso mesmo não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da aprendizagem, ao menos não em termos de conteúdo.

Pedagogia Libertária e o Anarquismo
A pedagogia libertária abrange quase todas as tendência anti-autoritárias em educação, dentre elas a anarquista, a psicanalista, a dos sociólogos e também a dos professores progressistas.

Escolas Célebres

  • “Paideia” Escola Livre

  • Orfanato Cempuis (1880 – 1894), de Paul Robin

  • O movimento das Escolas Modernas (1901 – 1953), iniciado por Francesc Ferrer y Guàrdia

  • A Colméia (1904 – 1917), de Sébastien Faure

  • Summerhill (1921 – atual), de A.S. Neill

Os Maçons e a Pedagogia Libertária
Francisco ou Francesc Ferrer i Guàrdia – O Maçom Ferrer i Guàrdia aponta a necessidade de a educação estar atenta a todas elas:

Ademais, não se educa integralmente ao homem disciplinando sua inteligência, fazendo caso omisso do coração e relegando a vontade. O homem, na unidade de seu funcionalismo cerebral, é um complexo; tem várias facetas fundamentais, é uma energia que vê, afeto que rechaça ou adere ao concebido e vontade que faz ato o percebido e amado.

Francisco Ferrer Guardia (10 de janeiro de 1859 – 13 de outubro de 1909), foi um pensador anarquista catalão, criador da Escola Moderna (1901), um projeto prático de pedagogia libertária. Ele nasceu em Allela (uma pequena cidade perto de Barcelona) em 10 de janeiro de 1859, filho de pais católicos, cedo se tornou anticlerical e juntou-se à loja maçônica Verdad, de Barcelona. Apoiou o pronunciamento militar de 1886, que pretendia proclamar a República, mas diante do fracasso deste, Ferrer teve de exilar-se em Paris. Sobreviveu ensinando espanhol até 1901, e durante este período criou os conceitos educativos que aplicaria em sua Escola Moderna. A Escola Moderna transformou-se em um movimento de caráter internacional de apoio dos trabalhadores a educação anti-Estatal e anti-Capitalista.

A Escola Moderna
Segundo a Profa. Dra. Maria Aparecida Macedo Pascal “Ferrer desenvolveu o método racional, enfatizando as ciências naturais com certa influência positivista, privilegiando a educação integral. Propõe uma metodologia baseada na cooperação e respeito mútuo. Sua escola deveria ser freqüentada por crianças de ambos os sexos para desfrutarem de uma relação de igualdade desde cedo. A concepção burguesa de castigos, repressão, submissão e obediência, deveria ser substituída pela teoria libertária, de formação do novo homem e da nova mulher. Ferrer considerava que o cientificismo não era um saber neutro. Aqueles que tem o poder se esforçam por legitimá-lo através de teses científicas”.

Devido a intolerância da igreja, em 1906, Ferrer foi preso sob suspeita de envolvimento no ataque de Mateo Morral, ex-colaborador de curta passagem, como tradutor e bibliotecário da Escola, que perpetrou um atentado frustrado contra o Rei Alfonso XIII, sendo absolvido um ano depois. Entretanto, durante sua estadia na prisão a Escola Moderna foi fechada. No ano seguinte, viajou pela França e Bélgica; neste último país, fundou a Liga Internacional para a Educação Racional da Infância. Em 13 de outubro de 1909 foi executado na prisão de Montjuich durante a lei marcial, acusado de ter sido o instigador da revolta conhecida como a Semana Trágica de Barcelona em 1909.

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin
O Maçom Mikhail Aleksandrovitch Bakunin acreditava que a emancipação das massas operárias estava diretamente vinculada a uma educação diferente daquela estabelecida pelo modo de produção capitalista. A educação era considerada fundamental para a emancipação dos trabalhadores. Por isso defendeu a educação integral, de modo que os trabalhadores tivessem acesso ao conhecimento produzido pelo desenvolvimento científico. Destacava que os progressos feitos pela ciência sempre atenderam as classes privilegiadas e ao poder de Estado. A educação integral deveria ser um dos caminhos para conquistar a igualdade entre os homens, pois todos precisavam ter acesso ao conhecimento acumulado pela ciência. Havia um grande progresso científico no século XIX, mas os resultados deste progresso não eram socializados, pois apenas uma elite tinha acesso a esses conhecimentos. A ciência tornou-se um poder para o Estado. Essa lógica precisava ser mudada no interior das escolas e os progressos científicos deveriam ser acessíveis a todos. Era preciso romper com a educação desigual e a ciência deveria ser vista com um bem de todos (Martins, 2013).

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (em russo: Михаил Александрович Бакунин; Premukhimo, 30 de maio de 1814 — Berna, 1 de julho de 1876), também aportuguesado de Bakunine ou Bakúnine, foi um teórico político russo, um dos principais expoentes do anarquismo em meados do século XIX. Bakunin é lembrado como uma das maiores figuras da história do anarquismo e um oponente do Marxismo em seu caráter autoritário, especialmente das ideias de Marx de Ditadura do Proletariado. Ele segue sendo uma referência presente entre os anarquistas da contemporaneidade, entre estes, nomes como Noam Chomsky (3)

Sébastien Faure
O Maçom Sébastien Faure (Saint-Etienne, França, 6 de janeiro de 1858 – Royan, 14 de julho de 1942)1 foi notável ativista libertário e anticlericalista francês, pedagogo, jornalista, poeta e compositor durante o período que compreende a segunda metade do século XIX e início do século XX. Sébastien Faure nasceu em Saint-Etienne, na província francesa de Loire no dia 6 de janeiro de 1858. Nascido em uma família burguesa conservadora, seu pai Auguste Faure, um negociante de seda, católico praticante, burguês empenhado e partidário do império, enviou-o para um colégio jesuíta onde passou a ser educado. Destacando-se por sua inteligência e capacidade de expressão, aos dezessete anos Sebástien foi indicado pela direção do colégio para seguir o “caminho de Deus” entrando assim para o seminário na qualidade de noviço. Por um ano e cinco meses foi um noviço exemplar se aprofundando nos estudos de teologia e agarrando-se a fé cristã de forma cega e rigorosamente. Até que num dia Sébastien recebeu um telegrama dizendo que seu pai estava gravemente doente. Apressou-se para visitá-lo encontrando-o em seu leito de morte. Auguste disse-lhe que devia deixar a vida religiosa, voltando para sua família que agora precisava dele para auxiliar em seu sustento. Após a morte de seu Pai, Sébastien Faure voltou para a casa de sua família, abandonando a vida religiosa. Em pouco tempo teve contato com os círculos progressistas do movimento Livre Pensar, identificando-se inicialmente com esta filosofia. Mais tarde voltou-se para a política tornando-se membro do partido socialista operário vindo mesmo a se candidatar para deputado nas eleições de 1885. Finalmente em 1888 reconhece-se anarquista.

Em 1894 Faure torna-se tutor de Sidonie Vaillant após a execução de seu pai, Auguste Vaillant, pelo atentado a bomba que executara contra a câmara de deputados em 9 de Dezembro de 1893. Seis meses depois Faure acaba sendo julgado junto com muitos outros anarquistas no julgamento que ficou conhecido como “Processo dos Trinta” (“Procès des trente”). Com base nas “Leis Vilânicas” (“lois scélérates”) aprovadas entre 1893 e 1894 em detrimento do movimento anarquista e buscando restringir a liberdade de imprensa e expressão o Processo dos Trinta levou aos tribunais dezenas de militantes anarquistas – entre eles Charles Chatel, Ivan Aguéli, Félix Fénéon, Jean Grave, Louis Armand Matha, Maximilien Luce, Émile Pouget, Paul Reclus, Alexander Cohen, Constant Martin e Louis Duprat – acusando-os de participação em uma Internacional Negra, uma organização secreta criminosa de inspiração libertária que supostamente pretendia acabar com os governos e empresários do mundo. Enquanto parte dos acusados preferiu abandonar o país, Faure junto com Jean Grave, Charles Chatel, Louis Armand Matha e Félix Fénéon foram aos tribunais responder às acusações as quais lhes eram imputadas. Este seria um julgamento histórico em que o anarquismo, mais do que os réus foram colocados em uma posição de culpa. A imprensa foi proibida de reproduzir os interrogatórios de Jean Grave e Sébastien Faure, levando Henri Rochefort a escrever no jornal L’Intransigeant, que a associação criminosa não se referia aos acusados, mas aos magistrados e ministros que os acusavam. Os acusados presentes provaram facilmente sua inocência frente a acusação de “associação criminosa” já que a um bom tempo o movimento anarquista francês havia rejeitado a idéia solo de associação e ação exclusivamente individual. Apesar disso, o presidente da corte, Dayras, negou todas as objeções da defesa, levando Faure a dizer:

Cada vez que provamos o erro de uma das alegações de vossa parte, declaras isto sem importância. Você talvez possa muito bem somar todos os zeros, mas ainda assim não pode obter uma unidade.

Ao fim do julgamento Sébastien Faure e os outros presentes no tribunal foram declarados inocentes das acusações, ainda que através da perseguição gerada pelo processo dos trinta e pelas leis vilânicas, durante algum tempo nenhum periódico libertário ou qualquer outro tipo de propaganda dos ideais anarquistas pode circular pela França.

Escola Libertária designada “A Colmeia” (La Ruche)
Em 1904, Sébastien Faure aproxima-se da proposta de pedagogia libertária o criar nas proximidades Rambouillet (Yvelines) uma escola libertária designada “A Colmeia” (La Ruche). O objetivo da escola era desenvolver integralmente a capacidade de cada estudante. Através deste princípio Faure demonstra a influência das ideias de Mikhail Bakunin e Paul Robin,6 mas também na permanência do mutualismo de Proudhon.

O método de ensino que Faure desenvolve em A Colmeia se contrapõe a metodologia dedutiva tradicional na qual os conceitos são explicados para os alunos cuja tarefa é apenas assimilar. Sua pedagogia chamada por ele de indutiva e estimuladora do autodidatismo abre espaço para que os estudantes possam aprender por contra própria, assumindo um papel ativo na tarefa de aprender. “Quem procura, fez o esforço.” Além disso, na Colmeia não havia distinção de sexos nas salas de aula onde meninos e meninas estudavam em conjunto, algo inovador para a época.

Roberto Aguilar M. S. Silva
M.’. M.’. – A.’.R.’.L.’.S.’. Loja Maçônica Renascença IV, Santo Ângelo, RS (Brasil)

NOTAS:

  1. Paul Robin (1837-1912): professor francês, bakunista, um dos dirigentes da Aliança da Democracia Socialista, membro do Conselho Geral (1870-1871), delegado ao Congresso de Basieia (1869) e à Conferência de Londres (1871) da Internacional. Em 28 de Setembro de 1864 teve lugar uma grande reunião pública internacional de operários no St. Martin’s Hall de Londres; nela foi fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores (mais tarde conhecida como Primeira Internacional) e eleito um Comité provisório, que contava Karl Marx entre os seus membros.

  2. Françhois Rabelaiche Chinon, 1494 — Paris, 9 de abril de 1553)escritor, padre e médico francês do Renascimento, que usou, também, o pseudônimo Alcofribas Nasier (um anagrama de seu verdadeiro nome).

  3. Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político estadunidense. É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

BIBLIOGRAFIA:


O INEXATO TERMO ” EXALTAÇÃO” PARA O GRAU DE MM

Inicio o presente traçado lembrando-vos que geralmente é conveniente “rejeitar dez verdades como sendo mentiras, do que aceitar uma única mentira como sendo verdade.”

Antes de dissecarmos sobre o tema acima proposto, recorro aos traçados do século XVII, através da pena do filósofo La Rochefoucauld, plenamente adequados ao século XXI, para reflexão daquele que como M.M., deverá, ou melhor dizendo, deveria ter domínio sobre sí mesmo. “Perdoamos facilmente a nossos inimigos os defeitos que não nos incomodam. Não se deve julgar os méritos dos homens por suas grandes qualidades, mas pelo uso que delas sabe fazer. As paixões mais violentas às vezes nos deixam em paz, mas a vaidade nos agita sempre. Os velhos loucos são mais loucos que os jovens. A coveniência é a menor de todas as leis, e a mais seguida. Ganharíamos mais em nos mostrar tais como somos que em tentar parecer o que não somos. Estamos longe de saber tudo o que nossas paixões nos induzem a fazer. A vaidade nos induz a fazer mais coisas a contragosto do que a razão.”

O termo EXALTAÇÃO é correspondente a Glorificar, tornar-se alto, levar ao mais alto grau de intensidade ou energia, elevar-se, portanto; totalmente inadequado ao conjunto da Cerimônia erroneamente denominada “exaltação” ao Grau de M.M.

Baseado e alicerçado na História, recorro a tradição da Grande Loja dos Antigos de 1751, bem como à Grande Loja dos Modernos de 1717, que classifica de forma justa e perfeita como CERIMÔNIA DE ELEVAÇÃO AO GRAU DE M.M. A GLUI. manteve a lógica, permanecendo e fazendo uso do correto termo ELEVAÇÃO.

A história sinaliza que o REAA.`., amplamente praticado na América Latina, solidificado a partir da base do Rito de Heredon, com o acréscimo de 8 Graus, perfazendo os famosos 33 Graus, foi criado sem os graus simbólicos, ou seja, sem os graus 1,2 e 3, para ser praticado e trabalhado nos altos Graus. A exceção dos povos de origem latina, raramente é trabalhado no simbolismo, mantendo a sua tradição inicial. Após breve exposição de fatos históricos, é fácil compreendermos várias adaptações no simbolismo junto ao REAA., como por exemplo a influência da Ordem Rosa + Cruz, e a inexata terminologia EXALTAÇÃO ao invéz do correto termo ELEVAÇÃO.

No recebimento do Gr. de M.M., o Comp. se depara em um ambiente que o remete à morte. Posteriormente, vivencia a dor e a consternação com a morte do nosso Grão Mestre H.A. após ser elevado da esq. através dos 5 PP.do Comp. Após, efetivamente passa ter consciência de que o M. está morto, que a P. de M. se perdeu, e que o Templo está incompleto com sua construção paralisada. Que houve a perda da P. de M. com a quebra de uma das três Colunas de sustentação do Templo. Que S.R.I e H.R.T. não poderiam formar novos Mestres, impedindo por consequência, a difusão da Arte da construção.

Após deparar-se com o fato acima, não há como persistir na ilusão de que houve a decantada plenitude maçônica, muito ao contrário. Se o V.M. de uma Loja Simbólica tenha parado no simbolismo, será incapaz de responder perguntas básicas, tais como: – a palavra foi recuperada? Como ocorreu, e como foi possível o término do Templo?

Queridos Mestres, devemos ter a humildade de observar que o Grau 4 do REAA. é chamado Mestre Perfeito. Por lógica e raciocínio, o Mestre de GR.`. 3 não é perfeito, porque obviamente há respostas mais adiante que obviamente ainda não sabe.

O magnífico Rito de York, não tão belo, pomposo e exotérico como o REAA.`. é sublime e magnâmico quando Exalta o Maçom ao Mui Sublime Grau de Maçom do Real Arco. No Grau anterior, como M.E.M (Mui Excelente Mestre), viu o término e a dedicação do Templo. Exaltado, recuperou a palavra que se perdeu, tendo a honra de reviver um dos nossos três antigos Grãos Mestres, com a formação do triângulo vivo. Compreenderá ainda o porque do uso da antiga fórmula: “O V.M. de minha Ofic. vos saúda por 3×3,” que geralmente é repetida como um papagaio que repete palavras, sem nenhum entendimento.

O Ritual de M.M. editado em janeiro de 2006 da E.V. pela Mui Respeitosa GLESP.`,. na página 34, traça de forma J. e P. a correta terminologia que deveria adotar: “Petendia Salomão ao término da construção, elevar a Mestres os que realmente merecessem.”

Outro absurdo e afronta à lógica numérica é o traçado formulado pela GLUI, através do Tratado de União de 1813, conforme segue; “A antiga pura Maçonaria consiste de três graus e somente três, isto é, Aprendiz, Companheiro e Mestre, incluindo o Sagrado Real Arco…” Para compreendermos o porque da aberração frente à aritimética devemos recorrer novamente à História observando que o legítimo e irretocável R.Y., praticado na sua totalidade de Graus pela Grande Loja dos Antigos, permaneceu inalterado, graças ao GADU. e a fatos Históricos, na antiga colônia da Inglaterra, conhecido como Estados Unidos da América, independente do julgo Inglês em 1776.

Recorro ao pai de todos os Ritos Maçonicos, o Rito de York, devidamente patenteado em 1779 por Tomas Smith Web. “Meu Ir., nessa humilde posição representais nada menos que o nosso antigo GM. operativo H.A., que por sua integridade foi assassinado pouco tempo antes que completasse o Templo. Dizemos que seu corpo foi elevado pelo Tq. Subs. do MM., também chamado de GR. do Leão de Judá. Com o mesmo Tq. Elevarei o vosso e, após elevar-vos, comunicarei a Pa. Subs. Do MM. pelos 5 PPt. de Comp.”

“Deus Todo poderoso, nosso Pai Celestial, que Tua sabedoria permitiste que a morte fosse uma experiência inescapável da humanidade, concede-nos que, nessa representação simbólica deste encontro inevitável, não nos lembremos apenas da incerteza e da brevidade da vida, mas também de sua seriedade. Que nossos corações se elevem à esperança maior e à fé mais sólida no Teu cuidado e amor constantes. Que ao cruzar o portal da morte possamos adentrar nas Tuas Moradas Eternas, Teu Sanctum Santorum acabado, onde possamos continuar a Teu serviço e em Tua paz eterna. Amém.”

Que o presente trabalho apresentado nos conduza a busca de mais Luz, fazendo com que abandonemos irracionais pré-conceitos. Que façamos para tal, o uso do esquadro da razão.

Paulo Santos
M.’. I.’. – A.’.R.’.L.’.S.’. Verdadeiros Amigos 3902, Oriente de São Paulo (Brasil)

BIBLIOGRAFIA:

  • Lembranças das elevações ao Gr. de M.M. do REAA. e R.Y., além dos Graus de MEM., e MRA do legítimo R.Y.

  • Crédito e fonte consultada entre as devidas (“ “ ), indicando à quem pertence o Trabalho.


O INEXISTENTE RITO DE YORK JUNTO AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL

Estudai primeiro e vede depois, porque compreendereis melhor.

Apreendemos que temos a obrigação perante a verdade, e assim sendo, ouso apresentar à luz da razão o grande equívoco em nominar o RITUAL DE EMULAÇÃO praticado pelas Lojas jurisdicionadas aos Grandes Orientes Federados junto ao GOB. como sendo o RITO DE YORK. A potência primaz do Brasil relaciona a prática de seis Ritos, entre os quais o inexistente RITO DE YORK, que na verdade trata-se do RITUAL DE EMULAÇÃO, surgido após a fusão das Grandes Lojas dos Antigos com a Grande Loja dos Modernos em 1813, possível com a criação da Loja da Reconciliação no mesmo ano, em início de dezembro, cuja finalidade foi agradar tanto a Gregos e Troianos; tanto é que acabaram por emular o Rito de York, que se manteve íntegro na sua ex-colônia, liberta de seu julgo há 37 anos, hoje, a maior potência Maçônica do mundo, os Estados Unidos da América.

Não possuo a habilidade no traçar do grande historiador Ir. Joaquim da Silva Pires, que alicerçado em fatos históricos dirimiu de forma inconteste a inexistência do Rito de York junto às Lojas Simbólicas afetas ao GOB., através do seu artigo “O Inominado Rito Inglês”, publicado na Revista Engenho e Arte nº 13 no ano de 2004.

Os breves traçados serão alicerçados na HISTÓRIA e em fatos documentais, com o único objetivo de levar à VERDADE aos Iir. que erroneamente creem praticar o Rito de York em suas Lojas, difundindo de forma não dolosa um trabalho totalmente fora de esquadro. Para tanto, alicerço o presente trabalho em nossos antigos preceitos, conforme orientação da nossa Potência: “E não pões nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca senão o da razão com base na ciência.”

Aos 21 dias de Dezembro de 1912, a Grande Loja Unida da Inglaterra firmou tratado junto ao GOB.’. conforme segue: “ Fica pelo presente convencionado que a autorização ora outorgada abrangerá os três graus da Antiga Maçonaria, a saber, os de Aprendiz, Companheiro e Mestre, juntamente com a Ordem Suprema do “Holy Royal Arch”, tornando-se também extensiva a autorização de Capítulos da Royal Arch a serem anexados a Lojas que, presente ou futuramente exercerem a suas atividades soba a direção da Grande Loja Distrital que será administrada de conformidade com a prática em vigor de acordo com a Jurisdição Inglesa.”

Devemos observar que a “Ordem Suprema do Sagrado Real Arco” está afeta à Potência Simbólica, no caso específico, ao Grande Oriente do Brasil, não devendo ser confundida com o Real Arco, afeto ao Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil, a parte da Potência Simbólica, como ocorre, por exemplo, nos Altos Graus do REAA.’. a partir do GR.’.4.

O conjunto que forma o maravilhoso RITO DE YORK foi devidamente patenteado em 1797 pelo Ir. Thomas Smith Webb, inexistindo na Inglaterra. No RITO DE YORK, todos os Graus são iniciáticos. Após o Grau de Mestre, é dividido em Loja Capitular do Real Arco (Mestre de Marca, Past Master, Mui Excelente Mestre e Maçom do Real Arco); Conselho Críptico (Mestre Real e Mestre Escolhido); e Ordens de Cavalaria (Ordem da Cruz Vermelha, Ordem de Malta, e Ordem do Templo). Observo que o Conselho Críptico concede o belíssimo Grau de Super-Excelente Mestre em caráter honorífico, uma vez por ano, não sendo pré-requisito possuí-lo para ingresso na Ordem de Cavalaria.

No simbolismo o Rito de York foi efetivamente praticado nas Lojas afetas ao Grande Oriente dos Beneditinos, criado após uma cisão junto ao GOB. em 1863; através da Loja Vésper (1872) no Oriente do Rio de Janeiro, Loja Washington (1874) no Oriente de São Paulo, e Loja Lessing (1880) no Oriente do Rio Grande do Sul. Em 1880 o GOB. obteve o reconhecimento da GLUI., e após três anos, o Grande Oriente dos Beneditinos retornaria novamente ao seio do GOB.

Outra grande confusão foi à incorreta tradução realizada por Iir. do GOB., no tratado firmado com a Grande Loja Unida da Inglaterra através do “Grand Council of Craft Masonry in Brazil.” Grande Conselho da Maçonaria Simbólica no Brasil, erroneamente traduzido como – Grande Capítulo do Rito de York. O Ritual de Emulação efetivamente praticado no GOB, na edição de 2009 no Grau de Aprendiz Maçom apresenta em sua capa – CERIMÔNIAS APROVADAS DO RITO DE YORK (RITUAL DE EMULAÇÃO PRATICADO NO GOB). Iir., Ritual de Emulação é uma prática ritualística adotada, já o Rito de York é um sistema dividido e organizado conforme exposto acima, que forma e dá corpo a um Rito, inexistente na Grande Loja Unida da Inglaterra.

Às páginas 19 do Ritual do Grau de Apr. M. do GOB., o Ir. M.M. Fernando de Faria traça com extrema propriedade, conforme segue; “Diante do exposto constata-se nítida distinção entre o que o mundo maçônico em geral denomina de RITO DE YORK (um sistema em 13 graus, formado nos EEUU)…”

Às páginas 24 finaliza “ Seria bom deixar o nome RITO DE YORK para o sistema em 13 graus, conforme formulação norte americana, ficando ao Trabalho de Emulação não o nome RITO DE YORK que causa muita confusão, e muito menos o nome Rito de Emulação, também bastante inadequado, pois não chega se constituir em um rito.” Particularmente creio que o GOB. deveria fazer uso da Trolha no campo Ritualístico, após, teríamos a única nomenclatura cabível, ou seja, a Justa e Perfeita, retificando-o para – RITUAL DE EMULAÇÃO (Praticado pela GLUI.)

Como um legítimo Cavaleiro Rosa + Cruz do REAA., nutro acessa a chama da Esperança em ver a inclusão do legítimo Rito de York junto à nossa Potência, conforme realidade atestada através da demanda de Iir. das Grandes Lojas ligadas à CMSB., bem como perante a Honrada COMAB. Em nosso Oriente, com crescimento constante, é praticado no simbolismo em algumas Lojas ligadas à Mui Respeitável Grande Loja do Estado de São Paulo (GLESP.), e as Lojas ligadas ao Grande Oriente Paulista (GOP.)

Inegável negar que há um impacto e uma reluzente áurea na nomenclatura RITO DE YORK perante os Maçons, atestado no antigo traçado; “A mais Antiga e Honorável Fraternidade de Maçons livres e Aceitos (de acordo com as antigas Constituições concedidas por Sua Alteza Real, o rincipe Edwin, em YORK, no Anno Domini 926. Bernard Jones Freemansons, Guide and Compendium -1988, como é justo ressaltar a incorreta classificação do Ritual de Emulação como sendo RITO DE YORK.

Para fechar o presente trabalho, faço uso dos profundos ensinamentos da Ordem da Cruz Vermelha do Rito de York: “Soberano Mestre, quando nosso Mui Excelente Grão Mestre, Salomão, Rei de Israel, governou nossa Arte, ensinou que “a VERDADE é um atributo divino e o fundamento de todas as virtudes.” …Mas a VERDADE, esta é imutável e perdura para sempre. Os benefícios que dela recebemos não estão sujeitos a variações e vicissitudes. Ela é a força, a sabedoria, o poder e a beleza de todas as eras. Bendito seja o Deus da VERDADE!”
 

Que assim seja.
N.N.D.N.N.

Paulo Santos
M.’. I.’. – A.’.R.’.L.’.S.’. Verdadeiros Amigos 3902, Oriente de São Paulo (Brasil)
 

BIBLIOGRAFIA:

  • Ritual do Grau de Apr. M. edição 2009 do GOB., Ritual da Ilustre Ordem da Cruz Vermelha 2009 Comanderia Templária do Brasil – Duque de Caxias, Cada Coisa tem seu nome – Como o Rito de York ganhou outro nome no Brasil – Ir. João Guilherme – 2010.


O APRENDIZ: DESENVOLVIMENTO, LIMITAÇÕES E ASPIRAÇÕES

Antes de iniciar a falar sobre o “desenvolvimento, limitações e aspirações” de um Aprendiz Maçom, necessário é definir, se possível, o que significa a palavra Aprendiz. Parafraseando Searle as palavras tem sentido dentro de um contexto (1), logo, a palavra Aprendiz tem um significado quando aplicada em um contexto profano e outro no contexto Maçom.

No primeiro contexto Aprendiz é aquele que aprende uma arte, novato, principiante.(2) Ou seja, aquele que está no princípio. Filosoficamente o Aprendiz está vinculado ao “Aprendizado”, como ensina Nicola Abbagnano, o primeiro a trabalhar a noção de “Aprendizado” foi Platão que definiu em sua teoria da “anamnese”:

Sendo toda a natureza congênita e tendo a alma aprendido tudo, nada impede quem se lembre de uma só coisa – que é o que se chama aprender – encontre em si mesmo todo o resto, se tiver constância e não desistir da procura, porque procurar e aprender nada mais são do que reminiscência. (3)

Já no ambiente maçônico tem maior sentido a definição de Aprendiz, pois recebe ela “significantes” (4) que decorrem do “contexto” próprio que a própria definição está inserida. Ser Maçom significa ter deveres, como ensina Rizzardo da Camino quando em seu livro “Simbolismo do Primeiro Grau” diz

[…], e que se admitido Maçom encontrará nos símbolos maçônicos a realização do dever, pois o Maçom não combate somente as próprias paixões, trabalhando para a autoperfeição, mas aos outros inimigos da humanidade, quais sejam os hipócritas que enganam, os pérfidos que defraudam, os ambiciosos que a usurpam e os corruptos e sem princípios, que abusam da confiança dos povos; a estes não se combate sem preparo prévio e sem perigos.(5)

Em parca síntese, ser Aprendiz Maçom significa ir para além da racionalidade profana, chegando em um “entre-lugar”, ou seja, um lugar diferenciado mas inserido nesta sociedade, não fora dela. O Maçom não pode se afastar da busca da “[…] justiça e da retidão que regem todos os atos de quem, realmente, tem consciência de ser maçom.”(6)

Para buscar a retidão e a justiça o Maçom inicia-se na caminhada por meio do seu ingresso no Grau de Aprendiz, pois deve ser a partir desse “entre-lugar” que ele inicia a busca do seu aprimoramento interno e com isso fazer com o Recipiendário (7) se aperfeiçoe e a sociedade que vivemos torne-se melhor.

O Aprendiz Maçom ao ingressar na Ordem passa a ser um “[…] obreiro do Grande Arquiteto do Universo […]” para desenvolver-se apresentando trabalhos e sendo ministrado pelo corpo administrativo da Oficina.(8) É a partir destes trabalhos e das instruções que o Aprendiz Maçom desenvolve o “[…] aperfeiçoamento moral e intelectual […]”.(9) Logo, o desenvolvimento do Aprendiz Maçom se dá em volta de um aprimoramento pessoal e intelectual para que seja aplicado no seu cotidiano. (10)

Esse primeiro grau da Ordem Maçônica é consagrado a “Fraternidade” (11), com o objetivo que é a “união de toda a humanidade”. Neste grau o Aprendiz dedica-se a aprender os fundamentos da Maçonaria, com o foco no aprendizado da filosofia, dos símbolos, das alegorias, da ritualística, da doutrina, sendo que com eles busca então o seu “aprimoramento interior”. (12)

A condição de Aprendiz denota limitações, dentre tantas que podia citar, pois somos seres humanos e por tal natureza somos limitados. Todavia para delimitar o trabalho necessário que seja indicada, dentro de um recorte, a que entendo ser a principal identificada pela doutrina. A nosso entendimento a maior limitação do Aprendiz Maçom é a “Luz” que vê ao ser iniciado. Ela é um fenômeno que ele não consegue ver na sua totalidade, tão pouco enxergar tudo aquilo que está em sua volta. Aqui me faz lembrar a “Alegoria da Caverna” de Platão. Nela pessoas estão trancafiadas em uma caverna desde a infância, trancados estão por
grilhões em suas pernas e também pescoço, pois se quer podiam virar o rosto para ver de onde estava vindo a “Luz”. Sendo essa a que incide em objetos e por cima de um muro reflete em sua frente imagens distorcidas, essas que tem eles como própria imagem dos objetos que conhecem porque ali estão desde a infância. (13)

Imagina Platão, narrando a história, se um destes trancafiados fosse solto, haveria a quebra do paradigma da imagem dos objetos que só conhecia por meio da imagem projetada e que não é a imagem real dos objetos. A quebra do paradigma só ocorreria se fosse dado a aquela pessoa o conhecimento daquilo que não conhecia a não ser pela imagem refletida. Mas a limitação está na falta de condição de conhecer os objetos e para isso necessária que fosse tomada a “Luz” de forma progressiva.

Precisava de se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em primeiro lugar, olharia mais facilmente para as sombras, depois disso, para as imagens dos homens e dos outros objetos, refletida na água, e, por último, para os próprios objetos. A partir de então, seria capaz de contemplar o que há no céu, e o próprio céu, durante a noite olhando para a luz das estrelas e da Lua, mais facilmente do que fosse o Sol e o seu brilho de dia. (14)

Iniciado o Aprendiz consegue se soltar dos “grilhões” que os prende pelas pernas e pelo pescoço e, a partir de então, começa a lutar pela quebra do paradigma, qual seja, a de ultrapassar as barreiras imaginárias da caverna e das condições impostas por aquele mundo a qual estavam vivendo. Mundo de limitação, mundo de coisas impostas e postas pela imagem refletida na parede da caverna como sendo ela verdade absoluta. O Aprendiz foi solto e vai ao encontro da “Luz”, pois quer conhecer aquela imagem que tinha em sua retina de forma distorcida, todavia tem dificuldade por que está apenas no início da caminhada.

A maior dificuldade é a falta de compreensão, pois nem tudo que vê entende. A limitação do Aprendiz Maçom está no próprio grau que ele se encontra na Ordem, pois é o primeiro grau. Logo, a limitação é imposta pela falta de vivência Maçônica que com o tempo naturalmente ocorrerá. Essa limitação aliada à própria origem profana do Aprendiz faz com que mesmo vendo a “Luz” não a entenda, pois não tem conhecimento de mundo para tanto. Quanto às aspirações do Aprendiz Maçom, no recorte proposto, uma delas e a principal ao meu entendimento é o aprimoramento pessoal. A outra é galgar os graus existentes na própria Ordem por que se existe o primeiro grau, decorrência lógica, é por que existem outros mais.

Mas o mais importante não é o galgar (de)graus apenas, ma sim o aprimoramento com a subida deles, vivencias e ensinamentos de cada um é o que importa. Como ensina Compte-Sponville (15) ninguém será mais o mesmo após banhar-se num rio e nem o rio será mais o mesmo após o decorrer do tempo.(16) A busca do crescimento individual, do entendimento sobre a sublime Ordem Maçônica, que tem seus alicerces na fraternidade, na liberdade e na isonomia, o entender a tudo isso se torna a principal aspiração do Aprendiz.

Ao fim o desenvolvimento é uma constância, mesmo que não queiramos seremos mais desenvolvidos por conta do tempo passado e do ingresso na Ordem. Estamos inseridos em um grupo que pela convivência, pelas experiências de cada um, inseridos nos trabalhos da Loja, passamos a fazer parte de um “todo”, sendo que este “todo”, nas palavras de Francesco Carnelutti, é demais para nós, ou seja, é demais para a nossa compreensão, logo, o crescimento é intrínseco ao grupo. Quem está no grupo está crescendo.

Já as limitações decorrem da própria natureza humana que é imperfeita e, também, do “todo” relatado que não conseguimos compreender.

Quanto às aspirações são sempre renováveis e presentes no caminho da vida, já que inseridos na Ordem.

Tiago Oliveira de Castilhos
A.’. M.’. – A.’.R.’.L.’.S.’. Sir Alexander Fleming 1773, OR.’. de Porto Alegre/RS (Brasil)

 

 

NOTAS:

  1. SEARLE, John R. Expressão e significado: estudos da teoria dos atos de fala. Tradução Ana Cecília G. A. de Camargo e Ana Luiza Marcondes Garcia. São Paulo: Martins fontes. 1995, p. 183. “Neste capítulo, quero contestar um aspecto desta opinião dominante: a idéia de que, dada qualquer sentença, seu significado literal pode ser definido como significado que ela tem independentemente de qualquer contexto. Sustentarei que, em geral, a noção de significado literal de uma sentença só tem aplicação relativamente a um conjunto de suposições de base contextuais […].”

  2. Dicionário da Língua Portuguesa. Caldas Aulete on-line. Disponível em: http://aulete.uol.com.br/sofreguidão (acesso em: 5 nov 2013).

  3. ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Tradução da 1ª edição brasileira coordenada e revista por Alfredo Bosi. Revisão da tradução e tradução dos novos textos de Ivone Castilho Benedetti. São Paulo:
    Martins Fontes. 2007, p. 75. Apud: Men. 81d. Explica o autor que aprendizado para Platão: “O A. é, segundo Platão, devido à associação das coisas entre si, pela qual a alma pode, após haver captado uma coisa, captar também a outra que a esta se encontra vinculada.” A definição da palavra “Reminiscência” para o Dicionário da Língua Portuguesa Caldas Aulete, é “Aquilo de que se recorda; LEMBRANÇA; RECORDAÇÃO;” Dicionário da Língua Portuguesa. Caldas Aulete on-line. Disponível em: http://aulete.uol.com.br/sofreguidão (acesso em: 5 nov 2013).

  4. FINGER, Ingrid. Metáfora e significação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996, p. 15. “A comunicação humana é repleta de situações em que a linguagem é usada para transmitir significados diferentes dos significados que são dados pela palavras utilizadas. Isso faz com que a representação teórica desses significados seja de uma complexidade maior do que a representação da compreensão do discurso literal.”

  5. CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do primeiro grau: aprendiz. 5 ed. São Paulo: Madras, 2011, p. 152.

  6. Idem, p. 102.

  7. Idem, p. 177.

  8. D’ELIA JÚNIOR, Raymundo. Maçonaria: 100 instruções de aprendiz. São Paulo: Madras, 2010, p. 147.

  9. Idem, p. 147.

  10. Idem, p. 147.

  11. Ritual: Rito Escocês Antigo e Aceito/Grande Oriente do Brasil, São Paulo, 2009, p. 11. Conforme o Decreto n.1.102, de 15 de maio de 2009, promulgado pelo Grão-Mestre Geral Marcos José da Silva, aprovou-se o Ritual do Grau 1 – Aprendiz-Maçom, esse do Rito Escocês Antigo e Aceito, sendo seu início aprovado a aplicação para 24 de junho de 2009 que é o dia do Patrono da Maçonaria Universal. A partir desse dia revogavam-se todas as demais formas e ritos de iniciação passando este a ser o único e oficial Rito de Aprendiz.

  12. Idem, p. 11.

  13. PLATÃO. A República. Texto integral. Coleção Obra-Prima do autor. 2 ed. Tradução Pietro Nassetti. 7
    reimpressão. São Paulo: Martin Claret. 2009, p. 210 e 211.

  14. Idem, p. 211. Livro VII.

  15. COMTE-SPONVILLE, André. O ser-tempo: algumas reflexões sobre o tempo da consciência. Tradução de Eduardo Brandão. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 78. “Ninguém nunca se banha duas vezes no mesmo rio, nem no mesmo presente. Ninguém pode subverter, em nenhum sentido da palavra, o tempo: ninguém pode detê-lo, ninguém pode aboli-lo, ninguém pode virá-lo ao contrário.” Nesse sentido, ninguém volta a ser o mesmo após a exposição ao tempo.

  16. COMTE-SPONVILLE, 2006, p. 47. “Quando comecei essa comunicação, o presente estava aqui. Ainda está, neste momento em que eu continuo. E estará sempre, quando eu tiver terminado, quando tivermos nos
    despedido, quando pensarmos em outra coisa […]. O presente está lá quando de nosso nascimento. Ele estará lá quando de nossa morte. Ele estará lá, sem a menor interrupção, durante todo o tempo que irá separar esses dois momentos. Ele está aí, sempre aí: ele é o aí do ser.” O tempo não é igual, pois não se é igual hoje ao que se foi ontem, e não se será amanhã igual ao que se foi ontem, pois o tempo sempre é presente e sempre se vive o presente.

 

BIBLIOGRAFIA:

  • ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Tradução da 1ª edição brasileira coordenada e revista por Alfredo Bosi. Revisão da tradução e tradução dos novos textos de Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes. 2007.

  • CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do primeiro grau: aprendiz. 5 ed. São Paulo: Madras, 2011.

  • COMTE-SPONVILLE, André. O ser-tempo: algumas reflexões sobre o tempo da consciência. Tradução de Eduardo Brandão. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

  • D’ELIA JÚNIOR, Raymundo. Maçonaria: 100 instruções de aprendiz. São Paulo: Madras, 2010.

  • Dicionário da Língua Portuguesa. Caldas Aulete on-line. Disponível em: http://aulete.uol.com.br/sofreguidão. (Acesso em: 5 nov 2013).

  • FINGER, Ingrid. Metáfora e significação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996

  • PLATÃO. A República. Texto integral. Coleção Obra-Prima do autor. 2 ed. Tradução Pietro Nassetti. 7 reimpressão. São Paulo: Martin Claret. 2009.

  • Ritual. Rito Escocês Antigo e Aceito/Grande Oriente do Brasil, São Paulo, 2009, p. 11.

  • Conforme o Decreto n. 1.102, de 15 de maio de 2009, promulgado pelo Grão-Mestre Geral Marcos José da Silva.

  • SEARLE, John R. Expressão e significado: estudos da teoria dos atos de fala. Tradução Ana Cecília G. A. de Camargo e Ana Luiza Marcondes Garcia. São Paulo: Martins fontes. 1995.


A FÉNIX – SIMBOLO DA ESPERANÇA E DO RENASCIMENTO – PARTE II

Parte II

O poeta romano Publio Ovidio Naso, conhecido como Ovidio, nos países de lingua portuguesa, nascido no século 43 a. C., descreveu a fênix do seguinte modo:
Estas criaturas (outras raças de pássaros) todas descendem de seus primeiros, de outros de seu tipo. Mas um sozinho, um pássaro, renova e renasce dele mesmo – a Fénix da Assíria, que se alimenta não de sementes ou folhas verdes mas de óleos de bálsamo e gotas de olíbano. Este pássaro, quando os cinco longos séculos de vida já se passaram, cria um ninho em uma palmeira elevada; e as linhas do ninho com cássia, mirra dourados e pedaços de canela, estabelecida lá, inflama-se, rodeada de perfumes, termina a extensão de sua vida. Então do corpo de seu pai renasce uma pequena Fénix, como se diz, para viver os mesmos longos anos. Quando o tempo reconstrói sua força ao poder de suportar seu próprio peso, levanta o ninho – o ninho que é berço seu e túmulo de seu pai – como imposição do amor e do dever, dessa palma alta e carrega-o através dos céus até alcançar a grande cidade do Sol (Heliópolis, no Egito), e perante as portas do sagrado templo do Sol, sepulta-o“.

O cosmógrafo Al-Qaswini, em sua obra Maravilhas da Criação, afirmou que o Simorg Anka vive por 1.700 anos e que, quando seu filho chega à idade adulta, o pai queima a si mesmo em uma pira funerária. Essa imagem do simurgh foi claramente influenciada pela fênix e é a ela que se refere o poeta persa sufi Farid ad-Din Attar, em A Conferência dos Pássaros, de 1177:
Na Índia vive um pássaro que é único: a encantadora fênix tem um bico extraordinariamente longo e muito duro, perfurado com uma centena de orifícios, como uma flauta. Não tem fêmea, vive isolada e seu reinado é absoluto. Cada abertura em seu bico produz um som diferente, e cada um desses sons revela um segredo particular, sutil e profundo. Quando ela faz ouvir essas notas plangentes, os pássaros e os peixes agitam-se, as bestas mais ferozes entram em êxtase; depois todos silenciam. Foi desse canto que um sábio aprendeu a ciência da música. A fênix vive cerca de mil anos e conhece de antemão a hora de sua morte. Quando ela sente aproximar-se o momento de retirar o seu coração do mundo, e todos os indícios lhe confirmam que deve partir, constrói uma pira reunindo ao redor de si lenha e folhas de palmeira. Em meio a essas folhas entoa tristes melodias, e cada nota lamentosa que emite é uma evidência de sua alma imaculada. Enquanto canta, a amarga dor da morte penetra seu íntimo e ela treme como uma folha. Todos os pássaros e animais são atraídos por seu canto, que soa agora como as trombetas do Último Dia; todos aproximam-se para assistir o espetáculo de sua morte, e, por seu exemplo, cada um deles determina-se a deixar o mundo para trás e resigna-se a morrer. De fato, nesse dia um grande número de animais morre com o coração ensanguentado diante da fênix, por causa da tristeza de que a veem presa. É um dia extraordinário: alguns soluçam em simpatia, outros perdem os sentidos, outros ainda morrem ao ouvir seu lamento apaixonado. Quando lhe resta apenas um sopro de vida, a fênix bate suas asas e agita suas plumas, e deste movimento produz-se um fogo que transforma seu estado. Este fogo espalha-se rapidamente para folhagens e madeira, que ardem agradavelmente. Breve, madeira e pássaro tornam-se brasas vivas, e então cinzas. Porém, quando a pira foi consumida e a última centelha se extingue, uma pequena fênix desperta do leito de cinzas.
Aconteceu alguma vez a alguém deste mundo renascer depois da morte? Mesmo que te fosse concedida uma vida tão longa quanto a da fênix, terias de morrer quando a medida de tua vida fosse preenchida. A fênix permaneceu por mil anos completamente só, no lamento e na dor, sem companheira nem progenitora. Não contraiu laços com ninguém neste mundo, nenhuma criança alegrou sua idade e, ao final de sua vida, quando teve de deixar de existir, lançou suas cinzas ao vento, a fim de que saibas que ninguém pode escapar à morte, não importa que astúcia empregue. Em todo o mundo não há ninguém que não morra. Sabe, pelo milagre da fênix, que ninguém tem abrigo contra a morte. Ainda que a morte seja dura e tirânica, é preciso conviver com ela, e embora muitas provações caiam sobre nós, a morte permanece a mais dura prova que o Caminho nos exigirá
”.

Na literatura ocidental moderna, François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês, nascido em 1694, fez a seguinte descrição desta ave fabulosa, em sua novela “A Princesa da Babilónia”:
Era do talhe de uma águia, mas os seus olhos eram tão suaves e ternos quanto os da águia são altivos e ameaçadores. Seu bico era cor-de-rosa e parecia ter algo da linda boca de Formosante. Seu pescoço reunia todas as cores do arco-íris, porém mais vivas e brilhantes. Em nuanças infinitas, brilhava-lhe o ouro na plumagem. Seus pés pareciam uma mescla de prata e púrpura; e a cauda dos belos pássaros que atrelaram depois ao carro de Juno não tinham comparação com a sua.

Maçonaria
Na Maçonaria, o mito da fênix é invocado em toda sua grandeza iniciática para mostrar a natureza que se renova em toda sua integridade, pela ação fogo, que aqui significa tanto o trabalho do alquimista no seu forno, cozendo e recozendo o material da Obra, quanto o batismo cristão, conforme preconizado por João Batista. Ambos são analogias que simbolizam a prática da doutrina renovadora da Maçonaria.

Joaquim Gervásio de Figueiredo, 33º, em seu Dicionário de Maçonaria, assim a descreve:
Fênix: ( do grego phoinix ) – Na Mitologia egípcia, é um belo e solitário pássaro fabuloso, do tamanho de uma águia, que viveu no deserto árabe um período de mil anos, findo o qual se consumiu no fogo, ressurgindo, posteriormente, de suas próprias cinzas, renovado, para reiniciar outra vida igualmente dilatada. Tem parentesco simbolico com o simurgh persa, meio fênix e meio leão; com a hamsa hindu e a águia bicéfala dos heteneus e hindus. Acha-se representado em numerosos manuscritos antigos, sendo que, na arqueologia cristã, aparece circundado de raios solares, que o consomem, para ele renascer em seguida, como simbolo de Cristo morrendo mas ressuscitando…  figura do painel da Loja Egípcia do Rito de Cagliostro, grau de Mestre, no meio de uma pira, significando que, como esse pássaro, o maçom pode renascer à vontade de suas próprias cinzas.

O resgate dos chilenos, em 13/10/10 – No acidente na mina San José, no Chile, em 2010, a cápsula que estava retirando um por um dos 33 mineiros foi chamada de Fênix, porque o resgate deles, a uma profundidade muito grande de terra, lembrava a ressurreição da ave mítica das cinzas; teve, a meu ver, simbolismo maçônico. Para os conhecedores do simbolismo maçônico e do ocultismo, é difícil não refletir sobre os fatos numerológicos e simbólicos do evento, tais como:

  1. “O número de mineiros” – Insígnia do 33º (e mais alto) Grau do Rito Escocês Maçom. O número 33 é de grande importância na Maçonaria e no sistema de números da cabala. Ele pode ser encontrado em muitos casos na tradição maçônica.

  2. “A data do evento” – A data do início do resgate, 13/10/10, também é significativo pois pode ser cabalisticamente calculado da seguinte maneira: 13+10+10, o que equivale a 33.

  3. “A Fênix” – O nome do dispositivo de resgate foi chamado “Fénix” (Phoenix), que é a ave que renascia das próprias cinzas. Mais uma vez, a seleção do nome Fênix, uma criatura mitológica, representando uma grande importância nos mistérios do ocultismo, é bastante interessante. A ave é considerada um símbolo de consumação da transmutação alquímica, um processo equivalente à regeneração humana.
    Nos Mistérios era habitual referir-se aos iniciados como fênix ou homens que haviam nascido de novo, pois apenas com o nascimento físico ganha o homem consciência no mundo físico, então o neófito, depois de nove graus no seio dos Mistérios, nasceu para uma consciência do mundo espiritual.” – – Manly P. Hall, “Ensinamentos Secretos de Todas as Idades”.

  4. “O simbolismo do evento – Para resumir o caso do resgate, 33 mineiros que ficaram presos por 69 dias, nas profundezas e na escuridão do subsolo, foram suspensos um a um, em um dispositivo chamado “Fênix” – uma criatura representante da iniciação ocultista – à luz do dia. Como se costuma dizer: “Ex tenebris lux”: Da escuridão para a luz.

Como vimos, a crença na ave lendária que renasce das próprias cinzas, existiu em vários povos da antiguidade e, em todas as mitologias, o significado da fênix é preservado: a perpetuação, a ressurreição, a esperança que nunca têm fim.

Nós, maçons, somos como a mitológica ave Fênix, pois temos um grande fogo que arde dentro de nossos corações, cheio de paixão, desejo, amor e esperança, com milhares de ideias e perseverança para que elas se realizem; quando parecemos não ter mais forças, renascemos das cinzas e incendiamos a tudo e a todos com força e esperança, que nascem de dentro e se espalham, mostrando como não devemos desistir de nossos amores, ideais e lutas.

Podemos cair mil vezes, mas mil vezes iremos levantar, e das cinzas ressurgiremos, cada vez mais fortes, cada vez mais donos de nós mesmos e, com certeza, estaremos a cada passo mais perto da felicidade. Podemos até errar, mas poderemos nos levantar e mudar tudo para melhor, porque somos únicos neste mundo, e temos a obrigação de ajudar a fazer a vida ser algo melhor, não só para nós mesmos, mas para todos que nos rodeiam.

Fênix, símbolo da esperança e do renascimento. “Esperança” é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal; requer uma certa perseverança, acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário. O sentido de crença deste sentimento o aproxima muito dos significados atribuídos à fé. “Renascimento” é o processo através do qual você lamenta a sua perda e depois se levanta e começa tudo de novo. É um dos principais segredos para alcançar o sucesso. As pessoas realizadas são aquelas que nunca desistiram de tentar ser assim.

Algumas vezes, como a Fênix, temos que renascer das cinzas. Devemos passar pelo fogo e sair fortalecidos, renovados, renascidos e cheios de esperança.

Wilton Brandão Parreira Filho
M.’. M.’. – ARLS Wilson Lopes de Almeida, 673 (São Paulo, Brasil)

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. Fênix – http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%AAnix;

  2. Fênix – http://andromeda-news.blogspot.com.br/2008_11_01_archive.html;

  3. Lenda da Fênix- http://telehomeoffice.blogspot.com.br/2011/09/lenda.html;

  4. História da Fênix: http://telehomeoffice.blogspot.com.br/2011/09/historia-da-fenix.html;

  5. Significado de Fênix – http://www.significados.com.br/fenix/;

  6. A Fênix – http://www.poesiasefrases.com.br/a-fenix/;

  7. Fênix, o enorme pássaro da mitologia grega – http://www.plox.com.br/caderno/bichos/f%C3%AAnix-o-enorme-p%C3%A1ssaro-da-mitologia-grega;

  8. História da ave mitológica Fênix e mais de 20 desenhos para tatuagem –http://expotattoonews.blogspot.com.br/2012/08/historia-da-ave-mitologica-fenix-e-mais.html#!/2012/08/historia-da-ave-mitologica-fenix-e-mais.html;

  9. Fênix, a Ave Mitológica – http://www.youtube.com/watch?v=z0f0jNlCvNg;

  10. O Mito da Fênix – http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/2723333

  11. Mistérios Fantásticos – Fênix – http://misteriosfantasticos.blogspot.com.br/2010/07/fenix.html

  12. Assinatura Maçônica no resgate dos 33 mineiros chilenos – http://sopalavrass.blogspot.com.br/2011/07/assinatura-maconica-no-resgate-dos-33.html
     

 


O PROFETA AMÓS E A MAÇONARIA

“ Assim me fez ver:
Eis que o Senhor estava de pé sobre um muro
E tinha em sua mão um fio de prumo.
E Iahweh me disse: Que vês, Amós?
Eu disse: Um fio de prumo.
O Senhor disse: Eis que vou pôr um fio de prumo
No meio do meu povo, Israel,
Não tornarei a perdoá-lo”.
(Am 7: 7-9)

O Profeta Amós era um trabalhador braçal, um boiadeiro e cultivador de sicômoros (árvores que geram um fruto parecido com o figo).

Ele é originário da cidade de Tekua, aldeia situada há dez quilômetros ao sul de Belém. É conhecido ainda como sendo um dos assim chamados “Profetas Menores”, não por ter pouca importância, mas sim pela extensão de sua obra, considerada pequena em vista de outros profetas da Bíblia, mas tão brilhante quanto as outras.

O seu ministério foi exercido no século VIII a.C. durante os reinados dos Reis Uzias (ao sul de Israel) e Jeroboão II (ao norte de Israel). Sua obra foi marcada por uma profunda crítica social e religiosa. Ele denunciou a desigualdade social de seu tempo, bem como o uso idólatra da religião, transformada em mero instrumento que serve à alienação e usada como fachada para a iniquidade.

O Profeta Amós é um revolucionário, um socialista de seu tempo que não se deixou levar pelas aparências de um época marcada sobretudo pela prosperidade material. Contudo, mesmo com abundância, o povo de Israel passou por uma profunda inversão de valores, deixando-se levar pela soberba, ganância, luxúria e todo tipo de perdições.

Dessa forma, a obra de Amós é caracterizada pela crítica ao enriquecimento da sociedade à custa dos pobres; ao suborno e corrupção de juízes nos tribunais; à opressão, violência e à escravidão dos pobres; ao comportamento das mulheres ricas, que para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a oprimirem os fracos etc. (1)

No que toca à religião, Amós denuncia seu caráter meramente ritualístico e vazio. Assim ele diz em seu livro: “Eu odeio, eu desprezo as vossas festas e não gosto de vossas reuniões. Porque, se me ofereceis holocaustos…,não me agradam as vossas oferendas e não olho para o sacrifico de vossos animais cevados. Afasta de mim o ruído de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas! Que o direito corra como a água e a justiça como um rio caudaloso”. (Am 5: 21-24)

E dentro desse contexto de críticas, Amós, na terceira parte de seu livro, relata cinco visões, sendo que a terceira delas interessa de forma particular à maçonaria. Trata-se da visão do fio de prumo.

No capítulo 7, versículos de 7 a 8, Amós assim relata: “Assim me fez ver: Eis que o Senhor estava de pé sobre um muro e tinha sobre a sua mão um fio de prumo. E Iahweh me disse: Que vês, Amós? Eu disse: Um fio de prumo. O senhor disse: Eis que vou pôr um fio de prumo no meio do meu povo, Israel, não tornarei a perdoá-lo. (Am 7: 7-8 – tradução da Bíblia de Jerusalém).

Ora, é o Senhor mesmo Quem estava sobre o muro na visão de Amós. E o prumo que segurava em Suas mãos é altamente revelador. Ele revela nossa intrínseca tortuosidade, nosso desalinhamento e desequilíbrio moral.

Da mesma forma como o pedreiro se utiliza do prumo para procurar falhas na obra em que se debruça, assim se dá quando Deus coloca seu prumo em nossas vidas, fazendo aparecerem todas as falhas, todas as misérias escondidas em nossos olhares dissimulados, em nossas palavras vazias e em nossas ações e omissões egoístas.

Mas o que é este prumo de Deus em nossas vidas? Será a Bíblia (ou qualquer outro livro sagrado a que seguimos)? Será nosso caminho pessoal? Os padrões sociais e políticos de nosso tempo? Nossa consciência?

A Ordem maçônica tenta nos mostrar qual será esse prumo na vida particular de cada maçom, transmitindo por meio de alegorias e símbolos antigos mistérios que podem ser traduzidos em retidão moral e bons costumes para aquele que de fato os persegue em seu íntimo construtor.

Mas há um fato curioso nesta passagem. Nem mesmo Deus julgou aleatoriamente o seu povo. Antes disso, Ele passou sobre nós o seu prumo sagrado, para que toda falha fosse posta às claras. Assim, não cabe ao Homem passar seu prumo particular na parede alheia, achando-se ridiculamente capaz de medir os erros de seu irmão com medida própria. Não cabe em nós tamanho amor para realizar essa tarefa de sublime construção da alma do nosso próximo. Isso é assunto entre o Pai e seu filho, porque no prumo do homem há juízos e preconceitos, medidas diferentes alicerçadas na miséria de nossa alma. Mas o prumo de Deus contém a dádiva do arrependimento e a certeza da retidão no amor maior de Sua caridade. (2)

O prumo de Deus revela nossos pecados à luz do dia, não deixando nada a coberto. E ao lançá-los à luz, Ele espera de nós tão somente humildade e trabalho para quebrarmos nossos tijolos mal assentados e recomeçar nossa obra fundada na promessa de que seguindo-O, encontraremos pela frente apenas consequências do amor.

Rafael Guerreiro
C.’. M.’. – ARLS Três Colinas n. 69 – Franca (São Paulo, Brasil)
 

NOTAS:

1. Extraído de: http://judaismohumanista.ning.com/m/discussion?id=3531236%3ATopic%3A77;
2. Extraído de: http://www.lojamontemoria.com.br/artigo.asp?cod=262;
 


BREVE SIMBOLISMO DA ROSA E DA CRUZ

A Ordem Rosa Cruz, de acordo com o Fama Fraternitatis (1614), teve origem com o “nascimento” do iluminado Christian Rosenkreuz em 1378, na Alemanha. Aos quatro anos dominava em conhecimento e dialética o grego, latim, hebraico e a magia. Teve contato com grandes Mestres em Damasco, no Egito, Marrocos e Chipre, retornando à Alemanha em 1407, fundando nesse ano a Ordem Rosa Cruz.

O objetivo da Ordem é conduzir o homem ao autoconhecimento, permitindo-lhe o contato com a sua personalidade Alma, posteriormente, contribuindo para evolução da humanidade como um todo.
A Cruz representa a matéria e a Rosa a espiritualidade. Importante observar que a linha vertical da Cruz conduz ao Plano Superior, enquanto que a linha horizontal conduz o cavaleiro ao atual plano.

A Rosa, de cor vermelha, representa simultaneamente a vida e o sacrifício em prol da humanidade. Poucos observam que o auge da beleza da Rosa se dá quando a mesma encontra-se mais próxima da sua morte.

No belíssimo Grau 18 do R.’.E.’.A.’.A.’., a Rosa retrata Jesus, o Cristo, que segundo a visão do cristianismo, ofertou a sua vida em prol da humanidade, derramando o seu próprio sangue de cor vermelha, às 15 (quinze) horas que representa um quarto da Cruz, perante o altivo Sol.

A Fé inabalável de Jesus em uma vida posterior em Glória, a Esperança da sua entrega em sacrifício em prol da humanidade, e a Caridade demonstrada em perdoar os seus algozes são marcos alicerçados no Grau 18, ratificado anteriormente através dos dizeres de Cristo; “Pai perdoai-os, pois não sabem o que fazem.”

O traçado na Cruz através da fórmula alquímica INRI. possui o mesmo significado da palavra alquímica VITRIOL; em minha ótica, apresentada de maneira totalmente prematura ao profano, futuro neófito do R.’.E.’.A.’.A.’., na Câmara de Reflexões, cujo significado esotérico significa “Igni Natura Renovatur Integra” (O Fogo renova completamente a Natureza).

Os trabalhos dos Cavaleiros Rosa Cruz são sublimes, magníficos diria, pois fornece preciosos instrumentos para o possível descortinamento sobre os mistérios da vida e da morte. Alguns seletos Iir.’. são chamados a participar e explorar seu enorme conhecimento, acessível através da AMORC. da CR+C, e principalmente junto a Societas Rosicruciana in Civitatibus Foederatis, Ordem Colateral da Maçonaria, exclusiva à Mestres Maçons regulares, que possuem uma visão esotérica, desejosos de transporem o deísmo do R.’.E.’.A.’. A.’., ao teísmo. Foi formada em 21 de Setembro de 1880 nos Estados unidos da América, estando em plena atividade no Brasil.

Fecho o breve trabalho plagiando as originais palavras proferidas em aramaico, pelo Grande Avatar Jesus, o Cristo, quando disse: “Pai, como me Glorificastes”, erroneamente traduzida e registrada através do grego como sendo; “Pai porque me abandonastes.

Que a Glória do G.’.A.’.D.’.U.’. a todos ilumine e guarde.

Paulo Santos
M.’. M.’. – ARLS Verdadeiros Amigos 3902, GOSP-GOB (São Paulo, Brasil)

 

BIBLIOGRAFIA:
Ensinamentos da Ordem Rosa Cruz e fundamentos da Societas Rosicruciana.


A FÉNIX – SIMBOLO DA ESPERANÇA E DO RENASCIMENTO – PARTE I

Este trabalho nada mais é do que um ensaio de vários relatos, estudos e textos que falam de forma símile sobre a Fênix, símbolo de esperança e do renascimento, para mostrar que no mundo em que vivemos, apesar das mudanças constantes, temos sempre que ter esperança e renascer, seja na vida familiar, na vida social, no trabalho, em tudo e todo lugar e, no mais importante, a do próprio ser! A todo instante temos que nos atualizar, quebrar paradigmas, mudar de direção, de estratégia, sem perder o foco e a particularidade que carregamos em nós.

Decidi escrever, um pouco, sobre esta minha criatura favorita…….pela sua beleza e pelo seu simbolismo! Decidi escrever sobre esta ave majestosa, imperadora dos céus, que, quanto mais leio sobre ela, mais fico deslumbrado com o seu encanto.

O seu lema é “Renasce Piu Gloriosa“.

O mito da Fênix é um dos arquétipos mais compartilhados pelo inconsciente humano, em todos os tempos. Iremos encontrá-lo em quase todas as tradições antigas, geralmente conectado com o anseio humano de imortalidade, ou de um renascimento em outra forma ou condição de vida.

A Fênix possuia um rufo de penas douradas em volta do pescoço e as suas asas e as longas penas esvoaçantes da cauda ostentavam todas as cores do arco-íris. O bico parecia de vidro, os olhos assemelhavam-se a pedras preciosas e, no alto da cabeça, ostentava uma crista cintilante. Diz-se que uma pena de Fênix conferia a imortalidade ao seu portador, possuía a voz melodiosa que se tornava triste quando a morte se aproximava e a impressão que a sua beleza e tristeza causavam em outros animais chegava a provocar a morte deles.

Ela chegava a medir 5 metros de comprimento, mas poderia ser assemelhada ao tamanho de algumas águias. Era super poderosa, tinha o poder de se transformar em uma ave de fogo, muito inteligente e não precisava se alimentar para poder viver. Pela sua morte diferente, a fênix tornou-se um símbolo de força, da imortalidade e do renascimento.A mais antiga referência da ave mitológica Fênix vem de textos antigos que datam de mais de quatro mil anos, como é o caso de “Os Textos das Pirâmides”, que se constituem os mais antigos textos do Egito, gravados nas paredes internas das pirâmides da 5ª e 6ª dinastias ( 2.400-2.200 aproximadamente ).

Segundo a lenda, apenas uma fênix podia viver de cada vez. Quando a fênix sentia a morte aproximar-se, construía uma pira de ramos de canela, salvia e mirra, em cujas chamas morria queimada. Mas das cinzas erguia-se, então, uma nova fênix, que colocava, piedosamente, os restos da sua genitora num ovo de mirra e voava com eles à cidade egípcia de Heliópolis, onde os colocava no Altar do Deus do Sol ( Deus Ra ). Dizia-se que estas cinzas tinham o poder de ressuscitar um morto. A vida longa da fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual.


Mitologia Egípcia

A Fênix grega de plumas douradas tem origem na Bennu egípcia, que se diz ter sido a primeira criatura a emergir da lama primordial. Os egípcios adoravam bennu, uma ave sagrada semelhante à cegonha. O bennu, assim como a fênix, estava ligada aos rituais de adoração do Sol em Heliópolis. As duas aves representavam o Sol, que morre em chamas toda tarde e emerge a cada manhã. Cumprido o ciclo de vida do bennu, ele voava a Heliópolis, pousava sobre a pira do deus Rá, ateava fogo em seu ninho e se deixava consumir pelas chamas, renascendo das cinzas.


Mitologia Grega
A fênix ou fénix (em grego ϕοῖνιξ) é um pássaro da mitologia grega, de grande porte que merecia o título de animal mais raro da face da terra, simplesmente por ser a única de sua espécie. É impressionante saber que existiu ave tão diferente como essa, conhecida por toda Europa, tão divina e de imensa beleza, que até parece mágica; mágica por que quando morria, entrava em combustão, ou seja, pegava fogo e de suas cinzas, nascia uma nova Fênix e, também, podia curar ferimentos e doenças com suas lagrimas, além de suportar cargas muito pesadas e dominar a arte da Pirocinese (produzia e manipulava o fogo). Para os gregos, a fênix por vezes estava ligada ao deus Hermes e é representada em muitos templos antigos. Há um paralelo da fênix com o Sol, que morre todos os dias no horizonte para renascer no dia seguinte, tornando-se o eterno símbolo da morte e do renascimento da natureza. Hesíodo, poeta grego do século VIII a. C., afirmou que esta ave vivia 9 vezes o tempo de existência do corvo, que tem uma longa vida. Outros cálculos mencionaram até 97.200 anos.


Império Romano

Durante o Império Romano, a Fênix tornou-se o emblema do Império Eterno e figurava em moedas e mosaicos, pois os romanos viam na ave uma metáfora para o caráter imortal e intocável do Império Romano.


Mitologia Chinesa
Na mitologia Chinesa, a Fênix é conhecida como Fenghuang, uma das 4 criaturas das direções. Partilha o equilíbrio entre o Yin e o Yang, representando os poderes solares do Yang e os lunares do Yin. Representa a Imperatriz, as qualidades da beleza e da paz e os 5 elementos. Na China antiga a fênix foi representada como uma ave maravilhosa e transformada em símbolo da felicidade, da virtude, da força, da liberdade, e da inteligência. Na sua plumagem, brilham as cinco cores sagradas: roxo, azul, vermelho, branco e dourado. O fenghuang também é chamado de “galo celestial”, já que, por vezes, toma o lugar do galo comum no horóscopo chinês.


Mitologia Japonesa
Na mitologia Japonesa, a fênix é conhecida como Ho-Ou, visitando a Terra em eras sucessivas para anunciar uma nova era, antes de regressar ao céu. Representa o sol, a justiça, a fidelidade e a obediência. Desde os tempos antigos tem sido amado como uma ave considerada como um bom presságio. Hou-ou é o pássaro mais sagrado de todos e é considerado o rei dos pássaros devido à sua alta espiritualidade. A Hou-ou libera um brilho dourado, sua plumagem é decorada com cinco cores bronze, seu pescoço é alongado como uma serpente, seu corpo tem os padrões de dragões e seu bico assemelha a de um galo. A primeira parte do seu nome “Hou” indica metade masculina e a segunda “ou” indica feminino. Ambos começamos masculinos e femininos a vida espiritual como insetos e aves sagradas se após 360 dias.


Tradição Judaica
A tradição judaica fala da Fênix como a Milcham. Dizem que, no Jardim do Paraíso, o Éden original, debaixo da Árvore da Sabedoria, crescia uma roseira. De sua primeira rosa nasceu um pássaro, e seu vôo era como um raio de luz, com magníficas cores e maravilhoso canto. Quando Eva comeu o fruto proibido da Árvore do Conhecimento, tornou-se invejosa da natureza não pecadora dos animais e incitou-os a comerem da Árvore, também. Todos obedeceram, exceto a Milcham, cuja fortitude foi recompensada com a oferta da imortalidade. Foi-lhe permitido viver numa cidade muralhada, durante 1.000 anos. Quando os 1.000 anos passam, um fogo consome a Milcham deixando apenas um ovo que vive um novo ciclo de 1.000 anos. A ave morreu nessa fogueira, mas das próprias chamas surgiu uma outra, a Fênix, com uma plumagem inigualável, com o corpo dourado.  Até hoje o pássaro Milcham reside na cidade que o anjo da morte lhe construiu e ele é fecundo e multiplica-se como as demais criaturas. São mil os anos de sua vida e, quando decorridos estes mil anos, uma fogueira parte do seu ninho e consome os pássaros; resta apenas um ovo, que se transforma em pintainho e o pássaro continua a viver. Outros, porém, dizem que, quando chega a mil anos, o corpo enruga e as asas perdem as penas, de maneira que se parece novamente com um pintainho. Depois disso, a plumagem se renova e ele alça vôo como uma águia, e a morte jamais lhe sobrevém.


Cristianismo

No início da era cristã, esta ave fabulosa foi símbolo do renascimento e da ressurreição. Neste sentido, ela simboliza o Cristo ou o Iniciado, recebendo uma segunda vida, em troca daquela que sacrificou. Com o surgimento do cristianismo, a fênix passou a representar a idéia de ressurreição e de vida após a morte, pois esta ave, circundada por raios solares, representava Jesus Cristo, que havia morrido e ressuscitado; simbolizava, também, a esperança que nunca deve morrer no homem. Como a nova Fênix acumula todo o conhecimento obtido por suas antecessoras – que, na realidade, são a mesma – um novo ciclo de inspiração e esperança começa. A ressurreição periódica da fênix de suas cinzas foi freqüentemente citada por autoridades da Igreja como prova da ressurreição geral dos mortos. Ainda que as descrições variem, o significado da fênix nos bestiários é geralmente a de símbolo de Cristo e de sua ressurreição, imortalidade e vida após a morte.


Registros Históricos

Heródoto, geógrafo e historiador grego, nascido no século V a. C.,, assim a descreveu:
Existe outro pássaro sagrado, também, cujo nome é fénix. Eu mesmo nunca o vi, apenas figuras dele. O pássaro raramente vem ao Egito, uma vez a cada cinco séculos, como diz o povo de Heliópolis. É dito que a fénix vem quando seu pai morre. Se o retrato mostra verdadeiramente seu tamanho e aparência, sua plumagem é em parte dourado e em parte vermelho. É parecido com uma águia em sua forma e tamanho. O que dizem que este pássaro é capaz de fazer é incrível para mim. Voa da Árabia para o templo de Hélio (o Sol), dizem, ele encerra seu pai em um ovo de mirra e enterra-o no templo de Hélio. Isto é como dizem: primeiramente molda um ovo de mirra tão pesado quanto pode carregar, então abre cavidades no ovo e coloca os restos de seu pai nele, selando o ovo. E dizem, ele encerra o ovo no templo do Sol no Egito. Isto é o que se diz que este pássaro faz.

Esse relato de Heródoto deixa clara a natureza originalmente oral do que se sabia e que se entendia pela Fênix. Eram histórias passadas de boca a boca e transmitidas por ser uma lenda maravilhosa e admirável.Também deixa clara a exitação desse historiador ao confirmar essa lenda como certa. No entanto, na mitologia clássica, a ave Fênix era considerada como algo mais que um mito poético ou uma ingênua lenda inventada e aperfeiçoada pelo imaginário popular; o imaginário da Fênix e toda sua mitologia estavam arraigados no subconsciente coletivo, rompendo as fronteiras geográficas e tornando-se um mito universal nascido do vetor mais de uma tradição egípcia, mas que também possui manifestações de incrível similitude na Índia e China.

Apolonio de Tiana, filósofo neo-pitagórico e professor de origem grega, nascido no século II a. C., fez a seguinte citação:
E a fénix, ele disse, é o pássaro que visita o Egito a cada cinco séculos, mas no resto do tempo ela voa até a Índia; e lá podem ser visto os raios de luz solar que brilham como ouro, em tamanho e aparência assemelha-se a uma águia; e senta-se em um ninho; que é feito por ele nas primaveras do Nilo. A história do Aigyptos sobre ele é testificada pelos indianos também, mas os últimos adicionam um toque a história, que a fénix enquanto é consumida pelo fogo em seu ninho canta canções de funeral para si“.

Tacito, historiador romano, por exemplo, mesmo admitindo a existência de elementos fabulosos nas histórias sobre a Fênix lenda, endossa o caráter “histórico” dessa lenda:
No consulado de Paulo Fábio Maximio ( 12 a. C. ) e Lucio Vitélio ( 2 a. C. ), depois de um longo decurso de anos, apareceu no Egito a fênix, maravilha que foi matéria para doutas dissertações dos naturais e dos Gregos da época. Sobre alguns pontos são todos acordes, sobre outros falam com incerteza, como vou contar, pois vale a pena saber. Essa ave é consagrada ao sol, e pela forma e natureza das plumas é diferente de qualquer outras: nisto concordam os que a descreveram; mas a respeito do período de ano de seu reaparecimento variam as opiniões. Ficam geralmente o ciclo de quinhentos anos, e alguns pretendem que seja de mil quinhentos e sessenta e um, pois que as primeiras foram vistas nos reinados de Sesósides, de Amásis e mais tarde no de Ptolomeu, terceiro dos reis macedônios, tendo elas voado para a cidade de Heliópolis, com grande acompanhamento de aves, admiradas de sua estranha figura. Não há certeza, porém nos fatos da antiguidade: entre Ptolomeu e Tibério, decorreram menos de duzentos e cinqüenta anos; e por isso alguns pensaram que não era esta a verdadeira fênix, nem procedente da Arábia, nem semelhante às de que rezam as antigas memórias. Portanto, conforme a tradição, quando, completo o número de anos, se avizinha a morte, a fênix faz em sua terra um ninho, que ela fecunda, e donde nascerá um filhote. Apenas cresce este, seu primeiro cuidado é sepultar o pai. Não o faz, porém, de qualquer maneira, mas, tomando certa quantidade de mirra e experimentando suas forças, quando se acha capaz de com o peso vencer a viagem, carrega o corpo do pai para o altar do sol e ali o queima. Tudo isto, entretanto, incerto e aumentado de fábulas, mas não se duvida de que às vezes esta ave é vista no Egito”.

Fim da parte I

Wilton Brandão Parreira Filho
M.’. M.’. – ARLS Wilson Lopes de Almeida, 673 (São Paulo, Brasil)

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. Fênix – http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%AAnix;

  2. Fênix – http://andromeda-news.blogspot.com.br/2008_11_01_archive.html;

  3. Lenda da Fênix- http://telehomeoffice.blogspot.com.br/2011/09/lenda.html;

  4. História da Fênix: http://telehomeoffice.blogspot.com.br/2011/09/historia-da-fenix.html;

  5. Significado de Fênix – http://www.significados.com.br/fenix/;

  6. A Fênix – http://www.poesiasefrases.com.br/a-fenix/;

  7. Fênix, o enorme pássaro da mitologia grega – http://www.plox.com.br/caderno/bichos/f%C3%AAnix-o-enorme-p%C3%A1ssaro-da-mitologia-grega;

  8. História da ave mitológica Fênix e mais de 20 desenhos para tatuagem –http://expotattoonews.blogspot.com.br/2012/08/historia-da-ave-mitologica-fenix-e-mais.html#!/2012/08/historia-da-ave-mitologica-fenix-e-mais.html;

  9. Fênix, a Ave Mitológica – http://www.youtube.com/watch?v=z0f0jNlCvNg;

  10. O Mito da Fênix – http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/2723333

  11. Mistérios Fantásticos – Fênix – http://misteriosfantasticos.blogspot.com.br/2010/07/fenix.html

  12. Assinatura Maçônica no resgate dos 33 mineiros chilenos – http://sopalavrass.blogspot.com.br/2011/07/assinatura-maconica-no-resgate-dos-33.html
     

 


O SINÉDRIO E A MAÇONARIA EM PORTUGAL

A Revolução do Porto
A Revolução do Porto, também referida como Revolução Liberal do Porto, foi um movimento de cunho liberalista (1) que teve lugar em 1820 e que acarretou consequências, tanto na História de Portugal quanto na do Brasil. Antecedentes da revolução Diante da transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), Portugal continental viu-se invadido pelas tropas napoleônicas. Embora batidas com o auxílio de tropas britânicas, o país viu-se na dupla condição de colônia brasileira e protetorado britânico. A assinatura do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas (2), que na prática significou o fim do chamado “pacto colonial (3)” e, posteriormente, dos Tratados de 1810, garantindo privilégios alfandegários aos produtos britânicos nas alfândegas portuguesas, mergulhou o comércio de cidades como o Porto e Lisboa em uma profunda crise, de que se ressentia a sua classe burguesa. O controle britânico das forças militares também acarretava profundo mal-estar entre a oficialidade do Exército Português.

A Conspiração de Lisboa (1817)
Libertado Portugal da ocupação das tropas francesas, e após a derrota definitiva de Napoleão Bonaparte (1815), formou-se em Lisboa o “Supremo Conselho Regenerador de Portugal e do Algarve”, integrado por oficiais do Exército e Maçons, com o objectivo de expulsar os britânicos do controlo militar de Portugal, promovendo a “salvação da independência” da pátria. Este movimento, liderado pelo General Gomes Freire de Andrade, durante o seu breve período de existência, esforçou-se no planeamento da introdução do liberalismo em Portugal, embora não tenha conseguido atingir os seus propósitos finais. Denunciado em Maio de 1817 , a sua repressão conduziu à prisão de muitos suspeitos, entre os quais o general Gomes Freire de Andrade, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (4) (1815-1817), acusado de líder da conspiração contra a monarquia de João VI de Portugal, em Portugal continental representada pela Regência, então sob o governo militar britânico de William Carr Beresford.

O General Gomes Freire de Andrade e Castro e a Maçonaria
Gomes Freire de Andrade e Castro (Viena, 27 de janeiro de 1757 — Forte de São Julião da Barra, 18 de outubro de 1817) foi um general português. Em outubro de 1817, o tribunal considerou culpados de traição à pátria e sentenciou à morte (5), por enforcamento, doze acusados. As execuções (6) de José Ribeiro Pinto, do major José da Fonseca Neves, de Maximiano Dias Ribeiro (todos maçons), e de José Joaquim Pinto da Silva, do major José Campello de Miranda, do coronel Manuel Monteiro de Carvalho, de Henrique José Garcia de Moraes, de António Cabral Calheiros Furtado de Lemos, de Manuel Inácio de Figueiredo e Pedro Ricardo de Figueiró (possívelmente maçons), tiveram lugar no dia 18, no Campo de Santana – hoje Campo dos Mártires da Pátria (7). O general Gomes Freire de Andrade foi executado na mesma data, no Forte de São Julião da Barra.

Este procedimento da Regência e de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de fato do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica no país. Após o julgamento e execução dos acusados, o general Beresford deslocou-se ao Brasil para pedir ao soberano mais recurso e poderes para a repressão do “jacobinismo”. Em sua ausência, eclodiria a Revolução do Porto (1820) de modo que, quando do seu regresso do Brasil naquele ano, onde conseguira do soberano os poderes pedidos, foi impedido de desembarcar em Lisboa.

O Sinédrio e os Maçons
Enquanto isso, no Porto, o desembargador da Relação, Manuel Fernandes Tomás, fundou o chamado “Sinédrio (8)“. Integrado por maçons, visava “afirmar” o Exército Português no país. Aproveitando a ausência de Beresford no Brasil, o Sinédrio cooptou militares que pudessem materializar o seu projeto revolucionário. O Sinédrio foi uma associação secreta para-maçónica, fundada no Porto em Janeiro de 1818, que interveio na organização da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820. Os fundadores (todos maçons) foram, além de Fernandes Thomaz (pertenceu á Loja Fortaleza, à Loja Patriotismo, com n.s. Valério Publícola), José Ferreira Borges (advogado, pertenceu à Loja 24 de Agosto, n.s. Viriato), José da Silva Carvalho (advogado, juiz, Ministro da Justiça, da Fazenda e da Marinha, pertenceu à Loja 1º Outubro, Loja 15 de Outubro, foi Grão-Mestre do GOL, fundador do primeiro Supremo Conselho do Grau 33, n.s. Hydaspe) e João Ferreira Viana (comerciante, desconhece-se a que Loja pertencia). Fizeram parte, posteriormente, Duarte Lessa (comerciante e proprietário, Loja ?, mas em 1823 era Cavaleiro Rosa-Cruz), José Maria Lopes Carneiro(comerciante e proprietário, pertenceu à Loja Sinédrio Geral de Beneficência, loja de perfeição do grau 16 do REAA, n.s. Loth), José Gonçalves dos Santos Silva (comerciante e proprietário, Loja ?), José Pereira de Meneses(comerciante, Loja ?), Francisco Gomes da Silva (médico, Loja ?), João da Cunha Souto Maior (magistrado, Loja ?, foi Cavaleiro Rosa-Cruz e teve o cargo de Grão-mestre do GOL), José de Melo de Castro Abreu Pereira(moço fidalgo da casa real, coronel de Milícias da Beira, pertenceu à Loja Fortaleza), José Maria Xavier de Araújo (magistrado, Loja ?) e Bernardo Correia de Castro Sepúlveda (oficial do exercito). No total eram 13 os elementos do Sinédrio.

A Revolução de 1820 na Espanha
Em janeiro de 1820 uma revolução eclodiu na Espanha, vindo a restaurar, em março, a Constituição de Cádis (9) (1812), que havia sido revogada em 1814. Deste momento em diante, o país vizinho tornou-se um poderoso propagandeador das ideias do liberalismo em Portugal.

O levante no Porto
O movimento articulado no Porto pelo Sinédrio eclodiu no dia 24 de Agosto de 1820. Ainda de madrugada, grupos de militares dirigiram-se para o campo de Santo Ovídio (atual Praça da República), onde formaram em parada, ouviram missa e uma salva de artilharia anunciou públicamente o levante. Às oito horas da manhã, os revolucionários reuniram-se nas dependências da Câmara Municipal, onde constituíram a “Junta Provisional do Governo Supremo do Reino”, integrada por:

  • Brigadeiro António da Silveira Pinto da Fonseca – Presidente

  • Coronel Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira – Vice-presidente

  • Luís Pedro de Andrade e Brederode – Vogal representante do clero

  • Pedro Leite Pereira de Melo – Vogal representante da nobreza

  • Francisco de Sousa Cirne de Madureira – Vogal representante da nobreza

  • Desembargador Manuel Fernandes Tomás – Vogal representante da magistratura

  • Fr. Francisco de São Luís – Vogal representante da universidade

  • João da Cunha Sotto Maior – Vogal representante da província do Minho

  • José Maria Xavier de Araújo – Vogal representante da província do Minho

  • José de Melo e Castro de Abreu – Vogal representante da província da Beira

  • Roque Ribeiro de Abranches Castelo Branco – Vogal representante da província da Beira

  • José Joaquim Ribeiro de Moura – Vogal representante da província de Trás-os-Montes

  • José Manuel Ferreira de Sousa e Castro – Vogal representante da província de Trás-os-Montes

  • Francisco José de Barros Lima – Vogal representante do comércio

  • Coronel Bernardo Correia de Castro e Sepúlveda – Vogal nomeado depois de se constituir a Junta, mas no próprio dia 24

  • José Ferreira Borges – Secretário com voto nas deliberações

  • José da Silva Carvalho – Secretário com voto nas deliberações

  • Francisco Gomes da Silva – Secretário com voto nas deliberações

  • Manuel Fernandes Tomás foi o redator do “Manifesto aos Portugueses”, no qual se davam a conhecer à nação os objetivos do movimento.

Manifesto aos Portugueses

Uma administração inconsiderada, cheia de erros e de vícios, havia acarretado sobre nós toda a casta de males, violando nossos foros e direitos, quebrando nossas fraquezas e liberdades (…) Para cúmulo da desventura deixou de viver entre nós o nosso adorável soberano.
Portugueses! Desde esse dia fatal contamos nossas desgraças pelos momentos que tem durado nossa orfandade. (…)
Nossos avós foram felizes porque viveram nos séculos venturosos em que Portugal tinha um governo representativo nas cortes da Nação (…).
Imitando nossos maiores, convoquemos as Cortes e esperemos da sua sabedoria e firmeza as medidas que só podem salvar-nos da perdição e assegurar nossa existência política. Eis o voto da Nação e o exército, que o anunciou por este modo, não fez senão facilitar os meios de seu cumprimento (…) A mudança que fazemos não ataca as partes estáveis da monarquia. A religião santa de nossos pais ganhará mais brilhante esplendor (…)
As leis do reino, observadas religiosamente, segurarão a propriedade individual e a Nação sustentará a cada um no pacífico gozo dos seus direitos, porque ela não quer destruir, quer conservar (…)
Portugueses! Vivei certos dos bons desejos que nos animam. Escolhidos para vigiar sobre os vossos destinos, até ao dia memorável em que vós, competentemente representados, haveis de estabelecer outra forma de governo, empregaremos todas as nossas forças para corresponder à confiança que se fez de nós e se o resultado for, como esperamos, uma Constituição que segure solidamente os direitos da monarquia e os vossos, podeis acreditar que será essa a maior e a mais gloriosa recompensa de nossos trabalhos e fadigas.

Porto e Paço do Governo, 24 de Agosto de 1820
A Junta Provisional do Governo Supremo do Reino.

O movimento contou com o apoio de quase todas as camadas sociais: o Clero, a Nobreza, o Exército Português e a população em geral. Entre as suas reivindicações, exigiu convocar as Cortes para elaborar uma constituição para o país, defendendo a autoridade régia e os direitos dos portugueses. Adicionalmente pretendia: . o imediato retorno da Corte para Portugal, visto como forma de restaurar a dignidade da antiga Metrópole, deslocada para o Brasil; e a restauração da exclusividade de comércio com o Brasil (reinstauração do Pacto Colonial).

O movimento em Lisboa
A revolução espalhou-se rapidamente, sem resistências, para outros centros urbanos do país, consolidando-se com a adesão de Lisboa. Aqui, a 15 de setembro de 1820, um movimento de oficiais subalternos, desencadeado pelo tenente Aurélio José de Moraes, com o apoio da burguesia e de populares, depôs os Regentes e constituiu um governo interino. Finalmente, a 28 de setembro, ambos os governos, do Porto e de Lisboa, uniram-se numa única “Junta Provisional do Supremo Governo do Reino”, com o encargo de organizar as eleições para as Cortes Constituintes. Sessão das Cortes de Lisboa, tela do pintor brasileiro Oscar Pereira Silva, em que foram retratados os deputados reunidos em Assembleia. Entre eles, encontravam-se representantes das províncias brasileiras, como Antônio Carlos de Andrada, que aparece discursando de costas, em pé, trajando casaca marrom. Deputado eleito por São Paulo, Antônio Carlos envolveu-se em acaloradas discussões com os portugueses.

Consequências
As Cortes reuniram-se solenemente em Janeiro de 1821. Enquanto a Carta Magna estava a ser redigida, entrou em vigor uma Constituição provisória, que seguia o modelo espanhol mas que era bastante inovador para a época. Ainda nesse mesmo ano, a Corte retornara a Portugal em 1821, à exceção de D. Pedro de Alcântara, que permaneceu no Brasil na condição de Príncipe Regente. Diante do progressivo aumento da pressão das Cortes para a recolonização do Brasil, este proclamou a sua independência em 7 de setembro de 1822. A 23 de setembro de 1822 era jurada a primeira Constituição Portuguesa.


Roberto Aguilar M. S. Silva, M.M.

Loja Maçônica Renascença IV, Santo Ângelo, RS – Brasil

NOTAS:
(1) O liberalismo é a filosofia política que tem como fundamento a defesa da liberdade individual nos campos econômico, político, religioso e intelectual, da não-agressão , do direito de propriedade privada e da supremacia do indivíduo contra as ingerências e atitudes coercitivas do poder estatal . Suas raízes remontam ao taoísmo na China antiga, ao pensamento Aristotélico grego e ao renascimento e iluminismo..As influências literárias do liberalismo incluem John Locke, Frédéric Bastiat, David Hume, Martin Luther King, Alexis de Tocqueville, Adam Smith, David Ricardo, John Stuart Mill, Rose Wilder Lane, Lysander Spooner, Milton Friedman, David Friedman, Ayn Rand, Joseph Schumpeter, Friedrich von Hayek,Ludwig von Mises, Murray Rothbard e John Rawls . Seus principais conceitos incluem individualismo metodológico e jurídico, liberdade de pensamento,liberdade religiosa, direitos fundamentais, estado de direito, governo limitado, ordem espontânea, propriedade privada, e livre mercado.

(2) O Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas1 foi uma carta régia promulgada pelo Príncipe-regente de Portugal Dom João de Bragança, no dia 28 de Janeiro de 1808, em Salvador, na Capitania da Baía de Todos os Santos, no contexto da Guerra Peninsular. Foi a primeira Carta Régia promulgada pelo Príncipe-regente no Brasil, o que se deu apenas quatro dias após sua chegada, com a família real e a nobreza portuguesa, em 24 de janeiro de 1808. Por esse diploma era autorizada a abertura dos portos do Brasil ao comércio com as nações amigas de Portugal, do que se beneficiou largamente o comércio britânico. Foi a primeira experiência liberal do mundo após a Revolução Industrial. A carta marcou o fim do Pacto Colonial, o qual na prática obrigava a que todos os produtos das colônias passassem antes pelas alfândegas em Portugal, ou seja, os demais países não podiam vender produtos para o Brasil, nem importar matérias-primas diretamente das colônias alheias, sendo forçados a fazer negócios com as respectivas metrópoles. Para poder ter sua independência em relação a França Napoleônica, Portugal precisou da escolta britânica para fugir ao Brasil sob a condição de que fossem abertos os portos para as nações amigas, pondo fim ao pacto colonial, passando a ser possível o comércio direto dos produtos brasileiros.

(3) Por ser uma colônia, o Brasil estava submetido ao pacto colonial português, também chamado exclusivo comercial metropolitano, que foi um sistema pelo qual os países da Europa que possuiam colônias na América, mantinham o monopólio da importação das matérias-primas mais lucrativas dessas possessões, bem como da exportação de bens de consumo para as respectivas colônias. O pacto colonial inclui obediência política, ou seja, as leis a serem obedecidas deviam ser as mesmas leis (ou adaptadas) da metrópole correspondente à colônia.O objetivo das autoridades reais era garantir que as atividades econômicas da colônia gerassem lucros para a metrópole. O pacto colonial limitava as atividades econômicas da elite colonial. Por um lado, os colonos só podiam vender sua produção a comerciantes legalizados pelas metrópoles, o que não garantia bons preços a eles. Por outro lado, a proibição de instalação de manufaturas nas colônias na América impedia a elite colonial de investir em outro setor de produção que não fosse o agrário. Resumindo, pacto colonial é o cojunto de regras que regem o relacionamento entre as Metrópoles e suas colônias.

(4) O Grande Oriente Lusitano integra-se na corrente liberal maçónica, defendendo a absoluta liberdade de consciência e o adogmatismo. O Grande Oriente Lusitano conheceu, ao longo da sua história, momentos de feroz perseguição pelas alas mais conservadoras e reacionárias da sociedade. Entre esses momentos destaca-se a sua proibição durante o Estado Novo (Lei n.º 1901, de 21 de Maio de 1935, proposta por José Cabral, que recentemente tinha aderido à União Nacional depois de militar entre os integralistas lusitanos e os nacional-sindicalistas liderados porRolão Preto) que forçou os seus membros à clandestinidade e os levou, muitas vezes, à prisão ou ao exílio políticos. Fernando Pessoa, apesar de assumidamente profano publicou um artigo no Diário de Lisboa em defesa da Maçonaria e, concretamente, do Grande Oriente Lusitano. Durante o período de clandestinidade, o Grande Oriente Lusitano viu os seus bens confiscados e o Palácio Maçónico ocupado pela Legião Portuguesa. Com a revolução de 25 de Abril de 1974 e a revogação da Lei n.º 1901, o Grande Oriente Lusitano pôde voltar à luz do dia, tendo-lhe sido devolvidos os bens anteriormente confiscados.

(5) Os denunciantes foram os maçons João de Sá Pereira Soares, Morais Sarmento e José Andrade Corvo.

(6) Beresford terá pretendido suspender a execução da sentença até que fosse confirmada pelo soberano mas a Regência, “melindrando-se de semelhante insinuação como se sentisse intuito de diminuir-se-lhe a autoridade, imperiosa e arrogante ordena que se proceda à execução imediatamente”. (POMBO, Rocha. História do Brasil (v. IV). p. 12.

(7) O Campo dos Mártires da Pátria, coloquialmente Campo Mártires da Pátria ou na sua forma anterior, mas ainda popular, Campo de Santana ou Sant’Ana, é um arruamento da freguesia de Arroios em Lisboa. É um espaço carregado de história, situado na zona central de Lisboa, que serviu de matadouro no século XVI e que conheceu vários usos ao longo dos últimos dois séculos, como sejam uma praça de touros, de 1831 a 1891, a realização da Feira da Ladra, de 1835 a 1882 e ainda um mercado de hortaliças, em meados do século XIX. Em 1795 foi inaugurado o Chafariz do Campo de Santana alimentado pela Galeria de Santana, uma das galerias de distribuição pela cidade da água proveniente do Aqueduto das Águas Livres. O chafariz foi mais tarde desmontado. Em 1879, o antigo Campo de Santana passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria em memória do enforcamento no local, no dia18 de Outubro de 1817, dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, presidente da Junta Governativa.

(8) O Sinédrio (do hebraico סנהדרין sanhedrîn; συνέδριον synedrion, em grego, “assembleia sentada”, donde “assembleia”) é o nome dado à associação de 20 ou 23 juízes que a Lei judaica ordena existir em cada cidade.

(9) A Constituição de Cádis, também conhecida por Constituição Espanhola de 1812 ou La Pepa, aprovada a 18 de Março de 1812 pelas Cortes Gerais Extraordinárias reunidas na cidade de Cádis, e promulgada no dia imediato, foi o primeiro documento constitucional aprovado na Península Ibérica e um dos primeiros no Mundo, sendo, no sentido moderno, apenas precedida pela Constituição Corsa de 1755 (a primeira constituição verdadeiramente democrática), pela Constituição dos Estados Unidos da América (1787) e pela Constituição Francesa de 1791. Oficialmente, a Constituição de Cádis esteve em vigor dois anos, desde o dia sua promulgação, 19 de Março de 1812, dia de São José, daí o cognome de La Pepa que lhe deu o povo andaluz, até 24 de Março de 1814, dia em que foi revogada com o regresso a Espanha do rei Fernando VII. Embora efemeramente, foi restaurada por duas vezes: de 1820 a 1823, durante o chamado Triénio Liberal, e em 1836 – 1837, como norma constitucional transitória durante a elaboração da Constituição de 1837. Apesar desta curta vigência, o seu texto exerceu profunda influência no desenvolvimento do constitucionalismo espanhol, português e latino-americano, tendo as suas instruções eleitorais sido adoptadas, na sequência da Martinhada, para a realização das eleições para as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, realizadas em Dezembro de 1820, e servido de inspiração na elaboração da resultante Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822.
 

BIBLIOGRAFIA:
ALMANAQUE REPUBLICANO. Revolução de 1820 – heróis que fundaram o Sinédrio. http://arepublicano.blogspot.com.br/2013/08/revolucao-de-1820- herois-que-fundarm-o.html 
ANDRADE, João.A Revolução de 1820: a conspiração“. Porto Editora, 1983 460p
Documentos para a História das Cortes Gerais da Nação Portuguesa“, Lisboa: Imprensa Nacional, 1883. 923p. RAMOS, Luís A. de Oliveira. História do Porto (3a. ed.). Porto: Porto Editora, 2000. 720p.
WIKIPEDIA. Gomes Freire de Andrade http://pt.wikipedia.org/wiki/Gomes _Freire_de_Andrade.


O QUE HAVERÁ APÓS A CURVA

Trabalho no Grau de MUI EXC. MESTRE

Companheiros, no grau de MEM. poderemos explorar sobre a morte física e a transição posterior, conforme nos é ensinado, quando encontramos o trono do segundo vigilante vazio e em luto, devido a morte física do nosso Grão Mestre Hiram, pois conforme nos é ensinado no grau II, “estamos sempre viajando sobre o nível do tempo, com destino àquela terra não descoberta de cujos limites, viajante jamais retorna.”

Heráclito afirmou que homem algum irá se banhar duas vezes no mesmo rio, portanto o viajante aportado em terras desconhecidas, jamais irá retornar do mesmo modo quando chegou. ‘’Você está falando uma língua que não compreende, usando um dinheiro que não sabe o valor, caminhando por ruas que nunca passou antes. Você sabe que seu eu antigo, como tudo que apreendeu é absolutamente inútil diante destes novos desafios – e começa a descobrir que, enterrado lá no fundo do eu inconsciente, existe alguém muito mais interessante, aventureiro, aberto para o mundo e para experiências novas. Viajar é a experiência de deixar de ser quem você se esforça para ser e se transformar naquilo que você é.’’

Fernando Pessoa disse que “Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.” Partindo dessa ótica, concluímos que a matéria não será mais visível, pois fora devolvida a terra a sua mãe, mas o que haverá após a curva?

Plotino disse que “Morrer é mudar de corpo como os atores mudam de roupa.” “Quando morremos, deixamos atrás de nós tudo o que possuímos e levamos tudo o que somos.”
Interessante citar a definição de Hermes no que consiste a morte do corpo: “A alma do Homem se faz veicular da seguinte maneira: o intelecto situa-se na razão discursiva; a razão na alma, a alma no sopro; o sopro, enfim, circulando através das veias e artérias pelo sangue, coloca em movimento o Ser Vivente, e de uma certa forma podemos dizer que o conduz.

Esta é a razão pela qual alguns pensam que a alma é o sangue, embora se enganem sobre sua natureza. Não sabem que é preciso que o sopro se retire do corpo, e a seguir para que o sangue se coagule, e então que as veias e artérias tenham ficado vazias, para que o Ser Vivente pereça. É nisto que consiste a morte do corpo.” Pessoas que viveram EQM (experiência quase morte) relataram a visão de um túnel, a alma pairando sobre o corpo, uma luz brilhante, encontro com familiares e paz total.

Como leigo e um aprendiz nos estudos e entendimentos judaicos, faço uso dos ensinamentos da Tora, para uma abrangência maior aos nossos estudos:
“Durante três dias após o falecimento, a alma paira por cima do corpo, pensando que irá retornar a ele.” (Talmud Yerushalmi Moed Catan 3:5, Yevamot 16:3)
“Durante os sete dias a alma vai e vem entre a casa e a sepultura.” (Zôhar Vaychi 218b, 226a)
“Quando a alma parte deste mundo, ela sobe pela Caverna da Machpelá, já que lá é o portal do paraíso.” (Zôhar Vayechi 219 – 250)
“Rabi Dossa diz: está escrito (Shemot 33:20) ‘… pois não poderá ver-Me o homem, e viver’, na vida eles não enxergam, porém na morte sim.” (Midrash Bamidbar Rabá Nasso)
“A alma tem uma grande dificuldade em se separar do corpo, e o ser humano não falece até que enxergue a Luz Divida, e em razão da ânsia por esta visão, a alma sai para receber a face.”
“Quando um justo falece… D’us fala para eles: ‘Venham justos para recepcioná-lo’, e eles falam para o falecido: ‘Venha com paz. ‘” (Talmud Ketuvot 104)
“Quando um ser humano falece ele recebe permissão de enxergar, e ele vê seus colegas e parentes do Mundo Acima e os reconhece; eles estão com a mesma aparência que estavam neste mundo. E se tiver o mérito, todos se mostram felizes perante ele… e o acompanham.” (Zôhar Vaychi 218b)

O Talmud (Berachot 28) relata que quando Rabi Yochanan estava falecendo disse: “Preparem uma cadeira para Chizkiyahu, rei de Yehudá, que veio me acompanhar”.

“Quando o homem falece, todos seus atos são detalhados perante ele, e lhe falam: ‘Assim fizeste no dia tal, e certamente você poderá conferir.’ Ele responde: ‘Certamente.'” (Sifri Haazinu)
“Reconheça o que existe acima de você: um Olho que vê, um Ouvido que escuta, e todos seus atos estão registrados em um Livro.” (Ética dos Pais, 2:1)
“Tudo que é dito perante o defunto, ele sabe, até tamparem a cova.” (Talmud Shabat 152b)
“Disse Rav para Rabi Shemuel bar Shilat: ‘Capriche no meu elogio fúnebre, já que estarei presente lá ouvindo suas palavras.” (Talmud Shabat 153a)
“Para Deus tudo é belo e bom e justo; os homens, contudo, julgam umas coisas injustas e outras justas.”

Ven.’. I.’. Paulo Santos
Supremo Conselho do Grau 33 do R.E.A.A., ARLS Verdadeiros Amigos 3902, GOSP/GOB, Brasil

BIBLIOGRAFIA:
REVISTA DIARIO DEZ DE 12 A 18 DE DEZEMBRO DE 2010
LIVRO SAGRADO – TORA
RITUAL DO LEGITIMO RY